Eu já visitei as cavernas de São Paulo (PETAR e Intervales) e algumas tantas em outros países. Mas até agora nenhuma se igualou em beleza, exuberância e nível de aventura às cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca (PETeR), nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, em Goiás.

Chegando na casa do Seu Ramiro

Feliz da vida na casa do Seu Ramiro

O Parque Estadual de Terra Ronca, com 57.000 hectares, foi criado em 1989. Se você é aventureiro e adora trilhas aconselho fortemente a visita a esse paraíso de cavernas. No PETeR encontrei formações que jamais vi em outras cavernas.

Estrada principal para a Terra Ronca

Entrada da caverna Terra Ronca

Fora isso, o local abriga 7 das 30 maiores cavernas do Brasil, sendo um dos maiores complexos de cavernas da América Latina. São mais de 200 cavernas secas e 60 molhadas. Aliás, o local tem esse nome porque diz-se que a terra ronca, seria o som dos rios dentro das cavernas. A maioria delas destina-se apenas a pesquisadores, e não ao turismo. Para esta finalidade, há 17, sendo 11 delas grandes complexos de diferentes níveis de dificuldade.

Entrada da caverna Terra Ronca

Após entrar na caverna Terra Ronca

Chegar também exige um tanto de aventura. A melhor maneira de visitar é alugando um carro em Brasília, a 385 km de distância. Para minha empreitada, como saí à noite na véspera de um feriado, resolvi dormir na cidade de Posse, a 311 km de Brasília. Isso porque é a última cidade que se chega por estradas asfaltadas tranquilamente.

Caverna Terra Ronca: veja o rio ao lado

Caverna Terra Ronca: adentrando a caverna

Já de Posse até a Terra Ronca são 74 km, percorridos em 1,5h a 2h em estrada de terra com alguns trechos meio chatos de passar. Portanto, duas considerações aqui:

  • eu aluguei um carro simples, de passeio, para essa aventura (mas não pode ser um carro muito baixo). Porém, o percurso exigiu um pouquinho de experiência em dirigir em estradas de terra e, às vezes, trechos curtos com areia. Mas o carro passou em todos os lugares.
  • no entanto, aconselho a ir nos meses centrais do ano, época que chove menos, pois realmente não sei se é possível passar com um carro pequeno por essas estradas se tiver chovido. Quando fui, em setembro, estava tudo muito seco, o que deu condições melhores tanto para dirigir quanto para os passeios. (Lembre-se também de que, como as cavernas visitáveis e mais legais têm rios dentro, seria impossível e/ou perigoso visitá-las em períodos chuvosos.)

Caverna Terra Ronca: lanterna é imprescindível

Caverna Terra Ronca: uma das formações

Para visitar a Terra Ronca é necessário contratar um guia, e o mais experiente da região é o senhor Ramiro. Preferi escolher o mais conhecido e que treinou muitos outros guias da região. No entanto, caso você precise, há muitos guias bons e as pousadas na região podem fazer boas indicações.

Caverna Terra Ronca: as formações são bem interessantes

Caverna Terra Ronca: as fotos sempre precisam da ajuda das lanternas e/ou de flash

Um parêntese importante aqui é que não há internet ou sinal de celular na região, e muitas vezes o contato é um pouco difícil. Por isso, tenha paciência, geralmente as pessoas na região precisam se deslocar até alguma cidade que tenha sinal para responder os e-mails, e acabam fazendo isso apenas 1 vez por semana, ou a cada 15 dias.

Caverna Terra Ronca: indo para a segunda parte

Caverna Terra Ronca: a entrada e a saída são grandiosas

Eu contatei o senhor Ramiro por e-mail ([email protected]) muitos meses antes da data pretendida, e ele me orientou a avisar mais próximo da minha ida. Ao enviar um e-mail, já vem uma resposta automática bem explicada com os preços de tudo (o custo-benefício é ótimo, mas para valores atualizados escreva um e-mail e/ou entre no site dele).

Caverna Terra Ronca: nessas partes mais abertas é mais fácil fotografar

Caverna Terra Ronca: andando dentro do rio

Com ele combinei os passeios e minha hospedagem. O senhor Ramiro e sua família recebem hiper bem os turistas! Eu e meus amigos fomos muito bem tratados. Ele tem uns quartos para receber as pessoas e área de camping, mas ressalto que é beeem simples. Porém, é tudo o que eu precisava. Fora isso, a família dele faz refeições caseiras hiper bem-vindas depois dos passeios, é bom demais!

Caverna Terra Ronca: uma das curiosas formações

Caverna Terra Ronca: caminhadas sempre dentro ou ao lado do rio

Se você quiser um pouco mais de conforto, há algumas pousadas próximas, como a Pousada Terra Ronca e várias outras.

Caverna Terra Ronca: saindo da caverna

Cachoeira da Palmeira

Voltando ao relato, após dirigir de Brasília até Posse, dormi numa ótima hospedagem na cidade, com um café da manhã delicioso. Chama-se Hotel Campina (site e Facebook).

Um ilustre visitante

Entrada da caverna São Bernardo

Meu passeio na Terra Ronca durou 4 dias. Eu escolhi fazer o deslocamento maior na véspera, mas seria possível sair de Brasília MUITO cedo, ainda de madrugada, e fazer esses mesmos passeios se você tem 4 dias (lembre-se de que gastará cerca de 5h a 6h de estrada no total, então é meio cansativo). O mais tranquilo é fazer como fiz, dirigir até Posse, dormir por lá e sair cedo no dia seguinte para o trecho de estrada de terra.

Entrando na caverna São Bernardo

Caverna São Bernardo: precisa descer até o rio para iniciar

Esta é a localização da casa do Ramiro. Para que tenha ideia do percurso todo, veja o mapa utilizado até a casa dele.

Caverna São Bernardo: aqui se inicia a trilha

Caverna São Bernardo: uma das lindas formações

Após enfrentar a estrada de terra e nos instalar na casa do Ramiro, nos preparamos para a aventura. Uma curiosidade é que não achei as cavernas de Goiás geladas como as da região Sudeste. Todas que visitei exigiam cruzar rios ou estar na água grande parte do tempo, mas os rios dentro dessas cavernas não são tão gelados como os das cavernas do PETAR ou de Intervales.

Caverna São Bernardo: caminhando pelo rio

Caverna São Bernardo: fotos com o auxílio das lanternas

De qualquer forma, é interessante que esteja com uma roupa de trilha e tênis que possa molhar (leve uma troca de roupa para deixar no carro). Outra coisa bem útil de levar é um saco estanque, para que carregue seus pertences que não podem molhar. E o mais imprescindível de tudo: uma boa lanterna e pilhas extras. Pode ser lanterna de mão e/ou lanterna de cabeça. Além disso, não se esqueça de levar água e lanchinho de trilha, e dinheiro para seus gastos lá. Apesar de não haver sinal de celular, há luz elétrica.

Caverna São Bernardo: curiosos espeleotemas

Caverna São Bernardo: é incrível

Seu Ramiro nos forneceu capacetes, e então saímos com um de seus guias para a primeira caverna. Dividi meus dias nas seguintes cavernas:

– Terra Ronca I e II

– São Bernardo

– São Mateus

– Angélica

Caverna São Bernardo: eu nunca tinha visto formações assim

Caverna São Bernardo: olha que diferente!

Nossa primeira foi a Terra Ronca. Nessa caverna, nos dias 5 e 6 de agosto, acontece a romaria do Bom Jesus da Lapa de Terra Ronca. Da casa do Ramiro dá para ir a pé até a entrada, que é bem grandiosa: 96 metros de altura x 120 metros de largura. Ela é cortada pelo rio da Lapa, que tive que cruzar várias vezes (uma delas com água na altura da cintura, mas bem fácil de transpor com a corda fixa que há no local). A caverna Terra Ronca é dividida em I e II por conta de um desabamento ocorrido há milhares de anos. Um dos destaques é o salão dos Namorados, com formações lindíssimas de estalactites e estalagmites.

Cachoeira na Terra Ronca

Vista do mirante no povoado de São João

Vista do mirante no povoado de São João

Em seguida fomos na Cachoeira da Palmeira, local próximo, mas foi preciso ir de carro. Pagamos 5 reais de entrada por pessoa e não há trilha. A cachoeira é linda e ótima para se refrescar, pois forma uma piscina natural bem tranquila.

Mirante no povoado de São João

Estrada para a caverna São Matheus

Estrada para a caverna São Matheus

No segundo dia fomos para a caverna São Bernardo. Os rios que passam por dentro dela são o Rio São Bernardo e o Rio Palmeira. Há uma boa descida para adentrá-la, e antes de descer pela dolina vimos lindas araras voando por sua entrada. A caminhada é quase o tempo todo dentro da água, e a visita vale muito a pena, vimos formações de caverna lindíssimas! O destaque é o salão das Pérolas, com pedras que lembrariam pérolas por causa do formato. Essa foi uma das cavernas que mais gostei!

Trilha para a caverna São Matheus

Descendo para a caverna São Matheus

Depois da caverna visitamos outra cachoeira próxima na Terra Ronca, também pagando 5 reais de entrada. Essa estava mais cheia de gente e parecia ter mais estrutura que a do dia anterior, e havia várias pessoas fazendo churrasco em suas margens. Apesar disso a visita foi agradável e proporcionou um bom banho.

Caverna São Matheus: olha onde precisa descer com corda

Caverna São Matheus: uma das formações

No terceiro dia fomos à caverna São Matheus. Para chegar, a estradinha de terra era ruim e mais estreita, é um local bem escondido. Sem os guias seria impossível encontrar o lugar. Porém, a caverna vale o esforço. Ela é a segunda maior do Brasil (a primeira fica na Bahia), e o nível de aventura é maior ainda que nas outras cavernas. Para entrar, a gente desce por umas cordas através de uma passagem um pouco estreita, tem que ser uma pessoa por vez.

Caverna São Matheus: o teto

Caverna São Matheus: brilho diferente

Caverna São Matheus: linda formação

Em todo o tempo que caminhei dentro dessa caverna parecia que eu estava andando em um outro planeta! Ela é uma das cavernas com as formações mais raras do Brasil. Os guias orientam a ter o máximo de cuidado para não quebrar nada e andar sempre na área permitida. O rio que passa pela caverna é o rio São Matheus. Eram rochas que pareciam cristais gigantes, eram pedras calcárias que formavam figuras inimagináveis… foi a caverna que mais gostei de todas!

Caverna São Matheus: isso é muito diferente!

Caverna São Matheus: incrível formação

Caverna São Matheus: parecem pérolas no chão

Saindo da caverna dessa vez fomos almoçar no povoado São João, que fica quilômetros depois da casa do seu Ramiro. É bem pequeno o povoado, são umas poucas casinhas. O legal é que há uma espécie de construção de madeira que serve como mirante, para vermos o relevo da região.

Caverna São Matheus: ainda estou na Terra?

Caverna São Matheus: subterrâneos do mundo

Caverna São Matheus: super rara

No dia seguinte, meu último dia, na parte da manhã fizemos a caverna Angélica. Nessa caverna achei a trilha um pouco mais fácil que as outras que conhecemos. Ela também tem formações grandiosas, mas foi uma caminhada mais tranquila, o que foi bom, pois à tarde iríamos pegar estrada de volta para Brasília. Um dos pontos altos dessa visita foi que uma parte do rio está represada, formando um reflexo perfeito das formações da caverna, e com as luzes da lanterna o guia fez um lindo show de luzes e reflexos. Nessa caverna não precisamos nos molhar.

Caverna São Matheus: olha que curioso

Caverna São Matheus: amei essa formação

Caverna São Matheus: caminhando entre as formações

Há várias cavernas que não visitei na região, como Lapa do Bezerra, São Vicente e outras, com diferentes graus de dificuldade. A São Vicente, por exemplo, é a mais radical, acessada por um rapel de 40 metros e possui 12 cachoeiras em seu interior, o que é considerado bem raro.

Caverna São Matheus: meu trono!

Caverna Angélica

Caverna Angélica: guia dando show

Se quiser ver fotos profissionais das cavernas da Terra Ronca, o estudioso e fotógrafo José Humberto M. de Paula tem essa página e fora isso há seu incrível livro de fotografia.

Caverna Angélica: parecem dentes rs

Caverna Angélica: curti muito!

Caverna Angélica e suas formações

A Terra Ronca é um lugar muito especial, e se você gosta de cavernas deve visitar, pois é um dos locais mais lindos que já fui, com as formações mais diferentes e exóticas, um local quase intocado!

Caverna Angélica: bem curioso

Caverna Angélica: rende fotos ótimas

Caverna Angélica: eu e a boca do tubarão rs

O Parque Estadual dos Três Picos é um prato cheio para quem gosta de trilhas, além de ser um paraíso para escaladores. As mais conhecidas dentre as espetaculares montanhas do parque são os Três Picos, Capacete, Morro dos Cabritos e Pedra D’Anta, bem como as peculiares formações Dois Bicos e Caixa de Fósforos.

Entrando no Parque Estadual dos Três Picos

Estradinha para ir a pé até o camping dentro do parque

Criado em 2002, o Parque Estadual dos Três Picos é o maior do Rio do Janeiro, com 65 mil hectares, abrangendo os municípios de Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Silva Jardim. Ele forma um contínuo com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e é importantíssimo para a rica fauna e flora da região.

Estradinha para ir a pé até o camping dentro do parque

Camping Vale dos Deuses

Neste relato vou falar sobre um roteiro de 2 dias que fiz no núcleo Salinas, que é o que abriga os famosos Três Picos: Pico Maior, Pico Médio e Pico Menor. O Pico Maior é o ponto culminante da Serra do Mar, com 2.316 metros de altitude (com acesso somente por escalada). Para algumas trilhas da região, é melhor contratar um guia, como os Picos Médio e Menor, considerados de nível pesado (e para ir de um ao outro, é necessário corda). Porém, as trilhas que fiz são autoguiadas, havia placas nas bifurcações e quem tem um mínimo de experiência com trilhas pode seguir as indicações.

O parque está situado a cerca de 60 km de Teresópolis e a 150 km do Rio de Janeiro.

Camping Vale dos Deuses

Camping Vale dos Deuses: o visual de lá já é lindo!

Se você for de carro: Seguindo pela RJ-130 (Terê-Fri), passe por Bonsucesso e Vieira. Próximo ao km 46 (Posto de Gasolina Novo Tempo), antes do Mercado do Produtor Rural, vire à direita e siga placas para Salinas, São Lourenço e Barracão dos Mendes, e depois para Pesagro Rio e Ibelga. Após o Posto dos Amigos vire à esquerda, e depois de 4,3 km de estrada de terra chegará ao povoado mais próximo dos Três Picos. A estrada vai piorando, mas os principais abrigos de montanha estão nessa região, e caso você vá acampar no parque, pode deixar o carro num deles, próximo à entrada do parque já, e seguir a pé.

