Quando se pensa no Maranhão, logo vêm à cabeça os Lençóis Maranhenses. Porém, o estado abriga outra joia para quem curte natureza: a Chapada das Mesas. E se você tem vontade de conhecer todas as chapadas do Brasil, terá de incluir esta na sua lista! Paredões rochosos (formando “mesas”, daí o nome dessa chapada), estonteantes cachoeiras com muita água, piscinas naturais cristalinas e belíssimas paisagens compõem o incrível cenário desse destino.

O Parque Nacional da Chapada das Mesas, criado em 2005, tem 160.046 hectares de cerrado, e está na região dos municípios de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz.

Cachoeira da Prata

Cachoeira da Prata

QUANDO? A melhor época para se visitar é de maio a setembro, que é a época seca. De dezembro a março pode ser bastante chuvoso. Como é uma região bastante quente o ano inteiro, eu fui em fevereiro, passei meu carnaval por lá. De fato peguei meia hora de chuva intensa, mas nada que atrapalhou o passeio no geral.

Cachoeira São Romão

Cachoeira São Romão

COMO CHEGAR? (Ai, que pergunta difícil! rs) Sua base para visitar os atrativos da Chapada das Mesas será a pequena cidade de Carolina, no sul do estado do Maranhão. O pensamento natural seria pegar um voo para São Luís. Porém, essa seria uma das soluções mais distantes, viável somente se você fosse combinar o destino com os Lençóis Maranhenses. Isso porque a capital do estado fica a mais de 800 km de Carolina. Quando fui aos Lençóis, de fato vi algumas empresas oferecendo transfer no aeroporto de São Luís, porém não sei se hoje em dia isso está operando.

Atrás da Cachoeira São Romão

Uma das maneiras mais próximas de alcançar esse paraíso é voar para Imperatriz, cidade a pouco mais de 200 km de Carolina. Porém, hoje somente a Latam e a Azul operam esse trecho. Com a retirada do voo da Gol, esse trecho ficou um pouco mais caro no geral. Outra opção seria voar para a cidade de Araguaína, a 150 km de Carolina, que conta com os voos da Gol, Latam e Azul. Mas quando fui o trecho também estava caro. Antes havia a Voe Sete, que voava direto para Carolina, mas ela deixou de operar. Minha solução foi voar para Palmas, a 500 km de Carolina.

Encanto Azul

Encanto Azul

Se você chegar por Imperatriz, o trecho terrestre desta cidade a Carolina é feito pela JR 400. Chegando por Araguaína ou por Imperatriz, há algumas vans e ônibus que fazem o trecho até Carolina, mas pesquise com sua hospedagem ou agência os horários antes de ir. De Palmas também há um ônibus por dia. Algumas pessoas alugam carro numa dessas cidades e dirigem o trecho todo. Outra maneira é pedir para uma agência de tours de Carolina fazer o transfer para você.

Como a capital mais próxima de Carolina é Palmas (a 500 km), muitas pessoas combinam uma viagem ao Jalapão com a Chapada das Mesas, no que costumam chamar de Jalapada (Jalapão com Chapada, dããã rs).

Cachoeira Santa Paula, no complexo Santa Bárbara

Chegando na Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Na Chapada das Mesas os atrativos ficam distantes uns dos outros. Por isso, ou você precisará estar de carro ou, então, contratar uma agência de passeios. Se você estiver com carro comum, é possível fazer alguns dos passeios com ele, mas outros exigem um 4×4. Por isso, de qualquer forma, pelo menos para uma parte dos atrativos, você precisará contratar uma agência. Existem algumas agências em Carolina, como a Eco Trilhas (Facebook e contato da guia), a Cia do Cerrado, a Torre da Lua e o Zecatur (site e Facebook), além das agências em Palmas.

Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Aí era onde era pra ser o Poço Azul, no complexo Santa Bárbara, mas com a chuva, olha como ficou!

Eu contratei um tour de 4 dias pela Chapada das Mesas. Com esse período, dá para conhecer os principais atrativos. Porém, se você ficar mais, há ainda outros passeios que ficaram de fora de meu roteiro.

Hospedei-me na Pousada Casarão Carolina, que fica num antigo casarão da cidade e estava com um bom preço. A cidade foi construída na década de 1950, e marcada pela passagem da imperatriz Maria Leopoldina, uma das esposas de Dom Pedro I. A região tem mais de 500 construções em estilo colonial.

Carolina é uma cidade pequenina, mas tem uma agradável praça com várias opções de restaurantes. Há também o Museu Histórico de Carolina, que conta a história da região, mas não consegui visitar porque passei todos os meus dias em passeios de natureza.

Fiz toda a minha viagem com o Zecatur, que me ofereceu o melhor custo-benefício. Estávamos em 6 pessoas, e pedi ao Zeca para nos buscar em Palmas. Ele foi muito disposto, pois são 6 horas de viagem, e ele foi até lá nos buscar e retornou conosco dirigindo a noite toda!

Após esse longo percurso, logo de manhã, atravessamos o Rio Tocantins de balsa, de Filadélfia a Carolina, chegando finalmente à cidade. Depois de deixar as coisas na pousada, seguimos para o primeiro passeio do dia.

Complexo Pedra Caída

Complexo Pedra Caída, subindo ao mirante

Meu primeiro dia já foi num dos lugares mais incríveis da região: as cachoeiras São Romão e Prata, no rio Farinha, dentro do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Eu considero que esse é um dos passeios que precisa de um 4×4 para chegar, pois o percurso é feito entre terra e muitos trechos só de areia. São cerca de 90 km até lá, esse é um passeio de dia inteiro.

A cachoeira da Prata é somente para contemplação. Ela tem 26 metros de altura, mas a força de suas águas impressiona. Paguei R$ 5,00 para entrar. Depois de uma trilha curta, você acessa o lugar, que rende fotos ótimas.

Em seguida, fomos para a cachoeira de São Romão, com 25 metros de altura. São cobrados R$ 10,00 para entrar. Primeiro acessamos um mirante na parte de cima. Depois, seguimos para a parte de baixo. É aí que é feita a mágica, ponto alto do passeio para mim: você pode ir atrás da cachoeira, o que é uma experiência incrível. Porém, recomendo que tome bastante cuidado, pois há muitas pedras escorregadias. Se tiver chovido muito não será possível acessar a parte de trás da cachoeira. Como eu estava com o guia, ele ajudou todo mundo a ir atrás da cachoeira com segurança. Recomendo que leve uma câmera que possa molhar ou capinha à prova d’agua para celular (você vai ficar encharcado!) para registrar esse ângulo. Nessa cachoeira já é possível banhar-se, há uma espécie de prainha. Depois da experiência almoçamos no local, que oferece uma comida simples, mas saborosa. Veja alguns vídeos da cachoeira São Romão:

No segundo dia fomos para outro lugar clássico da Chapada das Mesas. Seguimos para o Complexo Santa Bárbara, a 136 km de Carolina, em Riachão. Você paga R$ 30,00 para entrar nessa região. Antes de entrar no complexo em si, fomos adiante em direção ao Encanto Azul. Devido às chuvas das semanas anteriores, eu achei a estradinha até o Complexo um pouco complicada. Porém, muitas pessoas vão com carro de passeio até esse ponto tranquilamente, e lá contratam um 4×4 somente para o trecho final até o Encanto Azul (6 km), que custa  20,00.

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Chegando lá, há uma pequena trilha com uma escadaria, descendo por um cânion. Então você terá uma visão encantadora, uma belíssima piscina natural de um azul profundo! É um local perfeito para nadar e fazer flutuação com snorkel, com trechos mais rasos e outros mais profundos, com até 6 metros. Por ser uma nascente, o poço está sempre azul, mesmo que tenha chovido.

Tirolesa no Complexo Pedra Caída

Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Na volta entramos no Complexo para almoçar. Após o almoço, o guia nos deixou à vontade para fazer as trilhas pelas passarelas dentro do Complexo, que são todas curtas. Infelizmente, todas as águas desse local estavam amarronzadas (coisas de se fazer esse passeio na época de chuvas). Primeiro, passa-se pela cachoeira Santa Paula (também dá para acessar a parte de cima dela, se quiser, para ver a vista). Descendo por ela, primeiro pegamos a passarela para a cachoeira Santa Bárbara. Chegando lá, há uma pequena gruta e uma ponte, de onde se tem uma visão muito bonita da paisagem. A cachoeira Santa Bárbara tem 76 metros de queda e foi a mais alta que visitei na região.

Mirante no Complexo Pedra Caída

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Depois seguimos para o que seria o Poço Azul, mas que infelizmente estava marrom devido às chuvas dos dias anteriores. Pelo site oficial do local você pode ver algumas fotos de como o poço fica se não houvesse chovido. No geral, mesmo tendo chovido, achei que a visita compensou, por causa do Encanto Azul e pela Cachoeira Santa Bárbara.

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Em meu terceiro dia, fomos a um inusitado lugar que concentra muitas atrações, o Complexo da Pedra Caída. Lá é bem tranquilo para ir com carro de passeio, pois ele fica na rodovia, a 35 km de Carolina. O local é quase um clube e, apesar dos salgados R$ 60,00 de entrada, vale muito a pena visitar. Esse valor de visitação dá direito apenas a entrada e ao uso das piscinas (que são ótimas para relaxar, contando inclusive com um “bar molhado”). Para fazer os passeios lá dentro, você terá que pagar por atrativo, e os valores atualizados constam no site. Por isso, quando eu fui, deixei cerca de R$ 125,00 lá mais o almoço, mas eu ainda digo que vale a pena.

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Ao entrar no complexo, você recebe uma pulseira que é uma espécie de comanda, na qual marca o que consumir e os passeios em que for. Depois você segue para uma sala de vídeo, onde assistirá um filme explicando como funciona o local e quais as opções de passeios lá dentro. Nessa hora, você já deve marcar quais atividades fará no complexo, pois cada uma tem seus horários pré-determinados.

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Além das cachoeiras, há uma enorme tirolesa, subindo por um teleférico ou então por uma passarela. Para subir pela passarela não paga (opção que escolhi). Lá em cima há uma espécie de pirâmide, e a vista é muito bonita. Olha só os vídeos da tirolesa:

Caminho para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Nosso guia nos instruiu sobre quais passeios reservar, que são os melhores. Isso porque não há como conhecer todas as cachoeiras num único dia e ainda fazer a tirolesa. Primeiro seguimos para a bela cachoeira do Capelão num carro do complexo. Depois, caminhamos por uma pequena trilha por dentro d’água, mas com o rio na altura dos tornozelos. A cachoeira tem 22 metros de altura, e seu charme é que suas águas são de um tom incrivelmente azul. É uma cachoeira muito bonita e boa para nadar.

Indo para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Depois rumamos para a cachoeira da Caverna, com 12 metros. A entrada dela é por uma pequena passarela. Achei ela bem diferente e inusitada. Ao entrar pela caverna, depois de andar por dentro de um pequeno trecho dentro da água (na altura dos tornozelos) você logo chega na cachoeira. Ela passa por uma abertura que já deve ter sido um teto que desabou de uma antiga gruta, que hoje fica ao ar livre (por isso não é necessário lanterna).

Habitante do Complexo Pedra Caída

Trilha para o Portal da Chapada

Após visitar essas cachoeiras, voltamos ao complexo para almoçar. Logo após o almoço fomos para a atração principal do local: a cachoeira do Santuário. Você vai caminhar por um trecho de 600 metros por passarelas e rampas para acessá-la. Na hora, eu não sabia muito bem o que esperar dessa cachoeira, pois não havia visto fotos.

Vista do Portal da Chapada

Vista do Portal da Chapada

Depois das passarelas, deixamos as coisas que não podem molhar e os calçados numa área própria para isso. Daí passamos por um lindo cânion, com fios de água escorrendo pelos paredões, e conforme adentrávamos o cânion, caminhando por dentro do rio, ele ia ficando mais profundo. Chegou um trecho onde a água estava na altura da cintura. Eu já estava achando tudo lindo e especial demais, e pensei que era só isso. Porém, eis que surge a incrível surpresa: ao fazer a curva do cânion, adentramos por uma espécie de gruta ainda formada pelos paredões, com uma pequena abertura no topo, de onde despencava a belíssima cachoeira do Santuário, com 46 metros de queda. É um lugar emocionante! E você vai sair todo molhado! Por conta do ambiente não muito claro e da água respingando por todo lado, entendi por que nunca vi fotos que mostram muito bem o local. A cachoeira do Santuário é inesquecível, uma grata surpresa! Veja o que deu pra filmar dessa cachoeira, na medida do possível:

Portal da Chapada: rende muitas fotos

Morro do Chapéu

Saímos felizes do complexo da Pedra Caída! Mas ainda havia mais uma aventura no dia. No caminho de volta para Carolina, paramos num trecho da estrada onde está a trilha para o Portal da Chapada. Esse local fica a 20 km de Carolina, e é o cartão-postal da região. Dá para estacionar o carro bem ao lado da rodovia. Algumas pessoas vão lá para ver o por do sol, outras para ver o nascer, outra parte ao longo do dia. Eu fui logo após visitar o Complexo da Pedra Caída, porém, acho que esse local merecia mais tempo. Talvez o ideal fosse visitar após o passeio do dia seguinte, as cachoeiras gêmeas do Itapecuru.

Vista do Portal da Chapada

Portal da Chapada rendendo muitas fotos!

Pagamos uma pequena taxa para os guias que ficam no local nos acompanharem pelo caminho arenoso, porém curto, até o portal. Cada trecho lá em cima é uma parada para foto, todas as vistas são extremamente lindas! Por isso eu gostaria de ter ido num dia não tão cheio de atividades, para curtir mais esse belo mirante. Acho o Portal da Chapada imperdível, a vista para os paredões é maravilhosa.

Portal da Chapada: tem gente que vem de bike

Este finalmente é o Portal da Chapada

Lá de cima vê-se o morro do Chapéu, uma das chapadas onde é possível fazer uma trilha até o topo de nível médio, que não fiz nessa viagem. O Portal da Chapada seria uma abertura na rocha, perfeita para ver o por do sol. Após a empolgação com tantas fotos de ângulos e vistas diferentes, acabamos descendo já há noite pelo caminho arenoso.

Amando o Portal da Chapada

Posando com a bike dos outros rs

No quarto dia fizemos um passeio mais curto, fomos conhecer as cachoeiras gêmeas do Itapecuru. Esse local também pode ser visitado com carro de passeio, e fica a 30 km de Carolina. Lá era uma antiga hidrelétrica que acabou virando uma espécie de clube. Paga-se R$ 10,00 para entrar. Há restaurante, chuveiros e banheiros, e às vezes há alguém que aluga caiaque. As cachoeiras são conhecidas como gêmeas por ficarem lado a lado, praticamente iguais, com 8 e 10 metros, respectivamente. Achei bonito, mas é mais um local para descansar. Por isso talvez esse fosse o dia ideal para rumar para o Portal da Chapada logo em seguida, tendo, assim, mais tempo para aproveitar esse mirante.

Cachoeiras do Itapecuru

Além da trilha para o Morro do Chapéu, há outra trilha que não fiz, no Refúgio Serra Torre da Lua, que dizem ser muito bonita. Também não visitei as cachoeiras do Dodô, do Garrote, do Brilho, da Pedra Furada, da Lua, Aldeia do Leão, Mansinha, Formosinha e Sumidouro, dentre outras.

No dia seguinte nosso guia dirigiu nos levando de volta para pegar nosso voo saindo de Palmas. Fomos embora extremamente realizados com a visita a esse local tão mágico que certamente vale conhecer!

A região de Cambará do Sul abriga os cânions mais impressionantes do sul do país: os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho são um sonho de consumo de todos que viajam por essa parte do Brasil.

Muitas pessoas conhecem os cânions como parte de uma road trip pelo sul, combinando roteiros vindo de Santa Catarina com o estado vizinho, Rio Grande do Sul, para visitar Cambará. Se você tem muitos dias, então esse roteiro pode ser perfeitamente combinado com uma visita a Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra, conhecendo a bela Serra do Rio do Rastro (roteiro contado nesta outra postagem). Ou então, com outro lugar no Rio Grande do Sul, como São Miguel das Missões, como neste relato, por exemplo.

Mapa das estradas de terra e asfaltadas

Porém, se você vem dessa região, informe-se bem sobre quais rodovias utilizar, pois a rota mais curta inclui estradas de terra, areia e cascalho que realmente não sei dizer suas condições, então seria melhor pegar uma rota asfaltada no fim das contas. Essa rota de areia e cascalho seria a que liga Bom Jardim da Serra e São Joaquim a Cambará do Sul via São José dos Ausentes. O caminho asfaltado seria pela BR-101 seguindo até Torres. Daí subir pela Rota do Sol, pela BR-453. Isso porque há outro caminho de cascalho mais curto, que liga Torres a Cambará via Praia Grande.

Escada para as falésias no Parque da Guarita, em Torres

Em cima da Torre Sul, no Parque da Guarita, em Torres

Você poderia também estar vindo só pela rodovia litorânea (BR-101) se estiver visitando Florianópolis, passando por Imbituba (e daí pode conhecer a bela Guarda do Embaú, praia do Rosa e outras) até Torres. Ou, ainda, pode estar vindo de Porto Alegre também até Torres e daí voltando um pouco e subindo para Cambará pelo caminho que expliquei antes. Ou, ainda mais outra opção, estar passeando por Gramado e Canela e sair de lá direto para Cambará do Sul, sem precisar ir para a BR-101. No mapa um pouco tosco que fiz acima indiquei as principais rodovias para que entenda um pouco melhor.

Em cima da Torre Sul observando a praia de Itapeva, no Parque da Guarita, em Torres

Torre Sul ao longe, vista da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Neste relato contarei sobre um roteiro de um fim de semana saindo de Porto Alegre para visitar os cânions Fortaleza e Itaimbezinho, mas passando por Torres. Porém, como pode ver, existem inúmeras possibilidades, o sul é incrível!

