Quando se pensa em Patagônia uma das primeiras coisas que vêm à mente é o magnífico glaciar Perito Moreno. Viajar para a cidade de El Calafate, na Patagônia Argentina, é uma das maneiras mais fáceis de ver icebergs, geleiras e glaciares.

Primeiro contato com o Perito Moreno

Olha como precisa estar agasalhado

O famoso Perito Moreno fica no Parque Nacional Los Glaciares, que compreende também a cidade de El Chaltén, capital de trekking da Argentina. O Parque Nacional Los Glaciares foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1981.

Veja as passarelas lá embaixo

Perito Moreno desprende vários pequenos icebergs

Ele tem esse nome por causa dos numerosos glaciares no grande “Campo de Hielo Patagónico”, o segundo maior campo de gelo do mundo (o primeiro é a Antártida). Esse “Hielo Continental Patagónico” alimenta 47 glaciares maiores e mais de 200 menores, sendo que o degelo originou o Lago Argentino e o Lago Viedma.

Icebergs soltos

Barco para iniciar o Big Ice, o trekking longo no gelo

A melhor época para visitar é de novembro a março. No verão já é bastante frio, exigindo bons casacos, gorros, luvas e demais artigos para o frio. É nessa estação que você encontrará todos os passeios funcionando. Ou seja, no inverno até é possível visitar o Perito Moreno, pois as passarelas de avistamento não fecham, mas o frio será realmente castigante e os dias são mais curtos. Além disso, o trekking no glaciar não opera nessa época.

Perito Moreno ao fundo

Chegando…

Como chegar?

A cidade de El Calafate conta com aeroporto, forma como cheguei. Porém, o terminal rodoviário da cidade também recebe ônibus de outros lugares da Patagônia. Se você for chegar por voo, recomendo que troque o dinheiro pelos pesos em Buenos Aires, onde fará sua conexão. Isso porque El Calafate só tem opções de câmbio informal e nem sempre a cotação será das melhores (consegui trocar num restaurante).

O Sol causa essa ilusão de gelo azul

Chegando para o início do trekking

Se quiser, na hora de comprar a passagem, poderá fazer um Stoppover em Buenos Aires ou então em Ushuaia, onde muitos voos fazem conexão (aproveite para ler meu relato de Ushuaia).

A primeira parte da caminhada é na trilha normal

Pessoal chegando no gelo

Eu fiquei 2 dias em El Calafate, pois estava a caminho de El Chaltén (que contei neste outro relato), mas geralmente as pessoas ficam cerca de 3 dias na cidade. Aliás, se você gosta de trekking, recomendo fortemente que visite El Chaltén.

Feliz da vida com o Perito Moreno ao fundo

O gelo é fascinante

Ao chegar no aeroporto, há várias empresas de transfer para a cidade, como por exemplo a VES (veja os preços no site), mas você pode contratar quando chegar.

Grampões

Grampões acoplados no meus tênis

El Calafate tem uma rua principal, a Avenida Libertador, que conta com muitos hotéis, restaurantes, lojinhas etc., ou seja, uma estrutura legal numa cidade charmosa! Me hospedei no Schilling Hostal Patagónico, lugar super acolhedor.

Exibindo os grampões

O Big Ice inicia

O principal passeio em El Calafate, como mencionei no início deste relato, é o glaciar Perito Moreno. Existem várias formas de visitação ao Perito Moreno:

– caminhada pelas passarelas;

– trekking sobre o gelo, podendo ser o Mini Trekking ou o Big Ice;

– navegação Rios de Hielo ou safari náutico.

Formam-se rios e lagos no glaciar

É MUITO bonito!

Nenhuma das opções inclui o ingresso ao parque, que custa 600 pesos argentinos, só aceitos em dinheiro (tarifas sempre atualizadas no site). Portanto, se precisar economizar, caso vá fazer mais de um passeio, veja se consegue combinar a caminhada nas passarelas (passeio indispensável) com um dos trekkings ou com a navegação.

