Sapa, no Vietnã, é um daqueles lugares que encanta, seja pelas belas paisagens, seja pela cultura dos grupos étnicos que lá vivem. A região é famosa pelos belíssimos terraços de arroz, o que é enriquecido pela experiência das trilhas que passam por eles.

Se você não gosta de trilhas longas, é possível se hospedar na cidade e fazer caminhadas curtas. Porém, se for amante do trekking como eu, pode escolher entre diversas opções de caminhadas, de 1 até vários dias.

Minha caminha no trem de Hanói a Sapa
Sapa

Como tirar o visto para o Vietnã

Como é meu primeiro relato sobre o Vietnã, antes de tudo, vou descrever brevemente com funciona a questão do visto, obrigatório aos brasileiros. Isso porque o procedimento deve ser feito previamente. Existem duas maneiras de obter o visto.

Uma delas é o Visa on Arrival. Existem várias empresas que organizam a documentação do visto para você, e é importante encontrar uma confiável, como a Vietnam-Visa, por exemplo. Pesquise a reputação das empresas antes de solicitar o visto. Funciona assim: eles fazem uma espécie de carta-convite, e você conclui o processo do visto pessoalmente lá na imigração. Essa forma de visto só funciona se você entrar no país por um dos aeroportos.

Início da trilha
Paisagem já surpreendente

Depois que eles te enviarem a carta e o formulário, você deve preencher este último à mão e levar consigo esses documentos e mais 2 fotos 4×6 (fotos de passaporte). Lá no aeroporto, é só procurar as indicações de “Landing Visa” e concluir o procedimento pagando a taxa do visto. No site da Vietnam-Visa tem os preços atualizados, mas no momento da escrita deste texto, o valor da empresa é de 21 dólares se for 1 pessoa e se for para 1 mês e única entrada. As demais variações constam no site. E o valor lá na imigração para o carimbo é de 25 dólares. Se você esquecer as fotos, terá de pagar mais na hora.

A outra maneira é enviando seu passaporte para a Embaixada do Vietnã, que fica em Brasília. Se você não morar em Brasília, vai precisar enviar o seu passaporte pelos Correios. Essa forma é boa se você precisa se programar com antecedência, e funciona para entrada tanto por aeroportos quanto por terra. No site da Embaixada do Vietnã, em Brasília, tem todo o passo a passo com as documentações que você precisa enviar. É interessante enviar um e-mail solicitando informações atualizadas antes de aplicar o pedido ([email protected]). Um visto nas mesmas condições que descrevi no procedimento do Visa on Arrival, mas feito na embaixada vietnamita no Brasil, sai hoje por R$ 150,00 e mais a taxa de retorno pelos Correios (de R$ 50,00). Ou seja, o preço para tirar antecipado no Brasil ou para o Visa on Arrival é semelhante.

Minha guia
Admirada com a paisagem

Quando ir?

De março a abril os campos de arroz estão mais secos, mas o clima é bem agradável. Nessa época os campos começam a ser arados e o arroz começa a ser plantado. Entre maio e agosto é a temporada de chuvas, e a época menos aconselhável a ir. Entre setembro e novembro o arroz é colhido e as paisagens estão exuberantes. De dezembro a março é o inverno, quando faz bastante frio.

Eu fui justo em dezembro, mas por sorte não estava tão frio, só à noite que esfriava bastante. Em qualquer época que você vá, é interessante levar uma capa de chuva.

Terraços de arroz
Terraços de arroz

Como chegar?

Sapa fica a pouco mais de 30 km da fronteira da China. O ponto de partida em geral é a cidade de Hanói. Existem 3 formas de chegar vindo de Hanói.

Eu fui de trem, a maneira mais confortável, porém a mais cara. São cerca de 8,5 horas de viagem no trem noturno. São vagões leito bem confortáveis, com cama, ar-condicionado e direito a lanchinho. No meu caso, pedi para a agência com quem ia fazer a trilha (da qual vou falar adiante) me providenciar as passagens de trem. No site da minha agência, a Sapa Sisters, estão os horários e preços. Fora isso, existem outras agências que vendem a passagem, como a Et-Pumpkin  e a Livitrans. No caso, a passagem é de Hanói até Lao Cai. De Lao Cai a Sapa são 37 km e há miniônibus saindo a todo instante para o percurso. Eu combinei com a minha agência, a Sapa Sisters, de eles me buscarem na estação de trem, e eles me cobraram 7 dólares por me buscar e mais um café da manhã antes de iniciar a trilha.

