A região de Cambará do Sul abriga os cânions mais impressionantes do sul do país: os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho são um sonho de consumo de todos que viajam por essa parte do Brasil.

Muitas pessoas conhecem os cânions como parte de uma road trip pelo sul, combinando roteiros vindo de Santa Catarina com o estado vizinho, Rio Grande do Sul, para visitar Cambará. Se você tem muitos dias, então esse roteiro pode ser perfeitamente combinado com uma visita a Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra, conhecendo a bela Serra do Rio do Rastro (roteiro contado nesta outra postagem). Ou então, com outro lugar no Rio Grande do Sul, como São Miguel das Missões, como neste relato, por exemplo.

Mapa das estradas de terra e asfaltadas

Porém, se você vem dessa região, informe-se bem sobre quais rodovias utilizar, pois a rota mais curta inclui estradas de terra, areia e cascalho que realmente não sei dizer suas condições, então seria melhor pegar uma rota asfaltada no fim das contas. Essa rota de areia e cascalho seria a que liga Bom Jardim da Serra e São Joaquim a Cambará do Sul via São José dos Ausentes. O caminho asfaltado seria pela BR-101 seguindo até Torres. Daí subir pela Rota do Sol, pela BR-453. Isso porque há outro caminho de cascalho mais curto, que liga Torres a Cambará via Praia Grande.

Escada para as falésias no Parque da Guarita, em Torres

Em cima da Torre Sul, no Parque da Guarita, em Torres

Você poderia também estar vindo só pela rodovia litorânea (BR-101) se estiver visitando Florianópolis, passando por Imbituba (e daí pode conhecer a bela Guarda do Embaú, praia do Rosa e outras) até Torres. Ou, ainda, pode estar vindo de Porto Alegre também até Torres e daí voltando um pouco e subindo para Cambará pelo caminho que expliquei antes. Ou, ainda mais outra opção, estar passeando por Gramado e Canela e sair de lá direto para Cambará do Sul, sem precisar ir para a BR-101. No mapa um pouco tosco que fiz acima indiquei as principais rodovias para que entenda um pouco melhor.

Em cima da Torre Sul observando a praia de Itapeva, no Parque da Guarita, em Torres

Torre Sul ao longe, vista da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Neste relato contarei sobre um roteiro de um fim de semana saindo de Porto Alegre para visitar os cânions Fortaleza e Itaimbezinho, mas passando por Torres. Porém, como pode ver, existem inúmeras possibilidades, o sul é incrível!

Em cima da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Mapa da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Essas cidades todas que citei podem ser visitadas durante o ano todo, mas no inverno pode ser muito frio (neste inverno de 2017 inclusive chegou a nevar em algumas delas). Nos cânions existe o risco de pegar muita neblina e não ver nada, mas isso é uma loteria! Pode estar um lindo dia de sol e de repente a neblina tomar conta dos cânions. Ou em pleno inverno de repente o tempo abrir. Ouvi dizer que a possibilidade de pegar tempo aberto, sem neblina, nos cânions é maior na parte da manhã, mas isso você realmente só vai saber quando chegar lá. Nas duas vezes que visitei a região, em janeiro e em novembro, tive a sorte de ver os cânions sem neblina.

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

De Porto Alegre até Torres são 192 km, percorridos em pouco mais de 2h. Aluguei um carro em Porto Alegre e saí por volta das 7h da cidade, e a rodovia foi bem tranquila.

Da Torre do Meio se vê o Morro do Farol e a cidade ao fundo, no Parque da Guarita, em Torres

Esse é o caminho na Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Ouvi dizer que Torres é a praia mais linda do Rio Grande do Sul, mas ela ficou mesmo conhecida pelo famoso Festival Internacional de Balonismo. Chegando lá, você se depara com uma cidade grande, mas o show está na bela praia da Guarita, cartão postal de Torres. O mar é um pouco agitado, mas ao entrar no Parque da Guarita já é possível apreciar as lindas falésias e até subir e caminhar por cima delas. Há algumas escadas para subir, e é bem tranquila e rápida a subida. Lá de cima você terá uma vista de tirar o fôlego, subindo na Torre Sul você verá de um lado algumas falésias na praia da Guarita, e do outro, uma extensa faixa de areia, que é a praia de Itapeva, com 6 km de extensão.