Lago de gelo em cima do glaciar

É tão azul!

Você pode contratar um transfer ou ônibus com qualquer agência para o local, que fica a 80 km da cidade. Para ter ideia dos preços, veja, por exemplo, algumas agências, como a Chaltén Travel, a Tacsa, a Caltur ou a Aventura Andina. Veja nos sites indicados os horários de ida e retorno, bem como os preços. É bem tranquilo comprar uma passagem com uma dessas empresas de ônibus e caminhar pelas passarelas por conta própria.

Eu juro que o grampão te prende bem no gelo, não precisa ter medo de escorregar

Sem cair, viu?

A caminhada pelas passarelas é bem tranquila, e lindíssima! Há vários mirantes, e nessa hora você terá ideia da grandeza do lugar! Não se esqueça de estar bem agasalhado, com casaco corta-vento, gorro e luvas!

A turma fazendo o Big Ice

Seguindo o guia

O passeio mais esperado por mim era a caminhada sobre o glaciar. A empresa que faz esse tour é a Hielo y Aventura. Se você for fazer esse passeio, como é bem concorrido, sugiro que contrate pelo site antes de ir. Eu contratei o Big Ice, que é a caminhada mais longa, que adentra mais o glaciar, mas existe também o Mini Trekking, mais curto, que acontece pela borda do glaciar. Os dois passeios iniciam com uma pequena navegação até o ponto de partida da caminhada.

Feliz no Perito Moreno

Olha como o glaciar é vasto

Chegando nesse ponto há um refúgio e é a hora de se equipar (não se esqueça de estar muito bem agasalhado, você vai andar sobre gelo!). O guia explicará como funciona a caminhada e como colocar os grampões, que são um tipo de garras presas aos tênis do caminhante (precisa ir de tênis, hein!). Com eles, você poderá caminhar sobre o gelo sem escorregar.

É muito grande o Perito Moreno

As fendas causam a ilusão do azul, por causa do Sol

Se você optou pelo Mini Trekking, essa caminhada dura cerca de 1,5 hora e é de nível moderado. Porém, se você se apaixonou pelo Perito Moreno e quer conhecer mais, com o Big Ice sua atividade será mais longa, cerca de 3,5 horas, de nível moderado pra difícil. Não se esqueça de levar protetor solar e óculos escuros, pois o brilho no gelo pode ser nocivo aos olhos. Essas caminhadas pelo gelo são uma grande experiência, vale muito a pena! Apesar da duração das caminhadas, ambos os passeios duram o dia todo, pois envolvem a navegação, o percurso, todas as explicações etc.

Há pequenas cavernas de gelo também

Foto que sempre sonhei!

Não fiz o passeio de barco pelos glaciares (Rios de Hielo ou Todos los Glaciares), mas parece ser bem interessante, pois além do Perito Moreno, você conhecerá outros glaciares, como o Upsala e o Spegazzini. A navegação Rios de Hielo pode ser contratada com a Solo Patagonia e dura 5 horas. Se você quiser um passeio mais curto, de 1h, a Hielo y Aventura tem o safari náutico.

Saindo do Perito Moreno

Fascinante!

Esses são os passeios principais da charmosa El Calafate. Mas além deles, eu recomendo uma visita ao Glaciarium, a 6 km da cidade. Ele é um museu sobre o gelo e os glaciares, é bem interessante. Fora isso ele conta com o Glaciobar, um daqueles bares de gelo onde se colocam roupas especiais e a temperatura gira em torno de -10ºC, e há diversas esculturas de gelo para fotografar e drinks à vontade feitos em copos de gelo. Lá do museu você consegue avistar o Lago Argentino. Para chegar, há um transfer gratuito que sai regularmente da Secretaria de Turismo da Provincia.

Perito Moreno atrás

Glaciarium

Fora esses passeios, há alguns outros mais alternativos para quem ficará mais tempo na cidade, como o Upsala Kaiak Experience, passeios de 4×4 pela área do parque, a reserva da Laguna Nimez e a Estância Nibepo Aike, uma fazenda da região.