Em cima da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Mapa da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Essas cidades todas que citei podem ser visitadas durante o ano todo, mas no inverno pode ser muito frio (neste inverno de 2017 inclusive chegou a nevar em algumas delas). Nos cânions existe o risco de pegar muita neblina e não ver nada, mas isso é uma loteria! Pode estar um lindo dia de sol e de repente a neblina tomar conta dos cânions. Ou em pleno inverno de repente o tempo abrir. Ouvi dizer que a possibilidade de pegar tempo aberto, sem neblina, nos cânions é maior na parte da manhã, mas isso você realmente só vai saber quando chegar lá. Nas duas vezes que visitei a região, em janeiro e em novembro, tive a sorte de ver os cânions sem neblina.

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

De Porto Alegre até Torres são 192 km, percorridos em pouco mais de 2h. Aluguei um carro em Porto Alegre e saí por volta das 7h da cidade, e a rodovia foi bem tranquila.

Da Torre do Meio se vê o Morro do Farol e a cidade ao fundo, no Parque da Guarita, em Torres

Esse é o caminho na Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Ouvi dizer que Torres é a praia mais linda do Rio Grande do Sul, mas ela ficou mesmo conhecida pelo famoso Festival Internacional de Balonismo. Chegando lá, você se depara com uma cidade grande, mas o show está na bela praia da Guarita, cartão postal de Torres. O mar é um pouco agitado, mas ao entrar no Parque da Guarita já é possível apreciar as lindas falésias e até subir e caminhar por cima delas. Há algumas escadas para subir, e é bem tranquila e rápida a subida. Lá de cima você terá uma vista de tirar o fôlego, subindo na Torre Sul você verá de um lado algumas falésias na praia da Guarita, e do outro, uma extensa faixa de areia, que é a praia de Itapeva, com 6 km de extensão.

Da Torre do Meio você pode descer nas escadinhas lá embaixo, no Parque da Guarita, em Torres

Parque da Guarita, em Torres

Depois você pode subir na Torre do Meio (ou Morro das Furnas), que é mais extensa. Subindo as escadas a caminhada pelo platô é muito bonita, com vista para os penhascos. Há algumas escadinhas íngremes para descer e visualizar a parte inferior, mas tome cuidado ao descer. No final do platô (que tem no máximo uns 600 metros), você pode avistar a cidade com seus prédios, na Praia Grande, e o Morro do Farol também, de onde saem os paragliders, sendo possível descer nessa praia e caminhar até ele.

Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Parque da Guarita funciona todos os dias das 8h às 20h, e o estacionamento custa R$ 5,00 (pessoa a pé não paga). Se você não tiver alugado um carro em Porto Alegre, a viação UneSul faz o percurso de Porto Alegre até Torres.

Trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Há um passeio que não fiz, que leva de barco até a Ilha dos Lobos, reserva onde se pode observar os lobos marinhos e leões marinhos, além de diversas espécies de aves marinhas.

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

De qualquer forma, da maneira que fiz, indo de carro alugado, o passeio no Parque da Guarita é feito em mais ou menos meio período do dia. Saindo de lá peguei a Rota do Sol (pela BR-453), evitando assim a estrada de terra que vai para Cambará do Sul via Praia Grande. São 143 km via Tainha até Cambará, cerca de 2h.

Cânion Fortaleza, o que mais adoro em Cambará do Sul

Aproveitando o Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

A pequena cidade de Cambará tem seu charme, uma joia no meio das montanhas, com uma rua principal, onde ficam pousadas e restaurantes, como a Pizza Retrô, por exemplo. E não tem preço você parar numa padaria e pedir um pão na chapa e a atendente virar para o chapeiro e pedir por um torrado no pão de cacetinho!

Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Você caminha naquela parte de cima da Cachoeira do Tigre Preto para ter essa vista, no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Se você estiver de carro, que acho a melhor maneira de visitar a região, poderá ir até os cânions Itaimbezinho e Fortaleza por conta própria (não precisa de guia na parte superior). Porém, se tiver chegado até a cidade de ônibus, precisará contratar um tour por causa do transporte até os cânions. A viação Citral faz o percurso de Porto Alegre até Cambará do Sul, mas não todos os dias. Consulte o site da Citral. Ou é possível pegar um trecho de Porto Alegre até Caxias do Sul (Expresso Caxiense), e de lá um para Cambará do Sul (Expresso São Marcos). O Expresso São Marcos também faz de Torres a Caxias do Sul.

A bela Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Para quem não estiver de carro e precisar desse transporte até os cânions, achei pela internet algumas agências como, por exemplo: Guia Aparados da Serra, Agência da Colina, Aparados da Serra Turismo, Cânion Turismo, Téfo Guia e Rota dos Cânions. Imagino que existam diversas outras agências locais. Na cidade há um centro de apoio ao turista que pode te ajudar com isso também.

Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Cânion Fortaleza fica no Parque Nacional da Serra Geral. São 22 km de estrada de terra e cascalho para chegar até a portaria do parque, mas que estão em bom estado de conservação (na dúvida, vai devagarzinho!). Chegando lá, você verá as placas indicando o caminho para as trilhas do Mirante, da Pedra do Segredo e da Borda dos Cânions, o que daria no máximo uns 7 km tudo, mas são trilhas relativamente tranquilas. Os paredões do cânion têm até 700 metros de altura.

Graxaim, não mexe com ele!

Os graxains são selvagens, mesmo que pareçam amigáveis

Ao fazer a trilha do Mirante, você terá o incrível visual desse cânion, para mim, o mais lindo! Depois, volte até onde a placa indica a trilha da Pedra do Segredo (uma gigante pedra equilibrada no paredão), onde você verá também, no caminho, a bela cachoeira do Tigre Preto. Tenha cuidado, pois é preciso passar pelas pedras do rio por cima dessa cachoeira, mas como ele é baixo, sempre há várias pedras secas para pisar e, assim, atravessar o rio.

Uma dica: se precisar passar por dentro da água, ou se sentir mais seguro assim, você pode tirar o tênis, mas manter as meias, indo assim pelo leito do rio. Dessa forma você não escorregará nem um pouco!

Graxaim, não se aproxime

Cânion Itaimbezinho

Passando para a outra margem e andando mais uns poucos metros… voilà! A cachoeira do Tigre Preto de frente! Depois terá outra visão do cânion conforme caminha. A Pedra do Segredo em si não me impressionou muito. Esse passeio todo pelo cânion Fortaleza pode ser feito em mais ou menos meio período. A entrada é gratuita, e o local funciona todos os dias das 8h às 17h (no horário de verão, até às 18h). Cuidado com os graxains que podem estar no estacionamento. Eles são um tipo de raposa ou lobo, que até lembram cãezinhos, pois estão acostumados com as pessoas que dão comida nesse estacionamento. Porém, não se esqueça de que são selvagens, e não se deve tocá-los ou importuná-los.

Trilha no Cânion Itaimbezinho

O belo Cânion Itaimbezinho

Em outro meio período você precisa conhecer o cânion Itaimbezinho, que fica no Parque Nacional de Aparados da Serra. Ele funciona de terça a domingo das 8h às 17h, mas para a trilha do Cotovelo é necessário entrar no parque no máximo até às 15h. De Cambará do Sul até a portaria são 18 km de estrada de terra (mesmas recomendações da estrada para o cânion Fortaleza, vai devagar! rs). Brasileiros pagam R$ 8,00 de entrada e mais R$ 15,00 de estacionamento, e a base de apoio tem um pouco mais de estrutura do que a do cânion Fortaleza. Nesse parque, na parte superior, também não é necessário guia, e você pode fazer as trilhas do Vértice (1,5 km ida e volta) e do Cotovelo (6 km ida e volta), que também são relativamente tranquilas, com vista para as cascatas Véu de Noiva e Andorinhas. É um passeio super bonito também (apesar de o meu coração pertencer ao Cânion Fortaleza).

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Como eu disse, fiz esse roteiro em um fim de semana: meio período para Torres, meio período para o cânion Fortaleza e meio período para o cânion Itaimbezinho. E o que fiz no último meio período (meu voo saindo de Porto Alegre era só 21h00)? Aproveitei para conhecer a Cascata dos Venâncios, que me surpreendeu com sua beleza e quantidade de água, com suas 4 quedas em uma extensão de 100 metros, onde é possível banhar-se. Ela fica a 22 km de Cambará do Sul, na estrada para Jaquirana, com parte de estrada de terra também.

Cascata dos Venâncios, em Cambará do Sul

Outra da Cascata dos Venâncios

Se você estiver sem carro poderá fazer um passeio que terei ainda que voltar para fazer, que passa não só pela Cascata dos Venâncios, mas pelo Passo do S e Passo da Ilha, que não fui, mas parece um incrível lugar. Porém, para o Passo do S e o Passo da Ilha precisa de agência, pois o 4×4 passará por dentro do rio num percurso que um carro de passeio não passaria.

Cascata dos Venâncios de longe, com suas várias quedas

Parte da Cascata dos Venâncios

Falando em passeios que não fiz e preciso voltar à região e fazer, destaco a Trilha do Rio do Boi, que percorre a parte inferior do cânion Itaimbezinho. Para essa trilha é obrigatório guia e, além disso, boas condições climáticas (vulgo “sol”). É uma trilha de dia inteiro de nível difícil, que sai de Praia Grande. Nela são percorridos 10 a 14 km pelo leito do rio por dentro do cânion. Essa trilha por dentro do cânion é a mais famosa, mas ouvi fizer que também há uma trilha por dentro do cânion Fortaleza, a trilha do Tigre Preto, também de nível difícil.

Trecho da Cascata dos Venâncios

Outra da Cascata dos Venâncios

Fora os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho, há também os cânions Malacara (por dentro ou por cima), Josafaz, Churriado, Cambajuva, cânion da Pedra, cânion da Encerra, Realengo, Monte Negro, Coxilha, Pinheirinho e outros. Consulte os sites das agências da cidade para saber mais sobre esses trekkings, geralmente de nível moderado a difícil. E há diversas outras cachoeiras da região, como a do Tio França (a 2,5 km da cidade). Podem também ser feitos passeios de bike, de bote, cavalgadas e rapel. Veja um vídeo da Cascata dos Venâncios abaixo:

Encerro dizendo que esse roteiro pelos cânions vale muito a pena. Estude bem sua rota para montar uma boa logística e pegar as estradas asfaltadas e, assim, apreciar ao máximo essas maravilhas! Como pode ver, existem várias formas de visitar a região, tanto com muitos dias de passeio quanto com uma rápida passada, como eu fiz; e tanto com caminhadas leves quanto com trilhas mais difíceis. Tudo é questão de se programar!

Em meu relato anterior, sobre o Monte Roraima, contei como cheguei à Venezuela. Agora precisamos falar sobre o magnífico Salto Angel. Se quiser saber mais sobre minha jornada de Boa Vista até Santa Elena de Uairén, sobre o Parque Nacional Canaima e seus tepuis acesse meu texto sobre o Monte Roraima. O Salto Angel, como muitos locais que visito, também é considerado um Patrimônio da Humanidade pela Unesco, desde 1994.

Embarcando para Canaima

Voo saindo de Ciudad Bolívar

Por alguns anos esta apaixonada por cachoeiras teve o sonho de conhecer a maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, com 979 metros de altura. Quando surgiu a oportunidade de conhecer o Monte Roraima não hesitei em incluir um pulinho ao Salto Angel também, apesar de serem distantes. Ela tem esse nome por ter sido “descoberta” por James Crawford Angel, ou Jimmy Angel, ao sobrevoá-la em 1933, apesar de já ser conhecida pelos índios locais antes. Algumas pessoas dizem que o Salto Angel é o que aparece no filme Up! Altas aventuras (você pode ver detalhes da pesquisa da Pixar para o filme com os vídeos da Venezuela aqui). E também acho que seria a cachoeira que mostra no início da animação Valente.

Selfie básica com o piloto

Lagoa Canaima e salto Ucaima atrás

Como mencionei em meu relato sobre o Monte Roraima, na estação seca é impossível visitar o Salto Angel, pois o percurso é feito quase todo de barco, e com o rio baixo não há como o barco navegar. Eu fui em dezembro, que é o início da estação seca. Em alguns momentos o barco navegou com dificuldade, mas ainda conseguiu passar e foi ótimo. Porém, a partir de janeiro ou fevereiro provavelmente as agências nem te venderão o pacote ao Salto Angel, dependendo de como estiver a situação do rio. As chuvas voltam mais ou menos em maio, e daí até novembro seria a estação chuvosa, mais garantida de conseguir fazer o passeio. Porém, também não deve ser bom fazer o passeio debaixo de chuva, por isso escolhi dezembro, um mês intermediário (tudo por um céu azul!).

Acampamento Kavac

Barco usado para o tour e salto Ucaima atrás

Quando cheguei em Santa Elena fui recebida pela agência Mystic (site e Facebook e [email protected]). Para chegar ao Salto Angel a maior parte dos voos sai de Ciudad Bolívar, a 705 km de Santa Elena de Uairén, embora alguns saiam também de Puerto Ordaz. Como eu entraria no país por Santa Elena e estava sozinha nessa parte da viagem, preferi uma agência dessa cidade a fim de me auxiliar, em vez de uma em Ciudad Bolívar, para que me ajudassem a percorrer esses 705 km da melhor forma. Isso porque a maneira mais barata seria indo de ônibus, e as passagens são vendidas somente no próprio dia da viagem, por volta das 4h da manhã. É feita uma fila de turistas e agentes de viagem para comprar essa passagem, que muitas vezes é concorrida. Ou seja, não é garantia de conseguir!

Passeio para os saltos Saltos Ucaima, Golondrina e Wadaima, El Sapo, Sapito e Hacha

A caminho do Salto El Sapo

Por isso, quando fechei o pacote do Salto Angel com a Mystic, já que eu chegaria a Santa Elena não tão cedo assim no próprio dia de embarcar, pedi que por favor tentaaassem comprar essa passagem de ônibus, apesar de eles ressaltarem várias vezes que não garantiam que conseguiriam. Ela custou, convertendo para reais, R$ 20,00, repassados à agência previamente. Se não conseguissem, a solução seria um táxi compartilhado, outra forma bem usual. Porém, dessa maneira precisaria esperar juntar algumas pessoas para compartilhar o transporte e o valor seria de R$ 100,00 por pessoa.

A caminho do Salto El Sapo

Em cima do Salto El Sapo, que está seco

Felizmente, naquela manhã, quando cheguei à Mystic, eles haviam conseguido comprar minha passagem de ônibus, marcada para as 19h. Todas as agências de Santa Elena que citei no relato do Monte Roraima vendem também o pacote para o Salto Angel. Além disso, há muitas agências lá em Ciudad Bolívar, como a Conexion Tours ([email protected]/ e [email protected]), que fica na própria rodoviária, e a Ayapaina, por exemplo.

Salto Hacha

Atrás do Salto Hacha

Para o tour ao Salto Angel saindo de Santa Elena são necessários 5 dias: 1 dia para ir, 3 dias de passeio e 1 dia para voltar. Isso porque os ônibus noturnos que saem de Santa Elena a Ciudad Bolívar, tanto na ida quanto na volta, demoram cerca de 12h, e muitas vezes há atrasos, levando ainda mais tempo! Ou seja, caso vá fazer o Monte Roraima depois do Salto Angel, deixe pelo menos um dia livre entre um passeio e outro para garantir.

Salto Hacha: molha tudo!

Salto Hacha: leva câmera a prova d’água!

Deixei as coisas que não usaria no Salto Angel, só no Monte Roraima, guardadas na Mystic, para pegar somente na volta do tour. Isso porque só são permitidos 12 kg na avioneta que leva ao Salto Angel. Quando chegou o horário do meu ônibus o solícito agente da Mystic me levou de táxi na rodoviária de Santa Elena, me colocou no ônibus e só foi embora depois que o ônibus partiu. As 12h de viagem foram bem tranquilas, com paradas em outras cidades no caminho. Algumas pessoas relatam haver vários postos policiais no caminho, que param os ônibus, revistando a bagagem de todos. Eles verificam também se você tem o carimbo da imigração da fronteira do Brasil e da Venezuela. Felizmente meu ônibus só foi parado na volta e uma única vez. Li alguns relatos em que os ônibus foram parados inúmeras vezes.

Atrás do Salto Hacha

Navegando para o Salto Angel

Quando cheguei em Ciudad Bolívar às 7h um funcionário da Conexion Tours me esperava na porta do ônibus. Eu dei a ele o dinheiro da passagem de volta para Santa Elena para depois do meu tour, pedi que por favor comprasse para mim, embora ele também dissesse que não seria garantido conseguir. Ele chamou um táxi e pagou, pedindo que me levasse ao meu hotel na cidade, já que o tour iniciaria somente no dia seguinte. Esse hotel também estava incluso no pacote, mas ele era excelente e tinha até piscina. Porém, era muito barato, com certeza se fosse no Brasil seria um hotel caro pelo padrão dele. Aproveitei para descansar e passear pela cidade. Não encontrei muito o que fazer, mas pareceu uma cidade tranquila, meio vazia, com casas bonitas pelo menos na região que estava, perto do aeroporto do qual saem os voos para Canaima. Caminhei até um parque, em que havia pessoas fazendo caminhada e passeando com seus cães.