Da Torre do Meio você pode descer nas escadinhas lá embaixo, no Parque da Guarita, em Torres

Parque da Guarita, em Torres

Depois você pode subir na Torre do Meio (ou Morro das Furnas), que é mais extensa. Subindo as escadas a caminhada pelo platô é muito bonita, com vista para os penhascos. Há algumas escadinhas íngremes para descer e visualizar a parte inferior, mas tome cuidado ao descer. No final do platô (que tem no máximo uns 600 metros), você pode avistar a cidade com seus prédios, na Praia Grande, e o Morro do Farol também, de onde saem os paragliders, sendo possível descer nessa praia e caminhar até ele.

Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Parque da Guarita funciona todos os dias das 8h às 20h, e o estacionamento custa R$ 5,00 (pessoa a pé não paga). Se você não tiver alugado um carro em Porto Alegre, a viação UneSul faz o percurso de Porto Alegre até Torres.

Trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Há um passeio que não fiz, que leva de barco até a Ilha dos Lobos, reserva onde se pode observar os lobos marinhos e leões marinhos, além de diversas espécies de aves marinhas.

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

De qualquer forma, da maneira que fiz, indo de carro alugado, o passeio no Parque da Guarita é feito em mais ou menos meio período do dia. Saindo de lá peguei a Rota do Sol (pela BR-453), evitando assim a estrada de terra que vai para Cambará do Sul via Praia Grande. São 143 km via Tainha até Cambará, cerca de 2h.

Cânion Fortaleza, o que mais adoro em Cambará do Sul

Aproveitando o Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

A pequena cidade de Cambará tem seu charme, uma joia no meio das montanhas, com uma rua principal, onde ficam pousadas e restaurantes, como a Pizza Retrô, por exemplo. E não tem preço você parar numa padaria e pedir um pão na chapa e a atendente virar para o chapeiro e pedir por um torrado no pão de cacetinho!

Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Você caminha naquela parte de cima da Cachoeira do Tigre Preto para ter essa vista, no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Se você estiver de carro, que acho a melhor maneira de visitar a região, poderá ir até os cânions Itaimbezinho e Fortaleza por conta própria (não precisa de guia na parte superior). Porém, se tiver chegado até a cidade de ônibus, precisará contratar um tour por causa do transporte até os cânions. A viação Citral faz o percurso de Porto Alegre até Cambará do Sul, mas não todos os dias. Consulte o site da Citral. Ou é possível pegar um trecho de Porto Alegre até Caxias do Sul (Expresso Caxiense), e de lá um para Cambará do Sul (Expresso São Marcos). O Expresso São Marcos também faz de Torres a Caxias do Sul.

A bela Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Para quem não estiver de carro e precisar desse transporte até os cânions, achei pela internet algumas agências como, por exemplo: Guia Aparados da Serra, Agência da Colina, Aparados da Serra Turismo, Cânion Turismo, Téfo Guia e Rota dos Cânions. Imagino que existam diversas outras agências locais. Na cidade há um centro de apoio ao turista que pode te ajudar com isso também.

Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Cânion Fortaleza fica no Parque Nacional da Serra Geral. São 22 km de estrada de terra e cascalho para chegar até a portaria do parque, mas que estão em bom estado de conservação (na dúvida, vai devagarzinho!). Chegando lá, você verá as placas indicando o caminho para as trilhas do Mirante, da Pedra do Segredo e da Borda dos Cânions, o que daria no máximo uns 7 km tudo, mas são trilhas relativamente tranquilas. Os paredões do cânion têm até 700 metros de altura.