É maravilhoso!
Tudo alagado

A segunda maneira de chegar é de ônibus, opção mais barata que o trem. São 6 horas de viagem e os valores por percurso estão na faixa de 15 dólares. Aqui estão exemplos de empresas de ônibus que fazem o percurso: Good Morning Sapa, Ha Son Hai Van, Sapa Express, Inter Bus Lines e Xe São Viet Bus. Como não fui de ônibus não sei dizer a melhor opção e se é tranquilo de comprar na hora a passagem.

De Hanói a Sapa são 319 km, a terceira forma de chegar é que já ouvi dizer que algumas pessoas alugam moto e fazem o percurso.

Esta dá pra ter ideia da trilha
I love rice, baby!

A agência

Eu escolhi a Sapa Sisters Trekking Adventures por diversas recomendações na internet e não me arrependi. Essa empresa de trekking pertence à minoria étnica Hmong e tem sua base na bela região montanhosa de Sapa. É a única de propriedade inteiramente feminina na região e, como viajante solo, isso me atraiu também.

Os Hmong enfrentam níveis muito altos de pobreza e o turismo está gerando boas oportunidades para elas, que ajudam suas famílias e comunidades a prosperarem. A empresa foi fundada por dois artistas da Suécia/Polônia e quatro mulheres das comunidades locais. A ideia foi dar empregos decentes a jovens mulheres, num empreendimento autossustentável, sem ações de agências externas. Fazer essa aventura com elas é uma forma de ajudar a comunidade.

Terraços de arroz
hum, vontade de comer arroz! rs

Na sociedade Hmong, os homens tendem a ter mais poder público e social que as mulheres. Desde o nascimento, as mulheres Hmong são consideradas “pertencentes às famílias de seus maridos”, porque quando as mulheres se casam, elas devem deixar sua família para viver o resto de suas vidas com seus maridos e sogros e se juntar a seu clã ancestral e obter sua identidade. Mesmo assim, muitas garotas Hmong, como as de Sapa Sisters, aprenderam inglês fluente, além de muitas outras línguas.

A questão dos casamentos forçados/arranjados é muito complexa. Há também uma aceitação generalizada do abuso conjugal e as mulheres são discriminadas por se divorciarem ou se separarem de seus maridos, o que significa que muitas mulheres continuarão a permanecer em relacionamentos abusivos ou insatisfatórios. Além disso, nos últimos 10 anos tem havido um crescente nível de tráfico de mulheres para a China – para fins de casamentos vendidos e prostituição. Apesar de todas estas experiências e pressões sociais negativas que as meninas e mulheres Hmong enfrentam, elas estão fazendo mudanças positivas por sua própria iniciativa, com as Irmãs Sapa sendo um exemplo muito importante disso.

Uma visão do alto
São fascinantes os formatos

A iniciativa Sapa Sisters permitiu que essas mulheres Hmong ganhassem muito mais do que elas ou suas famílias já tiveram antes. No nível da família, isso permitiu que fizessem coisas que costumavam ser muito difíceis, como economizar dinheiro para o futuro de seus filhos, comprar terras agrícolas e renovar as casas de suas famílias de bambu para edifícios mais permanentes de madeira e telhado.

É importante ressaltar que muitos maridos das Irmãs Sapa também veem os benefícios econômicos de suas esposas trabalharem, e agora as apoiam assumindo o cuidado dos filhos e da casa enquanto elas estão trabalhando. Numa sociedade na qual os homens são tradicionalmente os principais provedores, enquanto se espera que as mulheres permaneçam em casa, esse é um nível importante de empoderamento para essas mulheres, do qual suas filhas e futuras comunidades também se beneficiarão um dia. Ademais, isso ajuda os benefícios econômicos a permanecerem na comunidade e impede que vazem para as empresas maiores administradas pelo Vietnã, que já comandam a maior parte da indústria do turismo.