Pequena parada no caminho para o barco seguir leve por um trecho

Navegando para o Salto Angel

No dia seguinte, pontualmente no horário informado pela agência, um funcionário veio me buscar no hotel, atravessou a rua comigo para o aeroporto e me entregou minha passagem (não é possível ir por terra ao local). Era um pequeno avião (acho que um tipo de bimotor) em que cabiam no máximo 10 pessoas. O funcionário só foi embora depois que embarquei e o avião saiu. Esse é outro ponto que se você não tiver o carimbo da imigração você não embarca. Fiquei extremamente feliz quando o piloto me convidou para sentar ao lado dele, tendo a melhor vista do voo (mesmo em um dado momento passando dentro de uma nuvem chuvosa)! Quarenta minutos depois chegamos a Canaima.

Há vários outros saltos caindo dos tepuis além do Angel

Navegando para o Salto Angel

Esperei me chamarem, e uma espécie de jipe com a parte de trás aberta veio me buscar para o Acampamento Kavac. Chegando lá percebi que eram divididos vários grupos. Alguns iam para o Salto Angel no primeiro dia e no dia seguinte às outras cachoeiras da região, outros faziam o contrário. Todos os moradores e funcionários são indígenas de comunidades da região. Um deles seria meu guia, disse-me para almoçar e ir a pé até o rio para dar uma volta, que depois do almoço eu iniciaria o passeio. Todas as refeições foram excelentes, mesmo eu sendo vegetariana comi muito bem, havia muitas opções! Nessa comunidade Canaima consegui até uma lan house, mas a internet era extremamente lenta.

Salto Angel: parada no caminho

O caminho para o Salto Angel é lindo

O Acampamento Kavac é uma espécie de pousada, com várias casinhas e quartos coletivos. Há várias pousadas nessa região, cada agência direciona para uma delas. Pude ir a pé até a lagoa Canaima, um trecho do rio de onde se avista o salto Ucaima, uma paisagem belíssima, formando até uma praia, onde tomei um belo banho!

A caminho do Salto Angel

A caminho do Salto Angel: parada para almoço

Após o almoço me juntaram a um pequeno grupo com uma família de americanos, um casal venezuelano e um japonês e seguimos para um passeio de barco passando pelos Saltos Ucaima, Golondrina e Wadaima. Descemos do barco para caminhar aos Saltos El Sapo (que estava seco, mas proporcionava uma bela vista de onde seria o leito do rio), Sapito e Salto Hacha. O Salto Hacha é incrível, pois é uma queda com grande fluxo d’água e pode-se caminhar por trás dela, onde há uma espécie de caverna. Porém, ao entrar, leve uma capa para a câmera, ou uma que seja a prova d’água.

Trilha para o Salto Angel

Trilha para o Salto Angel

No dia seguinte seguimos para o Salto Angel, que já fica mais distante, há 4 ou 5h de barco de motor contra o rio. Como o rio estava já começando a baixar, em alguns momentos o barco enroscava nas pedras e o guia precisava, com um remo, empurrar o barco. Inclusive tivemos que caminhar uns 20 minutos numa pequena ilha enquanto o barco a contornava sem peso e nos encontrava mais à frente. Quando estiver no barco, mantenha as coisas que não podem molhar dentro de plásticos, pois muitas vezes a água acaba voando nas pessoas. Para as mochilas, eles têm uma lona na parte de trás do barco. O ideal é usar uma capa de chuva e chinelos para utilizar no barco. Porém, não se esqueça de levar uma muda de roupa seca para depois do passeio, com roupas de frio para a noite e um tênis para caminhada guardado em local seco.

Salto Angel finalmente!

 

Salto Angel: impossível não tirar mil fotos!

As paisagens no caminho são belíssimas, o percurso rio acima, mesmo durando horas, não é nada entediante! Depois de 4 ou 5h observando a beleza dos tepuis chegamos finalmente ao Ayuantepuy, a formação rochosa de onde despenca o Salto Angel. Nesse trecho o barco “estacionou” e começamos a parte de trilha (lembra que falei para levar um tênis para caminhada?). A trilha não é difícil, tem 1h de duração em mata fechada, mas é uma subida com muitas raízes e pedras, por isso é necessário caminhar com atenção para não tropeçar.

Salto Angel: essa é a parte de baixo

Salto Angel: a parte de baixo também rende ótimas fotos!

Chegando no mirante, a visão do Salto Angel mais parecia uma miragem de tão perfeita! Depois de um pequeno ensaio fotográfico caminhamos mais um pouco até a base da queda, onde pudemos nos banhar no Salto Angel. E é claro que apesar da água gelada e dos mosquitos eu não ia perder a oportunidade de nadar na maior cachoeira do mundo, não é mesmo?

Você pode nadar no Salto Angel na parte de baixo

Dormindo na Isla Ratón

Depois descemos pela trilha e fomos até o acampamento na Isla Ratón, bem próximo de onde estávamos. Esse acampamento é bem rústico. É só um telhado com umas redes, e em cada rede há um cobertor, pois faz bastante frio à noite. Inclusive o banho é bem gelado. Essa é a hora de usar suas roupas de frio. Após o jantar foi a hora de o guia nos contar alguns “causos”, como a arrepiante história dos Canaimas (mas se você estiver muito curioso pode ouvir a lenda aqui).

Tchau, Salto Angel!

Paisagem do caminho de volta do Salto Angel

No dia seguinte partimos cedinho para voltar, agora com o barco no sentido do rio. Eu não conseguia deixar de olhar para trás, para ver o Salto Angel ficando cada vez menor. Chegando ao acampamento do início, peguei um avião menor ainda, um monomotor, e dessa vez eu era a única passageira. O simpático piloto fez um pequeno sobrevoo sobre o rio (há também um passeio em que se sobrevoa o próprio Salto Angel, mas que eu não fiz) e tiramos até algumas selfies!

Aviãozinho menor para voltar

Sobrevoo sobre o salto Ucaima

Chegando de volta no aeroporto de Ciudad Bolívar peguei um táxi até a rodoviária e bati na casinha da Conexion Tours. O funcionário tinha conseguido comprar minha passagem de volta para Santa Elena no ônibus das 20h. Após muita espera numa rodoviária de dar medo e ainda mais de 1h de atraso do ônibus consegui embarcar. E ainda bem que tinha deixado o dia seguinte livre antes de iniciar o Monte Roraima, pois o ônibus atrasou bastante. No outro dia era Natal e nada funcionava em Santa Elena. Aproveitei ainda o dia posterior ao Natal para fazer um tour de um dia pela Gran Sabana, para só no outro dia iniciar o Monte Roraima.

Sobrevoando o Parque na volta

Rio navegado até o Salto Angel

O Salto Angel é de tirar o fôlego, além de ser incrível visitar a maior cachoeira do mundo, o passeio é aventura do início ao fim!

Feliz da vida!

Selfie básica com o piloto!

O Monte Roraima povoa o imaginário de muitos mochileiros e trilheiros. Mas por que não tornar esse sonho realidade? Esse tepui (tipo de relevo em forma de mesa formado há cerca de 2 bilhões de anos) encontra-se em 3 países: Brasil, Venezuela e Guiana, porém, apenas 10% estão no Brasil. Do lado brasileiro ele pertence ao Parque Nacional Monte Roraima, já do lado venezuelano, ao Parque Nacional Canaima (que se estende desde a região do Salto Angel, o mais alto do mundo, até Santa Elena de Uairén, abrangendo também a região da Gran Sabana). Há mais de 100 tepuis na região, sendo o Monte Roraima o mais elevado da cadeia, com 2810 metros de altitude (no seu ponto mais alto, a rocha Maverick). A parte superior tem 31 km2, com suas falésias caindo por 400 m de altura.

Trilha do 1º dia: Porteador e sua “mochila indígena’

Trilha do 1º dia: Veja quanta coisa eles carregam

E o que tem lá em cima dessa “grande mesa”, Sabrina? Uma incrível paisagem que mais parece uma mistura do tempo dos dinossauros com a superfície de algum planeta estranho. Eu só digo que é fascinante e, se você gosta de travessias, deve colocar já essa na lista! Para acessar o local, é preciso entrar pela Venezuela, sendo obrigatório guia para o trekking. As agências geralmente oferecem 6 ou 8 dias de caminhada. Porém, eu recomendo fortemente que faça em 8 dias, tanto para percorrer com calma cada etapa do percurso quanto porque, assim, é possível andar de uma ponta até a outra do Monte Roraima, conhecendo os principais atrativos (sim, tem rio, tem cachoeira, tem mirante, tem rochas em formatos exóticos que não se sabe como estão equilibrados dessa maneira, tem lagos, tem vegetações de montanha, tem cavernas etc. Ou você achou que não tinha nada lá em cima? rs). Se fizer o trekking em 6 dias terá que correr mais e/ou só irá até o comecinho da parte superior (NOOO!).

Trilha do 1º dia: No começo o Monte Roraima estava um pouco encoberto

Trilha do 1º dia: nuvem cobrindo o Monte Roraima

E quando eu vou? Diz-se que de maio a setembro seria a época mais chuvosa, e de outubro a abril, a mais seca. Se você for combinar o trekking ao Monte Roraima com o Salto Angel, é importante ressaltar que em dezembro começam as secas no Salto Angel e que, a partir daí, existe a possibilidade de não ter como visitar o Salto Angel por escassez de água no rio (o barco não tem como avançar). Eu visitei o Monte Roraima e o Salto Angel em dezembro (passei meu natal e ano novo lá). Ainda consegui visitar o Salto Angel (tema de relato futuro), apesar de o rio já ter começado a baixar. Porém, amigos meus quase não conseguiram fazer esse outro roteiro em março, por exemplo. Portanto, se for programar Salto Angel também, estude bem que época ir.

Trilha do 1º dia: o sol começa a sair e um arco-íris dá o ar da graça

Trilha do 1º dia: Kukenan à esquerda e Monte Rorama à direita

Além do Monte Roraima e do Salto Angel, outro roteiro bem popular na região é a Gran Sabana, conjunto de cachoeiras bem espalhadas pelo Parque Nacional Canaima, podendo ser visitadas com roteiros de 1 a vários dias. Eu fiz 1 dia de Gran Sabana entre o Salto Angel e o Monte Roraima, na folga de dias que tinha. Isso em 26 de dezembro, porque no dia 25 de dezembro nada funcionou em Santa Elena de Uairén.

Trilha do 1º dia: tá abrindo o tempo, gente!

Trilha do 2º dia: eu não resisto a uma placa!

Muitas pessoas deixam para contratar um guia, que é obrigatório para o trekking no Monte Roraima, na hora. Porém, dessa maneira, é preciso ter uma folga de dias, pois talvez não haja nenhuma agência ou guia saindo nas datas que precisa. Eu contratei minha agência daqui do Brasil, por e-mail. As agências do Brasil geralmente cobram um valor bem maior, e as agências venezuelanas têm os melhores preços. Algumas pessoas contratam guias independentes também.

Trilha do 2º dia: a aproximação

Trilha do 2º dia: uma queda d’água de cada lado

Eu recomendo a agência Mystic (site e Facebook; e-mail: [email protected]), mas também há boas recomendações de outras agências e guias, como a Backpackers (site e Facebook) e a Kamadac (site e Facebook), por exemplo. Pesquise bem o preço de todas, bem como a reputação. Algumas pessoas que conheço foram com o guia Gregory Lans e recomendam (contato do Facebook), mas há vários que atuam na região.

Trilha do 2º dia: deslumbrada já

Trilha do 2º dia: dei sorte, nem sempre tem cachu

Outra coisa importante é pesquisar sobre pessoas que tenham ido recentemente, ou então entrar em contato por e-mail com as agências para saber como anda a situação dessa parte da Venezuela. Fui no final de 2015 e conheço pessoas que foram normalmente em 2016, e ouvi dizer de gente indo agora em 2017. Não necessariamente é perigoso ou impossível visitar esse local na situação do país hoje, mas é mais importante pesquisar e contatar as agências de lá do que especular.

Trilha do 2º dia: acampamento base

Trilha do 2º dia: olha a vista do acampamento base!

Recomendo também a contratação de um seguro-viagem que tenha a opção de resgate de helicóptero, a única maneira de ser resgatado no caso de acidentes no Monte Roraima. A melhor maneira de conhecer o Monte Roraima é pegando um voo para Boa Vista (Roraima). Meu voo chegou quase 2h da manhã em Boa Vista, e peguei um táxi (preço tabelado de R$ 30,00) para o Hotel Mecejana. Precisei me hospedar em Boa Vista, pois a essa hora não havia transporte para a Venezuela.

Trilha do 2º dia: quando o sol começa a se por a cachu fica assim

Trilha do 2º dia: já escurecendo

No dia seguinte, meu plano era pegar um táxi coletivo de Boa Vista a Santa Elena. Para isso, é preciso ir ao terminal do Caimbé (Av. dos Imigrantes, 230), em Boa Vista. Em qualquer lugar que você perguntar, todo mundo sabe de onde saem os táxis para Santa Elena. Se não conseguir um táxi para Santa Elena, pode pegar um para Pacaraima, a última cidade brasileira antes da fronteira, e de lá, outro para Santa Elena. De Boa Vista, os táxis saem um atrás do outro, assim que lotam. De Boa Vista a Santa Elena são 230 km, feitos em cerca de 3h, e o valor da viagem por pessoa é de R$ 40,00. Não se preocupe, ouvi dizer que sempre tem gente indo para Santa Elena ou Pacaraima para dividir esses táxis coletivos. Porém, aconselho que chegue bem cedo, lá pelas 7h, para garantir. Eu não sei dizer se há táxis saindo mais tarde ou no período da tarde.

Trilha do 3º dia: arepas para aguentar a terrível caminhada do terceiro dia

Trilha do 3º dia: esse é o começo, com mais terra

Agora, como eu sempre tenho que fazer as coisas “com emoção”, comigo foi diferente. Assim que cheguei ao Hotel Mecejana, de madrugada, um jovem recepcionista disse que achava que eu poderia sair umas 9h para pegar o táxi para Santa Elena. Então tive uma noite de miss no hotel, aproveitando a cama e o chuveiro ao máximo. Às 9h saí do quarto e, ao chegar na recepção, o funcionário do dia disse que os táxis coletivos já haviam todos saído cedinho (por isso eu te digo para chegar umas 7h lá no terminal para pegar esse táxi). Entrei em desespero, pois eu iria primeiro ao Salto Angel e minha passagem de ônibus para a noite já estava comprada e meus dias estavam contadinhos para os passeios.

Trilha do 3º dia: logo vêm as pedras

Trilha do 3º dia: essa é a foto mais próxima do Paso das Lagrimas que consegui… era muita água caindo lá de cima

Fiz o recepcionista telefonar para todos os taxistas da “agenda” dele. Todos estavam sem sinal, por já estarem na estrada, ou os que atendiam falavam que também já estavam na estrada e não tinham como voltar. Nesse meu momento de desespero, eis que aparece o salvador: o dono do hotel Mecejana chegou e precisava ir a Santa Elena trocar um controle remoto de uma televisão do hotel e poderia me dar uma carona. Foi um dos momentos mais felizes da viagem! A carona foi tranquila, ele foi muito simpático e salvou minha vida!

Trilha do 4º dia: ai ai, o topo…

Trilha do 4º dia: não parece outro planeta?

Fiquei na fronteira, em Pacaraima. Tinha uma enorme fila para passar na imigração, mas demorou no máximo meia hora. Chegando a minha vez, a saída do Brasil foi tranquila, um rápido carimbo. Algumas pessoas não passam na imigração, entrando direto na Venezuela. Isso é muito perigoso, pois lá na Venezuela, se algum guarda te parar, você pode sofrer as consequências, ser extorquido pela polícia e até coisas piores, como pegarem suas coisas, por exemplo. Por isso, não deixe de carimbar tanto sua saída do Brasil quanto sua entrada na Venezuela (se você pular a imigração do Brasil e for direto para a da Venezuela eles vão te fazer voltar para carimbar a saída do Brasil). Além disso, se você tiver passagem de ônibus ou de avião dentro do país obrigatoriamente vai precisar mostrar esse carimbo, se não não embarca. É possível os guardas te pararem na estrada para o Monte Roraima, por exemplo, e pedirem para ver esse carimbo. Então, por favor, carimba!

Trilha do 4º dia: plantas carnívoras lá em cima

Trilha do 4º dia: esse é o sapinho preto que só habita o Monte Roraima

Você pode entrar na Venezuela com seu passaporte ou com seu RG (que deve ter menos de 10 anos de expedição). Outro documento que podem pedir é o Certificado Internacional de Vacinação, com o carimbo de vacina de febre amarela. Importante: carteira de motorista não passa como documento de viagem, não se esqueça disso.

Trilha do 4º dia: só tem lá no Monte Roraima

Trilha do 4º dia: a paisagem surreal

Depois que saí da fronteira brasileira caminhei por uns 500 metros até a fronteira venezuelana. No caminho, já havia alguns venezuelanos fazendo câmbio do real para o Bolivar, moeda do país. O dinheiro deles é muito desvalorizado em relação ao nosso. Não precisa ter medo de trocar moeda assim, na rua. É assim que funcionam as coisas por lá, você pode trocar um pouco de dinheiro na fronteira para pagar o táxi até Santa Elena, e trocar o resto na rua na cidade, mas as cotações eram iguais. Eu fui com meus pacotes pagos e troquei uns 200 reais para alimentação, deu um enorme bolo de notas! Esse dinheiro rendeu bastante.

Trilha do 4º dia: lindo e intrigante

Trilha do 4º dia: Ponto Triplo

Chegando na fronteira venezuelana a fila estava pequena e foi rápido. Não me perguntaram nada e carimbaram. Ouvi histórias terríveis de extorsão ou de pegarem suas coisas na fronteira, mas comigo foi realmente tranquilo. Passando a fronteira havia uns táxis para Santa Elena e já era bem perto de lá. O táxi custou, convertendo para real, menos de 10 reais.