O Glaciarium é super interessante!

No Glaciobar

Fazendo um resumão, se você tem 3 dias em El Calafate pode dividir seu roteiro da seguinte forma:

– 1 dia de passeio nas passarelas do Perito Moreno

– 1 dia de Big Ice ou Mini Trekking

– 1 dia de navegação pelos glaciares

El Calafate é uma experiência no gelo, algo que fascina a todos os visitantes e um lugar indispensável para se visitar!

É à vontade, hein rs

Copitcho de gelo

Você sabia que a Argentina tem uma cidade tão boa para trekking e “paisagens patagônicas” quanto o exuberante Parque Nacional Torres del Paine (veja meu relato sobre o TDP), na Patagônia chilena? Se você ama trilhas não deixe de conhecer El Chaltén, a capital do trekking da Argentina.

Fundada em 1985, El Chaltén é uma cidade recente, e não chega a ter 1.000 habitantes, sendo que no inverno muitos deixam a região.

Chegando em El Chaltén

Início da trilha a Laguna Torre

A pequenina cidade fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares (este outro site mostra outros parques da Argentina também), que compreende também o belíssimo glaciar Perito Moreno, na cidade de El Calafate. O Parque Nacional Los Glaciares foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1981.

Trilha para a Laguna Torre: bem sinalizada

Trilha para a Laguna Torre: Mirador del Cerro Torre

Trilha para a Laguna Torre: como podem ver, o Cerro Torre está sempre encoberto

Ele tem esse nome por causa dos numerosos glaciares no grande “Campo de Hielo Patagónico”, o segundo maior campo de gelo do mundo (o primeiro é a Antártida). Esse “Hielo Continental Patagónico” alimenta 47 glaciares maiores e mais de 200 menores, sendo que o degelo originou o Lago Argentino e o Lago Viedma.

A melhor época para visitar é de novembro a março, pois abril é dito um mês mais chuvoso e de maio a outubro muitas trilhas podem estar fechadas por excesso de neve.

Trilha para a Laguna Torre: rio Fitz Roy

Laguna Torre: veja que o vento chega a formar ondas!

Laguna Torre: os icebergs do glaciar se desprendem e param na praia

Como chegar?

A maioria das pessoas visita El Chaltén vindo de ônibus de El Calafate, e comigo não foi diferente. El Calafate será tema de outro relato. A cidade de El Calafate conta com aeroporto, por onde cheguei. Porém, o terminal rodoviário da cidade também recebe ônibus de outros lugares da Patagônia.

Como eu ia passar uns 2 dias em El Calafate, comprei minha passagem de ônibus para EL Chaltén pessoalmente, porém, assim que cheguei na cidade.

Laguna Torre: o glaciar está lá no fundo

Trilha para a Laguna Torre: rio Fitz Roy

Olha como El Chaltén é pequenininha!

Se quiser garantir, é possível comprar pela internet. No site Plataforma 10 você pode consultar os horários e preços para se planejar e também comprar as passagens. Esse site reúne passagens rodoviárias de várias empresas, como Taqsa, Caltur e Chalten Travel, mas você também pode comprar sua passagem diretamente nos sites dessas empresas. Eu comprei minha passagem pela Caltur.

Rua principal de El Chaltén

Trilha para o Glaciar Huemul: parece de terror!

Chegada ao Glaciar Huemul

Além dos ônibus, há transportes privados também, como Las Lengas, Todo Calafate e Walk Patagonia.

El Chaltén fica a 215 km de El Calafate, e a viagem dura 3 horas. Como a cidade é bem pequena, é interessante reservar sua hospedagem previamente. Eu me hospedei no Patagonia Hostel, mas há muitas opções, desde hotéis até campings.

Glaciar Huemul

Glaciar Huemul: eu juro que não editei essas cores!