Minha guia (à direita) cortando cana
Meus terraços de novo rs

Minha trip

Eu escolhi no site das Sapa Sisters um roteiro de 2 dias de trekking, com uma noite numa casa de família. O tour inclui a hospedagem, a guia, todas as refeições, exceto bebidas, e o transporte de volta para Sapa ao término do passeio. Existem guias pela cidade oferecendo tour na hora, mas me disseram que muitas vezes esses passeios não são muito aconselháveis e é melhor escolher uma agência com boa reputação previamente. Pode “dar zebra” e você não terá o respaldo de uma agência. Fora isso, a quantidade de turistas por grupo nesses serviços contratados na rua deve ser bem maior. Outro fator é que é interessante fazer um turismo responsável, tendo certeza de que você está ajudando as comunidades locais e preservando as trilhas.

Buscaram-me na estação de trem no horário combinado e em Sapa recebi as explicações do trekking. Eu deixei minha bagagem na agência, e fui para o roteiro somente com uma mochila pequena com roupa e tênis para a caminhada e roupa para frio à noite. Na agência, se precisar, tem um chuveiro que pode usar à vontade.

Paisagens lindas!
Aqui as primeiras casas de um vilarejo

A cidade de Sapa me causou uma impressão excelente, apesar de eu só ter passado por ela. Havia muitas lojas, restaurantes e hospedagens. É uma cidade típica de montanha, com muitas pessoas se preparando para os mais diversos trekkings. Isso me fascina!

Na agência eu conheci minha guia. Ela tinha cerca de 25 a 30 anos, mas aparentava muito mais. Ela estava designada para guiar apenas a mim, o que foi excelente, pois os caminhos que fizemos estavam sempre vazios de turistas. Nós conversamos um pouco e ela me mostrou algumas opções de roteiro, como por exemplo:

Dia 1. Sapa – Sa Seng – Ha Thau – Giang Ta Chai

Dia 2. Giang Ta Chai – Su Pan – Sapa

ou

Dia 1. Sapa – Y Linh Ho – Lao Chai (lunch) – Ta Van (Homestay)

Dia 2. Ta Van – Giang Ta Chai (lunch) – Su Pan – Sapa

Mais casas entre os terraços
Então… no Vietnã isso pode rs
Já tenho habilidade!

Eu não entendo nada desses nomes! Pela explicação dela, eu poderia fazer um caminho seguindo só pelo alto das montanhas, ou então um caminho indo para a base e subindo um pouco. Eu realmente não tinha ideia do que escolher. Existem outros vilarejos que dá para visitar fora esses. Há muitas cachoeiras na região também, lugares incríveis. Porém, pela época, ela me aconselhou a pegar uma opção mais pela base e subindo pouco as montanhas, pois poderia haver neblina atrapalhando a vista se subisse muito. Eu aceitei a sugestão dela, disse que amava fotografia e que confiava que ela me levasse nos lugares mais lindos que fosse possível nos 2 dias que eu tinha. Mas na verdade, eu não sei dizer se segui algum desses roteiros ou algo que nem estava neles!

Finalmente, iniciamos a caminhada do primeiro dia. Logo no início já me deparei com incríveis cenários de campos de arroz, apesar de meio distantes. Minha guia foi sempre muito solícita e amável, tanto para tirar minhas fotos quanto para responder qualquer dúvida sobre tudo que eu quisesse perguntar. Um anjo em forma de pessoa!

Melhor rolinho primavera da minha vida! NHAMY!!!!
Continuando depois de almoçar
Olha como o caminho é estreito

Passamos por paisagens belíssimas. À medida que adentrava mais os terraços de arroz o visual ainda melhorava. Eu não tenho ideia de quanto andei em cada dia. Acredito que entre 10 e 15 km pelo menos. Porém, a caminhada não foi cansativa em momento algum. É bem tranquilo. E paramos muito para fotos, ou para ela me explicar curiosidades da região.

Paramos para almoçar. Não entendo muito de gastronomia, mas no Vietnã em geral, achei que a comida se assemelha muito à da china, e ainda mais nessa região, por estar bem próxima da fronteira. Melhor comida chinesa da vida (no Vietnã)! Comi o melhor rolinho primavera da minha vida também, totalmente diferente desses que vendem no Brasil!

Aprendendo a andar aí no meio
Vixi, no meio da trilha!
Passado o susto…

Depois mais outro tanto de caminhada. Ela me explicava sobre as plantas, elas usam uma planta verde-azulada para fazer tinta e, assim, colorir os tecidos que são matéria-prima dos produtos que vendem. Além disso, a cannabis (ilegal para consumo) é usada para tecer e fazer roupas.