Trilha do 4º dia: Vale dos Cristais

Trilha do 4º dia: Vale dos Cristais

Santa Elena é uma cidade pequena, com algumas lojas e uma praça central. Não há muito o que se fazer por lá, a não ser utilizá-la como ponto de partida. Quando cheguei ainda era muito cedo para meu ônibus para o Salto Angel (passagem comprada pela agência Mystic) e o simpático funcionário da Mystic deixou eu repousar por lá e depois me acompanhou até a rodoviária. Mas essa não é a história que vou contar agora, já que estamos falando do Monte Roraima. Então, na volta do Salto Angel a Santa Elena fui para minha hospedagem (reservada daqui do Brasil), a pousada L’Auberge. Essa pousada é muito confortável e com preço bom, indico totalmente. Em Santa Elena gastei no máximo 20 reais em cada refeição incluindo bebida. Um dia almocei no restaurante da agência Backpackers. Em uma noite comi num ótimo restaurante chinês que está na praça, onde um bem servido e gostoso arroz frito com vegetais chegou à bagatela de 3 reais! Lá em Santa Elena há também locais para comprar frutas e lanchinhos de trilha, como castanhas e bananinhas, por exemplo.

Trilha do 4º dia: isso branco no chão é tudo cristal!

Trilha do 4º dia: Acampamento Quati

Até aqui eu tinha feito tudo sozinha, Salto Angel e Gran Sabana (depois vou contar como cruzei a Venezuela sozinha e fui ao Salto Angel a partir de Ciudad Bolivar), e então chegaram meus amigos que me acompanhariam ao Monte Roraima. Na noite anterior ao início do trekking os guias que nos acompanhariam passaram na pousada para nos explicar como seria cada dia da caminhada. Olha como seria nosso trekking:

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa do Monte Roraima. Fonte: www.hike-venezuela.com

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa do topo do Monte Roraima. Fonte: www.roraimadefato.com

O pacote ao Monte Roraima incluiu guia, transporte de ida e volta de Santa Elena ao início do trekking, barracas para os campings, todas as refeições (menos os lanchinhos de trilha), carregadores que levaram barracas e alimentos e cozinharam todos os dias, barraca que era o banheiro, saquinhos e descarte apropriado para o número 2. Era possível, também, contratar um carregador para levar nossas coisas. Eu não quis, pois estava com o dinheiro contado e, por isso, resolvi levar o mínimo possível de coisas para aguentar carregar.

Minha bagagem consistia em: 3 camisetas e blusinhas de tecido bem leve, que fosse possível eu lavar e reutilizar, sabonete biodegradável da Granado para tomar banho e lavar roupa no rio, lenços umedecidos para os dias de frio na hora do banho, fleece, corta-vento, calça de trilha, calça e blusa segunda-pele para a noite, gorro e luvas, chapéu para o sol, coisas de higiene pessoal, saco de dormir para frio, isolante térmico, capa de chuva para a mochila, lanterna e bastão de caminhada. Ou seja, roupa de trilha no geral, para calor de dia e para frio à noite. DICA: se você não tem capa de chuva para mochila, você pode usar um saco de lixo grande dentro dela, com as coisas por dentro. Levei um cantil de 2 litros d’água apenas, pois todos os dias há vários pontos de abastecimento de água, bastando, para isso, você levar Clor-in para purificá-la.

Trilha do 4º dia: Acampamento Quati

Trilha do 5º dia: Rumo à proa

Trilha do 5º dia: caminho do Lago Gladys

Eu acredito que a trilha no Monte Roraima seja entre o nível médio e o difícil de dificuldade. Não precisa ser atleta, mas é necessário ter uma boa disposição. Nesses 8 dias, caminhei cerca de 90 km. Quando chegamos ao início da trilha nos registramos na entrada do parque, e pude notar que havia muitos cachorros famintos nesse ponto. Gostaria de ressaltar aqui que se alguém puder levar ração para doar nesse lugar, por favor, ajude-os. Falando nisso, é muito bom também se você puder levar coisas de trekking e dinheiro para doar para a equipe que te assistir nessa trilha, e sugiro que entregue em mãos para cada um. Eles trabalham pesado carregando, na maioria das vezes, 15 a 30 kg numa espécie de mochila indígena, feita de fibras de madeira.

Trilha do 5º dia: um dos incríveis mirantes

Trilha do 5º dia: mirante no caminho para o lago Gladys

Trilha do 5º dia: o topo de uma das cascatas que cai lá de cima

No primeiro dia caminhamos por cerca de 12 km, de Paraitepuy ao acampamento Tek. Iniciamos meio tarde, após o meio-dia, e chegamos já quase escurecendo ao acampamento, numa caminhada de umas 4 a 5h, com algumas subidas, mas nada muito intenso. Já nesse primeiro dia dá para ter a magnífica visão do Monte Roraima e do Monte Kukenan ao seu lado, cada vez mais linda à medida que se aproxima. O acampamento Tek fica perto de um rio, como quase todos os outros acampamentos, e assim você pode banhar-se e lavar o que for preciso. A cozinheira preparou o jantar e os carregadores montaram nossas barracas. Nas refeições sempre tinha as tradicionais arepas venezuelanas, espécie de “pão” feito com farinha de milho, super aprovado!

Trilha do 5º dia: Lago Gladys

Trilha do 5º dia: Lago Gladys

Agora você vai descobrir como é essa história de barraca banheiro: é uma barraca mais alta e estreita com uma espécie de banquinho com uma privada encaixada. Você posiciona seu saquinho plástico na privada e faz o serviço! Depois você amarra e deixa do lado de fora. No final de cada dia um dos carregadores (eu não queria ser esse cara!) coloca todos os saquinhos cheios no “shit tube” e leva com ele (eu realmente espero que não seja a mesma pessoa que carrega a comida!). Na volta do Monte Roraima, já na estrada, eles param o carro e jogam tudo numa lixeira.

Trilha do 5º dia: voltando para o acampamento Quati

Trilha do 5º dia: no caminho de volta ao acampamento Quati

No segundo dia, fomos do acampamento Tek ao acampamento base, uns 11 km, mas como saímos de manhã, chegamos cedo ainda nesse ponto. Nesse dia as subidas ficam um pouco mais íngremes e a trilha mais cansativa, mas nada muito forte também. Cruzamos o rio Kukenan, onde também há outro acampamento. Para cruzar os rios, se estiver com dificuldade por causa de pedras escorregadias, pode tirar o tênis e passar somente com as meias, que aderem bem a superfícies lisas demais. Ao se aproximar do acampamento base, as paisagens vão ficando cada vez mais lindas. Tive sorte de ter duas belas cascatas caindo do Monte Roraima. Não é sempre que elas estão lá, pois ocorrem de acordo com as chuvas. Essas cascatas e o Monte Roraima inspiraram o desenho Up! Altas aventuras (muita gente pensa que é o Salto Angel, mas é o Monte Roraima quando está com as cascatas). Eu fiz um vídeo para vocês terem uma ideia melhor do Monte inteiro com as cascatas aqui.

Infelizmente em nosso terceiro dia amanheceu chovendo, e choveu por 24h. Esse é o dia de subir o Monte Roraima. São só 3 km, mas a subida é bem mais intensa e fizemos em umas 5h. De subida, ele é o trecho mais difícil. No começo há uns “degraus” de terra, que estavam molhados pela chuva. Depois há vários trechos em que é preciso segurar nas pedras para se apoiar e subir. Esse trecho se chama La Rampa. Um dos pontos que se passa nessa etapa se chama El Passo de Lagrimas. É um local que, no meio da subida, caminhando por cima de pedras, você passa debaixo de uma das cachoeiras que viu lá do acampamento base. É muito lindo e molha muito também, então tenha suas coisas que não podem molhar bem guardadas.

Trilha do 6º dia: El Fosso

Trilha do 6º dia: El Fosso

Trilha do 6º dia: caminho até o Hotel Principal

Acabamos saindo meio tarde do acampamento base por causa da chuva. Todos os grupos já haviam partido e, por isso, quando chegamos no topo do Monte Roraima tinha escurecido. Apesar de a trilha até aqui ser razoavelmente clara, nessa parte superior o local mais parecia um labirinto. Nosso guia nos levou para nos abrigar em uma espécie de caverna. Os guias chamam essas cavernas de Hotel, e cada grupo dorme em uma das muitas que existem nessa região. Foi o dia de maior perrengue porque a chuva não parou nem um minuto, justo no dia mais tenso de subida, e chegamos cansados para dormir nessa pequena caverna.

Trilha do 6º dia: olha o que tinha perto do Hotel Principal, comi tanto!

Trilha do 6º dia: Jakuzzis

Trilha do 6º dia: jacuzzis, eu juro que entrei!

Felizmente, no dia seguinte, o quarto dia, a chuva parou e não voltou mais até o fim da viagem. Quando saímos da caverna nos deparamos com uma paisagem mágica de rochas que mais parecem ter saído da lua. Nesse dia caminhamos do Hotel Índio até o acampamento Coati, passando pelo ponto triplo, cerca de 10 km feitos em umas 6h. A caminhada no topo é mais ou menos plana, mas há vários “pula pedra”. Cansa bem menos que as subidas até agora, mas é preciso ter atenção para pisar corretamente nesses trechos. Em alguns pontos passamos por belíssimos mirantes, de onde conseguíamos observar a paisagem e até uma cascata caindo lá de cima. Pegamos uns trechos com neblina, mas que não durou muito tempo. O clima lá em cima parece mudar muito rápido nessa inóspita paisagem. Outra curiosidade é que no topo do Monte Roraima existe uma espécie de sapinho preto que só tem lá.

Trilha do 7º dia: de cima do Maverick

Trilha do 7º dia: visual incrível de cima do Maverick

O ponto triplo é onde Brasil, Venezuela e Guiana fazem fronteira. De lá, saímos um pouco da trilha num trecho curto para visitar o Vale dos Cristais. Como o nome diz, o chão e as pedras são repletos de lindos cristais. Lembre-se de que não se pode retirar absolutamente nada do Monte Roraima, inclusive porque na saída do parque, no último dia, os guardas irão te revistar e toda a sua bagagem para ter certeza de que você não retirou nada, inclusive esses cristais (podem te revistar também na fronteira voltando ao Brasil). Chegamos no acampamento Coati, um incrível abrigo debaixo das pedras. Lá foi nosso ano novo, com direito a sopinha antes do jantar! Fizemos nossa contagem regressiva de acordo com o horário do Brasil. O local é bem curioso, uma espécie de caverna, mas sem o teto.

Trilha do 7º dia: eu não resisto… do mirante do Maverick

Trilha do 7º dia: AHAAAAAA, vocês acharam que eu não ia fazer o Up! Altas Aventuras?

No quinto dia caminhamos até o lago Gladys e a proa, uns 8 km por umas 6h. Para a proa é necessário corda para realmente ver o fim do Monte Roraima, e a maioria dos guias não leva, por isso só andamos até onde foi seguro sem corda. O lago Gladys tem uma linda paisagem para se avistar de cima. Dormimos novamente no acampamento Coati.

Trilha do 7º dia: ainda de cima do Maverick

Trilha do 7º dia: a descida.. tem que voltar mesmo?

No sexto dia iniciamos nosso retorno à outra ponta do Monte Roraima, em direção ao Hotel Principal, já perto do Hotel Índio, que dormimos na terceira noite. Foram mais ou menos 10 km percorridos em umas 4h. No caminho, passamos pelo El Fosso, uma espécie de buraco com um lago embaixo, de onde se pode saltar para nadar lá embaixo. Para sair há um caminho por uma gruta. Depois de chegar ao Hotel Principal, deixamos nossas coisas e fomos até as Jacuzzis, um dos lugares mais esperados para mim. São piscinas naturais de água amarelada (e extremamente gelada, como todas as águas da região) e muito convidativas para o banho pelo lindo visual delas, um incrível lugar.

Trilha do 7º dia: seus joelhos vão gritar! Mas bastão ajuda rs

Trilha do 7º dia: o paredão ta ficando longe

No sétimo dia primeiro passamos no Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima. Bastam apenas alguns minutos para subir, e a vista é realmente compensadora, de lá é possível ver alguns dos platôs do Monte Roraima e do Kukenan. Depois caminhamos de volta ao acampamento Tek (aquele do primeiro dia) por cerca de 15 km por umas 8h. Essa parte é bem cansativa, pois engloba a descida do Monte Roraima que foi o trecho de subida mais difícil na ida. Nessa hora eu digo: joelhos para que te quero! Essa descida força bem os músculos das pernas e os joelhos, então é bem útil se você tiver levado bastões de caminhada para te amparar. Almoçamos no acampamento base, mas em seguida prosseguimos para o Tek, onde fizemos o último pernoite.

Trilha do 8º dia: Tchau, Monte Roraima e Kukenan!

No último dia caminhamos por uns 12 km de volta ao Paraitepuy por umas 4h. Ainda paramos para almoçar na estrada na volta para Santa Elena. Chegando na cidade peguei minhas coisas que não levei para a trilha e tinha deixado no L’auberge e de lá, um táxi para a fronteira. Dali carimbamos a saída da Venezuela e a entrada no Brasil e facilmente consegui um táxi para Boa Vista no fim da tarde, pois meu voo de volta para minha cidade era a 01h30 da manhã.

O Monte Roraima, com suas paisagens surreais, foi um sonho realizado! Voltei para casa com uma gratificante sensação, lembrando dos lugares pelos quais passei e nunca vou esquecer!

Trilha do 8º dia: agora é bye-bye!

Todo mundo que visita Bonito volta de lá dizendo que não é Bonito… é LINDO (para dizer o mínimo)! E não é à toa que esse polo ecoturístico deve estar na lista de todos que adoram viagens de natureza. A 300 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, esse é um dos destinos mais organizados e sustentáveis do Brasil.

É claro que a exuberância toda de Bonito não é barata. Porém, é necessário reservar os passeios com meses de antecedência, pois todos eles têm limite de visitação diária, o que é excelente para não agredir tanto a natureza. Por isso, essa reserva antecipada acaba permitindo o parcelamento dos pacotes de passeios que fizer (afinal, na vida tudo se parcela rs).

Uma viagem a Bonito exige planejamento, pois há muitas opções de passeios por lá, e com certeza você precisará escolher quais fazer e quais deixar de fora. Acho que o mínimo para uma primeira vez na região são 4 dias, onde é possível encaixar atrativos mais diferenciados um do outro se assim desejar. Como todos os passeios têm limite de visitação, como mencionei, é necessário reservar previamente (na hora dificilmente haverá vagas para os mais legais).

Flutuação no Rio da Prata

Quando ir?

Esse destino pode ser visitado em qualquer época do ano. Porém, de dezembro a março é o período de chuvas, que podem atrapalhar e até cancelar muitos passeios, apesar de ser quando as cachoeiras estarão mais cheias e haverá mais animais para avistar. De maio a agosto é o período mais seco, mas talvez haja menos animais e algumas cachoeiras estarão mais secas. No entanto, é quando as águas estão mais claras e a visibilidade, melhor. Então talvez os meses intermediários, os de outono e primavera, sejam os mais indicados, pois há menor chance de chuva e ao mesmo tempo há boa visibilidade na água.

Macaquinho no Rio do Peixe

OPA: Outra coisa que não se pode esquecer antes de chegar é que existe diferença de fuso horário de 1h a menos em relação ao fuso horário de Brasília.

Como chegar?

Algumas vezes por semana há um voo da Azul para Bonito, mas como não é tão frequente, a maneira mais usual de se chegar é pelo aeroporto de Campo Grande. De lá, existem algumas formas para ir a Bonito. A Viação Cruzeiro do Sul faz o percurso de ida e volta entre Campo Grande e Bonito algumas vezes por dia, consulte o site.

É possível também contratar um transfer de alguma agência de passeios de Bonito, inclusive saindo do aeroporto de Campo Grande. Para essa opção, entre em contato previamente com sua agência. Acho essa uma boa maneira caso o horário de seu voo não se encaixe com os horários dos ônibus, pois as vans têm horários mais diversificados de partida e além disso já te deixam em sua hospedagem em Bonito.

Algumas pessoas preferem alugar carro. Essa opção vale a pena se você estiver disposto a dirigir (pois são 300 km até Bonito e a maioria dos atrativos fica distante da cidade, a cerca de 50 km) e em um número mínimo de pessoas, que compense o valor do aluguel e combustível; porém, chegando em Bonito você poderá ir de carro aos atrativos. Caso contrário, se optar por ônibus ou van precisará contratar os transfers das agências para os locais dos passeios. Portanto, estude o melhor custo-benefício para você.

Flutuação no Rio da Prata

Existem inúmeras agências na cidade, e todos os passeios são obrigatoriamente feitos através de uma. Isso porque o turismo na cidade opera por um sistema de vouchers vendidos somente nas agências e que devem ser entregues nos atrativos, todos em propriedades particulares, que seguem critérios rigorosos de preservação do meio ambiente (na “porta” não vende). É tudo muito organizado. Os preços são todos tabelados, e você pode ter uma ideia de valores na Associação dos Atrativos de Bonito. Eu fechei todos os meus passeios com a Bonitour, mas minha hospedagem, o excelente Bonito Hostel também oferece passeios. Além disso, ouvi falar bem de inúmeras outras agências da cidade.

Acho que a principal atividade em Bonito são as flutuações nos rios. Por isso, é interessante levar algum equipamento para registrar seu tour, como câmera à prova d’água, celular com capa impermeável ou similares. Se não tiver, as agências costumam oferecer esse tipo de equipamento para locação. Muitos dos atrativos não permitem a entrada na água com protetor solar e repelente, fique atento às regras de visitação. Em cada atrativo são fornecidos snorkel, máscara, roupa de neoprene, colete salva-vidas e o que mais for necessário. Se você tiver receio da água e da flutuação, é importante informar os locais, pois muitas vezes há pessoas preparadas para te assistir em relação a isso, e nem mesmo é necessário saber nadar.