Glaciar Huemul: um azul fantástico

É interessante também levar dinheiro vivo, pois não há caixas eletrônicos em El Chaltén e, por causa dos famosos ventos patagônicos, nem sempre as maquininhas de cartão de crédito estão funcionando. Na cidade há diversas opções de restaurantes e alguns mercados. Também por causa dos ventos patagônicos nem sempre a internet funciona bem.

Quantos dias passar em El Chaltén? Eu indico de 4 a 5 dias, há muitas trilhas de beleza cênica!

A geleira ao fundo no lago Huemul

Subi numa lateral da formação para admirar o lago Huemul

Lago Huemul: vista de uma das paredes laterais

Leve roupas para trekking (ressalto a importância de um corta-vento), bastões de caminhada (às vezes até para te ajudar a se equilibrar caso os ventos patagônicos estejam fortes) e tênis confortáveis para andar bastante.

Lago Huemul: sim, essa cor é verdadeira!

Trilha ao Glaciar Huemul: rostos de filme de terror

Lago del Desierto

Considero El Chaltén um excelente custo-benefício para trilheiros, pois, diferente de Torres del Paine, não há custo de entrada no parque, e a cidade já é o ponto inicial de quase todas as trilhas. Ou seja, não é necessário pegar ainda outro transporte para chegar à maioria dos passeios.

Lago del Desierto

Río de las Vueltas

Início da trilha para a Laguna de Los Tres entrando pela Hostería El Pilar

Todas as trilhas são autoguiadas, bem sinalizadas com placas e, chegando na cidade, você retira um mapa de todas elas no centro de visitantes. Se estiver com sorte, já na entrada da cidade avistará o Fitz Roy, que é o cartão-postal da região. Lembre-se de levar água e lanchinhos de trilha em suas caminhadas. Este site mostra todas as opções de trilhas, bem como distâncias, e outros passeios. Segue um mapa das trilhas de El Chaltén.

Clique para abrir maior. Crédito da imagem: http://www.southroad.com.ar/images/MAPAS/chalten.jpg

Como no verão anoitece mais tarde (21h ou 22h), minha primeira trilha foi para a Laguna Torre. Essa trilha leva cerca de 6 a 9 horas ida e volta, são 18 km (com altimetria de 200 m), mas ela não tem grandes subidas. Portanto, a dificuldade dessa trilha é a distância, e no geral seu nível é moderado. De alguns pontos do caminho você talvez aviste o Fitz Roy, o Cerro Torre e outras montanhas. As paisagens com o rio Fitz Roy também são muito bonitas.

Início da trilha para a Laguna de Los Tres entrando pela Hostería El Pilar

Trilha para a Laguna de Los Tres: Glaciar Piedras Blancas

Trilha para a Laguna de Los Tres: Glaciar Piedras Blancas

Quando cheguei na Laguna Torre o local estava tomado por um intenso vento patagônico! (Te juro, comprei até uma camiseta na cidade escrito Mucho Viento.) Ventava a ponto de eu precisar me agachar para não perder o equilíbrio. Inclusive, acabei perdendo meus óculos numa distração ao virar o rosto no sentido do vento. Apesar do vento, a laguna é belíssima. Ao fundo, há um glaciar, que desprende pequenos icebergs pelo lago. Alguns deles param na prainha que o lago forma. É possível caminhar pela lateral do lago para avistar melhor o glaciar de um mirante, o Mirador Maestri, mas pelo excesso de vento resolvi não arriscar. O Cerro Torre estava encoberto de nuvens, mas mesmo assim a paisagem era muito bonita! (É engraçado que o vento estava só na Laguna Torre, saindo de lá não ventava na trilha.) Perto da Laguna Torre está o Acampamento De Agostine.

No caminho da Laguna de Los Tres

Trilha para a Laguna de Los Tres

Trilha para a Laguna de Los Tres

Em meu segundo dia fiz um passeio não tão tradicional. Pedi no hostel uma van que leva até o Lago del Desierto, a 37 km de El Chaltén. No caminho há uma linda paisagem do Rio de Las Vueltas. A van tem alguns horários de retorno e é necessário combinar com o motorista em qual dos horários ele deve voltar para te buscar.