Graxaim, não mexe com ele!

Os graxains são selvagens, mesmo que pareçam amigáveis

Ao fazer a trilha do Mirante, você terá o incrível visual desse cânion, para mim, o mais lindo! Depois, volte até onde a placa indica a trilha da Pedra do Segredo (uma gigante pedra equilibrada no paredão), onde você verá também, no caminho, a bela cachoeira do Tigre Preto. Tenha cuidado, pois é preciso passar pelas pedras do rio por cima dessa cachoeira, mas como ele é baixo, sempre há várias pedras secas para pisar e, assim, atravessar o rio.

Uma dica: se precisar passar por dentro da água, ou se sentir mais seguro assim, você pode tirar o tênis, mas manter as meias, indo assim pelo leito do rio. Dessa forma você não escorregará nem um pouco!

Graxaim, não se aproxime

Cânion Itaimbezinho

Passando para a outra margem e andando mais uns poucos metros… voilà! A cachoeira do Tigre Preto de frente! Depois terá outra visão do cânion conforme caminha. A Pedra do Segredo em si não me impressionou muito. Esse passeio todo pelo cânion Fortaleza pode ser feito em mais ou menos meio período. A entrada é gratuita, e o local funciona todos os dias das 8h às 17h (no horário de verão, até às 18h). Cuidado com os graxains que podem estar no estacionamento. Eles são um tipo de raposa ou lobo, que até lembram cãezinhos, pois estão acostumados com as pessoas que dão comida nesse estacionamento. Porém, não se esqueça de que são selvagens, e não se deve tocá-los ou importuná-los.

Trilha no Cânion Itaimbezinho

O belo Cânion Itaimbezinho

Em outro meio período você precisa conhecer o cânion Itaimbezinho, que fica no Parque Nacional de Aparados da Serra. Ele funciona de terça a domingo das 8h às 17h, mas para a trilha do Cotovelo é necessário entrar no parque no máximo até às 15h. De Cambará do Sul até a portaria são 18 km de estrada de terra (mesmas recomendações da estrada para o cânion Fortaleza, vai devagar! rs). Brasileiros pagam R$ 8,00 de entrada e mais R$ 15,00 de estacionamento, e a base de apoio tem um pouco mais de estrutura do que a do cânion Fortaleza. Nesse parque, na parte superior, também não é necessário guia, e você pode fazer as trilhas do Vértice (1,5 km ida e volta) e do Cotovelo (6 km ida e volta), que também são relativamente tranquilas, com vista para as cascatas Véu de Noiva e Andorinhas. É um passeio super bonito também (apesar de o meu coração pertencer ao Cânion Fortaleza).

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Como eu disse, fiz esse roteiro em um fim de semana: meio período para Torres, meio período para o cânion Fortaleza e meio período para o cânion Itaimbezinho. E o que fiz no último meio período (meu voo saindo de Porto Alegre era só 21h00)? Aproveitei para conhecer a Cascata dos Venâncios, que me surpreendeu com sua beleza e quantidade de água, com suas 4 quedas em uma extensão de 100 metros, onde é possível banhar-se. Ela fica a 22 km de Cambará do Sul, na estrada para Jaquirana, com parte de estrada de terra também.

Cascata dos Venâncios, em Cambará do Sul

Outra da Cascata dos Venâncios

Se você estiver sem carro poderá fazer um passeio que terei ainda que voltar para fazer, que passa não só pela Cascata dos Venâncios, mas pelo Passo do S e Passo da Ilha, que não fui, mas parece um incrível lugar. Porém, para o Passo do S e o Passo da Ilha precisa de agência, pois o 4×4 passará por dentro do rio num percurso que um carro de passeio não passaria.