Camping Vale dos Deuses

Trilha para Cabeça do Dragão

Se você for de ônibus: a Viação Útil leva até Petrópolis. Depois, pegue ônibus com a Viação Teresópolis até Teresópolis e Nova Friburgo. No Mercado do Produtor Rural, na Rodovia RJ-130 (ou no terminal de integração de Nova Friburgo) você deve pegar a Linha Circular Urbana 505 (São Lourenço) até o bairro rural de Santa Cruz. Desse ponto precisará caminhar 4 km.

Trilha para Cabeça do Dragão

Trilha para Cabeça do Dragão: visual incrível!

A melhor época para se visitar é de maio a setembro, quando tecnicamente não chove. Isso porque nenhuma trilha em montanha é segura caso chova, as pedras ficam escorregadias e é bem perigoso. Portanto, sempre cheque a previsão do tempo antes de ir.

Eu visitei o Parque Estadual dos Três Picos com uma agência de ecoturismo do Rio de Janeiro, a Adrenalina. Já os conhecia e, como sempre, fui muito bem atendida, eles são excelentes!

Cabeça do Dragão: rende fotos espetaculares

Trilha para a Cabeça do Dragão: subida final

Acampei dentro do parque, no Camping Vale dos Deuses. Esse camping é gratuito, assim como a entrada no parque. A vantagem de ficar nesse camping é que já está ao lado de onde se iniciam as trilhas. Chegamos ao local de estacionamento do veículo mais de 23h, e a caminhada até o camping durou 1,5 hora de subida não muito íngreme em estrada de terra. O Camping Vale dos Deuses tem uma simples e boa estrutura: conta com uma espécie de cozinha (estilo fogão a lenha, você precisa recolher galhos secos no mato para utilizar), com pia e torneira, chuveiros frios e sanitário.

Cabeça do Dragão: tô no topo

Cabeça do Dragão: tô no topo

Se você não quiser acampar, há vários refúgios de montanha próximos (apesar de você precisar caminhar até o camping para iniciar as trilhas), como, por exemplo:

– Abrigo República Três Picos ([email protected]).

Refúgio Três Picos.

Refúgio das Águas (22) 2543-3504.

– Refúgio Pico Maior ((22) 2543-3512).

Refúgio Canto da Pedra.

Pousada dos Paula.

Recanto dos Ventos.

Refúgio Kinderdorf.

Cabeça do Dragão: admirando a vista lá de cima

Trilha para a Cabeça do Dragão: descendo

Lá no camping muitas vezes pode ser bem frio, então prepare-se com um bom saco de dormir e, se preciso, uma boa segunda pele, fleece e corta-vento. E não se esqueça de sua lanterna!

No primeiro dia acordamos, recolhemos galhos secos para acender o fogão e fizemos um bom café no melhor estilo camping. Lá do camping já é possível ver algumas das belas montanhas do parque.

Curtindo a noite no camping

Trilha para a Caixa de Fósforo

Saímos para a trilha do dia, o pico Cabeça de Dragão, com 2082 metros de altitude. Saindo do camping Vale dos Deuses, a entrada da trilha fica à direita e é sinalizada com uma placa. Ela tem 4,17 km de ida e seria de nível fácil para médio. No trecho inicial, mais arborizado, há algumas subidas, mas nada íngreme demais. Depois a vegetação se abre, já na parte alta, mostrando o incrível visual das montanhas da região. Prepare a câmera, que o meio para o final já rende excelentes fotos! O finalzinho é um tanto mais íngreme, mas nada tão intenso, é um pequeno trecho. Chegando lá em cima você verá que o esforço valeu a pena, que vista incrível!

Trilha para a Caixa de Fósforo: início

Trilha para a Caixa de Fósforo: tem placa na bifurcação

Depois voltamos para o camping para preparar nosso almojanta. Para essa trilha não é necessário madrugar, em meio período do dia dá para fazê-la tranquilamente. O pessoal acendeu uma fogueira que pode ser feita numa área delimitada para isso, descansamos e curtimos esse clima de montanha e camping!

Trilha para a Caixa de Fósforo: corrente para o trecho final

Trilha para a Caixa de Fósforo: lindo visual dos 3 Picos e Capacete

No dia seguinte fizemos nossa segunda trilha do fim de semana: a Caixa de Fósforo, com 1803 metros de altitude. Essa trilha tem 5,4 km de ida e é considerada de nível leve para médio. Ela começa do lado esquerdo do camping Vale dos Deuses, também sinalizada com placa. A primeira parte é quase plana, depois há uma entrada à esquerda (com placa), onde inicia-se uma subida, inclusive com uma parte mais inclinada com uma corrente para auxiliar. Depois dessa parte já se chega em uma grande pedra com a vista dos belos Três Picos e a Pedra do Capacete.

Trilha para a Caixa de Fósforo: lindo visual dos 3 Picos e Capacete

Vista do lado da Caixa de Fósforo

Seguindo pela esquerda continua-se por um pequeno trecho até a Caixa de Fósforo em si, que é uma grande rocha equilibrada em uma rochinha menor, parecendo uma caixinha. Dá para ficar nesse ponto superior, ou descer até a base dela, onde há uma corrente para subir uns 3 metros. Só suba se estiver se sentindo seguro para isso, para que não aconteça nenhum acidente. Sempre que se fala em montanha, seja prudente. Essa trilha também durou aproximadamente meio período do dia.

Essa é a Caixa de Fósforo

Debaixo da Caixa de Fósforo

Esse roteiro que fiz cabe direitinho num final de semana, porém o parque oferece diversas outras trilhas. Uma delas é a famosa travessia Vale dos Deuses x Vale dos Frades, com 19 km, que passa pela cachoeira dos Frades e vai ficar para uma outra ida minha ao parque.

Trilha para a Caixa de Fósforo: vista dos 3 Picos e Capacete

Caixa de Fósforo se equilibrando numa pedrinha menor

Achei o Parque Estadual dos Três Picos muito organizado, os guarda-parques estavam presentes pouco antes do camping e às vezes passavam para verificar se estava tudo bem, e foram muito atenciosos. Se você ama trilhas e belas montanhas, certamente ficará admirado com o belo visual desse parque!

Ao lado da Caixa de Fósforo

Quem nunca sonhou com a famosa costa dos corais do mar em Maragogi? O litoral alagoano conta com algumas das mais belas faixas de areia do Brasil, o que faz esse destino ser chamado de “caribe brasileiro”.

Neste relato darei o exemplo de como foi a minha viagem para lá, mas lembre-se de que Maragogi realmente pode ser encaixado em muitos roteiros diferentes, o que não falta nos arredores é paraíso!

A melhor época para visitar é sempre o verão, pois historicamente nos meses de abril a agosto os índices de chuva são maiores e a água pode estar mais escura.

Piscinas naturais em Maragogi

Piscinas naturais em Maragogi

Localizada a 130 km de Maceió e a 136 km de Recife, a cidade permite diversas possibilidades de roteiro tanto saindo de uma capital quanto de outra. Portanto, o planejamento de como chegar partirá do sentido do qual estiver vindo. Essa questão pode ser decidida de acordo com os preços de passagens aéreas (se não for uma viagem por terra pelo Nordeste) para Recife ou Maceió.

Piscinas naturais em Maragogi: explorando com o snorkel

Flutuando pelas piscinas naturais em Maragogi

Quem quiser pode aproveitar para passear por uma dessas capitais. Em meu roteiro cheguei por Maceió, mas fui direto para Maragogi, pois tinha apenas 5 dias na região e queria conhecer o máximo possível.

Clicado nas piscinas naturais em Maragogi

Praia de Antunes, em Maragogi

Como chegar? Você pode chegar a Maragogi (tanto de Recife quanto de Maceió) alugando um carro, de ônibus ou com um transfer de agência.

Praia de Antunes, em Maragogi

Praia de Ponta do Mangue, em Maragogi

Algumas agências que oferecem esse serviço são a Costa Azul, Corais do Maragogi, Maragogi Receptivos, Transtur, Valtur Maragogi, Maragotur, Caribe Nordestino, Green Martur, Costeira Executive Tur, EJ Tour Maragogi, Jangadeiros Viagens e Turismo, MaragoGilson Tur, Azulmar Turismo e KR Viagens e Turismo. Todas essas agências oferecem também os passeios pela região.

Praia de Ponta do Mangue, em Maragogi

Passeio pelas praias de Maragogi com o Buggy Rosa

Se você puder, uma ótima opção é alugar um carro, e assim não depender de agência. Assim pode fazer os passeios em seu ritmo e muitas vezes baratear a viagem se estiver em mais de uma pessoa, já que todos os lugares podem ser acessados por carro.

Curtindo o passeio pelas praias de Maragogi com o Buggy Rosa

Passeio pelas praias de Maragogi com o Buggy Rosa

Outra maneira de chegar a Maragogi é de ônibus, com a Real Alagoas. Essa tinha sido a opção que escolhi, mas quando desembarquei em Maceió havia muitos taxistas esperando clientes e consegui um bom preço na hora dividindo com outros turistas que chegavam e também tinham Maragogi como destino.

Passeio pelas praias de Maragogi com o Buggy Rosa

Flutuação em São Miguel dos Milagres

Algumas pessoas dormem em Maceió e fazem apenas um bate-volta para Maragogi. Eu escolhi Maragogi como base, e além de visitar esse local também fui a Porto de Galinhas, Carneiros e São Miguel dos Milagres. Outra opção de local mais tranquilo é dormir na praia de Japaratinga, a 13 km de Maragogi. Uma hospedagem muito agradável em Maragogi é a Sol Hostel & Pousada Maragogi (contato e contato).

São Miguel dos Milagres

A beleza de São Miguel dos Milagres

O principal passeio da cidade são as galés, as piscinas naturais de Maragogi. A saída ocorre em frente ao hotel Salinas Maragogi. Porém, existem outras piscinas naturais chamadas de taocas, e saem da praia de Maragogi e também as piscinas de Barra Grande, na praia de Barra Grande.

Aproveitando São Miguel dos Milagres

Porto de Galinhas

Esses passeios de flutuação nas piscinas naturais só podem ser feitos quando a maré está baixa, por isso é importante consultar a tábua de marés para se programar. Para que entenda, para o passeio ocorrer é preciso que ela esteja entre 0.0 e 0.6. O ideal é consultar no site da marinha diretamente, mas pode verificar também neste site e neste site. Para garantir, consulte qualquer agência de Maragogi que ela dará as orientações de horário de saída de barcos (na rua principal da cidade há muitas agências e os valores são bem variados – de R$ 65,00 a R$ 115,00).

Passeio de jangada em Porto de Galinhas

Passeio de jangada em Porto de Galinhas

O percurso de barco até as galés é de 6 km. Eu realmente fiquei na dúvida se fui nas galés ou nas taocas, mas pelo que pesquisei ficam bem próximas e são todas igualmente lindas. O passeio dura mais ou menos 2 horas. Nesse tipo de passeio eu costumo levar meu próprio snorkel por questões higiênicas, mas é possível alugar um na hora.

Corais em Porto de Galinhas

Corais em Porto de Galinhas formam piscinas naturais

Chegando lá você terá uma inesquecível piscina azul esverdeada, rasa, e a diversão é garantida ao nadar entre os corais procurando peixinhos! No local também é oferecido um mergulho com cilindro, mas não achei que valia a pena, pois as piscinas são rasas.

Piscina natural em Porto de Galinhas

Brincando de snorkel em Porto de Galinhas

Como consegui visitar as piscinas bem cedo, na parte da tarde fui conhecer as praias próximas da região: Maragogi, Barra Grande, Xaréu (apelidada como praia da Bruna, pois a Bruna Lombardi visitou o local), Dourado, Camacho, Burgalhau, São Bento, Peroba, Ponta do Mangue e Antunes. Na verdade, primeiro visitei as três últimas dessa lista, peguei um táxi na rua principal e 5 minutos depois havia chegado. A praia de Antunes é a mais maravilhosa em minha opinião!

Brincando de snorkel em Porto de Galinhas

Passeio de buggy em Porto de Galinhas

Depois, retornei ao local num passeio mais longo, com o famoso Buggy Rosa, que faz um passeio por 7 praias indo pela areia, até Peroba. O Buggy Rosa é da pousada que indiquei antes, a Sol & Mar. Passear de buggy pelas praias é muito divertido e dá uma visão geral delas, pois depois é possível ficar mais nas suas preferidas. A praia do centrinho de Maragogi é a menos cristalina. Você também pode procurar a Associação de Bugueiros de Maragogi se não quiser o Buggy Rosa.

Só esses dois passeios que citei já valem dormir na região, e não visitar por meio de um bate-volta!

Praia de Muro Alto em Porto de Galinhas (a barreira de corais parece formar um muro, represando a água)

Praia de Carneiros e sua famosa igrejinha

Em outro dia fiz um bate-volta a São Miguel dos Milagres. Como estava sem carro, fechei meus passeios com a agência Costa Azul. A praia em São Miguel dos Milagres também é muito bonita e lá também pude fazer um passeio de barco para um ponto no mar com piscinas naturais. São Miguel dos Milagres também é ótima para fazer aquelas clássicas fotos com coqueiros e o mar ao fundo. Às vezes esse roteiro inclui também a famosa Porto de Pedras e sua Associação peixe-boi. Como fui em alta temporada não consegui reservar essa visita, mas soube que é um passeio de barco num rio de Porto de Pedras onde se avistam os peixes-bois, parece ser interessante.

A famosa igrejinha da praia de Carneiros

Praia de Carneiros: a igrejinha é um charme!

No dia seguinte visitei Porto de Galinhas. Achei a vila bem charmosa, com seus muitos restaurantes e lojinhas, além das engraçadas esculturas de galinhas. O passeio mais clássico lá é uma jangada que leva até os corais e as piscinas naturais. Dizem que uma delas se parece com o formato do mapa do Brasil. Achei esse passeio um pouco “muvucado”, havia muitas jangadas e uma enorme fila de pessoas para embarcar. Mas o visual das jangadas é bem bonito. Depois encontrei um bugueiro para fazer um passeio pelas praias de lá. O destaque foi a praia de Muro Alto, onde a barreira de corais parecia formar um “muro”, represando assim a água e deixando o mar uma piscina! No geral, achei Porto de Galinhas meio turístico demais.

Praia de Carneiros

Praia de Carneiros também é linda

Praia de Carneiros rende ótimas fotos de coqueiros

No próximo dia visitei a famosa praia de Carneiros. A clássica igrejinha na areia é a coisa mais charmosa do mundo, e torna o local encantador! Fora isso a cor da água também é muito bonita!

Essa região da Costa dos Corais também é conhecida como Rota Ecológica, e possui muito mais atrativos do que relatei aqui, mas como eu tinha 5 dias e optei por não ir com carro, esse roteiro foi a melhor escolha para mim. Este texto fica como base para planejamentos pela região, possibilitando aos viajantes retirar ou acrescentar lugares desse paraíso que é a região de Alagoas e Pernambuco.