Trilha para a Laguna de Los Tres: passe 1 por vez

Trilha para a Laguna de Los Tres: agora vem a parte mais puxada

Trilha para a Laguna de Los Tres: subiiiindo!

Chegando lá há muitas opções de passeios. Pode-se fazer algumas trilhas ao redor do lago. Também há passeios de barco. Porém, apesar de eu caminhar um curto trecho ao redor do lado, o que me atraiu foi a trilha ao Glaciar Huemul. São cerca de 45 minutos de ida (uns 2 km com subidas). Há uma pequena taxa de ingresso ao local, pois fica em propriedade privada. Chegando ao Glaciar fui surpreendida com um incrível lago azul turquesa aos pés dele, é realmente muito bonito e indico a todos que façam essa trilha. Neste link há um mapa do lado direito da página que mostra bem o percurso de van até o Lago del Desierto e a trilha ao Glaciar Huemul. O mapa também mostra os campings espalhados pelo parque.

Trilha para a Laguna de Los Tres: quase lá!

Laguna de Los Tres: cheguei!

A incrível Laguna de Los Tres

Em meu terceiro dia segui para a trilha mais esperada de todas: o trekking à Laguna de Los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Existem dois caminhos para fazer essa trilha: um partindo da Avenida San Martin, em El Chaltén, e você vai e volta pelo mesmo lugar; e outro partindo da Hostería El Pilar. Nesta opção (a que eu fiz), você pega uma van (que pedi em minha hospedagem) até a Hostería El Pilar (a 14 km de El Chaltén, no mesmo caminho para o Lago del Desierto) e inicia a trilha de lá, e aí sim retorna pelo caminho até a Avenida San Martin. Dessa maneira, a trilha acaba sendo circular, um pouquinho mais curta, e você não precisa passar duas vezes pelo mesmo local, vendo assim paisagens diferentes o tempo todo. Além disso, o trecho da volta acaba sendo uma descida, e a trilha, no total, tem bem menos subidas. Você pode visualizar isso no mapa que postei acima (trechos I, D, C e B).

Laguna de Los Tres: um azul incrível

Laguna de Los Tres: neve ao lado

Laguna de Los Tres: dá pra brincar na neve ao lado

O caminho ida e volta tem cerca de 19 km, demora cerca de 10 horas e é mais cansativo que a trilha para a Laguna Torre que fiz no primeiro dia, pois a altimetria já é de 700 metros, comparada a 200 metros da Laguna Torre. Vamos dizer que é nível moderado para difícil, mas acho que não é necessário ser um atleta para fazer. Não sou sedentária, mas também não tenho um condicionamento excelente e com calma cheguei.

Laguna de Los Tres: não é Photoshop!

Laguna de Los Tres: to maravilhada!

Laguna de Los Tres: um dos lugares mais lindos que já visitei

Partindo da Hostería El Pilar, você passará por um bosque e caminhará até o mirante ao Glaciar Piedras Blancas. É possível desviar a rota e ir até ele, mas eu não quis arriscar o tempo total disponível e segui adiante. Depois a mata abre e já dá pra ver as montanhas ao longe. Você passa pelo acampamento Poincenot (veja no mapa), então se quisesse ver o nascer do sol na Laguna de Los Tres poderia acampar por lá. Em seguida há uma pequena ponte pelo rio Blanco, numa belíssima paisagem. O trecho final é o mais íngreme, com 450 metros de desnível, mas parando para descansar se chega bem. Essa subida leva cerca de 1 hora e tem algumas pedras soltas. Porém, eu ressalto que não desista! Chegando ao topo você terá uma visão devastadora da belíssima laguna azulada com o Fitz Roy bem acima! É um lugar único no mundo!

Laguna de Los Tres: tem que ir embora?

Laguna de Los Tres: pena que a água é super gelada

Laguna de Los Tres: tem que ir embora?

