Pucón é uma daquelas cidades que concentra uma dose certa de charme e aventura, além de ter paisagens espetaculares. A cidade chilena fica na região da Araucania, a 780 km ao sul de Santiago (leia meu roteiro de Santiago) e oferece atrações durante todo o ano.

Pronta para subir no Vulcão Villarrica

Teleférico que leva ao Vulcão Villarrica

Um dos grandes objetivos dos viajantes ao visitar Pucón é a ascensão ao vulcão Villarrica, com 2.847 metros de altitude, cujo cume sempre está coberto de neve. O Villarrica é um vulcão ativo, e sua última erupção ocorreu em março de 2015, sendo que a anterior foi 30 anos antes. Mas não se preocupe, ele é super monitorado, e quando vai ocorrer uma erupção, sabe-se com um tanto de antecedência, segundo os guias locais (diferente do vulcão Calbuco, também na região, que explode sem aviso conforme os guias disseram). Porém, para ficar alerta aos vulcões do Chile, fique de olho neste site.

As pessoas lá embaixo resolveram ir a pé, em vez de pegar o teleférico

A vista já vai ficando bonita

Se você não for subir ao vulcão, pode fazer caminhadas mais leves ou médias nos parques da região, curtir a cidade, aproveitar as muitas termas de águas quentes, curtir as praias de lagos e as cachoeiras, fazer esportes náuticos e muito mais! Pucón é bem democrática!

Na primeira parte da caminhada

Aqui já caminhando na neve

Fiquei três dias na região, durante o verão, mas a cidade concentra uma grande quantidade de atrativos, o que é suficiente para preencher bem mais dias. Como Pucón é pequena, é possível hospedar-se em qualquer parte dela, e há hospedagens para todos os bolsos.

Paradinha para descansar

E bora caminhar!

Na cidade mesmo você consegue ver o vulcão Villarrica ao fundo, com sua fumarola constante saindo do cume, o que deixa ela ainda mais linda e torna a sessão de fotos frequente. Além disso, na Avenida Bernardo O’Higgins há um semáforo  de alerta vulcânico, que, felizmente, estava verde ao longo de minha visita. No final dessa avenida principal você chega à baía de La Poza, de onde saem passeios de barco.

Precisa seguir os rastros das pessoas da frente

Outra parada para um lanchinho

A ascensão ao vulcão Villarrica depende das condições climáticas (se chover ou ventar em excesso não dá para fazer o passeio), por isso eu quis garantir o tour no primeiro dia, pois se o tempo estivesse ruim ainda teria mais 2 dias. Muitas pessoas pegam um dia para caminhar pela cidade, pois na rua principal, a charmosa Avenida Bernardo O’Higgins, há muitas agências para fechar os tours, podendo assim comparar preços e conhecer as diversas agências. Porém, eu ouvi relatos de gente que tentou fechar a ascensão ao Villarrica lá em Pucón e não tinha mais vaga. Como era muito importante para mim conseguir subir e eu chegaria mais de 22h na véspera dos meus 3 dias, resolvi fechar pela internet esse passeio.

A vista é incrível

Pessoal subindo

Pesquisando as opções fechei com a agência Antü, Ríos y Montañas (veja os preços no site). Ela não é a mais barata de todas, mas foi muito bem recomendada.

Quase lá em cima

Olha o gelo que se forma nas pedras

Como chegar? O jeito mais rápido de chegar a Pucón é pegar um voo para a cidade de Temuco, a 120 km de distância. Os voos que vão para Temuco fazem conexão em Santiago, o que possibilita um stopover na cidade, ou seja, que você fique um ou mais dias na sua conexão, aproveitando, assim, mais de um destino (para isso, na hora de comprar a passagem, selecione a opção Multidestinos).

A cratera do vulcão Villarrica

Máscara para evitar os gases

A partir de Temuco, você pode pegar um transfer, alugar um carro ou pegar um ônibus. Pesquisei algumas empresas de transfer, como a Transfer Temuco, a Politur e a Transfer Aeropuerto Temuco, mas não reservei nenhuma antes, acabei chegando no aeroporto e no desembarque elas estavam oferecendo esse transfer, que custou cerca de R$ 50,00.