Chegamos na casa de família que ia dormir. O lugar era ótimo. O único quarto do local era coletivo, mas havia muitas camas e cobertores grossos, pois faz muito frio à noite. O chuveiro era quente e havia energia elétrica para carregar meus gadgets.

Como esse lugar pode ser tão simples e perfeito?
Demonstração de frio à noite na casa de família
Brinde vietnamita que aprendemos

Outros 5 turistas da Europa e América se juntaram para dormir nessa casa. Todos estavam bastante animados com o dia, e nos juntamos ao redor de uma mesa bem farta e variada, com opções de culinária típica para todos. Depois de conversarmos até tarde dormi com conforto na minha cama desta noite. No dia seguinte o café era mais ao modo americano: panquecas e banana.

Na caminhada do segundo dia passamos a subir os morros com terraços de arroz. Tive de aprender a andar me equilibrando entre os terraços, o que rendeu muita diversão e boas fotos.

Jantar na casa de família
Este é o café da manhã
Chapéu típico vietnamita

Além disso, passamos numa pequena cachoeira também. A única coisa que poderia incomodar seria o fato de as pessoas no caminho serem bem insistentes para vender os diversos produtos de artesanato, mas eles afinal vivem disso.

Minha guia me disse também que na comunidade todos têm tarefas, inclusive as crianças. A gente pensa sempre em não estimular trabalho infantil de forma alguma. Mas da maneira que ela me explicou parecia algo tranquilo, não escravizador. No sentido de quando uma família dá pequenas tarefas a uma criança para ensinar responsabilidade. Pelo menos essa foi minha impressão. Eu vi as crianças carregando gravetos pelas trilhas, por isso perguntei.

Agora é a hora de se equilibrar
Depois acostuma
Craques!

Paramos para almoçar e escolhi outro dos meus pratos preferidos no Vietnã, a noodle soup, que para mim não se compara às que são servidas na Liberdade em São Paulo nem a que se vende na Tailândia ou outros países vizinhos.

Assim terminou meu tempo com minha guia. Do restaurante, ela me encaminhou para o moto táxi que me levaria de volta a Sapa. E de lá, peguei minhas coisas e retornei para pegar o trem de volta para Hanói.

Lá loooonge!
Isso não cansa!

Não tenho palavras para descrever minha experiência com minha guia e na casa de família que pernoitei. Eu gostaria de ter contratado um trekking com um dia a mais pelo menos, apesar de 2 dias já dar para conhecer bem. Mas gostei tanto que queria mais! Acho que posso dizer que foi um ponto alto de minha viagem tanto pelo Vietnã quanto pelo sudeste asiático. Com certeza voltarei à região para fazer outros roteiros.

Minha noodle soup <3
Cachoeirinha no caminho
Últimos terraços

Com certeza você já viu imagens de templos no Camboja, talvez tenha ouvido falar do Angkor Wat e quem sabe viu o filme da Angelina Jolie, Tomb Raider, em que aparece o templo Ta Prohm. O complexo de ruínas em Siem Reap, no Camboja, é um dos mais incríveis que já visitei, e se você gosta desse tipo de turismo com certeza o local deve estar em sua lista!

Templo Banteay Srei
Templo Banteay Srei
Detalhe do Templo Banteay Srei

Um pouco de história de maneira muito resumida

O Angkor Wat era a capital do antigo império Khmer, civilização que floresceu entre os séculos IX e XIII. Esse e outros templos foram construídos durante o governo dos reis Suryavarman II e Jayavarman VII. A princípio seguiam a tradição hinduísta, mas aos poucos houve uma mescla com o budismo, portanto as ruínas têm influência de ambos.

Entrando no templo Banteay Samre
Nos arredores da Pub Street

Com o passar dos anos, a civilização Khmer enfrentou muitas guerras. Após o declínio do império, no século XV a capital do Camboja mudou para Phnom Penh e os templos ficaram esquecidos por séculos,sendo tomados pela selva. Apesar de nesse meio tempo o local ser visitado por exploradores e missionários, além de diversos europeus terem visitado Angkor Wat, as ruínas foram “redescobertas” em 1860 pelo francês Henri Mouhot, atraindo a atenção popular à região pelos seus escritos. “Redescobertas” entre aspas, pois o Angkor Wat em si nunca ficou completamente abandonado, por conta da presença de monges budistas. O protetorado francês fez muitas restaurações nas ruínas.