Na volta ainda passei pela Laguna Capri, onde há outro acampamento. O último trecho, que leva até El Chaltén, é de uma descida mais íngreme. Para quem sofre com a descida por causa dos joelhos é interessante usar um bastão de caminhadas. Se eu não tivesse iniciado pela Hostería El Pilar, esse trecho final seria uma subida um pouco chata de se fazer na ida, por isso escolhi o percurso contrário. No geral, apesar de ser uma trilha mais cansativa, vale cada segundo na Laguna de Los Tres.

Trilha voltando da Laguna de Los Tres

Trilha voltando da Laguna de Los Tres: Laguna Capri

Trilha voltando da Laguna de Los Tres: Laguna Capri

Em meu último dia fiz uma trilha mais leve para descansar do dia anterior. Caminhei 6 km ida e volta em reta (também no mesmo caminho que vai para o Lago del Desierto) para o Chorrillo del Salto, uma linda cachoeira com seus 20 metros de altura. Daria também para ir de carro ou de bicicleta.

Trilha voltando da Laguna de Los Tres: Río de Las Vueltas

Chegando de volta em EL Chaltén

Fim da trilha para a Laguna de Los Tres (ou início se você começar por aí)

Há muitas outras trilhas e passeios que não fiz. Por exemplo, é possível fazer um ice trekking no Glaciar Viedma, que parece ser muito interessante. A agência que opera esse passeio é a Patagonia Aventura. Também não fiz uma trilha que parece belíssima, a Loma del Pliegue Tumbado. Ela tem 17 km e eu precisaria de um outro dia inteiro na região. Algumas trilhas de nível fácil: Miradores Las Cóndores y Las Águilas, Mirador Cascada Margarita, Cañadón del Río de Las Vueltas. Há também a trilha a Piedra del Fraile, de 2 a 4 horas. Também tem as caminhadas no Lago del Desierto que não fiz, assim como travessias de vários dias, que podem precisar de guia. Veja os descritivos das atividades neste link e os descritivos das caminhadas em si neste link.

Trilha para Chorrillo del Salto

Chorrillo del Salto

Chorrillo del Salto, uma bela cachoeira

Com tantas atividades com certeza tenho motivos para voltar a El Chaltén e apreciar tantas paisagens maravilhosas e caminhadas incríveis na região. Recomendo a todos que amam caminhadas e belas paisagens que visitem essa joia da Patagônia!

Chorrillo del Salto, super gelada

Ushuaia, mais conhecida como fim do mundo, é a cidade mais austral do planeta, com pouco mais de 100 anos (1884). A conhecida “Tierra del Fuego” fica localizada junto ao canal Beagle, assim chamada por causa dos povos nômades que faziam suas fogueiras devido ao frio intenso, que eram avistadas por navios estrangeiros. Foi construída em função de um presídio da região, hoje desativado e funcionando como um curioso museu que vale a visita!

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Orla de Ushuaia

Ao chegar no aeroporto, mesmo no verão, vê-se a neve no alto das montanhas, uma visão que já mostra o que vem pela frente. Prepare-se, pois saindo do aeroporto já é possível sentir o ar gelado dessa bela região patagônica, que tem uma média de 10 graus no verão. No inverno a cidade funciona como estação de esqui. Porém, o verão também é fascinante com as geleiras, pinguins, mamíferos marinhos e árvores retorcidas.

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Orla de Ushuaia

O aeroporto fica a 15 minutos de táxi da cidade, onde estão localizados hotéis e hostels, restaurantes, lojas de chocolate e de artesanato. Na bela cidade com casas de madeira típicas e com montanhas nevadas da cordilheira ao fundo pode-se fazer tudo a pé. Todos os passeios podem ser agendados com sua hospedagem. A charmosa cidade chama para um passeio por suas ruas e pela orla, junto aos numerosos barcos e gaivotas. É também dessa região que saem os navios para a Antártida.