Clique para abrir maior. Mapa das praias deste relato. Fonte: http://www.maragogionline.com.br/images/mapaG.jpg

Pensa numa vila rústica e charmosa em uma praia perfeita. Pensou? Bem-vindo à Guarda do Embaú! Essa é uma das maravilhas do litoral catarinense, entre Floripa, Bombinhas, praia do Rosa e outras. Pertencente ao município de Palhoça, a Guarda fica a 50 km de Floripa sentido sul do estado.

Vilinha da Guarda do Embaú

Este é o rio da Madre

Conhecido reduto de surfistas por suas boas ondas, a Guarda do Embaú reserva também ótimas caminhadas, mirantes e piscinas naturais, além de ser considerada uma das 10 praias mais belas do Brasil. Fora isso, a diversão à noite é garantida com seus bares, restaurantes e lojinhas de artesanato.

Trilha do lado esquerdo do rio da Madre

É bem sinalizado!

A época do ano para visitar? É praia! Bora no verão! Mas evite períodos como Ano Novo e Carnaval, as estradas de Santa Catarina costumam acumular muito trânsito nessas épocas. Eu fui num feriado em novembro, e fiz um corridão, visitei em 4 dias inteiros:

– 1 dia na Guarda do Embaú

– 1 dia na Praia do Rosa

– 1 dia em Bombinhas

– 1 dia em Balneário Camboriú

Encontro do rio da Madre com o mar

Mirante da Pedra do Urubu (e a foto que abre o post também!)

É suficiente? Faltaram algumas coisas para conhecer. E foi um corridão, não tive muito tempo para ficar curtindo praia. Mas para esta pessoa hiperativa aqui foi ótimo! Neste relato descreverei os dois primeiros dias, Guarda do Embaú e Praia do Rosa. E em outro ficam Bombinhas e Balneário Camboriú.

Outro lado do mirante da Pedra do Urubu

Zoom na praia da Guarda!

Ou seja, se você quiser, é possível passar um fim de semana somente na Guarda, ou então fazer só Guarda e Praia do Rosa se só tiver esses poucos dias.

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira

Para chegar à Guarda, se você for de algum estado longínquo, precisará pegar um voo para Florianópolis. De lá poderá seguir para a Guarda ou alugando um carro, opção que fiz, ou pegando um ônibus para a Praia da Pinheira com a Jotur ou a Santo Anjo.

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira

Cheguei na Guarda e, após deixar as coisas em minha hospedagem, fui a pé para a praia. A Praia da Guarda é dividida da vilinha pelo rio da Madre. Essa praia parece ótima para curtir o dia e tem uma boa extensão para andar. Porém, para acessá-la você precisa atravessar o rio, a pé se a maré estiver baixa e de barquinho se estiver alta. No local há vários barqueiros que cobram R$ 3,00 para atravessar.

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: a vila da Guarda tá lá longe!

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: Guarda ao fundo

Como fui direto para as trilhas, não precisei atravessar o rio, mas sim, margeei pelo canto esquerdo. Desse modo, se prosseguir, você passará pela praia do Evori. Porém, minha primeira trilha foi para a Pedra do Urubu.

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: Prainha ao fundo

Essa é a Prainha

A Pedra do Urubu é um belíssimo mirante com uma incrível vista! Seguindo por essa trilha que mencionei, margeando o lado esquerdo do rio, você encontrará uma bifurcação à esquerda (há uma placa indicando). Pegue-a, depois mantenha sempre à direita. (Como toda trilha, indico sempre ir de tênis.) O começo da trilha é mais suave, depois, mais para o final, a subida fica mais íngreme. São uns 25 minutos de trilha mais ou menos. Apesar desse esforço final da subida, achei a caminhada relativamente tranquila. Chegando lá me emocionei com a lindíssima vista!

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: essa área é mais rural

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: trilha demarcada, passe pela porteira

Após descer pelo mesmo caminho que vim, fui fazer a segunda caminhada mais esperada da região, a trilha da praia da Guarda do Embaú até a praia da Pinheira. Seria na direção que prosseguiria se não tivesse pegado o desvio à esquerda para o mirante da Pedra do Urubu. Há uma placa indicando Prainha. São mais ou menos 7 km de caminhada, mas achei tranquilo. Só havia um trecho com pedras para subir, mas foi bem fácil.

Trilha da Guarda até a praia da Pinheira: siga o caminho

Praia do Maço, no vale da Utopia

Antes de continuar, veja a seguir o mapa dessa trilha. Eu não atravessei o rio, como mostrado nesse mapa. Em vez disso, segui margeando perto do ponto azul que está fora da rota. O ponto azul fora da orla é a Pedra do Urubu.

Clique para aumentar. Mapa da trilha da Guarda do Embaú até a praia da Pinheira. Fonte: http://pousadaraizesdaguarda.com.br/website/trilhas-na-guarda-do-embau/

Praia do Maço, no vale da Utopia

Praia do Maço, no vale da Utopia

Você passará por lindas paisagens. A primeira praia que encontrará será a Prainha. Muita gente pega esse caminho só para ir até ela, e volta por onde veio. Continuando você passará por belos costões rochosos muito bons para apreciar e fotografar. Nesse trecho, a área parece ficar um pouco mais rural, e é possível encontrar vacas pelo caminho. Siga pela porteira que está lá para as vacas não passarem e verá que a trilha está demarcada pelo trecho mais gasto do gramado.

Trilha da praia do Rosa até a Praia Vermelha

Trilha da praia do Rosa até a Praia Vermelha

Trilha da praia do Rosa até a Praia Vermelha: praia do Rosa ao fundo

Continuando, você chegará num local extremamente bonito: o Vale da Utopia, que abriga a linda Praia do Maço. Essa região é um reduto de hippies, mas quando passei não havia ninguém. Após comprar algo para beber no Bar da Praia do Maço, segui pela trilha até a Praia de Cima. Parece que nessa região há algumas piscinas naturais formadas pelas pedras que dizem ser muito boas para banho. Continuando, finalmente alcancei a Praia da Pinheira.

Trilha da praia do Rosa até a Praia Vermelha: chegando na Praia Vermelha

Saindo da Rosa Sul sentido praia do Luz

Essa parte já é urbana, e de lá, não precisei voltar para a Guarda pelo caminho que vim, mas voltei pela cidade. Esse trecho entre as ruas da cidade até a Guarda é bem menor que a trilha pela praia, são só 2 km, por isso cheguei de volta bem rápido (claro que essa distância depende do quanto você andar pela praia). Quem estiver hospedado na Praia da Pinheira pode fazer esse percurso todo que fiz ao contrário. Não se esqueça, para esse trajeto, de levar água, protetor solar e um lanchinho.

Saindo da Rosa Sul sentido praia do Luz: vista de cima do costão direito

Saindo da Rosa Sul sentido praia do Luz: praia do Rosa ao longe

Praia do Luz

No outro dia peguei o carro e fui até a praia do Rosa, no município de Imbituba, cerca de 30 km sentido sul do estado a partir da Guarda. Chegando lá minha primeira caminhada foi para o lado esquerdo da praia (via Rosa Norte). Lá há uma trilha bem fácil por cima de passarelas que leva até a Praia Vermelha, e se quiser pode continuar também até a praia do Ouvidor.

Lagoa de Ibiraquera

Praia do Luz

Depois retornei por onde vim e fui explorar o lado direito da praia do Rosa (seria Rosa Sul). Achei a vista desse lado mais bonita, conforme subia no costão os ângulos variavam, até eu encontrar o ponto perfeito para fotos. Continuando a caminhada, saí na praia do Luz, onde havia muitos praticantes de kitesurf, e seguindo mais um pouco saí na lagoa de Ibiraquera, onde havia várias pessoas curtindo a água. Aparentemente, essa lagoa é muito grande e eu poderia ter explorado mais o local.

Vista da Praia do Rosa de cima do costão direito

Vista da Praia do Rosa de cima do costão direito

Praia do Rosa

Depois retornei por onde vim, e segui para a região central da Praia do Rosa, onde está a Lagoa do Meio, também muito agradável para nadar. Para se localizar melhor, veja o mapa a seguir. Dizem que nessa região, nos meses de julho a novembro, é possível avistar baleias franca. Faltou conhecer a Praia da Ferrugem, que dizem ser muito bela. As caminhadas pela praia do Rosa oferecem belos mirantes e são bem agradáveis para quem gosta desse tipo de passeio, se não, a praia e a lagoa do Meio servem muito bem para passar o dia.

Clique para aumentar. Mapa da região da Praia do Rosa. Fonte: http://www.cabanasuhuru.com.br/imagens/mapa.jpg

Praia do Rosa

Lagoa do Meio, na praia do Rosa

Tanto na Guarda do Embaú quanto na Praia do Rosa achei tranquilo caminhar sozinha, e encontrei outros turistas passeando por essas trilhas. Esses dois destinos são encantadores e, independente do seu estilo de viagem, são locais que agradam a todos que visitam.

Tchau, praia do Rosa!

Quando se pensa no Maranhão, logo vêm à cabeça os Lençóis Maranhenses. Porém, o estado abriga outra joia para quem curte natureza: a Chapada das Mesas. E se você tem vontade de conhecer todas as chapadas do Brasil, terá de incluir esta na sua lista! Paredões rochosos (formando “mesas”, daí o nome dessa chapada), estonteantes cachoeiras com muita água, piscinas naturais cristalinas e belíssimas paisagens compõem o incrível cenário desse destino.

O Parque Nacional da Chapada das Mesas, criado em 2005, tem 160.046 hectares de cerrado, e está na região dos municípios de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz.

Cachoeira da Prata

Cachoeira da Prata

QUANDO? A melhor época para se visitar é de maio a setembro, que é a época seca. De dezembro a março pode ser bastante chuvoso. Como é uma região bastante quente o ano inteiro, eu fui em fevereiro, passei meu carnaval por lá. De fato peguei meia hora de chuva intensa, mas nada que atrapalhou o passeio no geral.

Cachoeira São Romão

Cachoeira São Romão

COMO CHEGAR? (Ai, que pergunta difícil! rs) Sua base para visitar os atrativos da Chapada das Mesas será a pequena cidade de Carolina, no sul do estado do Maranhão. O pensamento natural seria pegar um voo para São Luís. Porém, essa seria uma das soluções mais distantes, viável somente se você fosse combinar o destino com os Lençóis Maranhenses. Isso porque a capital do estado fica a mais de 800 km de Carolina. Quando fui aos Lençóis, de fato vi algumas empresas oferecendo transfer no aeroporto de São Luís, porém não sei se hoje em dia isso está operando.

Atrás da Cachoeira São Romão

Uma das maneiras mais próximas de alcançar esse paraíso é voar para Imperatriz, cidade a pouco mais de 200 km de Carolina. Porém, hoje somente a Latam e a Azul operam esse trecho. Com a retirada do voo da Gol, esse trecho ficou um pouco mais caro no geral. Outra opção seria voar para a cidade de Araguaína, a 150 km de Carolina, que conta com os voos da Gol, Latam e Azul. Mas quando fui o trecho também estava caro. Antes havia a Voe Sete, que voava direto para Carolina, mas ela deixou de operar. Minha solução foi voar para Palmas, a 500 km de Carolina.

Encanto Azul

Encanto Azul

Se você chegar por Imperatriz, o trecho terrestre desta cidade a Carolina é feito pela JR 400. Chegando por Araguaína ou por Imperatriz, há algumas vans e ônibus que fazem o trecho até Carolina, mas pesquise com sua hospedagem ou agência os horários antes de ir. De Palmas também há um ônibus por dia. Algumas pessoas alugam carro numa dessas cidades e dirigem o trecho todo. Outra maneira é pedir para uma agência de tours de Carolina fazer o transfer para você.

Como a capital mais próxima de Carolina é Palmas (a 500 km), muitas pessoas combinam uma viagem ao Jalapão com a Chapada das Mesas, no que costumam chamar de Jalapada (Jalapão com Chapada, dããã rs).

Cachoeira Santa Paula, no complexo Santa Bárbara

Chegando na Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Na Chapada das Mesas os atrativos ficam distantes uns dos outros. Por isso, ou você precisará estar de carro ou, então, contratar uma agência de passeios. Se você estiver com carro comum, é possível fazer alguns dos passeios com ele, mas outros exigem um 4×4. Por isso, de qualquer forma, pelo menos para uma parte dos atrativos, você precisará contratar uma agência. Existem algumas agências em Carolina, como a Eco Trilhas (Facebook e contato da guia), a Cia do Cerrado, a Torre da Lua e o Zecatur (site e Facebook), além das agências em Palmas.

Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Aí era onde era pra ser o Poço Azul, no complexo Santa Bárbara, mas com a chuva, olha como ficou!

Eu contratei um tour de 4 dias pela Chapada das Mesas. Com esse período, dá para conhecer os principais atrativos. Porém, se você ficar mais, há ainda outros passeios que ficaram de fora de meu roteiro.

Hospedei-me na Pousada Casarão Carolina, que fica num antigo casarão da cidade e estava com um bom preço. A cidade foi construída na década de 1950, e marcada pela passagem da imperatriz Maria Leopoldina, uma das esposas de Dom Pedro I. A região tem mais de 500 construções em estilo colonial.

Carolina é uma cidade pequenina, mas tem uma agradável praça com várias opções de restaurantes. Há também o Museu Histórico de Carolina, que conta a história da região, mas não consegui visitar porque passei todos os meus dias em passeios de natureza.

Fiz toda a minha viagem com o Zecatur, que me ofereceu o melhor custo-benefício. Estávamos em 6 pessoas, e pedi ao Zeca para nos buscar em Palmas. Ele foi muito disposto, pois são 6 horas de viagem, e ele foi até lá nos buscar e retornou conosco dirigindo a noite toda!

Após esse longo percurso, logo de manhã, atravessamos o Rio Tocantins de balsa, de Filadélfia a Carolina, chegando finalmente à cidade. Depois de deixar as coisas na pousada, seguimos para o primeiro passeio do dia.

Complexo Pedra Caída

Complexo Pedra Caída, subindo ao mirante

Meu primeiro dia já foi num dos lugares mais incríveis da região: as cachoeiras São Romão e Prata, no rio Farinha, dentro do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Eu considero que esse é um dos passeios que precisa de um 4×4 para chegar, pois o percurso é feito entre terra e muitos trechos só de areia. São cerca de 90 km até lá, esse é um passeio de dia inteiro.

A cachoeira da Prata é somente para contemplação. Ela tem 26 metros de altura, mas a força de suas águas impressiona. Paguei R$ 5,00 para entrar. Depois de uma trilha curta, você acessa o lugar, que rende fotos ótimas.

