Um roteiro em Alter do Chão

Você já ouviu falar de Alter do Chão? A região é conhecida como “Caribe Amazônico”, formada por praias de tirar o fôlego no Rio Tapajós. Inclusive, o local já foi eleito uma das praias mais lindas do Brasil por um jornal inglês.

Praia de Pindobal
Comunidade Jamaraquá

Como chegar?

Alter do Chão está a 38 km de Santarém, no Pará, sendo esta cidade a porta de entrada para esse paraíso. A melhor maneira de alcançar Santarém é pelo aeroporto local. Porém, algumas pessoas fazem o trajeto de Manaus até Santarém de barco pelo Rio Amazonas e o percurso leva 30 horas. Para quem quiser saber mais, há um excelente relato no site Viaje na Viagem. A partir de Belém, ouvi dizer ser inviável chegar a Santarém por terra, estradas extremamente ruins.

Uma das curiosidades na trilha na Flona
Nosso guia na Flona nos explicando sobre o local

Chegando ao aeroporto de Santarém, você pode pegar um táxi até Alter do Chão. Os preços são meio salgados, na faixa de 80 a 100 reais. Recebi uma indicação de taxista excelente! Ele não é só um taxista… no percurso ele arrumou meu roteiro inteeeiro, fez todos os meus planejamentos, me levou no cais no dia seguinte, me ajudou a procurar os barqueiros e fechar os passeios… como que esse homem é somente um taxista??? Fechei um preço com desconto para ida e volta com ele. O contato é (93) 99239-3377 ou (93) 9177-7051.

Se você chegar durante o dia (eu cheguei 01h30 da madrugada), você pode ir de ônibus circular, é só perguntar no aeroporto quando chegar. Dessa forma, gastará menos de 7 reais, pois é um ônibus para o centro e outro para Alter.

Diversão na Flona Tapajós
A Flona Tapajós é cheia de árvores imensas.

Quando ir?

A melhor época para conhecer Alter do Chão é entre agosto e novembro, época em que o nível dos rios já baixou e as praias aparecem. De janeiro a julho é quando ocorrem as chuvas e as praias ficam encobertas. Porém, somente nessa época é possível fazer o passeio chamado Floresta Encantada, ou Lago Verde. Dizem que esse período também tem seu charme. Se você gosta de agito, no mês de setembro (consulte o Google para ver a data exata em cada ano) acontece a Festa de Sairé, uma festa folclórico-religiosa semelhante à festa de Parintins (no Amazonas), tendo como personagens o boto-tucuxi e o boto cor-de-rosa. Dizem que Alter fica lotada!

Onde se hospedar?

Eu fiquei no Agualinda Hotel, hotel confortável bem no centrinho da cidade.

A Flona Tapajós tem plantas curiosas
A enorme Sumaúma na Flona Tapajós

E o roteiro?

Acordei no dia seguinte e o taxista que me buscou na noite anterior me levou até o cais de Alter. Esse é um detalhe interessante: você não precisa fechar os passeios com antecedência. Os barqueiros ficam todos esperando no cais bem cedinho e quem estiver por lá se junta e se organiza para dividir os passeios. Assim, nesse primeiro dia eu já encontrei uma turminha (fui sozinha nessa viagem) e fechei com um barqueiro um roteiro para todos os meus dias em Alter. Para ter ideia, os passeios custaram entre 120 e 140 reais por dia. Não é necessário, mas quem quiser pode conversar com o barqueiro Rogério: (93) 99212-7637.

A Sumaúma é realmente grande
Igarapé na Flona Tapajós, um oásis no meio da mata

A vila de Alter do Chão é bem pequena, e o cais fica bem em frente a uma das maravilhas do lugar e seu cartão-postal: a Ilha do Amor. Essa ilha é uma faixa de areia separada de Alter e, para acessá-la, é necessário pegar um barquinho, a um custo de 5 reais o trecho. São cerca de 5 minutos de barco, e os barqueiros ficam o dia todo à disposição fazendo essa travessia. Esse local é um exemplo das ilhas que ficam totalmente submersas na época da cheia. Na época da seca, parece que a partir do mês de novembro já é possível ir a pé para a Ilha do Amor, sem necessidade de barco. Estude o roteiro, tente ir na Ilha do Amor fora do fim de semana, quando ela fica mais lotada.

Passeio pelo Igapó na Flona Tapajós
Igapó na Flona Tapajós

Eu peguei algumas horas de um dos meus dias, bem cedo antes do passeio, para curtir um pouco a Ilha do Amor vazia. Mais tarde parece que o local enche e os quiosques abrem.

Um detalhe curioso que me disseram é que é preciso tomar cuidado com arraias de rio em Alter, por isso, se estiver caminhando dentro da água, é preferível que ande arrastando um pouco os pés pelo fundo da água, assim, se houver alguma arraia, ela sairá. Em nenhum dos dias que estive em Alter houve presença de arraias.