Flutuação no Rio Sucuri

Flutuação no Rio da Prata

Se você só tiver tempo para fazer uma única flutuação, reserve a do Rio da Prata. O local fica a 50 km de Bonito e é um passeio de meio período. Após a explicação e uma pequena caminhada pela mata, a flutuação começa no Rio Olho D’água, que depois se junta com o Rio da Prata em si. É tão transparente que parece que você está nadando em um aquário! É deslumbrante nadar com as piraputangas, dourados, pacus, curimbas e muitas outras espécies. Não é necessário dar braçadas, pois, no geral, a correnteza leve vai te conduzindo pelo curso do rio. Após a experiência é possível almoçar no local. O Rio da Prata ganhou como a melhor atração turística do Brasil no Guia 4 Rodas em 2008 e 2009.

Flutuação no Rio Sucuri

Flutuação no Rio da Prata

Uma flutuação que fica no mesmo local que o Rio da Prata é a Lagoa Misteriosa. É possível fazer flutuação, mas a graça dela é que lá você pode mergulhar com cilindro, descendo até 8 m de profundidade (se você tiver curso de mergulho pode baixar até 18 a 25 metros). Dizem que ela tem esse nome porque ainda não descobriram sua profundidade total, e o máximo que o homem chegou foi a 220 m. Esse atrativo só funciona de abril a setembro, os meses de maior transparência da água.

Araras na fazenda do Rio do Peixe

Arara na fazenda do Rio do Peixe

Outra opção de passeio para combinar com o Rio da Prata é o Buraco das Araras, que fica a 5 km de lá. Esse é um passeio para fim de tarde, para depois das 16h, que é o horário que as araras retornam ao local. Não tem nada como contemplar as araras nessa dolina de 100 m de profundidade, formação geológica originada do desmoronamento de blocos rochosos.

Buraco das Araras. Fonte: http://www.turismo.bonito.ms.gov.br/bonito/atrativos-turisticos/buraco-das-araras

Voltando às flutuações, outra bem popular é o Rio Sucuri, a 19 km de Bonito. Assim como o Rio da Prata, ele também é tão transparente por causa da presença do calcário na água. Este também é um passeio de meio período e funciona nos mesmos moldes das outras flutuações. Um barco acompanha o percurso da flutuação, portanto é possível seguir dentro dele em alguns trechos. Achei que neste rio há menos peixes que no Rio da Prata, mas também é bem bonito, pois a vegetação subaquática é bem rica. Se for fazer os dois passeios, talvez seja melhor deixar o Rio da Prata para o final, pois se impressionará mais. O Rio Sucuri não tem sucuris de fato, mas é assim chamado por causa de seu formato sinuoso.

Flutuação no Rio Sucuri

Outras flutuações que merecem destaque são: a Barra do Sucuri (onde é feito primeiro um passeio de barco rio acima, para depois voltar fazendo a flutuação no sentido da correnteza), o Aquário Natural (a 7 km de Bonito), o Bonito Aventura (Rio Formoso), a Nascente Azul e o Parque Ecológico Rio Formoso. Em todas as flutuações é necessário o uso do equipamento completo fornecido, pois não se pode tocar o fundo dos rios, para não turvar a água, o que prejudicaria a transparência dela. Todos os passeios são acompanhados por monitores credenciados.

Flutuação no Rio da Prata

Flutuação no Rio Sucuri

Um lugar que acho bem relaxante e bonito em Bonito (dããã rs) é o Rio do Peixe, a 35 km da cidade. Apesar de também ser um passeio de rio, ele não é uma flutuação. Esse é um passeio para curtir as cachoeiras e apreciar os possíveis animais que avistará. São 2 km de caminhada nível fácil com 7 paradas para banho. O local é muito bom para passar o dia, e o almoço é excelente, com destaque para os doces caseiros, em especial o doce de leite queimado.

Fazenda do Rio do Peixe

Fazenda do Rio do Peixe

Tirolesa na Fazenda do Rio do Peixe

Um destaque do atrativo é o próprio dono da fazenda, o seu Moacyr e seus “causos”. Com sua simpatia, ele explica como alimentar os macacos que frequentam a fazenda. Outra “cria” do seu Moacyr é a fofíssima Gigi! A Giovana é uma anta que chegou machucada na fazenda e, depois de seu Moacyr cuidar dela, acho que foi são bem tratada que resolveu virar moradora fixa, pois apesar de solta ela não vai embora. Depois de fazer a alegria dos turistas posando para fotos e nadando do rio, Gigi se apressa ao ouvir seu Moacyr chamar, já voltando para casa: “Gigiiii!” E lá vai ela desesperada correndo para acompanhá-lo! É uma fofíssima!

Piraputangas na fazenda do Rio do Peixe

Redário na Fazenda do Rio do Peixe: ótimo pra depois do almoço!

Minha paixão, a Gigi!

Depois do almoço ocorre o momento mais esperado do dia: é a hora que o seu Moacyr alimenta as araras que frequentam sua fazenda, como a Lara (olha como ele trata bem os bichinhos aqui neste vídeo também abaixo). Todos os dias nesse horário ele espalha as sementes para elas comerem, e é a oportunidade perfeita para fazer ótimas fotos com araras, pois algumas deixam seu Moacyr colocá-las nas mãos dos turistas por alguns segundos para fotografar. Aliás, em Bonito aprendi que é importante checar sempre se suas torneiras estão fechadas, como você pode ver neste vídeo também abaixo. O passeio na fazenda do Rio do Peixe é daqueles que você não dá nada, mas é um dos dias mais divertidos em Bonito em minha opinião.

Seu Moacyr chama as araras

Conversando! rs

Foi amor!

Além das cachoeiras do Rio do Peixe, existem outros passeios com cachoeira, como a Boca da Onça (a queda mais alta do estado, com 156 metros de altura, em uma trilha de 4 km passando por várias cachoeiras; é possível fazer um rapel de 90 m), as cachoeiras da Serra da Bodoquena (além das trilhas e do banho, há possibilidade de fazer passeio de bote, caiaque e duck), a Ceita Corê, a Estância Mimosa e o Parque das Cachoeiras.

Cachoeira Boca da Onça. Fonte: https://www.bonitour.com.br/passeio/boca-da-onca?lang=pt-br

Um passeio bem popular em Bonito é a Gruta do Lago Azul. O nome já é meio explicativo, e a gruta tem 80 metros de profundidade, formando um visual incrível com seu belo lago e as formações de caverna. Esse é um passeio mais contemplativo, pois não é possível entrar na água, apenas apreciar e tirar fotos. (Atenção aos 293 degraus para acessar a gruta.) Muitas pessoas combinam esse passeio com a Gruta de São Miguel, para assim poder caminhar mais por uma caverna e apreciar suas formações espeleológicas.

Gruta do Lago Azul

Gruta do Lago Azul: é MUITO azul!

Gruta do Lago Azul: olha as formações no teto da caverna!

Falando em gruta, um passeio bem diferente é o Abismo Anhumas, também o mais caro de Bonito. Não fiz esse passeio, mas já ouvi muita gente dizendo que é um dos lugares mais lindos da região. O passeio consiste em uma descida de 72 m em rapel por uma fenda na rocha, levando a uma magnífica caverna com um lago cristalino embaixo. A luz natural entra pela fenda, e lá embaixo há um deque flutuante. Para essa aventura é necessário fazer um treinamento no dia anterior. Os monitores orientam um rapel menor na cidade e avaliam quem poderá de fato descer o abismo. Depois de descer o abismo, lá embaixo, faz-se um reconhecimento da área da caverna em um bote, e daí pode-se fazer o snorkel no lago. Quem tem curso de mergulho com cilindro pode descer até 18 m (contratando previamente). Dizem que lá está o maior cone do mundo, formação com 19 m. Nesse passeio é necessário levar lanche e precisa de um pouquinho de preparo para a subida de volta. No Portal Bonito tem uma boa descrição desse passeio (e de todos os outros também).

Abismo Anhumas: o rapel é feito por esse feixe de luz. Fonte: www.agenciasucuri.com.br/

Outros passeios de aventura em Bonito: rafting, boiacross, mergulho com cilindro, arvorismo, passeio de quadriciclo (rota boiadeira, pode ser uma opção de passeio noturno), passeio de bike, cavalgadas e o Projeto Jiboia (outro passeio que pode ser feito à noite).

Passeio de quadriciclo: Rota Boiadeira (foi com emoção!)

Projeto Jiboia: essa foi da primeira vez que fui, ainda era castanha!

Projeto Jiboia: curtindo..

Para relaxar, o Balneário Municipal é uma área de lazer a 8 km de Bonito, frequentado pelos moradores da cidade. Esse lugar parece até um tipo de clube, com quadras, lanchonetes e restaurante, mas o rio Formoso é bem bonito. Há também o Balneário Ilha Bonita, o Balneário do Sol, a Ilha do Padre, o Lago da Capela e a Praia da Figueira.

Balneário Municipal

Balneário Municipal

Para quem deseja ter um gostinho de Pantanal há um passeio mais distante, a Fazenda São Francisco, a 162 km de Bonito. Lá é feito uma espécie de safári fotográfico, onde é possível avistar várias espécies de animais, e depois um passeio de chalana. Por causa da distância, algumas pessoas fazem pernoite no local.

Balneário Municipal

Balneário Municipal

As agências de Bonito podem te ajudar a encaixar melhor os atrativos que escolher, conciliando-os de acordo com o tempo gasto e a distância de cada um, já que alguns dos passeios são de meio período. E aí, conseguiu decidir sua programação nesse.. bonito não, maravilhoso lugar?

Planejar um roteiro pela Chapada Diamantina não é fácil. Isso porque a região tem tantas opções de passeios que seria preciso muito tempo para conhecer tudo. Também, com cerca de 152 mil hectares não é fácil escolher o que fazer! Administrado pelo ICMBio, o parque faz limite com os municípios de Lençóis, Mucugê, Ibicoara, Andaraí, Itaetê e Palmeiras, mas é composto por dezenas de outras cidades.

Lençois

Lençois

Além das belezas naturais da região, no passado o local teve exploração de ouro e de diamantes, e o legado foi uma rica arquitetura tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) nas principais cidades. O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) foi criado em 1985 e tem grande importância na conservação da biodiversidade da região. Com seus cânions, cachoeiras, cavernas e montanhas, o Parque tem mais de 30 trilhas divididas entre seus municípios. A Chapada Diamantina pode ser visitada o ano todo, mas, geralmente, entre maio e outubro haverá menos chance de chuva. De novembro a janeiro pode chover mais, mas terá mais água nas cachoeiras, e de fevereiro a abril é a época que a vegetação estará mais verde.

Lençois

Lençois

COMO CHEGAR

Muitas pessoas chegam por voo em Salvador e alugam um carro para percorrer os 417 km que separam a capital do município de Lençóis (aliás, se você tiver a cidade de Lençóis como base, prepare-se para ouvir muitas vezes questionamentos sobre os Lençóis Maranhenses: nããão, é Lençois na Bahia rs). Estar de carro na Chapada Diamantina permite um melhor deslocamento entre suas cidades e entre os atrativos que não precisarem de um guia. Porém, muitas vezes só compensa se estiver com pelo menos 4 pessoas no carro para dividir os custos.

Outra maneira de chegar é por um voo da Azul que opera algumas vezes por semana de Salvador até o aeroporto de Lençóis.

A maneira mais econômica se estiver sozinho ou em 1 ou 2 pessoas é vindo de ônibus com a Real Expresso, percurso que leva 6h (de Salvador a Lençóis). O mapa a seguir mostra o acesso e as principais cidades:

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa de acesso rodoviário à Chapada Diamantina. Fonte: http://www.guiachapadadiamantina.com.br/como-chegar/mapa-e-acesso/

Planeje seu roteiro antes de reservar sua hospedagem, pois dificilmente você conhecerá a Chapada inteira numa primeira visita. Algumas pessoas utilizam somente Lençóis como base e todos os dias fazem bate-voltas para as outras regiões, o que é possível tanto de carro quanto com agências locais. Outras dividem suas hospedagens entre algumas cidades diferentes dependendo dos roteiros que escolherem. Esta opção é mais viável se estiver de carro, pois o transporte público na região não é muito regular. Além disso, há algumas agências na região que fazem transfer entre cidades. Para seu planejamento, o mapa abaixo mostra as principais localidades:

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa das cidades e atrações da Chapada Diamantina. Fonte: http://www.guiachapadadiamantina.com.br/parque-nacional/mapa-do-parque/

Eu fiz da primeira maneira, me hospedei em Lençóis, local com a maior infraestrutura da região, e fechei todos os passeios com minha hospedagem, o Hostel Chapada. Lençóis conta com um belo casario do século XIX tombado pelo IPHAN. É muito agradável passear pela cidade e, depois dos passeios, escolher um dos restaurantes na cidade histórica. Estive na região por 6 dias, e usei mais 1 dia para vir de ônibus e outro para voltar. Acredito que menos de 4 dias inteiros na região não compensa, e se você tiver muito mais dias, melhor ainda.

Meu roteiro foi assim:

  • Dia 1: Cachoeira e Poço do Diabo, Morro do Pai Inácio, Fazenda Pratinha, Gruta da Lapa Doce.
  • Dia 2: Cachoeira da Fumaça e Riachinho.
  • Dia 3: Poço Azul e Cachoeira do Mosquito.
  • Dia 4: Cachoeira do Buracão e Cemitério Bizantino.
  • Dia 5: Cachoeira do Sossego e Ribeirão do Meio.
  • Dia 6: Piscinas do Serrano, Salão de Areias, Cachoeirinha, Cachoeira da Primavera e Poço Halley.

Em meu primeiro dia iniciamos o passeio até o Rio Mucugezinho, a 20 km de Lençóis. Chegando lá, foram apenas 400 metros de trilha fácil caminhando até a Cachoeira e Poço do Diabo. É uma pequena cachoeira, com poço agradável para nadar e há também uma tirolesa no local. A entrada é gratuita.

Poço do Diabo

Cachoeira do Diabo

Depois, seguimos até o cartão-postal da Chapada, o belíssimo Morro do Pai Inácio, já a 30 km de Lençóis. A trilha para acessá-lo é fácil também, apesar de ter uma pequena subida, com duração de uns 20 minutos. É lá que os guias contam a lenda do Pai Inácio, mas se você tiver ido de carro e estiver sem guia pode conhecê-la aqui. Para entrar no Morro do Pai Inácio há uma taxa de R$ 6,00. A vista é excepcional, a mais linda da Chapada! Ele tem 1.120 metros de altura e é um passeio que não pode faltar! Algumas pessoas visitam no por do sol, mas se for fazer isso, fique atento ao horário máximo de entrada, às 17h.

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Em seguida fomos à Fazenda Pratinha, que fica a cerca de 40 minutos de carro do Morro do Pai Inácio (cerca de 22 km de distância), já no município de Iraquara (pouco menos de 50 km de Lençois). A entrada no complexo custa R$ 30,00. Lá você pode visitar a Gruta da Pratinha e a Gruta Azul. É possível fazer flutuação (R$ 40,00) ou alugar um caiaque (R$ 10,00), mas não é necessário se quiser economizar, só caminhar pelo local já compensa. O lugar é lindo, as águas são muito azuis, achei que a visita vale a pena! A Gruta Azul já não achei tão interessante, ela é somente para observação, não podendo nadar em suas águas. Nos meses centrais do ano a observação desse tipo de formação de gruta com água azul é mais interessante, pois é quando os raios de sol iluminam o local, “acendendo” a água.

Gruta da Pratinha

Gruta da Pratinha

Gruta da Pratinha

Perto dessa Fazenda Pratinha está a Gruta da Torrinha e a Gruta da Lapa Doce. Não visitei a Gruta da Torrinha, mas a trilha é um pouco mais intensa (chegando a 2,5 horas). Em meu tour segui para a Gruta da Lapa Doce, com trilha fácil de 850 metros. Ela possui várias formações de caverna e o valor de entrada é de R$ 30,00. Acho que para quem já visitou outras cavernas antes, talvez essa seja meio sem graça, nesse caso indico a Gruta da Torrinha, que é para viajantes mais exigentes no quesito cavernas. Aqui estão mais informações sobre as grutas da região.

Lago da Pratinha

Gruta Azul

Apesar de fazer com agência, se você estiver de carro é possível fazer tranquilamente todo esse roteiro do meu primeiro dia por conta própria.

Gruta da Lapa Doce

Gruta da Lapa Doce

No segundo dia saí bem cedo para visitar a Cachoeira da Fumaça, segunda maior cachoeira do Brasil, com 380 metros de altura. Ela na região do Vale do Capão, a cerca de 72 km de Lençóis (apesar de a cachoeira em si ficar a 36 km de Lençóis, o início da trilha está a 72 km), por isso algumas pessoas dormem no local e combinam com outras atrações próximas. Para esse passeio aconselho a buscar um guia local para a trilha no Vale do Capão, que dura aproximadamente 5h ida e volta (mais ou menos 12 km o total). Acho a trilha de nível médio, não só pela distância, mas porque na volta os joelhos sofrem um pouco com a descida (havia cabos de vassoura na entrada da trilha à disposição para os caminhantes). No meu caso, já saí com o guia desde Lençóis. Você pode buscar seu guia na Associação dos Condutores de Viajantes do Vale do Capão (site e Facebook).

Caminho para a Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça: olha ela voando, virando “fumaça”!

Uma dica muito importante para esse passeio é que essa cachoeira é sazonal, ou seja, ela não tem água o ano todo. Em alguns períodos do ano ela fica seca, outros tem pouca água, chegando a formar uma “fumaça”, aquele fenômeno que a água “vai para cima”, pois é levada pelo vento. Fui no verão, então tive a sorte de ela estar com água e muito bonita, além de pegar a bela vista do morro de 400 metros de onde ela cai. Se ela estiver seca esse passeio não vale a pena, portanto, informe-se com seus guias e hospedagens sobre o estado dela quando for.