Em seguida, fomos para a cachoeira de São Romão, com 25 metros de altura. São cobrados R$ 10,00 para entrar. Primeiro acessamos um mirante na parte de cima. Depois, seguimos para a parte de baixo. É aí que é feita a mágica, ponto alto do passeio para mim: você pode ir atrás da cachoeira, o que é uma experiência incrível. Porém, recomendo que tome bastante cuidado, pois há muitas pedras escorregadias. Se tiver chovido muito não será possível acessar a parte de trás da cachoeira. Como eu estava com o guia, ele ajudou todo mundo a ir atrás da cachoeira com segurança. Recomendo que leve uma câmera que possa molhar ou capinha à prova d’agua para celular (você vai ficar encharcado!) para registrar esse ângulo. Nessa cachoeira já é possível banhar-se, há uma espécie de prainha. Depois da experiência almoçamos no local, que oferece uma comida simples, mas saborosa. Veja alguns vídeos da cachoeira São Romão:

No segundo dia fomos para outro lugar clássico da Chapada das Mesas. Seguimos para o Complexo Santa Bárbara, a 136 km de Carolina, em Riachão. Você paga R$ 30,00 para entrar nessa região. Antes de entrar no complexo em si, fomos adiante em direção ao Encanto Azul. Devido às chuvas das semanas anteriores, eu achei a estradinha até o Complexo um pouco complicada. Porém, muitas pessoas vão com carro de passeio até esse ponto tranquilamente, e lá contratam um 4×4 somente para o trecho final até o Encanto Azul (6 km), que custa  20,00.

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Chegando lá, há uma pequena trilha com uma escadaria, descendo por um cânion. Então você terá uma visão encantadora, uma belíssima piscina natural de um azul profundo! É um local perfeito para nadar e fazer flutuação com snorkel, com trechos mais rasos e outros mais profundos, com até 6 metros. Por ser uma nascente, o poço está sempre azul, mesmo que tenha chovido.

Tirolesa no Complexo Pedra Caída

Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Na volta entramos no Complexo para almoçar. Após o almoço, o guia nos deixou à vontade para fazer as trilhas pelas passarelas dentro do Complexo, que são todas curtas. Infelizmente, todas as águas desse local estavam amarronzadas (coisas de se fazer esse passeio na época de chuvas). Primeiro, passa-se pela cachoeira Santa Paula (também dá para acessar a parte de cima dela, se quiser, para ver a vista). Descendo por ela, primeiro pegamos a passarela para a cachoeira Santa Bárbara. Chegando lá, há uma pequena gruta e uma ponte, de onde se tem uma visão muito bonita da paisagem. A cachoeira Santa Bárbara tem 76 metros de queda e foi a mais alta que visitei na região.

Mirante no Complexo Pedra Caída

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Depois seguimos para o que seria o Poço Azul, mas que infelizmente estava marrom devido às chuvas dos dias anteriores. Pelo site oficial do local você pode ver algumas fotos de como o poço fica se não houvesse chovido. No geral, mesmo tendo chovido, achei que a visita compensou, por causa do Encanto Azul e pela Cachoeira Santa Bárbara.

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Em meu terceiro dia, fomos a um inusitado lugar que concentra muitas atrações, o Complexo da Pedra Caída. Lá é bem tranquilo para ir com carro de passeio, pois ele fica na rodovia, a 35 km de Carolina. O local é quase um clube e, apesar dos salgados R$ 60,00 de entrada, vale muito a pena visitar. Esse valor de visitação dá direito apenas a entrada e ao uso das piscinas (que são ótimas para relaxar, contando inclusive com um “bar molhado”). Para fazer os passeios lá dentro, você terá que pagar por atrativo, e os valores atualizados constam no site. Por isso, quando eu fui, deixei cerca de R$ 125,00 lá mais o almoço, mas eu ainda digo que vale a pena.

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Ao entrar no complexo, você recebe uma pulseira que é uma espécie de comanda, na qual marca o que consumir e os passeios em que for. Depois você segue para uma sala de vídeo, onde assistirá um filme explicando como funciona o local e quais as opções de passeios lá dentro. Nessa hora, você já deve marcar quais atividades fará no complexo, pois cada uma tem seus horários pré-determinados.

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Além das cachoeiras, há uma enorme tirolesa, subindo por um teleférico ou então por uma passarela. Para subir pela passarela não paga (opção que escolhi). Lá em cima há uma espécie de pirâmide, e a vista é muito bonita. Olha só os vídeos da tirolesa:

Caminho para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Nosso guia nos instruiu sobre quais passeios reservar, que são os melhores. Isso porque não há como conhecer todas as cachoeiras num único dia e ainda fazer a tirolesa. Primeiro seguimos para a bela cachoeira do Capelão num carro do complexo. Depois, caminhamos por uma pequena trilha por dentro d’água, mas com o rio na altura dos tornozelos. A cachoeira tem 22 metros de altura, e seu charme é que suas águas são de um tom incrivelmente azul. É uma cachoeira muito bonita e boa para nadar.

Indo para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Depois rumamos para a cachoeira da Caverna, com 12 metros. A entrada dela é por uma pequena passarela. Achei ela bem diferente e inusitada. Ao entrar pela caverna, depois de andar por dentro de um pequeno trecho dentro da água (na altura dos tornozelos) você logo chega na cachoeira. Ela passa por uma abertura que já deve ter sido um teto que desabou de uma antiga gruta, que hoje fica ao ar livre (por isso não é necessário lanterna).

Habitante do Complexo Pedra Caída

Trilha para o Portal da Chapada

Após visitar essas cachoeiras, voltamos ao complexo para almoçar. Logo após o almoço fomos para a atração principal do local: a cachoeira do Santuário. Você vai caminhar por um trecho de 600 metros por passarelas e rampas para acessá-la. Na hora, eu não sabia muito bem o que esperar dessa cachoeira, pois não havia visto fotos.

Vista do Portal da Chapada

Vista do Portal da Chapada

Depois das passarelas, deixamos as coisas que não podem molhar e os calçados numa área própria para isso. Daí passamos por um lindo cânion, com fios de água escorrendo pelos paredões, e conforme adentrávamos o cânion, caminhando por dentro do rio, ele ia ficando mais profundo. Chegou um trecho onde a água estava na altura da cintura. Eu já estava achando tudo lindo e especial demais, e pensei que era só isso. Porém, eis que surge a incrível surpresa: ao fazer a curva do cânion, adentramos por uma espécie de gruta ainda formada pelos paredões, com uma pequena abertura no topo, de onde despencava a belíssima cachoeira do Santuário, com 46 metros de queda. É um lugar emocionante! E você vai sair todo molhado! Por conta do ambiente não muito claro e da água respingando por todo lado, entendi por que nunca vi fotos que mostram muito bem o local. A cachoeira do Santuário é inesquecível, uma grata surpresa! Veja o que deu pra filmar dessa cachoeira, na medida do possível:

Portal da Chapada: rende muitas fotos

Morro do Chapéu

Saímos felizes do complexo da Pedra Caída! Mas ainda havia mais uma aventura no dia. No caminho de volta para Carolina, paramos num trecho da estrada onde está a trilha para o Portal da Chapada. Esse local fica a 20 km de Carolina, e é o cartão-postal da região. Dá para estacionar o carro bem ao lado da rodovia. Algumas pessoas vão lá para ver o por do sol, outras para ver o nascer, outra parte ao longo do dia. Eu fui logo após visitar o Complexo da Pedra Caída, porém, acho que esse local merecia mais tempo. Talvez o ideal fosse visitar após o passeio do dia seguinte, as cachoeiras gêmeas do Itapecuru.

Vista do Portal da Chapada

Portal da Chapada rendendo muitas fotos!

Pagamos uma pequena taxa para os guias que ficam no local nos acompanharem pelo caminho arenoso, porém curto, até o portal. Cada trecho lá em cima é uma parada para foto, todas as vistas são extremamente lindas! Por isso eu gostaria de ter ido num dia não tão cheio de atividades, para curtir mais esse belo mirante. Acho o Portal da Chapada imperdível, a vista para os paredões é maravilhosa.

Portal da Chapada: tem gente que vem de bike

Este finalmente é o Portal da Chapada

Lá de cima vê-se o morro do Chapéu, uma das chapadas onde é possível fazer uma trilha até o topo de nível médio, que não fiz nessa viagem. O Portal da Chapada seria uma abertura na rocha, perfeita para ver o por do sol. Após a empolgação com tantas fotos de ângulos e vistas diferentes, acabamos descendo já há noite pelo caminho arenoso.

Amando o Portal da Chapada

Posando com a bike dos outros rs

No quarto dia fizemos um passeio mais curto, fomos conhecer as cachoeiras gêmeas do Itapecuru. Esse local também pode ser visitado com carro de passeio, e fica a 30 km de Carolina. Lá era uma antiga hidrelétrica que acabou virando uma espécie de clube. Paga-se R$ 10,00 para entrar. Há restaurante, chuveiros e banheiros, e às vezes há alguém que aluga caiaque. As cachoeiras são conhecidas como gêmeas por ficarem lado a lado, praticamente iguais, com 8 e 10 metros, respectivamente. Achei bonito, mas é mais um local para descansar. Por isso talvez esse fosse o dia ideal para rumar para o Portal da Chapada logo em seguida, tendo, assim, mais tempo para aproveitar esse mirante.

Cachoeiras do Itapecuru

Além da trilha para o Morro do Chapéu, há outra trilha que não fiz, no Refúgio Serra Torre da Lua, que dizem ser muito bonita. Também não visitei as cachoeiras do Dodô, do Garrote, do Brilho, da Pedra Furada, da Lua, Aldeia do Leão, Mansinha, Formosinha e Sumidouro, dentre outras.

No dia seguinte nosso guia dirigiu nos levando de volta para pegar nosso voo saindo de Palmas. Fomos embora extremamente realizados com a visita a esse local tão mágico que certamente vale conhecer!

Com ou sem emoção? Se seu destino for Natal, com certeza será com muita emoção! Natal oferece tantas possibilidades de praias e passeios que você poderia ficar muitos dias e ainda assim não ver tudo o que a região tem a mostrar! É um lugar que com certeza agrada a todos (e olha que eu visitei na volta de Fernando de Noronha, top máster de praias, e mesmo assim amei as belas paisagens de Natal e arredores).

Saindo para o passeio ao Litoral Norte

Litoral Norte: lagoa de Jenipabu

Quando? Esse belo destino do Rio Grande do Norte pode ser visitado o ano todo, mas de setembro a janeiro é a época mais seca do ano, e de abril a julho é quando a possibilidade de chuva é maior.

Litoral Norte: praia de Genipabu

Litoral Norte: praia de Genipabu

Como chegar? Você provavelmente chegará de avião, mas algumas pessoas que já estão pelo Nordeste podem alcançar Natal de ônibus vindo de outros estados e cidades da região ou de carro alugado. Se você chegou pelo aeroporto, como eu, para economizar no táxi, pode pegar um transfer até sua hospedagem. A Van Service oferece esse transporte a R$ 40,00 se estiver sozinho ou R$ 30,00 a partir de 2 pessoas.

Litoral Norte: travessia de balsa pelo rio Ceará Mirim

Litoral Norte: lagoa de Pitangui

E onde ficar? O bairro de Ponta Negra é o local preferido da maioria dos turistas, pois há uma grande oferta de hospedagens, bares e restaurantes, além de muitas feirinhas de artesanato. Também é onde está a melhor praia urbana. Não tem nada mais agradável do que caminhar pelo calçadão da praia de Ponta Negra e escolher pelo bairro onde vai ser o jantar do dia. Eu me hospedei no finado hostel Lua Cheia, um hostel em forma de castelo, que fechou e hoje abriga somente o Taverna Pub, local também muito agradável com temática medieval.

Litoral Norte: esquibunda na Lagoa de Jacumã

Litoral Norte: aerobunda na Lagoa de Jacumã

Eu fiquei 5 dias em Natal. O tempo que você deve dispor dependerá de quais passeios escolher, porém, acho que qualquer quantidade de dias é bem aproveitada.

Litoral Norte: aerobunda na Lagoa de Jacumã

Litoral Norte: esquibunda e aerobunda na Lagoa de Jacumã

Agora vamos ao que interessa!

Em Natal existem algumas praias urbanas que você pode aproveitar. A principal é a de Ponta Negra, cartão-postal da cidade, com muitos quiosques e restaurantes em sua orla, e é lá que fica o famoso Morro do Careca. Outra praia bem conhecida é a do Forte, onde fica o Forte dos Reis Magos e a Ponte Newton Navarro. Se você gosta de roteiros históricos, não deixe de visitar esse forte, fundado em 1599. A entrada custa R$ 3,00. Outra praia bem famosa é a praia dos Artistas, onde está o Centro de Artesanato, e a Praia do Meio, frequentada por moradores da região, além da Praia da Areia Preta e da Praia da Redinha. Aqui tem outros lugares que vendem artesanatos na região. Algumas pessoas tiram um dia para fazer esse roteiro de praias e histórico.

Litoral Norte: trenzinho que sobe a duna da Lagoa do Jacumã

Litoral Norte: Praia de Jacumã

Com exceção do passeio de buggy nas dunas, todos os outros passeios da região podem ser feitos de carro alugado, caso deseje ficar mais à vontade com seus horários. Porém, se não quiser alugar carro, você pode contratar todos os passeios com alguma agência local. Eu fiz meu roteiro com minha finada hospedagem, mas com certeza todos os hotéis, pousadas e hostels oferecem esse serviço. Para ter ideia de preços, encontrei na internet algumas agências, como exemplo a Natal Vans, a Marazul Receptivo e essa associação de bugueiros, mas há várias outras, e você pode fechar seus passeios na hora (eu passei o ano novo na cidade, e mesmo assim havia vaga em todos os passeios).

Litoral Norte: Praia de Jacumã

Litoral norte: de buggy pelas praias

Os dois passeios mais populares são o Litoral Norte e o Litoral Sul. Para cada um deles, você precisará de um dia inteiro. Em minha opinião, sem dúvida, o passeio ao Litoral Norte é o mais legal!

Dunas móveis

Dunas móveis

Juntei-me a outros viajantes do hostel e o buggy veio nos buscar para o passeio ao Litoral Norte, passamos pelo Aquário de Natal e, em seguida, fomos direto para as dunas. Para mim, toda a parte nas dunas fixas e móveis com o buggy era com emoção e muita diversão! Nossa primeira parada foi na lagoa de Jenipabu, que foi mais para fotos. Depois paramos na praia de Genipabu, que achei uma das paisagens mais bonitas. É nesse lugar que tem a possibilidade de andar de dromedário, mas este blog não incentiva esse tipo de turismo com animais. Veja no vídeo abaixo como é passear pelas dunas de buggy:

Nas dunas, a ponte Newton Navarro e a cidade de Natal ao fundo

Dunas de Natal

Natal e a Ponte Newton Navarro vistas das dunas

Em seguida fomos às praias de Santa Rita e Genipabu e, após uma travessia de balsa pelo rio Ceará Mirim, chegamos à Lagoa de Pitangui. Depois de um banho de lagoa e de se aventurar novamente pelas dunas de Jacumã, fizemos o passeio mais divertido do dia na Lagoa de Jacumã: o aerobunda e o esquibunda. Na verdade, o que chamam de aerobunda é uma tirolesa muito divertida que te joga direto na lagoa, mas há um barquinho improvisado te esperando lá embaixo para te resgatar. Depois, quando o barquinho enche, o guia rema até um pequeno trenzinho que sobe a duna da lagoa com os turistas de volta ao ponto de partida.