Esta é a Pub Street, a rua do agito em Siem Reap
Fish massage, uma das manias no sudeste asiático

Na década de 1970 houve um período bastante sombrio, o reinado de terror do Khmer Vermelho. Houve um golpe militar pelo ditador Pol Pot, e de 1975 a 1979 o povo foi oprimido cruelmente, com mais de 2 milhões de pessoas morrendo de fome ou por execução (cerca de 20% da população). O extremista era contra a influência capitalista de outros países, forçando que o Camboja fosse totalmente autossuficiente, o que levou à fome generalizada e à morte por doenças tratáveis.

Em 1979 o ditador foi retirado do poder por forças de oposição vietnamitas e apoio de diversos países por intermédio da ONU, apesar de os conflitos na região prosseguirem até a década de 1990. Em 1992 Angkor se tornou Patrimônio Mundial da Unesco, recebendo doações de diversas instituições e, com o passar dos anos, principalmente a partir de 2015, houve uma grande aceleração do turismo.

Este é um dos Night Markets
Ingresso válido por 3 dias de visita (o preço já está desatualizado)
Entrada do templo Preah Khan

Quando conhecer?

Assim como ocorre com outros países do sudeste asiático, o Camboja também passa pelo período das monções, uma época de chuvas constantes, que vai de maio a outubro. Portanto, a melhor época para se visitar o Camboja é de novembro a abril.

Entrando no templo Preah Khan
Templo Preah Khan: minha primeira árvore crescendo por cima do templo, que emoção!
Detalhe do templo Preah Khan

Como chegar?

Por voo: Em geral as pessoas chegam à cidade de Siem Reap, onde estão os famosos templos do Camboja, a partir de outros países do sudeste asiático, principalmente da Tailândia. Isso porque Bangkok é um dos aeroportos com voos mais em conta vindos do Brasil. Porém, Siem Reap recebe voos de vários locais do sudeste asiático, como Vietnã, Filipinas e outros. Eu, por exemplo, estava vindo da Tailândia e depois do Camboja iria para o Vietnã.

No templo Preah Khan caminha-se parte por fora, parte por dentro do templo
Templo Preah Khan: repare na riqueza de detalhes
Templo Preah Khan: olha como me visto cobrindo os joelhos e os ombros

Pesquise companhias aéreas como Bangkok Air, Camboja Angkor Air, Vietnam Airlines, Lao Airlines, Air Asia, dentre outras. O site do Skyscanner e o Google Flights são ótimas maneiras de descobrir quais empresas aéreas fazem determinado trecho.

Saindo do aeroporto, contratei um tuk tuk por 7 dólares para me levar até minha hospedagem.

Corredores do templo Preah Khan
Templo Preah Khan: fascinei nessa raiz e não queria mais sair <3
Templo Preah Khan: largo de jeito nenhum <3

Por terra: O excelente 12Go Asia mostra todas as formas de se locomover entre muitas cidades e países do sudeste asiático. Eu cheguei a comprar passagem por esse próprio site para outro trecho e deu certo. A Mekong Express faz trechos de ônibus vindos de várias cidades do Camboja, como da capital Phnom Penh, para Siem Reap, ou de Bangkok (Tailândia) e Ho Chi Minh (Vietnã). Fora isso, consulte também o site da Camboticket, que reúne passagens de diversas empresas.

Templo Preah Khan: fãzaça das árvores
Templo Preah Khan, amei esse!
Este é o caminho para o templo Prasat Neak Pean

Requisitos de entrada no Camboja

– Como para todos os países, você precisa de um passaporte que esteja a mais de 6 meses da data de vencimento.

– Certificado Internacional de vacinação contra febre amarela.

– Visto

O visto para o Camboja pode ser tirado na chegada ao país. Dessa maneira, você precisa levar uma foto 3×4 ou 5×7 daqui do Brasil e pagar 30 dólares. Muitas vezes é cobrada uma taxa de uns poucos dólares para quem chega por terra para fazer o processo. Porém, se quiser economizar tempo em filas, pode adiantar o processo pela internet entrando neste site. Pela internet, você paga os 30 dólares e mais 6 dólares de taxa do site. Depois de 3 dias receberá seu visto por e-mail, e deve imprimi-lo e levar. Não é necessário fazer pela internet de qualquer forma.