Mirante ao lado da Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça “voando”, virando ‘fumaça”

Cachoeira da Fumaça do outro lado dela

Logo depois da Cachoeira da Fumaça seguimos para o Riachinho (R$ 6,00 de entrada), uma pequena e bela cascata que oferece um banho revigorante depois da caminhada. Para essa cachoeira são somente 10 minutos de caminhada. Na região ainda existem outros atrativos que não visitei e seriam interessantes se eu tivesse me hospedado por lá, como: o Rio Preto e a Cachoeira das Rodas, a Cachoeira da Purificação e Angélica, a trilha para Águas Claras (de onde se avista o Morrão – parece ser lindíssima), o Morrão (que é uma trilha mais difícil), o Poço do Gavião e a trilha do Gerais do Vieira. Além disso, de lá saem: a travessia do Vale do Capão até Lençóis (25 km feitos em 1 dia), a famosa travessia do Vale do Paty (de 3 a 5 dias, incluindo a visita ao Cachoeirão Grande do Paty, com 280 metros de altura) e a Fumaça por baixo (de 3 a 5 dias). Para todas essas, você pode consultar a Associação dos Condutores de Viajantes do Vale do Capão.

Mirante do outro lado da Cachoeira da Fumaça

Riachinho

Em meu terceiro dia fui para o Poço Azul (R$ 30,00 de entrada), na região de Nova Redenção, a 87 km de Lençóis. Nessa área também está o Poço Encantado (R$ 30,00 entrada), a mais 88 km de lá, em Itaetê. Assim como na Gruta Azul, que fui no primeiro dia, os melhores meses para apreciar a entrada de luz que deixa a água azul são de maio a setembro. No Poço Encantado é proibido nadar, por isso fui no Poço Azul, o único que permite o banho. Muitas pessoas dormem em Igatu ou Andaraí para visitar essas atrações, e outras, que tiveram base em Lençóis todos esses dias, combinam o Poço Azul com a Cachoeira do Buracão, dormindo em Mucugê apenas nessa noite e aí vira um passeio de 2 dias.

A visita ao Poço Azul dura meia hora e são fornecidos snorkel e colete para a flutuação. O espaço tem 20 x 40 metros e pode chegar a até 20 metros de profundidade. Dizem que no local foram encontradas várias ossadas pré-históricas. Só digo que é um lugar deslumbrante, a cara da Chapada!

Poço Azul

Poço Azul

Poço Azul

Voltando para Lençóis, segui para a Cachoeira do Mosquito, a 40 km da cidade (R$ 15,00 de entrada). Ela tem esse nome por causa dos mosquitos, que eram os pequenos diamantes encontrados na região (não tem mosquito de verdade rs). A trilha é fácil, cerca de 20 minutos de caminhada. A queda d’água é linda, tem 60 metros de altura e fica no meio de uma formação que parece um cânion, tornando a aproximação a ela deslumbrante. Achei imperdível!

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito

Em meu quarto dia fiz um dos passeios mais esperados e, das atrações que visitei, a mais linda: a cachoeira do Buracão, com 90 metros de altura. Como ela fica distante de Lençóis (200 km), muitas pessoas fazem um roteiro de 2 dias, às vezes combinando com o Poço Azul, como mencionei acima (dormindo em Mucugê, a 98 km da Cachoeira do Buracão). Ela fica no município de Ibicoara, no Parque Municipal do Espalhado (R$ 6,00 de entrada). Como isso encareceria minha viagem, pois não estava de carro e já estava com a noite paga em Lençóis, optei por um bate-volta, sendo necessário sair muito cedo e voltar tarde. Porém, isso barateou meu roteiro com a agência do hostel.

No caminho para a Cachoeira do Buracão

No caminho para a Cachoeira do Buracão

No caminho para a Cachoeira do Buracão: ela cai por dentro de uma rocha

Caso você tenha ido com carro próprio, é necessário contratar um guia na associação local para esse passeio (você pode contratar na Associação Bicho do Mato, site,  e Facebook, ou na Associação dos Condutores de Visitantes de Ibicoara). A trilha é fácil, são 3 km ao longo do Rio Espalhado passando pela Cachoeira das Orquídeas e a do Recanto Verde até o Cânion do Buracão. Chegando no cânion, há coletes salva-vidas e é necessário entrar no rio, contornando o cânion por 150 metros. Em alguns metros você terá o mais lindo vislumbre dessa maravilhosa cachoeira. Daria para caminhar pelas pedras laterais para acessar a cachoeira, porém é meio escorregadio, e é melhor só sentar nas pedras quando chegar, indo pela água mesmo (não precisa ter medo caso não saiba nadar, pode ir se segurando pelas pedras conforme flutua). Na volta você ainda pode apreciar a cachoeira do Buracão do topo. Essa cachoeira está no top 5 de cachoeiras de muita gente, uma das mais lindas da Chapada, não deixe de ir!

Cachoeira do Buracão: agora precisa entrar na água para seguir

Cachoeira do Buracão: não consegui uma foto boa por causa do grande volume d’água no dia

Na volta para Lençóis, passamos ainda no Cemitério Bizantino, próximo de Mucugê. Ele fica na beira da estrada e a visita é rápida. É um local curioso, pois data do século XIX e todas as esculturas são bem branquinhas, mais parecem miniaturas de igrejas.

Cachoeira do Buracão: precisa entrar na água para seguir

Cachoeira do Buracão vista de cima

Cachoeira do Buracão vista de cima

Muitas pessoas dormem na região de Ibicoara (povoado do Baixão) para conhecer a Cachoeira da Fumacinha num roteiro de 2 dias combinado com a Cachoeira do Buracão. Eu não consegui fazer essa trilha, pois não havia grupo disponível para acompanhar no dia. Ela parece ser espetacular, mas é de nível difícil, são 18 km ida e volta (umas 9h de caminhada) por cima de pedras no leito do rio. Ainda vou retornar à Chapada para conhecer essa cachoeira de 100 metros de altura. Você pode agendar um guia no mesmo local que indiquei acima, para a cachoeira do Buracão.

Cachoeira do Buracão vista de cima

Cemitério Bizantino

Cemitério Bizantino

Em meu quinto dia contratei um guia em Lençóis, com meu hostel, e fui à Cachoeira do Sossego. Nessa dá para ir a pé da cidade em meio período. A trilha toda é pelo leito do rio e, honestamente, apesar de ela ser bonita, não achei que o visual compensou a caminhada, bem complicada por conta das pedras escorregadias do rio. Na volta passamos no Ribeirão do Meio, um grande tobogã natural, que estava um pouco cheio, com pessoas fazendo piquenique e churrasco. No Ribeirão do Meio dá para ir sem guia e fica bem perto da cidade se quiser ir somente lá.

Cachoeira do Sossego

Ribeirão do Meio

Ribeirão do Meio

Já no meu sexto dia fiz outra trilha a pé saindo de Lençóis, mas não contratei guia. Como o local estava relativamente cheio, fui perguntando para as pessoas o caminho e foi tranquilo. O início da trilha é perto do Hotel Portal de Lençóis. Esse passeio durou meio período e visitei as Piscinas do Serrano, o Salão de Areias, a Cachoeirinha, a Cachoeira da Primavera e o Poço Halley. São 6 km, mas é um local que enche um pouco por conta do fácil acesso e por ser gratuito. O serrano forma pequenas piscinas naturais e tem uma boa vista da cidade. As demais cachoeiras são pequenas. Acho que esse passeio compensa se você tiver um dia livre sobrando. Do contrário, achei muito simples comparado às outras atrações da Chapada.

Piscinas do Serrano: ficam no meio das rochas

Salão de Areias

Faltaram ainda muitos passeios para fazer na Chapada Diamantina, como o Marimbus (mini Pantanal, um passeio de barco pelo rio Roncador), a Serra das Paridas (pinturas rupestres), a Cachoeira do Mixila (trilha de 2 ou 3 dias), as cachoeiras que ficam em municípios fora de Lençóis: em Igatu tem a Cachoeira da Califórnia, a Cachoeira das Cadeirinhas, a Cachoeira das Pombas; em Mucugê e Ibicoara tem o Projeto Sempre-Viva, a cachoeira Tiburtino, a Cachoeira Piabinha; no Vale do Capão tem a cachoeira Conceição dos Gatos; e muitos outros atrativos! E é claro, também voltarei para conhecer a Cachoeira da Fumacinha e a travessia do Vale do Paty e os passeios que mencionei próximos ao Vale do Capão.

Cachoeirinha

Cachoeira da Primavera

  • Tirando a cachoeira da Fumacinha e talvez as travessias de mais de 1 dia, em todos os passeios considero fácil ir sozinha, pois os grupos se formam e se juntam entre as agências em Lençóis, elas mesmas resolvem isso.
  • Não aconselho visitar a Chapada Diamantina nos períodos do Ano Novo e Carnaval, realmente lota muito.
  • Na Chapada Diamantina há um prato típico preparado com um cacto chamado palma. Come-se desde palma cozida até como recheio de pasteis e salgados.

A Chapada Diamantina é essencial na listinha de todo amante de ecoturismo!

Muitas vezes, visitar Foz do Iguaçu não é a primeira escolha dos viajantes. Porém, todos que conhecem voltam maravilhados! E como não se impressionar com tamanha vazão d’água? O rio Iguaçu forma 19 saltos (com 275 quedas), as Cataratas do Iguaçu, destas, 5 no lado brasileiro e o restante no lado argentino. As quedas têm até 80 metros de altura e 2780 metros de largura.

Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Trem da Selva no Parque Nacional Iguazu, lado argentino

O Parque Nacional do Iguaçu foi inaugurado em 1939, e foi a primeira unidade de conservação a ser instituída como Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, em 1986. Já o lado argentino foi inaugurado antes, em 1934. Em 2011, as Cataratas do Iguaçu ganharam o título de uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza.

Cuidado com os quatis!

Indo para a Garganta do Diabo, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Foz do Iguaçu pode ser visitada o ano todo, porém, na primavera e no verão o local tende a ser mais chuvoso, e no outono e no inverno, mais seco. Portanto, nas estações chuvosas o volume d’água será maior e a água estará mais barrenta. Já nas estações secas haverá menos água, porém as cachoeiras estarão mais definidas.

Esse roteiro pode ser feito desde somente um fim de semana até muitos dias. Eu particularmente acho que pelo menos da primeira vez é ideal ficar pelo menos 3 dias.

Indo para a Garganta do Diabo, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Indo para a Garganta do Diabo, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

O aeroporto de Foz do Iguaçu é o ponto de partida de muitos viajantes. Porém, é possível também chegar de ônibus, com as viações Pluma, São Geraldo, Itapemirim, Catarinense, Kaiowa e outras, dependendo de onde estiver vindo. Muitas pessoas dirigem até a localidade, e um carro pode ser útil para os passeios, mas não essencial.

A cidade tem muita oferta de hospedagem, incluindo hostels muito bons. Minha hospedagem me auxiliou com o transporte para meu primeiro dia de passeio na região, o lado argentino das cataratas.

A Garganta do Diabo, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

A Garganta do Diabo, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

O lado argentino é o mais aventureiro, onde você chega bem perto das cataratas e caminhará mais para visitar o local todo, além de ter mais coisas para ver. Porém, é mais emocionante (e ainda assim conta com boa estrutura de acessibilidade) e o passeio de barco pelas cataratas é mais barato. Já o lado brasileiro é excelente para contemplação, a caminhada é mais curta, mas a visão das cataratas é mais panorâmica. É uma visão mais ampla que não se tem do lado argentino. Dos dois lados, tome cuidado com os quatis, que são fofos, mas podem morder e roubar sua comida, não mexa com eles!

Circuito inferior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Circuito inferior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Contratei com minha hospedagem uma van que me deixou na portaria do Parque Nacional Iguazú, porém, é possível ir de ônibus de linha também. Neste último caso, é preciso pegar um ônibus para a rodoviária de Puerto Iguazú e de lá um circular que passa no parque. Consulte os horários das linhas de Foz do Iguaçu aqui. Ao passar pela imigração, o visitante deve apresentar seu RG (que deve ter menos de 10 anos) ou passaporte, para só depois seguir viagem. Você precisará comprar pesos argentinos para essa visita, pois a compra do ticket (e do estacionamento, se estiver de carro) só pode ser paga em espécie e na moeda local. Já no interior do parque você pode pagar o que for comprar ou consumir no cartão. Há algumas casas de câmbio em Foz do Iguaçu e também no caminho até o parque, você pode trocar antes de chegar.

Circuito inferior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Circuito inferior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

O Parque Nacional Iguazú funciona todos os dias das 8h às 18h, porém a entrada é permitida até as 16h30. O valor de entrada para residentes do Mercosul é de 250 pesos argentinos (cerca de 51 reais). Sugiro que chegue bem cedo e reserve o dia todo para conhecer essa maravilha!

Circuito superior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Circuito superior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Você pode iniciar seu passeio pelo Trem da Selva (incluso já no valor da visita). Muitas vezes a fila para o trem está muito grande, e é possível alterar a ordem dos passeios também. O trem sai de 20 em 20 minutos e é uma viagem muito agradável (dura uns 15 minutos), passando pelo meio da mata. Saindo da Estação Central, ele passa pela Estação Cataratas, de onde se tem acesso aos circuitos Superior e Inferior, e segue para a Estação Garganta do Diabo. De lá se inicia a passarela de 1100 metros atravessando o Rio Iguazú até a Garganta do Diabo. A paisagem do percurso é incrível e a queda d’água é de tirar o fôlego nos seus 80 metros! O tempo estimado de visita para esse percurso todo é de 2h.

Circuito superior, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Aventura Náutica, Parque Nacional Iguazu, lado argentino

Depois, pegue o trem de volta até a Estação Cataratas (se você tivesse iniciado seu passeio por essa estação, pode ir a pé da portaria até ela, pois são só 600 metros pelo Caminho Verde). O Circuito Inferior tem 1700 metros e sua duração média é de 1h45. As passarelas chegam a ter uma escada, então pode-se dizer que ele não é totalmente acessível. A caminhada é bem tranquila, e é maravilhoso o contato com a parte inferior das Cataratas de tão perto! De lá eu fiz o passeio de barco com a Iguazu Jungle, a Aventura Náutica. Achei emocionante, o barco chega muito próximo da queda principal perto da ilha de San Martin e passa debaixo de algumas outras quedas. Realmente achei que comparado com o passeio de barco do lado brasileiro, este é com mais emoção. Ele custa 450 pesos argentinos (cerca de 93 reais). Eu sei que é caro, mas a diversão é garantida!

Ice Bar Iguazu

Ice Bar Iguazu, até o copo é de gelo!

Depois siga para o Circuito Superior, com 1750 metros, com duração de 2h (parando muito para fotos, dá para fazer em bem menos tempo). Esse circuito é quase um mirante, pois você passa pelo topo das quedas que viu no Circuito Inferior, e também é muito bonito e próximo das cachoeiras.

Brrrrr!! Ice Bar Iguazu

Faltou fazer o “Sendero Macuco y Salto Arrechea”, uma trilha de 7 km no parque com duração de cerca de 3h. Uma boa aliada à visita nas Cataratas, seja o lado argentino ou o brasileiro, é a capa de chuva, pois em algum ponto você vai se molhar! Segue um mapa do parque para que você se localize nas atrações que falei:

Clique para aumentar. Fonte: http://www.iguazujungle.com/images/mapa_back.jpg

 

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Saindo do lado argentino aproveitei que estava em Puerto Iguazu para visitar o Ice Bar Iguazu, o Bar de Gelo. Ao chegar, o visitante coloca uma roupa especial para frio e entra em uma sala de aclimatação para se acostumar com as baixas temperaturas. Já dentro do Ice Bar são 10 graus negativos, para preservar as curiosas esculturas de gelo. São 30 minutos de open bar, e no site tem um cardápio. Mas confesso que esse tempo é dividido entre tirar fotos e realmente aproveitar as bebidas. Eu achei muito divertido! O Ice Bar funciona todos os dias das 14h às 23h30 e custa 300 pesos argentinos (R$ 61,00). Se ainda estiver animado para passear pode até dar uma volta por Puerto Iguazu, aproveitando os restaurantes e cassinos, como o Cassino Iguazú, por exemplo.

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

No dia seguinte visitei as cataratas do lado brasileiro. Nesse dia eu fui de ônibus de linha e foi bem fácil. O Parque Nacional do Iguaçu funciona todos os dias das 9h às 17h. O ingresso para brasileiros custa R$ 40,00. Lá tem a opção de fazer o voo panorâmico de helicóptero, mas estava fora de minhas possibilidades (R$ 310,00), se é que você me entende hehe. Quando você for comprar o ingresso também pode optar pelo Macuco Safari, que é o passeio de barco do lado brasileiro, que inclui parte com carro elétrico pela mata e parte de barco (mas o lado argentino era com emoção e também mais barato, este nem tanto, lembra? rs), mas custa R$ 215,40. Também há a trilha do Poço Preto (R$ 278,00) e a Trilha das Bananeiras. Você pode consultar os valores atuais por e-mail.

Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Molha mesmo!!!! Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Molha tudo, gente!! Parque Nacional do Iguaçu, lado brasileiro

Agora, iniciando o passeio, você pegará o ônibus incluso no valor do ingresso. Se não for fazer os passeios pagos que citei, você descerá na Estação Trilha das Cataratas e irá caminhando (1200 metros), pois passará por vários mirantes pelo caminho. Cada mirante é um show! No final você segue por uma passarela que chega bem perto da Garganta do Diabo, achei o ponto alto do passeio, prepare-se para se molhar. A caminhada termina na Estação Porto Canoas. O passeio pelo lado brasileiro das Cataratas demora cerca de 1,5h hora, mas pode durar 2,5h se você for fazer o Macuco Safari. Você pode entender bem o parque vendo este mapa.