Cascata dos Venâncios de longe, com suas várias quedas

Parte da Cascata dos Venâncios

Falando em passeios que não fiz e preciso voltar à região e fazer, destaco a Trilha do Rio do Boi, que percorre a parte inferior do cânion Itaimbezinho. Para essa trilha é obrigatório guia e, além disso, boas condições climáticas (vulgo “sol”). É uma trilha de dia inteiro de nível difícil, que sai de Praia Grande. Nela são percorridos 10 a 14 km pelo leito do rio por dentro do cânion. Essa trilha por dentro do cânion é a mais famosa, mas ouvi fizer que também há uma trilha por dentro do cânion Fortaleza, a trilha do Tigre Preto, também de nível difícil.

Trecho da Cascata dos Venâncios

Outra da Cascata dos Venâncios

Fora os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho, há também os cânions Malacara (por dentro ou por cima), Josafaz, Churriado, Cambajuva, cânion da Pedra, cânion da Encerra, Realengo, Monte Negro, Coxilha, Pinheirinho e outros. Consulte os sites das agências da cidade para saber mais sobre esses trekkings, geralmente de nível moderado a difícil. E há diversas outras cachoeiras da região, como a do Tio França (a 2,5 km da cidade). Podem também ser feitos passeios de bike, de bote, cavalgadas e rapel. Veja um vídeo da Cascata dos Venâncios abaixo:

Encerro dizendo que esse roteiro pelos cânions vale muito a pena. Estude bem sua rota para montar uma boa logística e pegar as estradas asfaltadas e, assim, apreciar ao máximo essas maravilhas! Como pode ver, existem várias formas de visitar a região, tanto com muitos dias de passeio quanto com uma rápida passada, como eu fiz; e tanto com caminhadas leves quanto com trilhas mais difíceis. Tudo é questão de se programar!

Em meu relato anterior, sobre o Monte Roraima, contei como cheguei à Venezuela. Agora precisamos falar sobre o magnífico Salto Angel. Se quiser saber mais sobre minha jornada de Boa Vista até Santa Elena de Uairén, sobre o Parque Nacional Canaima e seus tepuis acesse meu texto sobre o Monte Roraima. O Salto Angel, como muitos locais que visito, também é considerado um Patrimônio da Humanidade pela Unesco, desde 1994.

Embarcando para Canaima

Voo saindo de Ciudad Bolívar

Por alguns anos esta apaixonada por cachoeiras teve o sonho de conhecer a maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, com 979 metros de altura. Quando surgiu a oportunidade de conhecer o Monte Roraima não hesitei em incluir um pulinho ao Salto Angel também, apesar de serem distantes. Ela tem esse nome por ter sido “descoberta” por James Crawford Angel, ou Jimmy Angel, ao sobrevoá-la em 1933, apesar de já ser conhecida pelos índios locais antes. Algumas pessoas dizem que o Salto Angel é o que aparece no filme Up! Altas aventuras (você pode ver detalhes da pesquisa da Pixar para o filme com os vídeos da Venezuela aqui). E também acho que seria a cachoeira que mostra no início da animação Valente.

Selfie básica com o piloto

Lagoa Canaima e salto Ucaima atrás

Como mencionei em meu relato sobre o Monte Roraima, na estação seca é impossível visitar o Salto Angel, pois o percurso é feito quase todo de barco, e com o rio baixo não há como o barco navegar. Eu fui em dezembro, que é o início da estação seca. Em alguns momentos o barco navegou com dificuldade, mas ainda conseguiu passar e foi ótimo. Porém, a partir de janeiro ou fevereiro provavelmente as agências nem te venderão o pacote ao Salto Angel, dependendo de como estiver a situação do rio. As chuvas voltam mais ou menos em maio, e daí até novembro seria a estação chuvosa, mais garantida de conseguir fazer o passeio. Porém, também não deve ser bom fazer o passeio debaixo de chuva, por isso escolhi dezembro, um mês intermediário (tudo por um céu azul!).