A cratera do vulcão Villarrica

Graças a eles atingi o cume!

Porém, se tivesse alugado um carro teria mais liberdade para fazer alguns passeios e ficar o tempo que quisesse nos lugares, opção que me agrada bastante.

Outra ideia seria pegar um táxi para a rodoviária de Temuco e de lá comprar uma passagem de ônibus com a Buses JAC. Na volta eu fiz isso, há muitos horários.

Descendo

Olha como o gelo se forma na pedra

Se você não quer pegar voo para Temuco, pode também pegar um bus em Santiago direto para Pucón, opção que levará cerca de 10 horas de viagem. Uma das principais empresas que faz o trajeto é a Turbus, e a própria Buses JAC também faz, além da Pullman Bus. A vantagem é que o valor é ótimo, apesar de serem muitas horas de viagem.

Além disso, muitas pessoas incluem Pucón numa road trip passando de carro alugado por muitas cidades saindo de Santiago.

Skibunda

Observe o plástico para sentar para fazer o skibunda com mais facilidade

Quando ir? No inverno funcionam as estações de esqui e snowboard, apesar de nem sempre se conseguir subir ao Villarrica em razão das condições climáticas (chove muito nessa época!) e os passeios ficarem mais restritos. É bom para quem gosta de curtir o frio. Já no verão a ascensão é mais certa, além de ter a possibilidade de curtir as diversas praias dos lagos da região e fazer muitas caminhadas e esportes ao ar livre. Já as inúmeras termas podem ser curtidas em qualquer época do ano.

Termas geométricas

O meu roteiro

Dia 1, o Villarrica. Após pegar o transfer e chegar a Temuco mais de 22h, o dono da agência Antü passou em meu hostel para me levar à agência e experimentar as roupas do trekking do dia seguinte. Ele fez questão disso, pois teríamos que sair muito cedo no dia seguinte e as roupas e o calçado precisavam estar no tamanho certo. Gostei muito da preocupação dele com isso, mesmo tão tarde ele me atendeu. Experimentei calça e casaco impermeáveis e um tênis de trilha bem mais duro que o normal, apropriado para a neve.

Termas geométricas: o lugar é lindo

Termas geométricas mistura piscinas quentes com natureza

Para subir o vulcão Villarrica é necessário ter um mínimo de condicionamento, mas sobretudo ter muita disposição para caminhar numa subida íngreme e vontade de alcançar o cume. Eu não sou nem sedentária e nem atleta, e consegui.

Termas geométricas: olha as pessoas nas piscinas

Termas geométricas: do lado esquerdo os vestiários e armários

Por e-mail, a agência fez algumas recomendações: levar comida e pelo menos 2 litros de água, usar uma calça confortável para trekking, blusa segunda pele e blusa de frio por cima, além de um corta-vento, protetor solar e óculos escuros.

Termas geométricas: piscinas

Termas geométricas: paisagem linda

Saímos às 6h da manhã e fomos para a agência, onde estava separado meu equipamento e o restante do grupo que me encaixaram e mais os guias me aguardavam. Foram uns 3 ou 4 guias conosco e uns 10 turistas. O equipamento consistia em uma mochila para carregar minhas coisas, a calça e o casaco impermeáveis, capacete, perneiras, luvas, um plástico para sentar, grampões de caminhar na neve (veja mais sobre grampões no meu relato de El Calafate), tênis apropriado, meias, uma máscara para ajudar a respirar lá em cima e piolets (um tipo de picareta para neve).

Lanchonete das Termas geométricas

Ruazinha de Pucón

Depois seguimos de van para o Parque Nacional Villarrica, a 20 km de Pucón. Muitas pessoas que não vão fazer a ascensão ao vulcão vão para esse parque apenas para ver o vulcão mais de perto, e isso pode ser feito com agência ou com carro alugado.

Parque Nacional Huerquehue

Trilha no Parque Nacional Huerquehue

Chegando no parque, na base do vulcão há um teleférico que economiza 1 ou 2 horas de caminhada, mas que só funciona se não houver vento. O valor é de 10.000 pesos chilenos, mas para mim valia cada centavo e cada minuto a menos de caminhada na subida!