Olha o visual que se avista dessa ponte no caminho para o templo Prasat Neak Pean
O templo Prasat Neak Pean em si é simples
O templo Prasat Neak Pean é construído numa ilhazinha

 Dados gerais

– A moeda do país é o Riel Cambojano, mas o dólar americano é bem aceito em todos os lugares.

– Hospede-se em um local próximo à Pub Street, a rua de lojas, restaurantes, baladas e bares, e os night markets.

– Achei Siem Reap um local seguro, andei sozinha pela cidade, inclusive à noite.

– Algumas pessoas visitam Siem Reap por apenas 1 dia para conhecer os templos principais, porém, eu recomendo 3 dias inteiros para fazer todos os circuitos de templos, em momento algum me senti entediada. Mais que 3 dias também costuma ser tempo demais.

O que vale muito é o caminho na ponte para o templo Prasat Neak Pean
Meu tuk tuk me levando pelos caminhos aos templos
Entrando no templo Ta Som

– Como em todo templo, é necessário usar roupas que cubram até os joelhos e que cubram os ombros. Eu acabei usando blusa de manga curta, mas você pode também levar um lenço para cobrir os ombros se estiver de regata.

– use calçados confortáveis, você vai andar bastante, muitas vezes por terrenos irregulares, e subir e descer muitas escadas.

Detalhe do templo Ta Som
Porta incrível no templo Ta Som
Esta é a entrada do templo Prasat Pre Rub

Como se locomover

Existem várias maneiras de visitar os templos e vários circuitos diferentes. O Angkor Wat, um dos principais templos, fica a 5 km de Siem Reap. Você pode contratar um tuk tuk para te levar (o que eu fiz), ou alugar uma bicicleta (normal ou elétrica).

Para fazer de bicicleta comum precisa ser um pouco experiente na magrela, pois há circuitos de templos em que se andará até cerca de 40 km num dia! Pense nessa quilometragem num calor tropical cambojano!

O templo Prasat Pre Rub é o que tem elefantes esculpidos
Detalhe do templo Prasat Pre Rub
Alguns templos no sudeste asiático têm estátuas com essas roupas amarelas

Já com a bicicleta elétrica não há esse problema, porém, pesquisei que a bateria não dura muito, e algumas pessoas ficam no meio do caminho. Há pontos de carregamento na área dos templos, mas a carga demora um pouco para ser completada.

Templo Prasat Pre Rub
Oficina feita no Khmer Ceramics Fine Art Centre

De tuk tuk o valor por dia é de 15 a 20 dólares. Eu pedi indicação em minha hospedagem de um motorista e combinei com ele meu roteiro e o valor pelos 3 dias. O motorista do tuk tuk é só um motorista, ele não é um guia. Ou seja, ele te deixará na entrada de cada templo e ficará te esperando, não entrará com você ou te explicará sobre os templos. Por isso, caso se interesse por um passeio com explicações, consulte uma indicação em sua hospedagem.

Amanhecer no Angkor Wat
Lago em frente ao Angkor Wat
Olha esse céu do amanhecer no Angkor Wat!

Se não quiser fazer tudo de tuk tuk, uma saída pode ser mapear no Google Maps a distância dos templos e fazer só os dias mais distantes dessa maneira, e os mais perto fazer de bike.

Fascinada com o amanhecer no Angkor Wat
Só tenho medo desses caras 🙁
Mas voltemos ao amanhecer e esqueça os macacos!

Ingressos para a visita

Em meu primeiro dia, a primeira parada foi no Ticket Office para comprar o ingresso para a área dos templos. Existem passes de 1 dia (37 dólares), de 3 dias (62 dólares) e de 7 dias (72 dólares). A bilheteria e a área dos templos funcionam das 05h30 às 17h30. Não se esqueça de sempre andar com seu ingresso, pois este será conferido várias vezes.

Parte do interior do Angkor Wat
Detalhe no interior do Angkor Wat
Veja como o lugar é imenso!