Acampamento Kavac

Barco usado para o tour e salto Ucaima atrás

Quando cheguei em Santa Elena fui recebida pela agência Mystic (site e Facebook e [email protected]). Para chegar ao Salto Angel a maior parte dos voos sai de Ciudad Bolívar, a 705 km de Santa Elena de Uairén, embora alguns saiam também de Puerto Ordaz. Como eu entraria no país por Santa Elena e estava sozinha nessa parte da viagem, preferi uma agência dessa cidade a fim de me auxiliar, em vez de uma em Ciudad Bolívar, para que me ajudassem a percorrer esses 705 km da melhor forma. Isso porque a maneira mais barata seria indo de ônibus, e as passagens são vendidas somente no próprio dia da viagem, por volta das 4h da manhã. É feita uma fila de turistas e agentes de viagem para comprar essa passagem, que muitas vezes é concorrida. Ou seja, não é garantia de conseguir!

Passeio para os saltos Saltos Ucaima, Golondrina e Wadaima, El Sapo, Sapito e Hacha

A caminho do Salto El Sapo

Por isso, quando fechei o pacote do Salto Angel com a Mystic, já que eu chegaria a Santa Elena não tão cedo assim no próprio dia de embarcar, pedi que por favor tentaaassem comprar essa passagem de ônibus, apesar de eles ressaltarem várias vezes que não garantiam que conseguiriam. Ela custou, convertendo para reais, R$ 20,00, repassados à agência previamente. Se não conseguissem, a solução seria um táxi compartilhado, outra forma bem usual. Porém, dessa maneira precisaria esperar juntar algumas pessoas para compartilhar o transporte e o valor seria de R$ 100,00 por pessoa.

A caminho do Salto El Sapo

Em cima do Salto El Sapo, que está seco

Felizmente, naquela manhã, quando cheguei à Mystic, eles haviam conseguido comprar minha passagem de ônibus, marcada para as 19h. Todas as agências de Santa Elena que citei no relato do Monte Roraima vendem também o pacote para o Salto Angel. Além disso, há muitas agências lá em Ciudad Bolívar, como a Conexion Tours ([email protected]/ e [email protected]), que fica na própria rodoviária, e a Ayapaina, por exemplo.

Salto Hacha

Atrás do Salto Hacha

Para o tour ao Salto Angel saindo de Santa Elena são necessários 5 dias: 1 dia para ir, 3 dias de passeio e 1 dia para voltar. Isso porque os ônibus noturnos que saem de Santa Elena a Ciudad Bolívar, tanto na ida quanto na volta, demoram cerca de 12h, e muitas vezes há atrasos, levando ainda mais tempo! Ou seja, caso vá fazer o Monte Roraima depois do Salto Angel, deixe pelo menos um dia livre entre um passeio e outro para garantir.

Salto Hacha: molha tudo!

Salto Hacha: leva câmera a prova d’água!

Deixei as coisas que não usaria no Salto Angel, só no Monte Roraima, guardadas na Mystic, para pegar somente na volta do tour. Isso porque só são permitidos 12 kg na avioneta que leva ao Salto Angel. Quando chegou o horário do meu ônibus o solícito agente da Mystic me levou de táxi na rodoviária de Santa Elena, me colocou no ônibus e só foi embora depois que o ônibus partiu. As 12h de viagem foram bem tranquilas, com paradas em outras cidades no caminho. Algumas pessoas relatam haver vários postos policiais no caminho, que param os ônibus, revistando a bagagem de todos. Eles verificam também se você tem o carimbo da imigração da fronteira do Brasil e da Venezuela. Felizmente meu ônibus só foi parado na volta e uma única vez. Li alguns relatos em que os ônibus foram parados inúmeras vezes.