Clique para aumentar. Fonte: http://www.cataratasdoiguacu.com.br/cataratas-do-iguacu-sa/mapa

 

Parque das Aves

Olha como é o percurso no Parque das Aves

Eu acho que o lado argentino e o lado brasileiro das Cataratas se complementam, você deve conhecer ambos, e é muito legal fazer passeio de barco em um deles. Alguns preferem o lado brasileiro e outros preferem o lado argentino (eu prefiro o argentino), mas é um gosto pessoal.

Parque das Aves

Parque das Aves

Saindo do Parque Nacional do Iguaçu, do outro lado da rua está o Parque das Aves. Ele funciona todos os dias das 8h30 às 17h e custa R$ 40,00. A visita demora cerca de 2h, então dá para fazer meio período Parque das Aves e meio período Parque Nacional do Iguaçu no mesmo dia. O Parque das Aves tem mais de 1320 aves, com cerca de 143 espécies diferentes. A visita é bem interessante, você caminha por dentro de diversos viveiros e tem contato direto com tucanos, araras, gralhas, flamingos e outros, incluindo um borboletário. Ao entrar num viveiro, feche a porta para as aves não saírem. Dá para fazer fotos excelentes!

Parque das Aves

Parque das Aves

Outro lugar que fica próximo ao lado brasileiro das Cataratas é o Museu de Cera, que não visitei, e também o Vale dos Dinossauros (que me disseram que agrada mais as crianças) e as Maravilhas do Mundo (museu com miniaturas das Maravilhas).

Algumas pessoas contratam agências para fazer transfer para as atrações e também diferenciar os passeios, como a Loumar Turismo, pois há possibilidades de city tour interessantes não só por Foz do Iguaçu, mas também por Puerto Iguazu e arredores, inclusive para as ruínas de San Ignácio Mini e as Minas de Wanda, atrações da Argentina.

Outra atração bem popular em Foz do Iguaçu é a Hidrelétrica Itaipu Binacional, uma das maiores obras de engenharia moderna já construídas. Há vários tipos de passeios, e você pode escolher a sua opção no site. Só para ver a parte externa você pode fazer a Visita Panorâmica (duração de 1,5 hora), mas o Circuito Especial percorre também a parte interna (com duração de 2,5 horas), e há também um passeio de iluminação noturna.

Usina de Itaipu. Fonte: https://www.turismoitaipu.com.br/pt

Muitas pessoas aproveitam a visita a Foz para fazer compras no Paraguai, atravessando a Ponte da Amizade para a Ciudad del Este. Há ótimos preços, mas você deve ficar atento e preferir comprar em shoppings (como o Monalisa e a SAX e Shopping del Este) do que na rua, para comprar com segurança e evitar os vendedores que te abordam pelo caminho. Você pode ir a pé, de ônibus, com táxi ou agência. O local é feio, mais parece uma 25 de março (rua de compras no centro de São Paulo), então vá se você for comprar algo, e não como um passeio. Fique atento à cota de 300 dólares para as compras. Também há outra opção para compras no Duty Free da Argentina.

Templo Budista em Foz do Iguaçu

Templo Budista em Foz do Iguaçu

Templo Budista em Foz do Iguaçu

Um passeio que gostei muito de fazer é o Templo Budista de Foz do Iguaçu. Ele funciona de terça a domingo das 9h30 às 17h e a entrada é gratuita. Vale muito visitar mesmo que você não seja adepto do budismo, pois o local é muito bonito, com 120 lindas estátuas. Ele fica na Rua Dr. Josivalter Vila Nova, 99 e a visita dura mais ou menos 1h. Eu fui de ônibus, mas ele é um pouco demorado e dá muitas voltas, então muitas pessoas vão com agência.

Templo Budista em Foz do Iguaçu

Templo Budista em Foz do Iguaçu

Algumas pessoas também visitam a Mesquita Islâmica (de segunda a sábado). Bem popular também é o passeio ao Marco das 3 Fronteiras (Argentina, Brasil e Paraguai). Aqui há uma descrição de como é o passeio e este é o site oficial, com o valor de ingressos e horários. Há um ônibus de City Tour que passa no Marco das 3 Fronteiras, no Templo Budista e na Mesquita. Agências como a Loumar Turismo oferecem opções de jantares temáticos também.

Olha um pedacinho das cataratas do avião, sente do lado direito

Seja quantos dias ficar, Foz do Iguaçu é essencial para todo tipo de viajante, e há grande possibilidade de você se apaixonar e querer voltar para fazer outros passeios ou repetir os que já fez.

Por causa da distância, Diamantina é, muitas vezes, ofuscada por outras cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto e Tiradentes. Isso porque ela se localiza a 291 km de Belo Horizonte, ao contrário das outras, que são mais próximas da capital do estado. Porém, ela não deve em nada às outras cidades, tanto por fatores históricos como culturais e naturais, e é ponto de partida da Estrada Real.

Gruta do Salitre

Gruta do Salitre

Assim como em outras cidades históricas de MG, a formação da cidade está ligada à exploração do ouro e do diamante, o que, mais tarde, acarretou o nome do local. Foi mais ou menos em 1722 que iniciou-se o povoado, chamado Arraial do Tejuco, e, com sua expansão, Diamantina. Em 1938, o centro histórico foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e, no final da década de 1990, a Unesco reconheceu a cidade como Patrimônio Cultural da Humanidade (UAU!). Parte da história da cidade é lembrada pela presença de Chica da Silva, que viveu no local, bem como Juscelino Kubitschek.

Gruta do Salitre

Curralinho

Se você vai conhecer Diamantina, prepare-se para dizer muitas vezes que vai para Diamantina em MG, e não para a Chapada Diamantina, na Bahia! Esse roteiro é super interessante porque, além da parte da cidade histórica, Diamantina tem muitos atrativos naturais em volta, desde locais próximos até outros a 70 km. Passei 4 dias na região, e ainda faltou conhecer alguns lugares.

Mirante Cruzeiro da Serra

Mirante Cruzeiro da Serra

Diamantina pode ser acessada de carro (umas 4 ou 5h de BH, se quiser alugue um) ou de ônibus (chegando em Belo Horizonte, a Viação Pássaro Verde faz o trajeto). Se você estiver de carro poderá visitar todos os lugares com ele. Porém, se chegar de ônibus, caso queira conhecer mais que o centro histórico, sugiro que contrate um taxista local. Há agências de ecoturismo na cidade (Minhas Gerais e Arm Turismo), mas nem sempre é a opção mais barata. O melhor custo-benefício é conversar com sua hospedagem sobre o serviço dos taxistas. No caso me hospedei no Diamantina Hostel, e eles me ajudaram assim que cheguei à cidade com o contato com os taxistas. Um senhor, pai do Benício, também taxista, me atendeu com excelência. Fechei um “pacote” com ele, para 3 dias de passeio e compensou muito! Os contatos são esses: (38) 8811-8178, (38) 9918-0393, (38) 9187-8304, (38) 3531-2436. Para ele não tem tempo ruim, diz que com calma se passa em todos os tipos de estradas.

Mirante Cruzeiro da Serra

Mirante Cruzeiro da Serra: Casa da Glória

Um dos principais eventos culturais da cidade é a Vesperata. Nesse evento, músicos tocam um repertório popular das varandas das casas do centro histórico, e o público assiste da rua. Quando estive na cidade não teve esse evento, mas parece que ele ferve, até com venda de lugares em mesas. Geralmente acontece 2 sábados por mês de março a outubro, e você pode consultar a programação no Facebook da Vesperata.

Vila de Biribiri

Vila de Biribiri

Minha primeira parada foi a Gruta do Salitre, a 9,4 km de Diamantina e a 1 km do distrito de Curralinho. Formada de quartzito, o visual é impressionante, lembra o de um cânion, com seus paredões de até 64 metros de altura. De lá era extraído salitre para a fabricação de pólvora. A acústica dessa formação é incrível, tanto que já foi palco de concertos e cenário para produção de novelas, séries e filmes. É possível fazer rapel no local, desde que acompanhado por monitores credenciados.

Cachoeira dos Cristais, Parque Estadual do Biribiri

Cachoeira dos Cristais, Parque Estadual do Biribiri

Em seguida passamos pelo pequenino distrito de Curralinho, com apenas 200 habitantes, com suas casinhas históricas, que também já foi palco de gravação de novela. Depois, a 4 km de Diamantina está o Mirante Cruzeiro da Serra, acessado pela Rua Salto da Divisa, de onde se tem uma bela vista da cidade. Nessa parte passa o Caminho dos Escravos, construído por escravos e por onde escoava a extração de pedras e metais preciosos, parte da Estrada Real. Porém, caso queira fazer esse caminho, de 20 km, que atravessa o Parque Estadual do Biribiri e chega até o município de Mendanha, sugiro consultar moradores da região, pois li que parte do trajeto tem risco de assaltos, ou entrar em contato com a Asguitur (Associação de guias e condutores locais). Aqui está um ótimo relato da caminhada.

Cachoeira da Sentinela, Parque Estadual do Biribiri

Cachoeira da Sentinela, Parque Estadual do Biribiri

Daí seguimos para a Vila de Biribiri, que é parte do Parque Estadual do Biribiri (Facebook e site), na Serra do Espinhaço, a 15 km de Diamantina e também tombada pelo IPHAN (em 1998). O local foi construído em 1870 por conta de uma enorme fábrica de tecidos, que gerava muitos empregos. A fábrica funcionou até 1973, mas em seu auge mantinha 1200 funcionários. Hoje é uma charmosa vila e um ótimo local para almoçar antes de visitar os atrativos próximos: a cachoeira da Sentinela e a Cachoeira dos Cristais, as duas de fácil acesso.

Cachoeira da Sentinela, Parque Estadual do Biribiri

Cachoeira da Sentinela, Parque Estadual do Biribiri

A Cachoeira dos Cristais fica a 13 km da portaria do parque e é um ótimo poço para nadar. Já a Cachoeira da Sentinela, a 7 km da portaria do parque, tem vários poços para banho, com 1 a 5 metros. Não visitei, mas na região há sítios arqueológicos com pinturas rupestres.

Cachoeira da Sentinela, Parque Estadual do Biribiri

Em meu segundo dia fizemos um bate-volta para o distrito de Conselheiro Mata, a 49 km de Diamantina, dos quais 36 são de estrada de terra em boas condições. A região tem diversas cachoeiras, como a Cachoeira das Fadas, a das Andorinhas, a do Triângulo, a dos Três Desejos, a do Telésforo, o Poço das Sereias, do Tombador, da Vaca Brava, da Usina, Olhos D’ Água e outras.

Cachoeira do Telésforo, Conselheiro Mata

Cachoeira do Telésforo, Conselheiro Mata

Cachoeira do Telésforo, Conselheiro Mata

Conselheiro Mata

Primeiro visitamos a Cachoeira do Telésforo. De Conselheiro Mata até ela são 16 km de estrada de terra, que no geral é boa, talvez só seja um pouco difícil em dias de chuva (a 2 km antes de chegar em Conselheiro Mata há uma placa). Paguei R$ 10,00 para entrar na propriedade e visitar a cachoeira. Era possível pagar outro valor e acampar no local, onde encontrei várias famílias fazendo seu almoço. O lugar é lindo, a paisagem é muito melhor que nas fotos! O rio forma uma espécie de praia, com areia e tudo, e é possível sentar nos “degraus” formados pela cachoeira.

Conselheiro Mata

Cachoeira das Fadas, Conselheiro Mata

Cachoeira das Fadas, Conselheiro Mata

Depois fomos atrás da Cachoeira das Fadas. Chegando em Conselheiro Mata, pergunte pelo caminho passando pela Escola de Conselheiro Mata e pelo Nasfadas Ecohostel. A trilha é curta, cerca de 20 a 30 minutos, mas uma boa descida, apesar de não ser muito difícil. Cercada por vegetação, a queda tem 35 metros de altura e um poço excelente para nadar. Acredito que poderia aproveitar mais Conselheiro Mata me hospedando por lá e, assim, conhecendo as outras cachoeiras da região.

Parque Estadual do Rio Preto

Parque Estadual do Rio Preto

Cachoeira do Crioulo, Parque Estadual do Rio Preto

No terceiro dia fizemos um bate-volta para o Parque Estadual do Rio Preto, em São Gonçalo do Rio Preto (Facebook e site), a cerca de 63 km de Diamantina, mas também na Serra do Espinhaço. O parque fica a 15 km da cidade, e se você tiver chegado a São Gonçalo do Rio Preto de ônibus terá que pegar um táxi para o parque. Ele tem uma infraestrutura excelente para o visitante. É obrigatório guia, mas você paga somente um valor para entrada no parque (quando fui custou R$ 7,00). Antes de iniciar a caminhada é necessário assistir um vídeo institucional. Caso queira se hospedar no camping ou no alojamento é preciso entrar em contato previamente, mas os valores são muito bons! O local funciona de terça a domingo das 7h às 17h e conta com restaurante para depois do passeio.

Cachoeira do Crioulo, Parque Estadual do Rio Preto

Trilha no Parque Estadual do Rio Preto

Sempre-Viva, Parque Estadual do Rio Preto

Há alguns poços para banho de fácil acesso, alguns mirantes e até pinturas rupestres. A trilha principal exige um certo condicionamento, tem 9 km de extensão, passando pela Cachoeira Sempre-Viva e pela Cachoeira do Crioulo, além de vários mirantes. Para fazê-la, existem 3 horários de saída: 9h, 10h e 11h. Se chegar depois disso não é possível percorrê-la (eu pessoalmente acho que ela é a atração mais legal do parque, por isso se programe para chegar com antecedência a esses horários). A trilha segue por cima de uma serra até a Cachoeira do Crioulo, linda, com 30 metros de altura e uma vista belíssima de seu topo, além de um excelente poço para nadar. Depois, volta-se pelas pedras ao lado do leito do rio até a Cachoeira Sempre-Viva, com 15 metros de altura, sem poço para nadar, mas que escorre pelas pedras e forma quase um chuveiro natural. O Parque Estadual do Rio Preto é muito lindo e pode ser muito bem aproveitado se dormir lá, por conta das outras cachoeiras, poços e trilhas.

Trilha no Parque Estadual do Rio Preto

Cachoeira Sempre-Viva, Parque Estadual do Rio Preto

Cachoeira Sempre-Viva, Parque Estadual do Rio Preto

No quarto dia visitei o centro histórico de Diamantina. O cartão-postal da cidade é a Casa da Glória. São dois casarões, datados um do século XVIII e outro do século XIX, ligados por um passadiço de madeira. Ele já foi educandário e orfanato, mas hoje pertence ao Instituto de Geociências da UFMG e funciona como museu (todos os dias das 9h às 17h). Não deixe de andar pelo passadiço.

Casa da Glória

Casa da Glória

Diamantina

Descendo em direção ao centro histórico está a Igreja São Francisco de Assis (de 1775) e o casarão do Fórum. De lá, passa-se pela Casa de Juscelino, onde ele morou, mas que hoje funciona como um pequeno museu (R$ 5,00 de entrada).

Casa da Glória

Vista da Casa da Glória

Diamantina

A principal igreja da cidade é a Catedral Metropolitana de Santo Antônio, com arquitetura clássica, construída entre 1982 e 1940, substituindo a antiga igreja de Santo Antônio original. No caminho você passará por um curioso chafariz. Perto da Catedral está o pequeno Museu do Diamante, que é um pouco escondido, mas bem interessante, com acervo dos séculos XVII a XIX. Próximo a ele está a Casa da Chica da Silva, onde ela morou entre 1763 e 1771.

Diamantina

Diamantina

Igreja São Francisco de Assis, Diamantina

Depois, desça para o Mercado Municipal, ou Mercado Velho, ou Mercado dos Tropeiros, que foi um ponto de encontro de troca de mercadorias. Hoje lá são vendidos produtos artesanais e pratos típicos. À noite inclusive tem música ao vivo. Após isso você pode passar na Capela Imperial do Amparo. Há também a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Igreja Nossa Senhora das Mercês, a Basílica Sagrado Coração de Jesus e a Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Igreja São Francisco de Assis, Diamantina

Diamantina, Catedral Metropolitana de Santo Antônio ao fundo

Faltou visitar o povoado de Milho Verde, com diversas cachoeiras, como a Cachoeira do Moinho, a Cachoeira Carijó, a Cachoeira do Piolho, dentre outras. Gostaria de ter feito a trilha no Cânion do Funil, a 61 km de Diamantina, subido no Pico do Itambé, além de outras pequenas cachoeiras isoladas próximas a Diamantina.

Chafariz

Catedral Metropolitana de Santo Antônio

Diamantina

Abro um parêntese aqui para contar que, como Diamantina está na estrada real, existe um programa do Instituto Estrada Real muito interessante. Mediante preenchimento de formulário no site e 1 kg de alimento não perecível você retira o passaporte da Estrada Real gratuitamente. Ao visitar as cidades pertencentes à estrada (listadas no site), você carimba esse passaporte com o desenho do principal atrativo da cidade (são muito fofos os carimbos!). Ao carimbar um certo número de cidades você ganha um certificado (10 carimbos no Caminho dos Diamantes, ou 8 carimbos no Caminho Novo, ou 14 carimbos no Caminho Velho, ou 4 carimbos no Caminho de Sabarabuçu). Você pode retirar o passaporte e obter carimbos em qualquer cidade listada no site, verifique os endereços.

Diamantina foi uma grata surpresa, que pretendo voltar para conhecer os atrativos que faltaram e aproveitar mais tempo nos locais.