Entrada do Parque Nacional Huerquehue

Curiosa árvore no Parque Nacional Huerquehue

O início da caminhada foi mais tranquilo, estava sem neve, apesar de ser subida. Quando alcançamos o trecho com neve o guia nos instruiu sobre com usar os piolets. Caminhávamos na neve numa trilha que os guias demarcaram em zigue-zaque.

Cachoeiras Nido de Águilas

Mirante no Parque Nacional Huerquehue

Nessa parte que eles demarcavam com seus piolets a neve estava bem firme, pisávamos em suas pegadas, e por isso o caminho não estava nem um pouco escorregadio. Isso foi bom porque me senti segura para andar sem achar que poderia cair. Além disso, usávamos o piolet como um bastão de caminhada, me apoiando.

Admirando a vista no Parque Nacional Huerquehue

Trilha no Parque Nacional Huerquehue

Fizemos algumas paradas para comer os lanches de trilha e descansar da subida. A segunda parte era mais íngreme e eu precisei das paradas, pois a subida me deixou sem fôlego e me fazia caminhar muito devagar. Porém, os guias viam minha vontade de continuar e me incentivavam, achei eles ótimos! Isso porque ouvi que várias pessoas costumam desistir no meio do caminho. Mas não seria eu! Tem algumas trilhas na vida que são mais vontade do que condicionamento.

Parque Nacional Huerquehue

Laguna Toro no Parque Nacional Huerquehue

A última parte tinha muitas pedras e estava sem neve, apenas com gelo preso nelas. Depois de umas 5 horas de caminhada e umas 4 paradas finalmente atingimos o cume do vulcão Villarrica! Que vitória!

O visual lá de cima é lindo, pois a paisagem lá embaixo é perfeita. Lá de cima conseguimos ver os caminhos que a lava escorreu na última erupção. Mas o principal é ver a curiosa cratera do vulcão, com 200 metros de diâmetro. O cheiro de enxofre é constante, por isso nessa hora quem não conseguir respirar direito deve colocar a máscara fornecida. Tem dias que o cheiro dos gases exalados da cratera é mais forte, e outros menos. Ouvi dizer que em alguns dias é possível ver a lava lá dentro da cratera (uma moça que conheci no caminho jura que é nos dias de lua cheia, mas não faço ideia!).

Laguna Toro no Parque Nacional Huerquehue

Laguna Verde no Parque Nacional Huerquehue

Depois chegou o momento de descer, e colocamos as roupas impermeáveis fornecidas. Isso porque para descer o vulcão usamos a famosa técnica do Skibunda! Há uns percursos marcados por onde escorregar, e nosso guia nos ensinou que se não estivesse escorregando o suficiente, para colocarmos o plástico para deslizar mais. Ele também nos orientou com usar o piolet para frear, caso estivesse rápido demais.Olha o vídeo do Skibunda, mas numa parte mais tranquila da descida:

É importante seguir bem as orientações dos guias, para fazer o trajeto todo em segurança. A primeira descida me pareceu a mais íngreme de todas, e morri de medo! Ia muito rápido, mesmo freando com o piolet. Porém, todos do grupo estavam se divertindo como se estivessem em um parque de diversões, eu que senti medo.

Laguna Verde no Parque Nacional Huerquehue

Parque Nacional Huerquehue

A descida era por etapas, porque no verão sempre tem trechos sem neve entre cada “rampa” com neve de descida. Isso me deixou mais segura, e a partir da segunda descida comecei a curtir, e elas eram menos íngremes que a primeira. No final tem uma parte só de cascalho para caminhar até a van. Gastamos cerca de 2 horas para descer. O papel dos guias foi fundamental, tanto por causa das explicações e segurança, como para incentivar a continuar, graças a eles subi o vulcão até o cume. Esse tour custou caro, cerca de 500 reais, mas valeu cada centavo! É obrigatório guia para esse passeio. No vídeo da agência você pode ver melhor como é essa subida:

Termas geométricas. Voltando do Villarrica, lá para as 16h, eu já tinha pedido à agência para agendar um transporte para me levar às Termas Geométricas. Isso porque as termas funcionam até umas 23h dependendo do dia, e como são bem quentes, nada como relaxar até tarde nas piscinas. No site tem as tarifas e horários atualizados. O local fica a 80 km de Pucón, e se estiver de carro alugado pode ir por conta. Na entrada nos deram uma toalha e um cadeado para trancar as coisas nos armários, e há vários vestiários e piscinas com temperaturas entre 35 e 45º. A água é uma delícia, e o lugar também é muito bonito! Para escolher entre as piscinas se caminha por uma passarela. O local conta também com uma lanchonete, bem legal para tomar um café, chá, chocolate, sopa etc. O duro foi sair, pois do lado de fora das piscinas faz muito frio!