Veja o vídeo do aerobunda:

Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

Maior cajueiro do mundo

Já o esquibunda na verdade é uma espécie de tobogã feito com uma lona, onde se escorrega até a lagoa. Eu achei tão legal que fui no aerobunda 2 vezes! Tanto o aerobunda quanto o esquibunda custam R$ 13,00 por descida. Depois paramos para almoçar na praia de Jacumã. Passando pela praia de Muriú, retornamos pelas dunas móveis, e nosso guia fez outro tour com emoção por elas, onde fizemos ótimas fotos! Esse passeio de buggy pelo litoral Norte realmente vale a pena!

Maior cajueiro do mundo: vista do mirante

Maior cajueiro do mundo

Um passeio que não fiz foi o do Parque das Dunas, onde há trilhas para fazer a pé. Há 3 trilhas e parece ser interessante.

Maior cajueiro do mundo tem até wi-fi!

Praia de Camurupim, litoral sul

No outro dia segui pela Rota do Sol para o passeio pelo Litoral Sul. A primeira parada foi o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, inaugurado em 1965. Você sabia que há uma base de lançamento de foguetes em Natal? Se quiser ver um histórico clique aqui.

Mirante da praia de Tabatinga

Praia de Pipa

Depois fomos para o lugar mais interessante do dia, o maior cajueiro do mundo! Ele fica na praia de Pirangi. Gente, são 8.500 m2 de cajueiro e cerca de 80 mil cajus por safra! O lugar virou atração turística, com lojinha com produtos de caju, mirante para a parte superior, tem até wi-fi no cajueiro! Depois aproveitamos um pouco a praia de Camurupim. Outras paradas que podem ser feitas são na praia do Cotovelo, no mirante da praia de Tabatinga e na lagoa de Arituba. Esse roteiro pode ser feito tranquilamente de carro alugado se for o caso.

Praia de Pipa

Indo para Galinhos

Há outro passeio no litoral sul que não fiz, que são as lagoas da região já próximas do município de Nísia Floresta, como por exemplo a Lagoa Redonda, Lagoa de Arituba, Lagoa de Alcaçuz, Lagoa de Boágua, Lagoa de Ferreira Grande, Lagoa de Carcará e Lagoa do Urubu. Parece ser bem interessante.

Caminho de barco para Galinhos

Farol em Galinhos

No outro dia fiz um bate-volta até a praia de Pipa, no município de Tibau do Sul, a 85 km de Ponta Negra, também em direção ao sul. Achei a praia bonita, mas não tanto quanto as outras que visitei na região. Pesquisando várias opiniões, descobri que o charme de Pipa é dormir lá, pois dizem que a noite no vilarejo de Pipa é muito boa, não a praia em si. Chegando em Pipa caminhei pela praia próximo às falésias, depois peguei um passeio de barco para a Baía dos Golfinhos, mas confesso que foi bem difícil vê-los e não achei que valeu a pena. Talvez eu deva voltar um dia a Pipa e conhecer também a Praia do Amor, Praia do Madeiro, Cacimbinhas e Barra do Cunhaú, dentre outras que não visitei. Como dizem, o legal de Pipa é o charme de seu vilarejo, com o agito e os restaurantes à noite.

Farol em Galinhos

Farol em Galinhos

Em meu quarto dia fiz um bate-volta para um lugar mais distante, mas que valeu a pena demais! Sobretudo pela beleza do lugar… aliás, que lugar! A encantadora Galinhos fica no litoral norte do estado, a 180 km de Ponta Negra. Acho que se você estiver de carro ou de ônibus (Expresso Cabral) é melhor dormir uma noite por lá, pela distância. Porém, acho que dá para fazer apenas um bate-volta de Natal tranquilamente se for com agência.

Praia de Galinhos

Salinas em Galinhos

Um dos grandes charmes é a simplicidade de Galinhos. Você chegará pelo povoado de Pratagil. De lá precisará pegar um barco (custa R$ 5,00 e funciona a cada 30 minutos entre 5h30 e 18h) e em 10 minutos estará em Galinhos, que fica em uma península. Chegando em Galinhos, o que você vê é um vilarejo de pescadores muito simples, encantador, um lugar para relaxar e admirar. Na ponta da praia há um lindíssimo farol que combina completamente com as areias claras e, dependendo da maré, há ótimas piscinas naturais. Algumas pessoas vão até o farol numa carroça puxada por um jegue, mas eu incentivo a ir caminhando (não é longe).

Salinas em Galinhos

Buggy em Galinhos

Depois de curtir Galinhos você voltará ao barco e visitará as salinas, algo muito curioso, perto das dunas móveis e de um manguezal. Lá há algumas hélices para produção de energia eólica. De lá, ou você pega um buggy pelas dunas até Galos, para almoçar, ou volta ao barco e vai nele até esse almoço. Um dia voltarei a Galinhos para dormir uma noite por esse apaixonante lugar.

Hélices em Galinhos

Hélice em Galinhos

Em meu último dia em Natal aproveitei para fazer um passeio a um dos parrachos, que são as formações de corais nas piscinas naturais. As opções mais famosas são Maracajaú (a 55 km de Natal) e Perobas (a 70 km de Natal). Eu fiquei na dúvida sobre qual escolher, mas meu hostel disse que Perobas era mais bonito e menos cheio de gente, e confiei neles. Fora isso, Perobas é mais rasinho do que Maracajaú. Esses passeios de piscinas naturais sempre são feitos de acordo com a maré: quando ela está baixa é possível ir. Consulte a tábua de marés antes de ir, principalmente se você estiver indo por conta, sem agência.

De buggy em Galinhos

Sobre as dunas em Galinhos

Chegando em Perobas, no município de Touros, achei a praia belíssima! Pegamos o barco até os parrachos (a 5 km da costa) e as piscinas naturais mostraram seu azul profundo! Nesse tipo de passeio eu sempre levo meu próprio snorkel (por questões higiênicas rs).

Sobre as dunas em Galinhos

Praia de Perobas

Se você for por conta, pode reservar antes os passeios de barco em Perobas pelas agências: Perobas Aquática, Pousada do Vozinho e Parrachos de Perobas. Já por Maracajaú, as agências são: Maracajaú Diver, Portal de Maracajaú, Maracajaú Reservas e Ma-Noa Park.

Praia de Perobas

Praia de Perobas

Depois do passeio pelas piscinas naturais eu curti o local pelo rio Punaú, há uma tirolesa e passeios de quadriciclo. Optei por este último, que proporcionou muita emoção guiando pelas areias de Perobas.

Piscinas naturais de Perobas

Piscinas naturais de Perobas

Piscinas naturais de Perobas

Em uma outra visita a Natal preciso conhecer São Miguel do Gostoso, outro lugar que não deu tempo de ir. Algumas pessoas fazem bate-volta a João Pessoa, mas não sei se vale a pena.

Passeio de quadriciclo em Perobas

Passeio de quadriciclo em Perobas

Passeio de quadriciclo em Perobas

Como eu disse no início deste relato, visitar Natal e região proporcionam muitas experiências inesquecíveis e certamente, como eu, você terá vontade de voltar!

Rio Punaú, próximo a Perobas

Rio Punaú, próximo a Perobas

A região de Cambará do Sul abriga os cânions mais impressionantes do sul do país: os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho são um sonho de consumo de todos que viajam por essa parte do Brasil.

Muitas pessoas conhecem os cânions como parte de uma road trip pelo sul, combinando roteiros vindo de Santa Catarina com o estado vizinho, Rio Grande do Sul, para visitar Cambará. Se você tem muitos dias, então esse roteiro pode ser perfeitamente combinado com uma visita a Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra, conhecendo a bela Serra do Rio do Rastro (roteiro contado nesta outra postagem). Ou então, com outro lugar no Rio Grande do Sul, como São Miguel das Missões, como neste relato, por exemplo.

Mapa das estradas de terra e asfaltadas

Porém, se você vem dessa região, informe-se bem sobre quais rodovias utilizar, pois a rota mais curta inclui estradas de terra, areia e cascalho que realmente não sei dizer suas condições, então seria melhor pegar uma rota asfaltada no fim das contas. Essa rota de areia e cascalho seria a que liga Bom Jardim da Serra e São Joaquim a Cambará do Sul via São José dos Ausentes. O caminho asfaltado seria pela BR-101 seguindo até Torres. Daí subir pela Rota do Sol, pela BR-453. Isso porque há outro caminho de cascalho mais curto, que liga Torres a Cambará via Praia Grande.

Escada para as falésias no Parque da Guarita, em Torres

Em cima da Torre Sul, no Parque da Guarita, em Torres

Você poderia também estar vindo só pela rodovia litorânea (BR-101) se estiver visitando Florianópolis, passando por Imbituba (e daí pode conhecer a bela Guarda do Embaú, praia do Rosa e outras) até Torres. Ou, ainda, pode estar vindo de Porto Alegre também até Torres e daí voltando um pouco e subindo para Cambará pelo caminho que expliquei antes. Ou, ainda mais outra opção, estar passeando por Gramado e Canela e sair de lá direto para Cambará do Sul, sem precisar ir para a BR-101. No mapa um pouco tosco que fiz acima indiquei as principais rodovias para que entenda um pouco melhor.

Em cima da Torre Sul observando a praia de Itapeva, no Parque da Guarita, em Torres

Torre Sul ao longe, vista da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Neste relato contarei sobre um roteiro de um fim de semana saindo de Porto Alegre para visitar os cânions Fortaleza e Itaimbezinho, mas passando por Torres. Porém, como pode ver, existem inúmeras possibilidades, o sul é incrível!

Em cima da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Mapa da Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Essas cidades todas que citei podem ser visitadas durante o ano todo, mas no inverno pode ser muito frio (neste inverno de 2017 inclusive chegou a nevar em algumas delas). Nos cânions existe o risco de pegar muita neblina e não ver nada, mas isso é uma loteria! Pode estar um lindo dia de sol e de repente a neblina tomar conta dos cânions. Ou em pleno inverno de repente o tempo abrir. Ouvi dizer que a possibilidade de pegar tempo aberto, sem neblina, nos cânions é maior na parte da manhã, mas isso você realmente só vai saber quando chegar lá. Nas duas vezes que visitei a região, em janeiro e em novembro, tive a sorte de ver os cânions sem neblina.

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Caminhando pela Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

De Porto Alegre até Torres são 192 km, percorridos em pouco mais de 2h. Aluguei um carro em Porto Alegre e saí por volta das 7h da cidade, e a rodovia foi bem tranquila.

Da Torre do Meio se vê o Morro do Farol e a cidade ao fundo, no Parque da Guarita, em Torres

Esse é o caminho na Torre do Meio, no Parque da Guarita, em Torres

Ouvi dizer que Torres é a praia mais linda do Rio Grande do Sul, mas ela ficou mesmo conhecida pelo famoso Festival Internacional de Balonismo. Chegando lá, você se depara com uma cidade grande, mas o show está na bela praia da Guarita, cartão postal de Torres. O mar é um pouco agitado, mas ao entrar no Parque da Guarita já é possível apreciar as lindas falésias e até subir e caminhar por cima delas. Há algumas escadas para subir, e é bem tranquila e rápida a subida. Lá de cima você terá uma vista de tirar o fôlego, subindo na Torre Sul você verá de um lado algumas falésias na praia da Guarita, e do outro, uma extensa faixa de areia, que é a praia de Itapeva, com 6 km de extensão.

Da Torre do Meio você pode descer nas escadinhas lá embaixo, no Parque da Guarita, em Torres

Parque da Guarita, em Torres

Depois você pode subir na Torre do Meio (ou Morro das Furnas), que é mais extensa. Subindo as escadas a caminhada pelo platô é muito bonita, com vista para os penhascos. Há algumas escadinhas íngremes para descer e visualizar a parte inferior, mas tome cuidado ao descer. No final do platô (que tem no máximo uns 600 metros), você pode avistar a cidade com seus prédios, na Praia Grande, e o Morro do Farol também, de onde saem os paragliders, sendo possível descer nessa praia e caminhar até ele.

Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Parque da Guarita funciona todos os dias das 8h às 20h, e o estacionamento custa R$ 5,00 (pessoa a pé não paga). Se você não tiver alugado um carro em Porto Alegre, a viação UneSul faz o percurso de Porto Alegre até Torres.

Trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da trilha do Mirante, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Há um passeio que não fiz, que leva de barco até a Ilha dos Lobos, reserva onde se pode observar os lobos marinhos e leões marinhos, além de diversas espécies de aves marinhas.

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

Cânion Fortaleza, acessado pela Trilha do Mirante, em Cambará do Sul

De qualquer forma, da maneira que fiz, indo de carro alugado, o passeio no Parque da Guarita é feito em mais ou menos meio período do dia. Saindo de lá peguei a Rota do Sol (pela BR-453), evitando assim a estrada de terra que vai para Cambará do Sul via Praia Grande. São 143 km via Tainha até Cambará, cerca de 2h.

Cânion Fortaleza, o que mais adoro em Cambará do Sul

Aproveitando o Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

A pequena cidade de Cambará tem seu charme, uma joia no meio das montanhas, com uma rua principal, onde ficam pousadas e restaurantes, como a Pizza Retrô, por exemplo. E não tem preço você parar numa padaria e pedir um pão na chapa e a atendente virar para o chapeiro e pedir por um torrado no pão de cacetinho!

Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Você caminha naquela parte de cima da Cachoeira do Tigre Preto para ter essa vista, no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Se você estiver de carro, que acho a melhor maneira de visitar a região, poderá ir até os cânions Itaimbezinho e Fortaleza por conta própria (não precisa de guia na parte superior). Porém, se tiver chegado até a cidade de ônibus, precisará contratar um tour por causa do transporte até os cânions. A viação Citral faz o percurso de Porto Alegre até Cambará do Sul, mas não todos os dias. Consulte o site da Citral. Ou é possível pegar um trecho de Porto Alegre até Caxias do Sul (Expresso Caxiense), e de lá um para Cambará do Sul (Expresso São Marcos). O Expresso São Marcos também faz de Torres a Caxias do Sul.

A bela Cachoeira do Tigre Preto, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Para quem não estiver de carro e precisar desse transporte até os cânions, achei pela internet algumas agências como, por exemplo: Guia Aparados da Serra, Agência da Colina, Aparados da Serra Turismo, Cânion Turismo, Téfo Guia e Rota dos Cânions. Imagino que existam diversas outras agências locais. Na cidade há um centro de apoio ao turista que pode te ajudar com isso também.

Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

Vista da Trilha da Pedra do Segredo, Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul

O Cânion Fortaleza fica no Parque Nacional da Serra Geral. São 22 km de estrada de terra e cascalho para chegar até a portaria do parque, mas que estão em bom estado de conservação (na dúvida, vai devagarzinho!). Chegando lá, você verá as placas indicando o caminho para as trilhas do Mirante, da Pedra do Segredo e da Borda dos Cânions, o que daria no máximo uns 7 km tudo, mas são trilhas relativamente tranquilas. Os paredões do cânion têm até 700 metros de altura.

Graxaim, não mexe com ele!

Os graxains são selvagens, mesmo que pareçam amigáveis

Ao fazer a trilha do Mirante, você terá o incrível visual desse cânion, para mim, o mais lindo! Depois, volte até onde a placa indica a trilha da Pedra do Segredo (uma gigante pedra equilibrada no paredão), onde você verá também, no caminho, a bela cachoeira do Tigre Preto. Tenha cuidado, pois é preciso passar pelas pedras do rio por cima dessa cachoeira, mas como ele é baixo, sempre há várias pedras secas para pisar e, assim, atravessar o rio.

Uma dica: se precisar passar por dentro da água, ou se sentir mais seguro assim, você pode tirar o tênis, mas manter as meias, indo assim pelo leito do rio. Dessa forma você não escorregará nem um pouco!

Graxaim, não se aproxime

Cânion Itaimbezinho

Passando para a outra margem e andando mais uns poucos metros… voilà! A cachoeira do Tigre Preto de frente! Depois terá outra visão do cânion conforme caminha. A Pedra do Segredo em si não me impressionou muito. Esse passeio todo pelo cânion Fortaleza pode ser feito em mais ou menos meio período. A entrada é gratuita, e o local funciona todos os dias das 8h às 17h (no horário de verão, até às 18h). Cuidado com os graxains que podem estar no estacionamento. Eles são um tipo de raposa ou lobo, que até lembram cãezinhos, pois estão acostumados com as pessoas que dão comida nesse estacionamento. Porém, não se esqueça de que são selvagens, e não se deve tocá-los ou importuná-los.

Trilha no Cânion Itaimbezinho

O belo Cânion Itaimbezinho

Em outro meio período você precisa conhecer o cânion Itaimbezinho, que fica no Parque Nacional de Aparados da Serra. Ele funciona de terça a domingo das 8h às 17h, mas para a trilha do Cotovelo é necessário entrar no parque no máximo até às 15h. De Cambará do Sul até a portaria são 18 km de estrada de terra (mesmas recomendações da estrada para o cânion Fortaleza, vai devagar! rs). Brasileiros pagam R$ 8,00 de entrada e mais R$ 15,00 de estacionamento, e a base de apoio tem um pouco mais de estrutura do que a do cânion Fortaleza. Nesse parque, na parte superior, também não é necessário guia, e você pode fazer as trilhas do Vértice (1,5 km ida e volta) e do Cotovelo (6 km ida e volta), que também são relativamente tranquilas, com vista para as cascatas Véu de Noiva e Andorinhas. É um passeio super bonito também (apesar de o meu coração pertencer ao Cânion Fortaleza).

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Vista do Cânion do Itaimbezinho

Como eu disse, fiz esse roteiro em um fim de semana: meio período para Torres, meio período para o cânion Fortaleza e meio período para o cânion Itaimbezinho. E o que fiz no último meio período (meu voo saindo de Porto Alegre era só 21h00)? Aproveitei para conhecer a Cascata dos Venâncios, que me surpreendeu com sua beleza e quantidade de água, com suas 4 quedas em uma extensão de 100 metros, onde é possível banhar-se. Ela fica a 22 km de Cambará do Sul, na estrada para Jaquirana, com parte de estrada de terra também.

Cascata dos Venâncios, em Cambará do Sul

Outra da Cascata dos Venâncios

Se você estiver sem carro poderá fazer um passeio que terei ainda que voltar para fazer, que passa não só pela Cascata dos Venâncios, mas pelo Passo do S e Passo da Ilha, que não fui, mas parece um incrível lugar. Porém, para o Passo do S e o Passo da Ilha precisa de agência, pois o 4×4 passará por dentro do rio num percurso que um carro de passeio não passaria.

Cascata dos Venâncios de longe, com suas várias quedas

Parte da Cascata dos Venâncios

Falando em passeios que não fiz e preciso voltar à região e fazer, destaco a Trilha do Rio do Boi, que percorre a parte inferior do cânion Itaimbezinho. Para essa trilha é obrigatório guia e, além disso, boas condições climáticas (vulgo “sol”). É uma trilha de dia inteiro de nível difícil, que sai de Praia Grande. Nela são percorridos 10 a 14 km pelo leito do rio por dentro do cânion. Essa trilha por dentro do cânion é a mais famosa, mas ouvi fizer que também há uma trilha por dentro do cânion Fortaleza, a trilha do Tigre Preto, também de nível difícil.

Trecho da Cascata dos Venâncios

Outra da Cascata dos Venâncios

Fora os famosos cânions Fortaleza e Itaimbezinho, há também os cânions Malacara (por dentro ou por cima), Josafaz, Churriado, Cambajuva, cânion da Pedra, cânion da Encerra, Realengo, Monte Negro, Coxilha, Pinheirinho e outros. Consulte os sites das agências da cidade para saber mais sobre esses trekkings, geralmente de nível moderado a difícil. E há diversas outras cachoeiras da região, como a do Tio França (a 2,5 km da cidade). Podem também ser feitos passeios de bike, de bote, cavalgadas e rapel. Veja um vídeo da Cascata dos Venâncios abaixo:

Encerro dizendo que esse roteiro pelos cânions vale muito a pena. Estude bem sua rota para montar uma boa logística e pegar as estradas asfaltadas e, assim, apreciar ao máximo essas maravilhas! Como pode ver, existem várias formas de visitar a região, tanto com muitos dias de passeio quanto com uma rápida passada, como eu fiz; e tanto com caminhadas leves quanto com trilhas mais difíceis. Tudo é questão de se programar!

Todo mundo que visita Bonito volta de lá dizendo que não é Bonito… é LINDO (para dizer o mínimo)! E não é à toa que esse polo ecoturístico deve estar na lista de todos que adoram viagens de natureza. A 300 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, esse é um dos destinos mais organizados e sustentáveis do Brasil.

É claro que a exuberância toda de Bonito não é barata. Porém, é necessário reservar os passeios com meses de antecedência, pois todos eles têm limite de visitação diária, o que é excelente para não agredir tanto a natureza. Por isso, essa reserva antecipada acaba permitindo o parcelamento dos pacotes de passeios que fizer (afinal, na vida tudo se parcela rs).

Uma viagem a Bonito exige planejamento, pois há muitas opções de passeios por lá, e com certeza você precisará escolher quais fazer e quais deixar de fora. Acho que o mínimo para uma primeira vez na região são 4 dias, onde é possível encaixar atrativos mais diferenciados um do outro se assim desejar. Como todos os passeios têm limite de visitação, como mencionei, é necessário reservar previamente (na hora dificilmente haverá vagas para os mais legais).

Flutuação no Rio da Prata

Quando ir?

Esse destino pode ser visitado em qualquer época do ano. Porém, de dezembro a março é o período de chuvas, que podem atrapalhar e até cancelar muitos passeios, apesar de ser quando as cachoeiras estarão mais cheias e haverá mais animais para avistar. De maio a agosto é o período mais seco, mas talvez haja menos animais e algumas cachoeiras estarão mais secas. No entanto, é quando as águas estão mais claras e a visibilidade, melhor. Então talvez os meses intermediários, os de outono e primavera, sejam os mais indicados, pois há menor chance de chuva e ao mesmo tempo há boa visibilidade na água.

Macaquinho no Rio do Peixe

OPA: Outra coisa que não se pode esquecer antes de chegar é que existe diferença de fuso horário de 1h a menos em relação ao fuso horário de Brasília.

Como chegar?

Algumas vezes por semana há um voo da Azul para Bonito, mas como não é tão frequente, a maneira mais usual de se chegar é pelo aeroporto de Campo Grande. De lá, existem algumas formas para ir a Bonito. A Viação Cruzeiro do Sul faz o percurso de ida e volta entre Campo Grande e Bonito algumas vezes por dia, consulte o site.

É possível também contratar um transfer de alguma agência de passeios de Bonito, inclusive saindo do aeroporto de Campo Grande. Para essa opção, entre em contato previamente com sua agência. Acho essa uma boa maneira caso o horário de seu voo não se encaixe com os horários dos ônibus, pois as vans têm horários mais diversificados de partida e além disso já te deixam em sua hospedagem em Bonito.

Algumas pessoas preferem alugar carro. Essa opção vale a pena se você estiver disposto a dirigir (pois são 300 km até Bonito e a maioria dos atrativos fica distante da cidade, a cerca de 50 km) e em um número mínimo de pessoas, que compense o valor do aluguel e combustível; porém, chegando em Bonito você poderá ir de carro aos atrativos. Caso contrário, se optar por ônibus ou van precisará contratar os transfers das agências para os locais dos passeios. Portanto, estude o melhor custo-benefício para você.

Flutuação no Rio da Prata

Existem inúmeras agências na cidade, e todos os passeios são obrigatoriamente feitos através de uma. Isso porque o turismo na cidade opera por um sistema de vouchers vendidos somente nas agências e que devem ser entregues nos atrativos, todos em propriedades particulares, que seguem critérios rigorosos de preservação do meio ambiente (na “porta” não vende). É tudo muito organizado. Os preços são todos tabelados, e você pode ter uma ideia de valores na Associação dos Atrativos de Bonito. Eu fechei todos os meus passeios com a Bonitour, mas minha hospedagem, o excelente Bonito Hostel também oferece passeios. Além disso, ouvi falar bem de inúmeras outras agências da cidade.

Acho que a principal atividade em Bonito são as flutuações nos rios. Por isso, é interessante levar algum equipamento para registrar seu tour, como câmera à prova d’água, celular com capa impermeável ou similares. Se não tiver, as agências costumam oferecer esse tipo de equipamento para locação. Muitos dos atrativos não permitem a entrada na água com protetor solar e repelente, fique atento às regras de visitação. Em cada atrativo são fornecidos snorkel, máscara, roupa de neoprene, colete salva-vidas e o que mais for necessário. Se você tiver receio da água e da flutuação, é importante informar os locais, pois muitas vezes há pessoas preparadas para te assistir em relação a isso, e nem mesmo é necessário saber nadar.

Flutuação no Rio Sucuri

Flutuação no Rio da Prata

Se você só tiver tempo para fazer uma única flutuação, reserve a do Rio da Prata. O local fica a 50 km de Bonito e é um passeio de meio período. Após a explicação e uma pequena caminhada pela mata, a flutuação começa no Rio Olho D’água, que depois se junta com o Rio da Prata em si. É tão transparente que parece que você está nadando em um aquário! É deslumbrante nadar com as piraputangas, dourados, pacus, curimbas e muitas outras espécies. Não é necessário dar braçadas, pois, no geral, a correnteza leve vai te conduzindo pelo curso do rio. Após a experiência é possível almoçar no local. O Rio da Prata ganhou como a melhor atração turística do Brasil no Guia 4 Rodas em 2008 e 2009.

Flutuação no Rio Sucuri

Flutuação no Rio da Prata

Uma flutuação que fica no mesmo local que o Rio da Prata é a Lagoa Misteriosa. É possível fazer flutuação, mas a graça dela é que lá você pode mergulhar com cilindro, descendo até 8 m de profundidade (se você tiver curso de mergulho pode baixar até 18 a 25 metros). Dizem que ela tem esse nome porque ainda não descobriram sua profundidade total, e o máximo que o homem chegou foi a 220 m. Esse atrativo só funciona de abril a setembro, os meses de maior transparência da água.

Araras na fazenda do Rio do Peixe

Arara na fazenda do Rio do Peixe

Outra opção de passeio para combinar com o Rio da Prata é o Buraco das Araras, que fica a 5 km de lá. Esse é um passeio para fim de tarde, para depois das 16h, que é o horário que as araras retornam ao local. Não tem nada como contemplar as araras nessa dolina de 100 m de profundidade, formação geológica originada do desmoronamento de blocos rochosos.

Buraco das Araras. Fonte: http://www.turismo.bonito.ms.gov.br/bonito/atrativos-turisticos/buraco-das-araras

Voltando às flutuações, outra bem popular é o Rio Sucuri, a 19 km de Bonito. Assim como o Rio da Prata, ele também é tão transparente por causa da presença do calcário na água. Este também é um passeio de meio período e funciona nos mesmos moldes das outras flutuações. Um barco acompanha o percurso da flutuação, portanto é possível seguir dentro dele em alguns trechos. Achei que neste rio há menos peixes que no Rio da Prata, mas também é bem bonito, pois a vegetação subaquática é bem rica. Se for fazer os dois passeios, talvez seja melhor deixar o Rio da Prata para o final, pois se impressionará mais. O Rio Sucuri não tem sucuris de fato, mas é assim chamado por causa de seu formato sinuoso.

Flutuação no Rio Sucuri

Outras flutuações que merecem destaque são: a Barra do Sucuri (onde é feito primeiro um passeio de barco rio acima, para depois voltar fazendo a flutuação no sentido da correnteza), o Aquário Natural (a 7 km de Bonito), o Bonito Aventura (Rio Formoso), a Nascente Azul e o Parque Ecológico Rio Formoso. Em todas as flutuações é necessário o uso do equipamento completo fornecido, pois não se pode tocar o fundo dos rios, para não turvar a água, o que prejudicaria a transparência dela. Todos os passeios são acompanhados por monitores credenciados.

Flutuação no Rio da Prata

Flutuação no Rio Sucuri

Um lugar que acho bem relaxante e bonito em Bonito (dããã rs) é o Rio do Peixe, a 35 km da cidade. Apesar de também ser um passeio de rio, ele não é uma flutuação. Esse é um passeio para curtir as cachoeiras e apreciar os possíveis animais que avistará. São 2 km de caminhada nível fácil com 7 paradas para banho. O local é muito bom para passar o dia, e o almoço é excelente, com destaque para os doces caseiros, em especial o doce de leite queimado.

Fazenda do Rio do Peixe

Fazenda do Rio do Peixe

Tirolesa na Fazenda do Rio do Peixe

Um destaque do atrativo é o próprio dono da fazenda, o seu Moacyr e seus “causos”. Com sua simpatia, ele explica como alimentar os macacos que frequentam a fazenda. Outra “cria” do seu Moacyr é a fofíssima Gigi! A Giovana é uma anta que chegou machucada na fazenda e, depois de seu Moacyr cuidar dela, acho que foi são bem tratada que resolveu virar moradora fixa, pois apesar de solta ela não vai embora. Depois de fazer a alegria dos turistas posando para fotos e nadando do rio, Gigi se apressa ao ouvir seu Moacyr chamar, já voltando para casa: “Gigiiii!” E lá vai ela desesperada correndo para acompanhá-lo! É uma fofíssima!