Atrás do Salto Hacha

Navegando para o Salto Angel

Quando cheguei em Ciudad Bolívar às 7h um funcionário da Conexion Tours me esperava na porta do ônibus. Eu dei a ele o dinheiro da passagem de volta para Santa Elena para depois do meu tour, pedi que por favor comprasse para mim, embora ele também dissesse que não seria garantido conseguir. Ele chamou um táxi e pagou, pedindo que me levasse ao meu hotel na cidade, já que o tour iniciaria somente no dia seguinte. Esse hotel também estava incluso no pacote, mas ele era excelente e tinha até piscina. Porém, era muito barato, com certeza se fosse no Brasil seria um hotel caro pelo padrão dele. Aproveitei para descansar e passear pela cidade. Não encontrei muito o que fazer, mas pareceu uma cidade tranquila, meio vazia, com casas bonitas pelo menos na região que estava, perto do aeroporto do qual saem os voos para Canaima. Caminhei até um parque, em que havia pessoas fazendo caminhada e passeando com seus cães.

Pequena parada no caminho para o barco seguir leve por um trecho

Navegando para o Salto Angel

No dia seguinte, pontualmente no horário informado pela agência, um funcionário veio me buscar no hotel, atravessou a rua comigo para o aeroporto e me entregou minha passagem (não é possível ir por terra ao local). Era um pequeno avião (acho que um tipo de bimotor) em que cabiam no máximo 10 pessoas. O funcionário só foi embora depois que embarquei e o avião saiu. Esse é outro ponto que se você não tiver o carimbo da imigração você não embarca. Fiquei extremamente feliz quando o piloto me convidou para sentar ao lado dele, tendo a melhor vista do voo (mesmo em um dado momento passando dentro de uma nuvem chuvosa)! Quarenta minutos depois chegamos a Canaima.

Há vários outros saltos caindo dos tepuis além do Angel

Navegando para o Salto Angel

Esperei me chamarem, e uma espécie de jipe com a parte de trás aberta veio me buscar para o Acampamento Kavac. Chegando lá percebi que eram divididos vários grupos. Alguns iam para o Salto Angel no primeiro dia e no dia seguinte às outras cachoeiras da região, outros faziam o contrário. Todos os moradores e funcionários são indígenas de comunidades da região. Um deles seria meu guia, disse-me para almoçar e ir a pé até o rio para dar uma volta, que depois do almoço eu iniciaria o passeio. Todas as refeições foram excelentes, mesmo eu sendo vegetariana comi muito bem, havia muitas opções! Nessa comunidade Canaima consegui até uma lan house, mas a internet era extremamente lenta.

Salto Angel: parada no caminho

O caminho para o Salto Angel é lindo

O Acampamento Kavac é uma espécie de pousada, com várias casinhas e quartos coletivos. Há várias pousadas nessa região, cada agência direciona para uma delas. Pude ir a pé até a lagoa Canaima, um trecho do rio de onde se avista o salto Ucaima, uma paisagem belíssima, formando até uma praia, onde tomei um belo banho!

A caminho do Salto Angel

A caminho do Salto Angel: parada para almoço

Após o almoço me juntaram a um pequeno grupo com uma família de americanos, um casal venezuelano e um japonês e seguimos para um passeio de barco passando pelos Saltos Ucaima, Golondrina e Wadaima. Descemos do barco para caminhar aos Saltos El Sapo (que estava seco, mas proporcionava uma bela vista de onde seria o leito do rio), Sapito e Salto Hacha. O Salto Hacha é incrível, pois é uma queda com grande fluxo d’água e pode-se caminhar por trás dela, onde há uma espécie de caverna. Porém, ao entrar, leve uma capa para a câmera, ou uma que seja a prova d’água.