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Diamantina

Mercado dos Tropeiros

Chafariz

Se você é daqueles que gosta de um roteiro por cidades do interior vai adorar Analândia. Próxima a Brotas, São Pedro e Itirapina, essa cidade fica a cerca de 225 km de São Paulo. O principal atrativo, avistado de longe, é o Morro do Cuscuzeiro, cartão-postal da cidade (será que é por que parece uma panela de cuscuz, um cuscuzeiro, invertida?). Esse tipo de formação é chamada de Morro Testemunho, por ter testemunhado as mudanças no relevo ao seu redor; é uma formação rochosa que é mais resistente em relação ao terreno em volta, feita de Arenito Botucatu. Ele tem 900 metros de altura, e foi usado para localização por fazendeiros e desbravadores desde a época das fazendas de café.

Estação Anápolis

Estação Anápolis

Mas antes de correr para o Cuscuzeiro, vale a pena dar uma passada na histórica estação Anápolis, inaugurada pela Cia. Rio-Clarense em 1884 (antes Anápolis dava nome ao distrito, que pertencia a Rio Claro). Somente em 1906 Anápolis virou uma cidade e mudou de nome para Analândia por conta de dualidade de nomes de cidades. A estação foi desativada em 1966, mas hoje o local tem importância histórica e, se quiser saber mais sobre essa questão histórica, consulte este site.

Cachoeira do Escorrega

Cuscuzeiro visto da Cachoeira do Escorrega

O primeiro atrativo de Analândia que visitei foi a cachoeira do Escorrega. No local funciona também um camping, que pode ser uma opção para se hospedar. A cachoeira é bem simples, mas o local é bonito, há uma bela vista do Cuscuzeiro e fui muito bem atendida. O custo para entrada foi de R$ 10,00.

Salto Major Levy

Olha como é bem sinalizado!

Eu achei bem fácil me localizar pela cidade, há algumas placas, mas perguntando, encontrei facilmente as rotas que queria. Nada é muito longe, mas acho que é melhor estar de carro para visitar os atrativos pela distância.

Retornando para a cidade conheci o Salto Major Levy. Ele fica bem na entrada da cidade e tem 25 metros. Tem uma lanchonete na entrada e você avista o salto ao descer uma escadaria. Eu achei o local um pouco sujo, se não me engano até a água estava imprópria para banho, e é uma cachoeira bem urbana. Se você visitar esse salto e as condições estiverem melhores me avise! O contato deles é esse.

Vista da estrada indo para a Cachoeira da Bocaina

Vista da estrada indo para a Cachoeira da Bocaina

Depois segui para a Cachoeira da Bocaina, a mais esperada do dia. No caminho a visão do Cuscuzeiro e do Morro do Camelo é belíssima! Algumas paradas na estradinha de terra, em boas condições, renderão ótimas fotos!

Chegando na Cachoeira da Bocaina, após pagar uma taxa de R$ 10,00 para entrar, desci por uma trilha de aproximadamente 15 minutos. A cachoeira fica no meio da mata, derramando-se por um paredão de 45 metros de altura. Ouvi dizer que no local há prática de rapel e cascading. É possível acessar a parte de cima dela, mas tenha cuidado para não chegar muito perto da beira.

Vista da Estrada indo para a Cachoeira da Bocaina: Cuscuzeiro e Morro do Camelo

Vista da Estrada indo para a Cachoeira da Bocaina: Cuscuzeiro e Morro do Camelo

Em seguida retornei por onde vim. No caminho entre a cidade e a Cachoeira da Bocaina há uma porteira que dá acesso ao Morro do Camelo, de onde há uma excelente vista para o Cuscuzeiro. É bem fácil achar essa porteira, ela fica no ponto mais próximo do Morro do Camelo. Tanto o Morro do Camelo quanto o Cuscuzeiro datam de 150 milhões de anos atrás. O Morro do Camelo também tem um formato autoexplicativo, parece ter 2 corcovas, e tem 80 metros de altura. Entrando pela porteira, a trilha está demarcada para subir entre as duas corcovas. Porém, na parte de cima a trilha se divide. Para ter a visão do Cuscuzeiro você precisa subir na corcova da esquerda, então, ao ver a bifurcação, pegue à esquerda. A trilha é bem curta, precisa de um mínimo de esforço para subir, mas não precisa de equipamentos.

Cachoeira da Bocaina: pouca água, mas um belo lugar

Cachoeira da Bocaina: pouca água, mas um belo lugar

Depois de apreciar a vista almocei próximo à base do Cuscuzeiro, onde está o Pedra Viva. Lá eles oferecem camping, restaurante e caminhadas tanto até a base do Cuscuzeiro quanto escaladas até o topo, bem como rapel. Você pode consultar os valores no Facebook deles.

Vista de cima da Cachoeira da Bocaina

Vista de cima do Morro do Camelo

Buscando na internet achei esta agência de passeios, que pode ser útil para quem visitar a região e estiver sem carro. Além desses atrativos, há outros que não visitei, como a Cachoeira da Ponte Amarela, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, a cachoeira da Pedra Vermelha e algumas outras que pesquisei serem de difícil acesso, como a cachoeira Sião (ou Cachoeira da Barrinha) e a Cachoeira do Canyon do Feijão.

Vista de cima do Morro do Camelo: Cuscuzeiro

Vista de cima do Morro do Camelo: Cuscuzeiro

Resolvi acampar em Itirapina, no Camping do Saltão. Isso porque a entrada para visitar as cachoeiras custa R$ 20,00 e o pernoite no camping custa R$ 45,00, mas dormindo lá não precisaria pagar a entrada. Ouvi dizer que em feriados esse lugar fica bem lotado, mas como era um fim de semana comum estava vazio. A estrutura é boa, há lanchonete e alguns quiosques de apoio para montar as barracas próximo. Itirapina fica a 25 km de Analândia, e o acesso ao Camping do Saltão é bem fácil.

Vista de cima do Morro do Camelo: Cuscuzeiro

Vista de cima do Morro do Camelo

Há uma certa confusão sobre a Cachoeira do Saltão estar em Itirapina ou São Pedro. Pelo que percebi, apesar de ela pertencer a Itirapina, São Pedro divulga melhor esse atrativo (como deles) e já vi até Brotas considerando a Cachoeira do Saltão como sua.

Cachoeira do Monjolinho

Descendo para a Cachoeira do Saltão

No domingo aproveitei as 3 cachoeiras da propriedade, além da cachoeira do Saltão também há a Cachoeira Monjolinho e a Cachoeira Ferradura.

Cachoeira do Saltão

Cachoeira do Saltão

A Cachoeira Monjolinho tem 12 metros, mas o acesso é super fácil e ela é bem bonita. Depois, descendo por um túnel e uma escadaria, segui para a Cachoeira do Saltão. É um espetáculo, com seus 75 metros de altura. Tanta imponência rende excelentes fotos e excelente banho! Seguindo pela trilha que acompanha o rio, você pode, em cerca de 10 ou 15 minutos, chegar na Cachoeira Ferradura, com 47 metros. Porém, o volume de água dela é pequeno, então voltamos logo para o Saltão para aproveitar mais.

Cachoeira do Saltão

Cachoeira do Saltão

Essa região é muito bonita, com grandes cachoeiras e esportes radicais, não só Analândia e Itirapina, como São Pedro e Brotas também. Porém, Brotas tem o grande problema de ser elitizada, com valores exorbitantes para entrar nas cachoeiras. Ouvi dizer que a maioria das cachoeiras, em propriedades particulares, está cobrando de 40 a 70 reais somente para entrar no local. Por isso, como sempre tento indicar viagens gastando menos, infelizmente não indico visitar Brotas. Caso você fique sabendo de cachoeiras não tão caras na região me avise, que ficarei feliz em visitar e compartilhar aqui no blog.

Cachoeira do Saltão

Cachoeira do Saltão

No entanto, Analândia e a Cachoeira do Saltão estão indicadíssimas como roteiro para um fim de semana na região, tanto por preços quanto por beleza.

Cachoeira do Saltão

Cachoeira do Saltão

Urubici é aquele lugar que surpreende a todos que visitam! Lá tem tantos passeios que dá para aproveitar tanto um fim de semana quanto um feriado ou férias, e todas as opções serão excelentes! Isso porque é possível encaixar várias atrações em um só dia, ou então fazer trilhas mais longas e até travessias de muitos dias! Porém, é certo que você vai querer voltar para fazer os passeios que faltaram!

Mirante para Urubici

As atrações na região se dividem não só em Urubici, mas também nas vizinhas São Joaquim e Bom Jardim da Serra. Urubici é pequenininha, com pouco mais de 11 mil habitantes, e tem cara de cidade de inverno, além de todas as pessoas com quem conversei na cidade serem super simpáticas! Talvez você se lembre mais de ouvir sobre São Joaquim, considerada um dos mais importantes destinos com possibilidade de registro de neve no Brasil. E deve ter ouvido sobre a Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, uma das mais lindas e sinuosas estradas do país. Porém, foi Urubici que me conquistou!

A cidade fica a cerca de 160 km de Florianópolis, e a melhor forma de chegar é alugando um carro (tenha cuidado nas curvas na serra). Isso porque você pode tanto fazer alguns passeios de carro quanto só usá-lo para chegar e fazer os passeios com agência de ecoturismo local. Também dá para fazer esse trajeto de ônibus (aí você vai precisar contratar uma agência para te levar aos atrativos), mas só há um horário por dia. Muita gente também inclui essa região da serra catarinense quando tem muitos dias para conhecer o Sul e está fazendo uma road trip passando por muitas cidades, tanto de carro quanto grupos de moto.

Nas estradinhas de Urubici

Eu visitei a serra catarinense no início do outono, mas muitos querem estar lá no inverno, para tentar a sorte de ter neve. Vi na estrada muitas placas alertando para o perigo de neve ou geada no asfalto, então imagino que para uma viagem no inverno seja melhor se informar sobre as condições das rodovias com sua hospedagem ou agência do local. Estive lá por 3 dias, então vou descrever somente os atrativos que visitei, por isso pertenço ao grupo que quer voltar para conhecer o que faltou.

Em meu primeiro dia, saí cedo de Florianópolis, mas quando cheguei a Urubici estava chovendo, e assim continuou pelo resto do dia. Com chuva não daria para visitar as atrações ao ar livre, por isso combinei com a agência Graxaim (site e Facebook), com quem fiz meus passeios, de organizar em 2 dias minha viagem pela região. Então, aproveitei esse dia para fazer passeios mais urbanos. Urubici tem uma rua principal e é bem fácil se localizar. Há um serviço de atendimento ao turista que fica no Sesc.

Uma linda lojinha em Urubici

Primeiro visitei a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, com uma arquitetura muito interessante e diferente. Há algumas lojas bem charmosas na rua principal, além de uma lanchonete super bacana no Posto Serra Azul, com decoração toda com um estilo de motociclismo e vintage.

Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Urubici

Lanchonete no posto Serra Azul

Depois segui para uma das poucas coisas que daria para fazer com chuva. Dirigi 60 km até São Joaquim para visitar a Vinícola Villa Francioni. Em São Joaquim há muitas vinícolas, e essa é uma das maiores. Muitos locais me indicaram vinícolas pequenas, disseram que o vinho delas é o melhor de todos da região, mas fiquei com receio de procurá-las no meio da chuva. Por isso, fiz uma visita guiada na Villa Francioni, onde todo o caminho era asfaltado, e, além de ser um lindo lugar, achei o vinho delicioso! Paga-se um valor para a visita, mas ele é revertido para a compra dos produtos ao final do passeio, que inclui degustação.

Vinícola Villa Francioni

Vinícola Villa Francioni

Visitando a Vinícola Villa Francioni

No dia seguinte finalmente o tempo abriu e pude iniciar meu roteiro com a Graxaim, que me atendeu muito bem. As paisagens da região são muito bonitas, cheias de araucárias. Primeiro passamos na Cascata Véu de Noiva, com 62 metros de altura. O local conta com estrutura e faz parte do Parque Nacional São Joaquim. Ela é uma das principais cachoeiras da região, que tem mais de 80 cascatas, e são só 100 metros de caminhada. A Cascata Véu de Noiva fica no caminho para o Morro da Igreja e é cobrada uma pequena taxa de visitação.

Cascata Véu de Noiva

Lá perto tem um lugar muito encantador, o Vale dos Sonhos. Ele parece uma casa de bonecas, com um magnífico jardim florido em frente. Lá vende artesanato, arranjos florais e outros produtos feitos com as flores, temperos e molhos e muitas outras coisas, e o local é um restaurante vegetariano também.

Vale dos Sonhos

Vale dos Sonhos

De lá eu não fui imediatamente para a principal atração do dia, o Morro da Igreja, pois estava aguardando a neblina da manhã baixar. Em vez disso passamos na Gruta Nossa Senhora de Lourdes, uma formação natural com uma queda d’água onde colocaram a imagem da santa.

Gruta Nossa Senhora de Lourdes

Depois fomos pela estrada que eu havia pegado no dia anterior que segue para São Joaquim para conferir o belo mirante de Urubici, no meio da rodovia, e observar as inscrições rupestres da região (a principal é a “máscara do guardião”). Há uma placa indicativa mostrando em que ponto da estrada elas estão (fica a 5 km saindo de Urubici sentido São Joaquim). É fácil achar também porque desse local se avista de longe a próxima atração do dia: a cascata do Avencal. Dizem que as inscrições rupestres datam de 4000 anos.

Inscrição rupestre em Urubici

Vista do mirante da Cascata do Avencal

Um detalhe muito interessante é que essa região toda é uma grande produtora de maçãs, que são distribuídas por todo o país.

Macieira em Urubici

Em seguida adentramos o Parque Cascata do Avencal (site e Facebook), a mais conhecida cascata da região, com 100 metros de altura. Também paga-se uma pequena taxa para visitar e o acesso à parte alta é fácil. Há uns mirantes bem bonitos para a cascata.

Cascata do Avencal

Mais tarde, nesse dia, eu retornei para acessar essa cascata por baixo. A estrada de acesso para a parte de baixo é escondida (fica a 8 km de Urubici) e, apesar de não ser longa, achei ela bem ruim. Precisei contar com a habilidade de minha guia da Graxaim para guiar o carro. A trilha é fácil e relativamente curta, mas o problema é que o caminho é por cima de pedras, que são escorregadias, então deve-se ter atenção e ir de tênis.

Cascata do Avencal

Finalmente fomos para o lugar mais aguardado do dia: o Morro da Igreja, de onde se avista a Pedra Furada. A neblina já tinha cessado, assim a vista fica perfeita! É a região mais fria de Urubici. Se você estiver visitando o Morro da Igreja por conta, sem agência, antes de ir precisará pedir autorização para a subida, pois o local tem quantidade de visitas controlada. De preferência, envie um e-mail para deixar sua visita já agendada, sobretudo em fins de semana e feriados. Depois, passe no ICMBio, no centro da cidade, para pegar sua autorização. A visitação é gratuita, informe-se no site do ICMBio do Parque Nacional de São Joaquim sobre os horários de retirada da autorização (mesmo que tenha agendado).

Pedra Furada vista do Morro da Igreja

Vista do Morro da Igreja

A estrada de acesso ao Morro da Igreja é asfaltada, mas um pouco íngreme e estreita no final, mas é possível ir com carro de passeio até lá em cima (fica a 30 km do centro de Urubici). Quase chegando você entrega sua autorização, pois o local está em área militar (às vezes forma até fila). A vista é espetacular! São 1822 metros de altura e estava um vento bem forte. Uma curiosidade é que lá já foi registrada a temperatura de -17,8 graus, a mais baixa já registrada no Brasil! Lá de cima se vê a Pedra Furada, mas pelo menos na época que visitei, a trilha que vai direto a esse atrativo estava fechada. O Morro da Igreja é visita indispensável, cartão-postal de Urubici!

Vista do Morro da Igreja

Vista do Morro da Igreja

Em meu terceiro dia fui para a região de Bom Jardim da Serra. Primeiro fiz uma caminhada pelo Cânion das Laranjeiras. Ele fica dentro da Fazenda Santa Cândida, é uma caminhada de 5 km de nível moderado. A paisagem do cânion é lindíssima, e essa atividade demora cerca de 3 horas. Paga-se uma pequena taxa de visitação e, para essa trilha, é aconselhável estar com guia.

Cânion das Laranjeiras

Cânion das Laranjeiras

Cânion das Laranjeiras

Cânion das Laranjeiras

Depois disso visitamos a icônica Serra do Rio do Rastro. No alto dela há um belo mirante, porém, descendo um pouco por suas sinuosas curvas, há um mirante melhor ainda! Em dias límpidos é possível avistar uns 100 km de distância a 1460 metros abaixo. Essa estrada tem 12 km e são 284 curvas! O Rio do Rastro acompanha a estrada com algumas cascatas, daí o nome da estrada. Se for descer por ela, é fundamental verificar seus freios, pois é íngreme e com curvas muito fechadas.

Serra do Rio do Rastro

Serra do Rio do Rastro

Serra do Rio do Rastro

Depois de apreciar essa linda estrada fechamos o dia com chave de ouro na Cascata da Barrinha, uma pequena cachoeira próxima do mirante da serra do Rio do Rastro.

Cascata da Barrinha

Cascata da Barrinha

Urubici e arredores deixaram saudade, e certamente voltarei para visitar a Serra do Corvo Branco, a Caverna do Rio dos Bugres, o Morro do Campestre, o Cânion do Funil e outras tantas caminhadas e travessias que existem na região (verifique no site da Graxaim). Incluo um mapa da região para que se localizem entre as atrações que comentei neste post.

Mapa dos atrativos (clique para abrir maior). Essa estrada que passa pelo Belvedere, Cascata do Avencal e inscrições rupestres é a que vai para São Joaquim e Bom Jardim da Serra.