Piraputangas na fazenda do Rio do Peixe

Redário na Fazenda do Rio do Peixe: ótimo pra depois do almoço!

Minha paixão, a Gigi!

Depois do almoço ocorre o momento mais esperado do dia: é a hora que o seu Moacyr alimenta as araras que frequentam sua fazenda, como a Lara (olha como ele trata bem os bichinhos aqui neste vídeo também abaixo). Todos os dias nesse horário ele espalha as sementes para elas comerem, e é a oportunidade perfeita para fazer ótimas fotos com araras, pois algumas deixam seu Moacyr colocá-las nas mãos dos turistas por alguns segundos para fotografar. Aliás, em Bonito aprendi que é importante checar sempre se suas torneiras estão fechadas, como você pode ver neste vídeo também abaixo. O passeio na fazenda do Rio do Peixe é daqueles que você não dá nada, mas é um dos dias mais divertidos em Bonito em minha opinião.

Seu Moacyr chama as araras

Conversando! rs

Foi amor!

Além das cachoeiras do Rio do Peixe, existem outros passeios com cachoeira, como a Boca da Onça (a queda mais alta do estado, com 156 metros de altura, em uma trilha de 4 km passando por várias cachoeiras; é possível fazer um rapel de 90 m), as cachoeiras da Serra da Bodoquena (além das trilhas e do banho, há possibilidade de fazer passeio de bote, caiaque e duck), a Ceita Corê, a Estância Mimosa e o Parque das Cachoeiras.

Cachoeira Boca da Onça. Fonte: https://www.bonitour.com.br/passeio/boca-da-onca?lang=pt-br

Um passeio bem popular em Bonito é a Gruta do Lago Azul. O nome já é meio explicativo, e a gruta tem 80 metros de profundidade, formando um visual incrível com seu belo lago e as formações de caverna. Esse é um passeio mais contemplativo, pois não é possível entrar na água, apenas apreciar e tirar fotos. (Atenção aos 293 degraus para acessar a gruta.) Muitas pessoas combinam esse passeio com a Gruta de São Miguel, para assim poder caminhar mais por uma caverna e apreciar suas formações espeleológicas.

Gruta do Lago Azul

Gruta do Lago Azul: é MUITO azul!

Gruta do Lago Azul: olha as formações no teto da caverna!

Falando em gruta, um passeio bem diferente é o Abismo Anhumas, também o mais caro de Bonito. Não fiz esse passeio, mas já ouvi muita gente dizendo que é um dos lugares mais lindos da região. O passeio consiste em uma descida de 72 m em rapel por uma fenda na rocha, levando a uma magnífica caverna com um lago cristalino embaixo. A luz natural entra pela fenda, e lá embaixo há um deque flutuante. Para essa aventura é necessário fazer um treinamento no dia anterior. Os monitores orientam um rapel menor na cidade e avaliam quem poderá de fato descer o abismo. Depois de descer o abismo, lá embaixo, faz-se um reconhecimento da área da caverna em um bote, e daí pode-se fazer o snorkel no lago. Quem tem curso de mergulho com cilindro pode descer até 18 m (contratando previamente). Dizem que lá está o maior cone do mundo, formação com 19 m. Nesse passeio é necessário levar lanche e precisa de um pouquinho de preparo para a subida de volta. No Portal Bonito tem uma boa descrição desse passeio (e de todos os outros também).

Abismo Anhumas: o rapel é feito por esse feixe de luz. Fonte: www.agenciasucuri.com.br/

Outros passeios de aventura em Bonito: rafting, boiacross, mergulho com cilindro, arvorismo, passeio de quadriciclo (rota boiadeira, pode ser uma opção de passeio noturno), passeio de bike, cavalgadas e o Projeto Jiboia (outro passeio que pode ser feito à noite).

Passeio de quadriciclo: Rota Boiadeira (foi com emoção!)

Projeto Jiboia: essa foi da primeira vez que fui, ainda era castanha!

Projeto Jiboia: curtindo..

Para relaxar, o Balneário Municipal é uma área de lazer a 8 km de Bonito, frequentado pelos moradores da cidade. Esse lugar parece até um tipo de clube, com quadras, lanchonetes e restaurante, mas o rio Formoso é bem bonito. Há também o Balneário Ilha Bonita, o Balneário do Sol, a Ilha do Padre, o Lago da Capela e a Praia da Figueira.

Balneário Municipal

Balneário Municipal

Para quem deseja ter um gostinho de Pantanal há um passeio mais distante, a Fazenda São Francisco, a 162 km de Bonito. Lá é feito uma espécie de safári fotográfico, onde é possível avistar várias espécies de animais, e depois um passeio de chalana. Por causa da distância, algumas pessoas fazem pernoite no local.

Balneário Municipal

Balneário Municipal

As agências de Bonito podem te ajudar a encaixar melhor os atrativos que escolher, conciliando-os de acordo com o tempo gasto e a distância de cada um, já que alguns dos passeios são de meio período. E aí, conseguiu decidir sua programação nesse.. bonito não, maravilhoso lugar?

Se você gosta de história e de ruínas esse lugar vai te dar uma aula!  São Miguel das Missões é parte importantíssima da história do Brasil e das missões (ou reduções), também na Argentina e no Paraguai. Consideradas Patrimônio Mundial da Unesco, as construções dessa região (Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo) tiveram início em 1687, e seu objetivo era trazer o cristianismo aos índios. As reduções ficaram conhecidas como os Sete Povos das Missões, compreendendo as cidades de Santo Ângelo, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Miguel das Missões e São Francisco de Borja.

No caminho para São Miguel das Missões

Catedral Angelopolitana

São Miguel das Missões foi o maior agrupamento de índios e jesuítas da região. A igreja principal foi construída a partir de 1735. Durante os séculos XVII e XVIII os índios aderiram às missões não por serem obrigados, mas porque, desse modo, aprendiam técnicas de agricultura e tinham melhores condições sanitárias e de saúde, embora, para isso, precisassem abdicar de seus costumes.

Praça da Catedral Angelopolitana

Praça da Catedral Angelopolitana

As missões foram abandonadas na região por conta da Guerra Guaranítica, quando os índios e os jesuítas foram expulsos em razão do Tratado de Madri. Esse é só um resumo, mas visitando a cidade você poderá conhecer mais detalhes sobre as missões e a história do local nessa época.

Placa indicativa (mas a entrada é a 100 m, repare que foi escrita à mão rs)

Sítio arqueológico de São João Batista

A catedral em São Miguel das Missões, feita com pedra grês, é o que está mais preservado nas ruínas do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo. Porém, na cidade de Santo Ângelo, a quase 60 km de lá, você pode ver uma igreja que imita o estilo do que seria a catedral em São Miguel das Missões. Essa catedral em Santo Ângelo se chama Catedral Angelopolitana, também de pedra grês, mas datando de 1929. Em seu pórtico estão esculpidos os santos padroeiros dos Sete Povos das Missões.

Sítio arqueológico de São João Batista

Sítio arqueológico de São João Batista

Algumas pessoas visitam São Miguel das Missões seguindo a Rota das Missões, em uma viagem mais longa englobando as missões dos países vizinhos. Há também o Caminho das Missões, que tem 180 km e passa por várias cidades que abrigavam as missões. Algumas pessoas percorrem de carro, outras a pé. Porém, eu fiz um roteiro mais básico: um fim de semana partindo de Porto Alegre. É um pouco cansativo, mas recompensador se o assunto te agrada, e um passeio diferente no Rio Grande do Sul, que foge dos mais tradicionais em Gramado, Canela e Bento Gonçalves.

Portal de São Miguel das Missões

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo e a Cruz Missioneira

A melhor maneira de visitar as missões no Rio Grande do Sul é de carro. Eu aluguei um veículo em Porto Alegre, a cerca de 480 km de São Miguel das Missões, levando mais ou menos 6h. Como a cidade de Santo Ângelo fica antes na rodovia, aproveitei para dar uma passada na praça que abriga a formosa Catedral Angelopolitana.

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Se você não for alugar carro, é possível ir de ônibus. Não há ônibus direto, mas a viação Ouro e Prata te leva até Santo Ângelo, e de Santo Ângelo a São Miguel das Missões o trajeto é feito pela viação Antonello (neste site e neste site).

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Detalhe do Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Saindo de Santo Ângelo, mas ainda antes de chegar a São Miguel das Missões, há uma entrada na rodovia para o sítio arqueológico de São João Batista. Há uma placa, mas a entrada é um pouco confusa, pois há uma saída de carros bem na placa, mas a entrada em si fica alguns metros à frente. Tive que perguntar para certificar-me de que estava no sentido correto. Então segui por uma estrada de terra em boas condições (onde furei meu pneu no cascalho) para, então, chegar ao sítio arqueológico. Esse local está no município de Entre-Ijuís, a 24 km de São Miguel Arcanjo. São João Batista foi a primeira fundição de ferro do território brasileiro. As ruínas estão bem degradadas em relação às de São Miguel Arcanjo, mas, apesar de simples, pode ser um complemento a sua visita à região.

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Continuando o passeio, segui para meu destino principal. São Miguel das Missões é bem pequena, com poucos atrativos, e você vai encontrar facilmente as ruínas. Antes disso, o portal da cidade já chama a atenção, uma homenagem ao povo Guarani com a frase em Guarani “Co Yvi Oguereco Yara”, que significa “Esta terra tem dono”. A visita ao Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo é de terça a domingo das 9h às 12h e das 14h às 18h, porém, no horário de verão, funciona até 20h. O ingresso custa R$ 5,00. É possível contratar um guia para contar sobre a história do local, e no início você pode assistir a um vídeo de apresentação. A grandiosidade desse sítio arqueológico é notável, é impossível não se impressionar! A poucos metros da ruína da catedral está a bela Cruz Missioneira.

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo

Ao lado do sítio arqueológico havia o Museu das Missões (Museu Lúcio Costa), construído em 1940, baseado nas residências missioneiras, e abrigava esculturas feitas pelos Guaranis. Administrado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o museu foi destruído em abril de 2016 pelo tornado que passou no local. Porém, as obras foram salvas e estão em exposição temporária. Atualmente o museu está em obras de recuperação.

Esculturas do Museu Lúcio Costa

Todos os dias, incluindo as segundas-feiras, acontece o Espetáculo Som e Luz, e custa R$ 15,00 (no horário de verão, às 21h30; em fevereiro, março, abril, setembro e outubro, às 20h; e de maio a agosto, às 19h). Informações atualizadas e também sobre horários do Espetáculo Som e Luz em espanhol e em inglês podem ser acessadas neste site (lá também tem informações sobre outros passeios na região). O espetáculo é interessante por apresentar, durante 50 minutos, mais um pouco da história das missões na região. É um show de luzes que deixa as ruínas muito bonitas gravado com vozes de atores famosos. Minha dica é levar roupas para frio para assistir ao espetáculo, pois nessa região à noite a temperatura costuma cair bem.

Espetáculo Som e Luz

Espetáculo Som e Luz

Não visitei, mas na cidade há também a Fonte Missioneira, que abastecia os guaranis na época, a 1 km de São Miguel Arcanjo. O Ponto da Memória Missioneira tem vários documentos e objetos que trazem um pouco da história da região. A Aldeia Indígena Tekoa Koenjú (Secretaria Municipal de Turismo: (55) 33811294) e a Fazenda da Laje (Agendamento: (55) 9972-1148) também são pontos para incrementar seu passeio. É possível também visitar o Sítio Arqueológico de São Lourenço Mártir, no município de São Luiz Gonzaga, e o Sítio Arqueológico de São Nicolau, na cidade de mesmo nome. Você pode pesquisar mais sobre esses locais no site da Pousada das Missões, na aba Atrativos Turísticos.

Clique para aumentar. Mapa das Missões. Fonte: http://www.fenamilhointernacional.com/site/conheca-santo-angelo/

As ruínas das missões são muito interessantes e inusitadas, inseridas em uma região onde o turismo não é ainda tão explorado. Cada detalhe tem sua beleza própria e a história e as ruínas te transportam numa viagem pelo tempo!

Planejar um roteiro pela Chapada Diamantina não é fácil. Isso porque a região tem tantas opções de passeios que seria preciso muito tempo para conhecer tudo. Também, com cerca de 152 mil hectares não é fácil escolher o que fazer! Administrado pelo ICMBio, o parque faz limite com os municípios de Lençóis, Mucugê, Ibicoara, Andaraí, Itaetê e Palmeiras, mas é composto por dezenas de outras cidades.

Lençois

Lençois

Além das belezas naturais da região, no passado o local teve exploração de ouro e de diamantes, e o legado foi uma rica arquitetura tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) nas principais cidades. O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) foi criado em 1985 e tem grande importância na conservação da biodiversidade da região. Com seus cânions, cachoeiras, cavernas e montanhas, o Parque tem mais de 30 trilhas divididas entre seus municípios. A Chapada Diamantina pode ser visitada o ano todo, mas, geralmente, entre maio e outubro haverá menos chance de chuva. De novembro a janeiro pode chover mais, mas terá mais água nas cachoeiras, e de fevereiro a abril é a época que a vegetação estará mais verde.

Lençois

Lençois

COMO CHEGAR

Muitas pessoas chegam por voo em Salvador e alugam um carro para percorrer os 417 km que separam a capital do município de Lençóis (aliás, se você tiver a cidade de Lençóis como base, prepare-se para ouvir muitas vezes questionamentos sobre os Lençóis Maranhenses: nããão, é Lençois na Bahia rs). Estar de carro na Chapada Diamantina permite um melhor deslocamento entre suas cidades e entre os atrativos que não precisarem de um guia. Porém, muitas vezes só compensa se estiver com pelo menos 4 pessoas no carro para dividir os custos.

Outra maneira de chegar é por um voo da Azul que opera algumas vezes por semana de Salvador até o aeroporto de Lençóis.