Meu roteiro

Dia 1: templos mais distantes – Phnom Bok, Banteay Samre, Banteay Srei.

Dia 2: circuito longo – Preah Khan, Neak Pean, Ta Som, Prasat Pre Rub.

Dia 3: circuito curto – Angkor Wat (ir para ver o famoso nascer do Sol e visitar em seguida), Bayon, complexo do Angkor Thom (Preah Ngok Pagoda, Baphuon Temple, Royal Palace & Phimeanakas Temple, Elephant Terrace – um paredão de 300 metros de comprimento esculpido com elefantes, Leper King Terrace, Preah Palilay Temple e Tep Pranam Pagoda), Chau Say Tevoda Temple, Ta Keo, Ta Phrom, Sras Srang, Banteay Kdei.

Mais um detalhe do lago em frente ao Angkor Wat
Mais um ponto de observação em frente ao templo Angkor Wat
Este é o Bayon, outro do meu top 5!

O circuito curto e o longo têm pontos em comum, por isso, consulte com sua hospedagem ou o motorista de tuk tuk qual a melhor rota para combinar em cada dia, e também de acordo com sua disposição. Não fiquei me prendendo muito ao roteiro, só mostrei para o motorista minha lista e deixei ele me dizer a logística.

Parte da área interna do Bayon
Detalhe da construção do Bayon
Uma das entradas do Bayon

Para te ajudar a escolher quais visitar, veja esta lista e veja os mapas abaixo para se localizar:

Clique para abrir maior. Fonte: https://www.canbypublications.com/maps/map-angkor-park-cambodia-1250.jpg
Clique para abrir maior. Fonte: https://www.tourismcambodia.com/ftp/high-res-maps/Hi-Res-Temple-Map.jpg

Dia 1

Nesse primeiro dia, o templo mais distante fica a 50 km de Siem Reap, foi o dia dos passeios mais distantes. O Banteay Srei é um templo em tons rosados, dedicado a Shiva, e seu nome significa “cidadela da mulher”, por acreditar-se que foi construído por mulheres. O local não é muito grande, mas é incrivelmente bem preservado. Já o Banteay Samre é um templo do século XII, e o Phnom Bok é o templo com 635 degraus de onde se tem uma bela vista.

Após o passeio caminhei pela Pub Street, aproveitando para comer e fazer compras no Night Bazar. No geral achei as coisas bem baratas em Siem Reap. Os bares dessa animada rua são muito legais, dá vontade de entrar em todos!

Uma das faces sorridentes do Bayon
As faces são realmente cativantes!

Dia 2

No segundo dia fiz o circuito longo. Passei pelos portões de entrada do parque, que já são uma atração à parte, e há 5 deles pela região. A primeira parada foi no templo de Preah Khan. Acredita-se que este templo foi construído em homenagem ao pai do rei Jayavarman VII.

Uma das coisas mais fascinantes em todos esses templos em Siem Reap é o fato de eles estarem em meio à mata tropical. Assim, conforme se caminha pela natureza, avistam-se as ruínas. Isso quando muitas e muitas vezes as raízes não invadem as ruínas, crescendo enormes árvores por cima delas. É o caso do Preah Khan, que por isso lembra o Ta Prohm, que aparece no filme Tomb Raider. Fiquei muito fascinada com esse templo e os diversos caminhos a seguir dentro dele e as imensas árvores e suas raízes crescendo pelos muros das ruínas.

Este é um dos templos da região de Angkor Thom, que como se fosse a cidade em volta do Angkor Wat. É a Preah Ngok Pagoda.
Vista da Preah Ngok Pagoda.

Outra visita do dia foi o Prasat Neak Pean. Para acessar esse templo, caminha-se por uma passarela sobre a água, que forma lindíssimos espelhos d’água. O templo em si é simples, fica numa espécie de ilha, mas as passarelas sobre o lago são o mais bonito.

Depois fomos no Ta Som, outro templo incrivelmente tomado por árvores. A vantagem desses outros templos é não serem tão lotados de turistas como o Ta Prohm. A única coisa que é um pouco chata é a insistência de alguns vendedores em todos os locais.

A visita seguinte foi no Prasat Pre Rub, que é o templo que tem as esculturas de elefantes e cheio de escadarias e terraços.

No alto da Preah Ngok Pagoda.
Dentro da Preah Ngok Pagoda.