Trilha para o Salto Angel

Trilha para o Salto Angel

No dia seguinte seguimos para o Salto Angel, que já fica mais distante, há 4 ou 5h de barco de motor contra o rio. Como o rio estava já começando a baixar, em alguns momentos o barco enroscava nas pedras e o guia precisava, com um remo, empurrar o barco. Inclusive tivemos que caminhar uns 20 minutos numa pequena ilha enquanto o barco a contornava sem peso e nos encontrava mais à frente. Quando estiver no barco, mantenha as coisas que não podem molhar dentro de plásticos, pois muitas vezes a água acaba voando nas pessoas. Para as mochilas, eles têm uma lona na parte de trás do barco. O ideal é usar uma capa de chuva e chinelos para utilizar no barco. Porém, não se esqueça de levar uma muda de roupa seca para depois do passeio, com roupas de frio para a noite e um tênis para caminhada guardado em local seco.

Salto Angel finalmente!

 

Salto Angel: impossível não tirar mil fotos!

As paisagens no caminho são belíssimas, o percurso rio acima, mesmo durando horas, não é nada entediante! Depois de 4 ou 5h observando a beleza dos tepuis chegamos finalmente ao Ayuantepuy, a formação rochosa de onde despenca o Salto Angel. Nesse trecho o barco “estacionou” e começamos a parte de trilha (lembra que falei para levar um tênis para caminhada?). A trilha não é difícil, tem 1h de duração em mata fechada, mas é uma subida com muitas raízes e pedras, por isso é necessário caminhar com atenção para não tropeçar.

Salto Angel: essa é a parte de baixo

Salto Angel: a parte de baixo também rende ótimas fotos!

Chegando no mirante, a visão do Salto Angel mais parecia uma miragem de tão perfeita! Depois de um pequeno ensaio fotográfico caminhamos mais um pouco até a base da queda, onde pudemos nos banhar no Salto Angel. E é claro que apesar da água gelada e dos mosquitos eu não ia perder a oportunidade de nadar na maior cachoeira do mundo, não é mesmo?

Você pode nadar no Salto Angel na parte de baixo

Dormindo na Isla Ratón

Depois descemos pela trilha e fomos até o acampamento na Isla Ratón, bem próximo de onde estávamos. Esse acampamento é bem rústico. É só um telhado com umas redes, e em cada rede há um cobertor, pois faz bastante frio à noite. Inclusive o banho é bem gelado. Essa é a hora de usar suas roupas de frio. Após o jantar foi a hora de o guia nos contar alguns “causos”, como a arrepiante história dos Canaimas (mas se você estiver muito curioso pode ouvir a lenda aqui).

Tchau, Salto Angel!

Paisagem do caminho de volta do Salto Angel

No dia seguinte partimos cedinho para voltar, agora com o barco no sentido do rio. Eu não conseguia deixar de olhar para trás, para ver o Salto Angel ficando cada vez menor. Chegando ao acampamento do início, peguei um avião menor ainda, um monomotor, e dessa vez eu era a única passageira. O simpático piloto fez um pequeno sobrevoo sobre o rio (há também um passeio em que se sobrevoa o próprio Salto Angel, mas que eu não fiz) e tiramos até algumas selfies!

Aviãozinho menor para voltar

Sobrevoo sobre o salto Ucaima

Chegando de volta no aeroporto de Ciudad Bolívar peguei um táxi até a rodoviária e bati na casinha da Conexion Tours. O funcionário tinha conseguido comprar minha passagem de volta para Santa Elena no ônibus das 20h. Após muita espera numa rodoviária de dar medo e ainda mais de 1h de atraso do ônibus consegui embarcar. E ainda bem que tinha deixado o dia seguinte livre antes de iniciar o Monte Roraima, pois o ônibus atrasou bastante. No outro dia era Natal e nada funcionava em Santa Elena. Aproveitei ainda o dia posterior ao Natal para fazer um tour de um dia pela Gran Sabana, para só no outro dia iniciar o Monte Roraima.

Sobrevoando o Parque na volta

Rio navegado até o Salto Angel

O Salto Angel é de tirar o fôlego, além de ser incrível visitar a maior cachoeira do mundo, o passeio é aventura do início ao fim!

Feliz da vida!

Selfie básica com o piloto!