Praia na volta da Flona Tapajós
Por do sol visto do barco

Dia 1 – Flona (Floresta Nacional) Tapajós

Em meu primeiro dia fiz o passeio até a Flona (Floresta Nacional) Tapajós. Esse foi um dos passeios mais diferentes nos dias que estive em Alter. No caminho passamos por praias de rio incríveis, e deu vontade de parar em cada uma delas, é um lugar mais lindo que o outro. Na volta do passeio escolhemos uma faixa de areia para curtir. O percurso de barco pode demorar de 1 a 3 horas, dependendo da potência do barco.

O passeio na Flona Tapajós começou na pequena comunidade Jamaraquá, onde agendamos o almoço antes de iniciar a caminhada. Em seguida, um guia local nos levou pela Trilha do Piquiá, uma caminhada de 9 km, mas que achei bem tranquila, com a maior parte plana.

Vista de Alter do Chão a partir do Morro da Piraoca
No alto do Morro da Piraoca

O guia nos explicou coisas fantásticas sobre a Amazônia paraense e tudo o que eles conhecem sobre a fauna e flora local, bem como suas lendas. Achei interessantíssimo, pois foram lendas e conhecimentos dos quais nunca tinha ouvido falar!

O ponto alto da trilha é a enorme árvore sumaúma, das mais largas que já vi! O lugar impressiona! Essa árvore tem cerca de 200 anos e são necessárias 18 pessoas para abraçá-la totalmente.

Casa ribeirinha no Canal do Jari
Castanhas do Brasil
Bicho-preguiça na casa ribeirinha do Canal do Jari

Ressalto aqui que existe uma outra sumaúma ainda maior que essa da comunidade Jamaraquá. Ela é conhecida com Sumaúma Vovó e fica na comunidade Maguari, precisando de 30 pessoas para abraçá-la completamente. Essa sumaúma Vovó tem 1000 ANOS! A trilha que leva a ela tem 16 km. Porém, os barqueiros costumam não avisar sobre a Vovó e levam na irmã menor dela. Se você quer ir nessa sumaúma maior deve combinar com seu barqueiro antes.

Eu visitei a sumaúma de Jamaraquá e gostei demais! Achei que quando chegamos à sumaúma não ia ver nada mais surpreendente nesse dia. Porém, para minha surpresa, encontramos algo ainda mais impressionante. Antes de iniciar a trilha combinamos com o guia local os pontos de visitação. E ele nos falou sobre o Igarapé que fica um pouco depois da sumaúma.

Casa da dona Dulce, no canal do Jari
“Plantação” de vitória-régia
Na casa da dona Dulce

O Igarapé parece um oásis no meio da floresta, um verdadeiro paraíso, todos ficaram encantados! Recomendo fortemente que peça ao seu guia para levá-lo.

Depois retornamos e almoçamos. O almoço na comunidade é delicioso (ou não sei se era a fome!). Após o almoço havíamos combinado com o guia o último passeio na comunidade: o barco pelo Igapó. Nessa atividade passamos por uma área de mangue bem interessante, onde é rio é bem calmo. No final nadamos um pouco pelo rio.

Casa da dona Dulce
Canal do Jari e suas atrações

Na volta para Alter paramos numa das praias. A ideia era ver o sol se pondo na Ponta do Muretá, um dos excelentes locais para ver o por do sol, mas acabamos vendo do barco. Também não paramos na Praia de Pindobal. Porém, essa praia fica a apenas 8,5 km de Alter (já em Belterra), e é possível ir de táxi ou até de bicicleta se quiser passar algumas horas. Também dá para ir até a Flona por terra se estiver de carro, mas não sei dizer as condições da estrada (sei que não é asfaltada e que se for de ônibus são 3 horas de percurso).

Voltando para Alter do Chão parei para jantar nos restaurantes ao redor da praça principal e ver alguns shows de rua que acontecem à noite. Se você der sorte pode ver um show de carimbó!

A Dona Dulce cozinha tudo a partir das vitórias-régias
Melhor não nadar entre as vitórias-régias

Dia 2 – Morro da Piraoca e Canal do Jari

Eu só tive 3 dias em Alter do Chão, e por isso fiz meu tempo realmente render! Por isso que fui à Ilha do Amor bem cedinho antes do passeio. E nesse segundo dia, fiz outra atividade na Ilha do Amor: a trilha para o Morro da Piraoca. Sei que o nome é estranho, mas é um bom ponto para se avistar do alto o local, pois é o morro mais alto da ilha. No dia anterior eu pedi uma indicação de guia para ver o nascer do sol no Morro da Piraoca.