Nesse dia, na volta dos templos, aproveitei para fazer algo diferente. Fui ao Khmer Ceramics Fine Art Centre e fiz uma aula de cerâmica. A aula que fiz era sobre potes, e o mais interessante é que todas as professoras são surdas-mudas. Achei perfeito eles darem essa oportunidade de trabalho para elas! A aula custa 25 dólares, e no final você escolhe um dos potes que fez para levar para casa. Eles levam ao forno e entregam em sua hospedagem no dia seguinte. Além disso eu ganhei um diplominha fofo!

Veja como a área do Angkor Thom é imensa dessa vista da Preah Ngok Pagoda.
O Preah Palilay Temple também está na mata do Angkor Thom.

Dia 3

No meu terceiro  dia fiz templos do circuito curto. Na verdade, iniciei bem cedo para ver o famoso nascer do sol no Angkor Wat. Por ser o templo mais famoso, é também o mais lotado. Tive que me espremer entre os visitantes para conseguir um lugarzinho para apreciar o nascer do sol. Depois do nascer do sol saí para explorar o local. O templo é imenso, ele era a capital do Império Khmer e no século XII foi uma das maiores cidades do mundo. O complexo possui 5 torres, com a maior representando o Monte Meru, o centro do universo segundo a religião hindu.

Outro destaque do Angkor Thom, o Leper King Terrace.
Finalmente o Ta Prohm, este é o local que aparece no filme Tomb Raider.

Depois de visitar essa maravilha fui para outro templo espetacular, o Bayon. Tem gente que chama esse templo de “smilling faces”, pois ele é o templo que tem os rostos gigantes sorridentes. São mais de 50 torres com mais de 200 faces. Ele foi construído pelo rei Jayavarman VII e foi um dos que ficou gravado em minha memória por sua tamanha beleza.

Saindo de lá dei uma volta por todo o complexo de Angkor Thom, cheio de outros templos. Na área estão: Preah Ngok Pagoda, Baphuon Temple, Royal Palace & Phimeanakas Temple, Elephant Terrace (um paredão de300 metros de comprimento esculpido com elefantes), Leper King Terrace, Preah Palilay Temple e Tep Pranam Pagoda.

A área toda é uma delícia de caminhar, pois os templos todos estão entre as árvores. Nessa hora meu motorista de tuk tuk me deixou um tempo maior e marcamos de nos encontrar no final do estacionamento quando eu terminasse de ver tudo.

Mesmo local do Ta Prohm mostrado no filme,
Porém, o Ta Prohm tem outras árvores tão impressionantes quanto a da cena famosa.

Depois fui no Chau Say Tevoda Temple, e em seguida no Ta Keo. O motorista fez uma parada para eu almoçar em frente ao Ta Prohm. Finalmente, hora de conhecer o templo da Tomb Raider. O lugar parece uma cidade perdida, não é à toa que o escolheram para o filme. O lugar clássico do filme é bem cheio, chegava a ter fila para fotografar. Mas as outras áreas do templo são tão exóticas quanto, também cheias de raízes por cima das ruínas. Foi inesquecível! Ainda visitei o Sras Srang e o Banteay Kdei para finalizar o dia, templo que possui 2 entradas.

Outro destaque do Ta Prohm.
Em algumas partes do Ta Prohm as raízes precisam de suportes.

Dicas adicionais

– Cada templo tem sua característica, eu achei fantástico fazer 3 dias de passeio, repare em cada detalhe esculpido nas ruínas. Porém, avalie se quer fazer esse tipo de passeio por 3 dias.

– Não se esqueça de levar garrafinha de água e passar protetor solar.

– Consulte o motorista do tuk tuk sobre a melhor ordem dos templos. Existem muito mais templos que esses que visitei.

Visual do Ta Prohm.

Há outras coisas para se fazer em Siem Reap. Algumas pessoas visitam fazendas de produção de seda, ou assistem a espetáculos de danças típicas ou circo, visitam o Museu Nacional de Angkor, ou conhecem vilas flutuantes.

Banteay Kdei

Nunca me esquecerei dos templos do Camboja, foi uma viagem diferente demais e que me marcou muito. Acho que todo mundo deve conhecer Siem Reap e se encantar com um lugar com tanta história como esse.