Além das Termas geométricas, há muitas outras termas, como a Los Pozones, as de Coñaripe, El Rincón, Huife, Quimeyco, Liucura, Menetúe, Trancura, San Luis, Palguín, por exemplo.

Lago próximo à portaria no Parque Nacional Huerquehue

Fica na avenida principal de Pucón

Dia 2

Parque Nacional Huerquehue. Em meu segundo dia fui ao Parque Nacional Huerquehue, a 36 km de Pucón. Algumas agências vendem esse passeio, mas não precisa de guia realmente, e é fácil chegar de ônibus ou carro alugado. Os ônibus saem de Pucón às 08h30, 13h e 16h. E retornam do parque a Pucón às 09h30, 14h10 e 17h10. No verão tem um horário extra para ida às 18h20 e para volta às 19h30. Programe-se para não perder o ônibus. A passagem custa CLP $ 2.000, mas comprando ida e volta tem desconto. A entrada no parque também custa CLP $ 2.000. No parque há alguns campings e alojamentos, para quem deseja dormir lá, verifique no site as tarifas e como reservar.

Se precisar, saiba para onde correr

Playa Grande

O parque é lindíssimo, e tem 2 trilhas principais, autoguiadas, pois é tudo bem sinalizado. É ótimo para quem gosta de caminhadas. A trilha que escolhi se chama Los Lagos, e tem 12 km ida e volta e média dificuldade. Conte umas 6 horas para essa trilha no total. A outra trilha seria de alta dificuldade, chama-se San Sebastian e passa por cima das montanhas, seria uma vista de cima dos lagos. São 13 km, mas só de ida conta-se umas 4 horas. Veja essas e outras trilhas do parque aqui. Não se esqueça de levar água, comida e estar com calçado e roupa para caminhada.

Playa Grande

Playa Grande

A trilha passa por paisagens belíssimas. No início, perto da portaria, há alguns lagos com praia, onde é possível se banhar. Apesar de a trilha toda no fim ter bastante subida, não são subidas difíceis, e parando algumas vezes no caminho foi tudo bem. Passei pelo Lago Tinquilco e pelas cachoeiras Nido de Águilas e Trufulco. Há 2 mirantes onde é possível avistar o vulcão Villarrica. A trilha termina nos espetaculares Lagos Chico: lagos Verde, Chico, Toro e Huerquehue. É claro que me banhei nos lagos antes de retornar.

Chegando de volta a Pucón, aproveitei para conhecer a praia da cidade, a Playa Grande. As areias são negras, de origem vulcânica. Como estava calor a praia estava lotada.

Ojos de Caburgua

Ojos de Caburgua

Dia 3. Em meu terceiro dia, fiz um passeio que as agências chamam de Tour pela Zona. Só que em vez de ir com agência eu fui de ônibus de linha. As tarifas dependem de onde se vai descer do ônibus. Minha primeira parada foi Ojos de Caburgua, e paguei CLP $ 700,00. O local fica a 20 km de Pucón. A tarifa de entrada é de CLP $ 1.500,00.

Ojos de Caburgua

Ojos de Caburgua

Porém, existem duas propriedades que tomam conta do local, cada uma de um lado do rio. O ônibus me deixou na primeira entrada (de quem sai de Pucón), mas a primeira decepção é que o local só funciona das 10h às 19h, então cheguei às 9h e tive que ficar esperando por 1 hora.

Quando finalmente entrei, percebi que o lado mais bonito, na minha opinião, é o da outra margem (minha segunda decepção), então se eu quisesse, teria que sair, andar pela rodovia (4 km no total) e pagar a entrada de novo. Então minha DICA é: peçam para o ônibus deixar na segunda entrada (para quem está vindo de Pucón).