É preciso atravessar de barquinho para a Ilha do Amor para começar. São 30 minutos de caminhada de ida (o final é mais íngreme), e lá do alto se avista toda a Ilha do Amor e arredores. Pela trilha, pegando bem a indicação de onde ela se inicia, não acho que seria necessário um guia para essa atividade. Porém, como eu estava sozinha e iria muito cedo para ver o nascer do sol, achei mais seguro estar acompanhada de um guia local.

Ponta de Pedra
Lagoa Preta

Voltei da trilha pronta para o passeio de barco do dia: o passeio pelo Canal do Jari, outro passeio interessantíssimo, tanto do ponto de vista de paisagens como pelo fator cultural. Esse canal é um braço estreito do rio.

Para esse passeio, nosso barqueiro levou alguns sacos de lixo grandes para embalarmos nossas coisas. Isso porque são uns 20 km na parte mais larga do rio, e o motor do barco faz com que tomemos um banho de rio sem sair do barco (se é que você me entende) por quase todo o percurso. Certifique-se de que seu barqueiro vai levar alguns sacos para que guarde suas coisas, ou leve você mesmo.

Por do sol na Ponta do Cururu
Pessoal admirado com o por do sol

A primeira parada foi na Ponta de Pedra para agendarmos o almoço. O Canal do Jari fica pouco antes do Rio Tapajós desaguar no Rio Amazonas. Um parêntese aqui é que a partir de Santarém você pode fazer esse passeio do encontro das águas (que não fiz por falta de um dia a mais na região).

Depois seguimos até uma casa ribeirinha do Canal do Jari, e foi uma visita bem interessante. Lá tive a oportunidade de provar a Castanha do Brasil, uma árvore que frutifica uma espécie de cuia, cujo conteúdo são castanhas ainda mais saborosas que as castanhas do Pará.

Ilha do Amor
Alter do Chão (aquele lá no fundo é o Morro da Piraoca)

A moradora que nos recebeu na casa nos levou para uma pequena caminhada pela mata, pois essa região tem uma abundância de flora e fauna bem interessante. Avistamos alguns bichos-preguiça, foi o máximo!

Saindo de lá fomos em um lugar ainda mais incrível: a casa da dona Dulce, que cria vitórias-régias. Além de ser um lugar lindo, ela desenvolveu uma culinária para lá de especial com diversas iguarias preparadas a partir de suas vitórias-régias. É rabanada, é pipoca, é salada, entre outras coisas… tudo feito de vitória-régia! Espero que a dona Dulce monte logo o restaurante de vitória-régia dela.

Praias do Rio Arapiuns
Praias do Rio Arapiuns

Voltamos para a Ponta de Pedra para almoçar (tudo delicioso!) e curtir um pouco o local, onde tivemos tempo para nos banhar nas praias. Depois seguimos para a Lagoa Preta, que tem esse nome pela água ser bem escura. Também foi um ótimo local para nadar e relaxar.

A última parada do dia foi a Ponta do Cururu, outro lugar surpreendente para se ver o por do sol. Olha, foi tão bonito, mas tão bonito, que eu quase aplaudi o por do sol!

Nesse passeio do canal do Jari algumas pessoas visitam a Casa do Saulo, que é um restaurante bem famoso na região.

Rio Arapiuns
Rio Arapiuns

Dia 3 – Ilha do Amor e Rio Arapiuns

Meu último dia foi para o passeio ao Rio Arapiuns. Esse passeio às vezes não é muito procurado por ser um local mais distante, mas achei que valeu muito a pena. Ele se diferencia porque as águas do rio são mais verdes, formando paisagens diferenciadas.

Assim como no caso do passeio ao canal do Jari, nesse passeio nosso barqueiro também levou sacos plásticos para guardarmos nossas coisas. Também é “banho sem sair do barco” o tempo todo! Parece até uma montanha-russa!

Cada vez mais longe no Rio Arapiuns
Comunidade ribeirinha no Rio Arapiuns

Fizemos algumas paradas na Praia do Icuxi, na Praia da Ponta do Toronó e na Praia da Ponta Grande. Nesse passeio, por ser menos procurado, você vai encontrar praias praticamente desertas.

Paramos em uma comunidade ribeirinha, onde havia uma espécie de criação de tartarugas e um apiário. No fim do dia, passamos novamente na Ponta do Cururu para lacrar com mais um por do sol  incrível!

Reserva de tartarugas
Apiário

Gostaria de ter tido mais uns dois dias pelo menos. Um para visitar o encontro das águas do Rio Tapajós com o Rio Amazonas. E outro (ou até mais dias) para relaxar nas inúmeras praias. São tantas praias lindas que se passa de barco nessa viagem, que tive vontade de parar em muitas delas para me banhar. Fora a vontade de ver o por do sol de muito mais lugares.

Alter do Chão é um pedaço de paraíso que com certeza voltarei e merece ser visitado, é uma das belezas mais incríveis de nosso Brasil.

Último por do sol na Ponta do Cururu
Por do sol na Ponta do Cururu
Fechando a viagem com chave de ouro