A maneira mais econômica se estiver sozinho ou em 1 ou 2 pessoas é vindo de ônibus com a Real Expresso, percurso que leva 6h (de Salvador a Lençóis). O mapa a seguir mostra o acesso e as principais cidades:

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa de acesso rodoviário à Chapada Diamantina. Fonte: http://www.guiachapadadiamantina.com.br/como-chegar/mapa-e-acesso/

Planeje seu roteiro antes de reservar sua hospedagem, pois dificilmente você conhecerá a Chapada inteira numa primeira visita. Algumas pessoas utilizam somente Lençóis como base e todos os dias fazem bate-voltas para as outras regiões, o que é possível tanto de carro quanto com agências locais. Outras dividem suas hospedagens entre algumas cidades diferentes dependendo dos roteiros que escolherem. Esta opção é mais viável se estiver de carro, pois o transporte público na região não é muito regular. Além disso, há algumas agências na região que fazem transfer entre cidades. Para seu planejamento, o mapa abaixo mostra as principais localidades:

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa das cidades e atrações da Chapada Diamantina. Fonte: http://www.guiachapadadiamantina.com.br/parque-nacional/mapa-do-parque/

Eu fiz da primeira maneira, me hospedei em Lençóis, local com a maior infraestrutura da região, e fechei todos os passeios com minha hospedagem, o Hostel Chapada. Lençóis conta com um belo casario do século XIX tombado pelo IPHAN. É muito agradável passear pela cidade e, depois dos passeios, escolher um dos restaurantes na cidade histórica. Estive na região por 6 dias, e usei mais 1 dia para vir de ônibus e outro para voltar. Acredito que menos de 4 dias inteiros na região não compensa, e se você tiver muito mais dias, melhor ainda.

Meu roteiro foi assim:

  • Dia 1: Cachoeira e Poço do Diabo, Morro do Pai Inácio, Fazenda Pratinha, Gruta da Lapa Doce.
  • Dia 2: Cachoeira da Fumaça e Riachinho.
  • Dia 3: Poço Azul e Cachoeira do Mosquito.
  • Dia 4: Cachoeira do Buracão e Cemitério Bizantino.
  • Dia 5: Cachoeira do Sossego e Ribeirão do Meio.
  • Dia 6: Piscinas do Serrano, Salão de Areias, Cachoeirinha, Cachoeira da Primavera e Poço Halley.

Em meu primeiro dia iniciamos o passeio até o Rio Mucugezinho, a 20 km de Lençóis. Chegando lá, foram apenas 400 metros de trilha fácil caminhando até a Cachoeira e Poço do Diabo. É uma pequena cachoeira, com poço agradável para nadar e há também uma tirolesa no local. A entrada é gratuita.

Poço do Diabo

Cachoeira do Diabo

Depois, seguimos até o cartão-postal da Chapada, o belíssimo Morro do Pai Inácio, já a 30 km de Lençóis. A trilha para acessá-lo é fácil também, apesar de ter uma pequena subida, com duração de uns 20 minutos. É lá que os guias contam a lenda do Pai Inácio, mas se você tiver ido de carro e estiver sem guia pode conhecê-la aqui. Para entrar no Morro do Pai Inácio há uma taxa de R$ 6,00. A vista é excepcional, a mais linda da Chapada! Ele tem 1.120 metros de altura e é um passeio que não pode faltar! Algumas pessoas visitam no por do sol, mas se for fazer isso, fique atento ao horário máximo de entrada, às 17h.

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Em seguida fomos à Fazenda Pratinha, que fica a cerca de 40 minutos de carro do Morro do Pai Inácio (cerca de 22 km de distância), já no município de Iraquara (pouco menos de 50 km de Lençois). A entrada no complexo custa R$ 30,00. Lá você pode visitar a Gruta da Pratinha e a Gruta Azul. É possível fazer flutuação (R$ 40,00) ou alugar um caiaque (R$ 10,00), mas não é necessário se quiser economizar, só caminhar pelo local já compensa. O lugar é lindo, as águas são muito azuis, achei que a visita vale a pena! A Gruta Azul já não achei tão interessante, ela é somente para observação, não podendo nadar em suas águas. Nos meses centrais do ano a observação desse tipo de formação de gruta com água azul é mais interessante, pois é quando os raios de sol iluminam o local, “acendendo” a água.

Gruta da Pratinha

Gruta da Pratinha

Gruta da Pratinha

Perto dessa Fazenda Pratinha está a Gruta da Torrinha e a Gruta da Lapa Doce. Não visitei a Gruta da Torrinha, mas a trilha é um pouco mais intensa (chegando a 2,5 horas). Em meu tour segui para a Gruta da Lapa Doce, com trilha fácil de 850 metros. Ela possui várias formações de caverna e o valor de entrada é de R$ 30,00. Acho que para quem já visitou outras cavernas antes, talvez essa seja meio sem graça, nesse caso indico a Gruta da Torrinha, que é para viajantes mais exigentes no quesito cavernas. Aqui estão mais informações sobre as grutas da região.

Lago da Pratinha

Gruta Azul

Apesar de fazer com agência, se você estiver de carro é possível fazer tranquilamente todo esse roteiro do meu primeiro dia por conta própria.

Gruta da Lapa Doce

Gruta da Lapa Doce

No segundo dia saí bem cedo para visitar a Cachoeira da Fumaça, segunda maior cachoeira do Brasil, com 380 metros de altura. Ela na região do Vale do Capão, a cerca de 72 km de Lençóis (apesar de a cachoeira em si ficar a 36 km de Lençóis, o início da trilha está a 72 km), por isso algumas pessoas dormem no local e combinam com outras atrações próximas. Para esse passeio aconselho a buscar um guia local para a trilha no Vale do Capão, que dura aproximadamente 5h ida e volta (mais ou menos 12 km o total). Acho a trilha de nível médio, não só pela distância, mas porque na volta os joelhos sofrem um pouco com a descida (havia cabos de vassoura na entrada da trilha à disposição para os caminhantes). No meu caso, já saí com o guia desde Lençóis. Você pode buscar seu guia na Associação dos Condutores de Viajantes do Vale do Capão (site e Facebook).

Caminho para a Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça: olha ela voando, virando “fumaça”!

Uma dica muito importante para esse passeio é que essa cachoeira é sazonal, ou seja, ela não tem água o ano todo. Em alguns períodos do ano ela fica seca, outros tem pouca água, chegando a formar uma “fumaça”, aquele fenômeno que a água “vai para cima”, pois é levada pelo vento. Fui no verão, então tive a sorte de ela estar com água e muito bonita, além de pegar a bela vista do morro de 400 metros de onde ela cai. Se ela estiver seca esse passeio não vale a pena, portanto, informe-se com seus guias e hospedagens sobre o estado dela quando for.

Mirante ao lado da Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça “voando”, virando ‘fumaça”

Cachoeira da Fumaça do outro lado dela

Logo depois da Cachoeira da Fumaça seguimos para o Riachinho (R$ 6,00 de entrada), uma pequena e bela cascata que oferece um banho revigorante depois da caminhada. Para essa cachoeira são somente 10 minutos de caminhada. Na região ainda existem outros atrativos que não visitei e seriam interessantes se eu tivesse me hospedado por lá, como: o Rio Preto e a Cachoeira das Rodas, a Cachoeira da Purificação e Angélica, a trilha para Águas Claras (de onde se avista o Morrão – parece ser lindíssima), o Morrão (que é uma trilha mais difícil), o Poço do Gavião e a trilha do Gerais do Vieira. Além disso, de lá saem: a travessia do Vale do Capão até Lençóis (25 km feitos em 1 dia), a famosa travessia do Vale do Paty (de 3 a 5 dias, incluindo a visita ao Cachoeirão Grande do Paty, com 280 metros de altura) e a Fumaça por baixo (de 3 a 5 dias). Para todas essas, você pode consultar a Associação dos Condutores de Viajantes do Vale do Capão.

Mirante do outro lado da Cachoeira da Fumaça

Riachinho

Em meu terceiro dia fui para o Poço Azul (R$ 30,00 de entrada), na região de Nova Redenção, a 87 km de Lençóis. Nessa área também está o Poço Encantado (R$ 30,00 entrada), a mais 88 km de lá, em Itaetê. Assim como na Gruta Azul, que fui no primeiro dia, os melhores meses para apreciar a entrada de luz que deixa a água azul são de maio a setembro. No Poço Encantado é proibido nadar, por isso fui no Poço Azul, o único que permite o banho. Muitas pessoas dormem em Igatu ou Andaraí para visitar essas atrações, e outras, que tiveram base em Lençóis todos esses dias, combinam o Poço Azul com a Cachoeira do Buracão, dormindo em Mucugê apenas nessa noite e aí vira um passeio de 2 dias.

A visita ao Poço Azul dura meia hora e são fornecidos snorkel e colete para a flutuação. O espaço tem 20 x 40 metros e pode chegar a até 20 metros de profundidade. Dizem que no local foram encontradas várias ossadas pré-históricas. Só digo que é um lugar deslumbrante, a cara da Chapada!

Poço Azul

Poço Azul

Poço Azul

Voltando para Lençóis, segui para a Cachoeira do Mosquito, a 40 km da cidade (R$ 15,00 de entrada). Ela tem esse nome por causa dos mosquitos, que eram os pequenos diamantes encontrados na região (não tem mosquito de verdade rs). A trilha é fácil, cerca de 20 minutos de caminhada. A queda d’água é linda, tem 60 metros de altura e fica no meio de uma formação que parece um cânion, tornando a aproximação a ela deslumbrante. Achei imperdível!

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito

Em meu quarto dia fiz um dos passeios mais esperados e, das atrações que visitei, a mais linda: a cachoeira do Buracão, com 90 metros de altura. Como ela fica distante de Lençóis (200 km), muitas pessoas fazem um roteiro de 2 dias, às vezes combinando com o Poço Azul, como mencionei acima (dormindo em Mucugê, a 98 km da Cachoeira do Buracão). Ela fica no município de Ibicoara, no Parque Municipal do Espalhado (R$ 6,00 de entrada). Como isso encareceria minha viagem, pois não estava de carro e já estava com a noite paga em Lençóis, optei por um bate-volta, sendo necessário sair muito cedo e voltar tarde. Porém, isso barateou meu roteiro com a agência do hostel.

No caminho para a Cachoeira do Buracão

No caminho para a Cachoeira do Buracão

No caminho para a Cachoeira do Buracão: ela cai por dentro de uma rocha

Caso você tenha ido com carro próprio, é necessário contratar um guia na associação local para esse passeio (você pode contratar na Associação Bicho do Mato, site,  e Facebook, ou na Associação dos Condutores de Visitantes de Ibicoara). A trilha é fácil, são 3 km ao longo do Rio Espalhado passando pela Cachoeira das Orquídeas e a do Recanto Verde até o Cânion do Buracão. Chegando no cânion, há coletes salva-vidas e é necessário entrar no rio, contornando o cânion por 150 metros. Em alguns metros você terá o mais lindo vislumbre dessa maravilhosa cachoeira. Daria para caminhar pelas pedras laterais para acessar a cachoeira, porém é meio escorregadio, e é melhor só sentar nas pedras quando chegar, indo pela água mesmo (não precisa ter medo caso não saiba nadar, pode ir se segurando pelas pedras conforme flutua). Na volta você ainda pode apreciar a cachoeira do Buracão do topo. Essa cachoeira está no top 5 de cachoeiras de muita gente, uma das mais lindas da Chapada, não deixe de ir!

Cachoeira do Buracão: agora precisa entrar na água para seguir

Cachoeira do Buracão: não consegui uma foto boa por causa do grande volume d’água no dia

Na volta para Lençóis, passamos ainda no Cemitério Bizantino, próximo de Mucugê. Ele fica na beira da estrada e a visita é rápida. É um local curioso, pois data do século XIX e todas as esculturas são bem branquinhas, mais parecem miniaturas de igrejas.

Cachoeira do Buracão: precisa entrar na água para seguir

Cachoeira do Buracão vista de cima

Cachoeira do Buracão vista de cima

Muitas pessoas dormem na região de Ibicoara (povoado do Baixão) para conhecer a Cachoeira da Fumacinha num roteiro de 2 dias combinado com a Cachoeira do Buracão. Eu não consegui fazer essa trilha, pois não havia grupo disponível para acompanhar no dia. Ela parece ser espetacular, mas é de nível difícil, são 18 km ida e volta (umas 9h de caminhada) por cima de pedras no leito do rio. Ainda vou retornar à Chapada para conhecer essa cachoeira de 100 metros de altura. Você pode agendar um guia no mesmo local que indiquei acima, para a cachoeira do Buracão.

Cachoeira do Buracão vista de cima

Cemitério Bizantino

Cemitério Bizantino

Em meu quinto dia contratei um guia em Lençóis, com meu hostel, e fui à Cachoeira do Sossego. Nessa dá para ir a pé da cidade em meio período. A trilha toda é pelo leito do rio e, honestamente, apesar de ela ser bonita, não achei que o visual compensou a caminhada, bem complicada por conta das pedras escorregadias do rio. Na volta passamos no Ribeirão do Meio, um grande tobogã natural, que estava um pouco cheio, com pessoas fazendo piquenique e churrasco. No Ribeirão do Meio dá para ir sem guia e fica bem perto da cidade se quiser ir somente lá.

Cachoeira do Sossego

Ribeirão do Meio

Ribeirão do Meio

Já no meu sexto dia fiz outra trilha a pé saindo de Lençóis, mas não contratei guia. Como o local estava relativamente cheio, fui perguntando para as pessoas o caminho e foi tranquilo. O início da trilha é perto do Hotel Portal de Lençóis. Esse passeio durou meio período e visitei as Piscinas do Serrano, o Salão de Areias, a Cachoeirinha, a Cachoeira da Primavera e o Poço Halley. São 6 km, mas é um local que enche um pouco por conta do fácil acesso e por ser gratuito. O serrano forma pequenas piscinas naturais e tem uma boa vista da cidade. As demais cachoeiras são pequenas. Acho que esse passeio compensa se você tiver um dia livre sobrando. Do contrário, achei muito simples comparado às outras atrações da Chapada.

Piscinas do Serrano: ficam no meio das rochas

Salão de Areias

Faltaram ainda muitos passeios para fazer na Chapada Diamantina, como o Marimbus (mini Pantanal, um passeio de barco pelo rio Roncador), a Serra das Paridas (pinturas rupestres), a Cachoeira do Mixila (trilha de 2 ou 3 dias), as cachoeiras que ficam em municípios fora de Lençóis: em Igatu tem a Cachoeira da Califórnia, a Cachoeira das Cadeirinhas, a Cachoeira das Pombas; em Mucugê e Ibicoara tem o Projeto Sempre-Viva, a cachoeira Tiburtino, a Cachoeira Piabinha; no Vale do Capão tem a cachoeira Conceição dos Gatos; e muitos outros atrativos! E é claro, também voltarei para conhecer a Cachoeira da Fumacinha e a travessia do Vale do Paty e os passeios que mencionei próximos ao Vale do Capão.

Cachoeirinha

Cachoeira da Primavera

  • Tirando a cachoeira da Fumacinha e talvez as travessias de mais de 1 dia, em todos os passeios considero fácil ir sozinha, pois os grupos se formam e se juntam entre as agências em Lençóis, elas mesmas resolvem isso.
  • Não aconselho visitar a Chapada Diamantina nos períodos do Ano Novo e Carnaval, realmente lota muito.
  • Na Chapada Diamantina há um prato típico preparado com um cacto chamado palma. Come-se desde palma cozida até como recheio de pasteis e salgados.

A Chapada Diamantina é essencial na listinha de todo amante de ecoturismo!