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Cais na orla

Na orla você pode escolher uma agência para fazer o imperdível passeio de barco pelo canal Beagle. Este pode ser um passeio de meio período, e nele você passará por diversas ilhas com numerosas e exóticas aves marinhas, além de muitos leões marinhos. Algumas agências têm uma parte do passeio que se caminha por terra, outras são só no barco. Portanto, o ideal é perguntar em sua hospedagem qual delas oferece essa oportunidade. A paisagem incrível fica completa quando avista-se o farol do fim do mundo, imagem que abre este post, um dos cartões-postais de Ushuaia.

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Leões marinhos no canal Beagle

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Leões marinhos no canal Beagle

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Parada no passeio de barco

Outro passeio espetacular é o Parque Nacional da Terra do Fogo. O parque tem muitas trilhas interessantes para quem gosta de caminhar, além de uma paisagem estonteante. A vegetação é bem diversa, e as trilhas são bem demarcadas. Logo na entrada do parque pega-se um mapa com todas as trilhas, e o ônibus determina um ponto de encontro e horário no fim da tarde. A trilha costeira é ótima para começar a manhã, com 8 km, mas com um percurso muito tranquilo que não exige muito do caminhante. Depois há várias outras lindas trilhas, como as que passam pelas Lagunas Negra e Verde, pelas castoreiras e pela belíssima Bahia Lapataia.

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Trilha no Parque Nacional da Terra do Fogo

Em Ushuaia há muitas castoreiras. Os castores foram trazidos do Canadá com o objetivo de produzir peles de animal, mas como a região não tem o frio tão intenso como o do local de origem deles, sua pele não engrossava tanto e, por isso, não serviram para o propósito original. Soltos na mata, viraram praga e começaram a construir as castoreiras que com certeza verá em seus passeios, derrubando árvores para represar rios e lagos.

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Castoreira

Outro passeio imperdível é o de veículo 4×4 que leva aos lagos Fagnano e Escondido, que dura o dia inteiro e passa em belíssimos mirantes para os lagos. No caminho há a parada no criadouro dos cães Huskies, que no inverno puxam trenós na neve. Em geral, o guia faz o almoço próximo às margens do lago, e é possível passear de canoa canadense. Se tiver sorte pode até mesmo avistar raposas selvagens.

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Os lindos huskies no passeio de 4×4

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Lago Fagnano

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Raposa selvagem vista perto do lago Fagnano

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Passeio de barco no dia do 4×4

Dentro da cidade pode-se pegar um táxi para o Glaciar Martial. Lá há um teleférico para subir até uma altura considerável e, provavelmente, mesmo no verão, você conseguirá caminhar e desfrutar de toda a experiência de brincar com a neve. Caso não pegue o teleférico, são somente 15 minutos acima caminhando. Muita gente aproveita para fazer as inúmeras trilhas na neve do local. Na base há um dos simpáticos cafés e loja de chocolates de Ushuaia. Desse ponto avista-se toda a cidade e o canal Beagle.

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Glaciar Martial

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Glaciar Martial

Se for entre os meses de dezembro e janeiro há mais uma opção: a pinguineira! Reserve logo o passeio quando chegar na cidade, pois são poucas vagas saindo do cais de Ushuaia (aliás, reserve todos os passeios assim que chegar, assim você garante a viagem!). Lá você vai de van até o local onde pegará o barco para a pinguineira. No caminho a van para num ponto muito curioso: as árvores são extremamente tortas para um lado, em função do vento. Após a parada e o trajeto de barco, chega-se à ilha dos pinguins. Há várias espécies, embora algumas tenham maior predomínio. Se tiver sorte pode avistar até mesmo pinguins imperadores! Nesse passeio interessantíssimo é possível ficar a poucos metros dos pinguins, além de ser também outra paisagem belíssima.

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Árvores distorcidas pelo vento

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Pinguim Imperador

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Passeando na Pinguineira

Esses são os principais passeios da charmosa cidade de Ushuaia, que com certeza te cativará! Não se esqueça que no posto de serviço de atendimento ao turista há um carimbo da cidade para o seu passaporte! Além dos lugares que citei, há outras atividades em Ushuaia, pois há outros lagos e também o passeio do trem do fim do mundo.

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Caminhando na pinguineira