Playa Negra

Playa Blanca

Os Ojos de Caburgua são um conjunto de poços e cachoeiras num rio de águas cristalinas e azuladas. Porém, sei que sou a única pessoa na face da terra que não gostou do lugar. Se você já viu um certo número de cachoeiras na vida e já foi para lugares com Bonito (MS), por exemplo, talvez não goste dos Ojos de Caburgua. Ainda mais que não se pode nadar lá, só olhar.

Saindo de lá voltei à rodovia e peguei o próximo ônibus em sentido ao lago Caburgua, e pedi para descer na Playa Negra. Saindo de lá, caminhei uns 20 minutos até a Playa Blanca. As duas praias são quase urbanizadas, cheias de guarda-sois e vendedores. Saindo de lá voltei a Pucón para pegar meu ônibus para Temuco e ir embora.

Eu gostaria de ter trocado esse meu terceiro dia por um outro roteiro, o Salto El Claro, com 80 metros de altura e a apenas 7 km de Pucón. Dizem que é bem agradável alugar uma bike e pedalar até ele.

Playa Blanca

Faltou eu fazer um passeio que se chama Cuevas Volcanicas, que são cavernas formadas pela lava do vulcão. Também não fiz o rafting no rio Liucura. Há muitas outras cachoeiras na região que parecem ser bem legais, como o Salto La China e o Salto El León, perto das termas Palguin. Fora isso, algumas pessoas fazem um bate-volta para a reserva biológica Huilo Huilo, que parece um local muito interessante que quero voltar para conhecer.

Porém, posso dizer que meu objetivo foi totalmente cumprido, pois subi o Vulcão Villarricaaaaaa!!!! Pucón é um encanto de cidade, ficaria fácil só curtindo um verão lá indo nas cachoeiras e praias de lago, e fazendo as inúmeras trilhas, um lugar que com certeza voltarei.

Muitas pessoas me pedem roteiros em Santiago e no Chile em geral, por isso finalmente resolvi escrever este relato com dicas dessa bela capital e seus arredores.

O Chile é um dos países mais diversos para o turismo, pois apresenta história e arquitetura, neve e possibilidade de esquiar, vulcões para todos os gostos, lagos incríveis, desertos de sal, praias, vinícolas de dar água na boca, trilhas com paisagens fascinantes, águas termais para se banhar, ilhas misteriosas… nossa, há tantas possibilidades nesse país que não dá nem para listar!

Eu já fui umas 5 vezes para o Chile e ainda quero voltar muito mais vezes para conhecer tantas coisas que faltaram!

Sobrevoando a cordilheira no verão (a foto que abre o post é no inverno)

E quando eu vou, Sabrina? Depende…

– Para Santiago: qualquer época é boa.

– Para ver neve e/ou esquiar (montanhas dos arredores de Santiago, Chillán etc.): a melhor época é de meados de junho a setembro mais ou menos. Cada ano é diferente, mas julho/agosto é mais garantido.

– Para Torres del Paine, Pucón e outros destinos de trilha, e também para praias, ilhas (como a Ilha de Páscoa) e região do Atacama, prefira o verão. O Atacama também pode ser visitado no inverno, mas saiba que pode pegar até mesmo temperaturas negativas.

Centro de Santiago

Santiago, caminhando pela avenida principal

Porém, independente do roteiro que for fazer, é provável que passe por Santiago, mesmo que para um stopover (quando você fica um ou mais dias no local de sua conexão de voo, o que você pode programar ao comprar a passagem, usando a opção multidestinos). Aliás, falando em voo, fique atento às janelas do avião quando o piloto anunciar que passarão por cima da cordilheira, é um UAU atrás do outro!

Parque Metropolitano

Parque Metropolitano

Ao desembarcar no aeroporto, você terá algumas opções para seguir até a cidade. A mais econômica é pegar um ônibus. A Turbus faz o trajeto para alguns terminais de Santiago a cada 10 minutos das 05h00 às 00h00 e a cada 30 minutos das 00h30 às 04h30. Veja no site os preços e as paradas. Já a Centropuerto opera das 06h00 às 23h30, também com saídas a cada 10 minutos. Você pode casar, por exemplo, algum desses ônibus com um metrô da cidade (veja aqui o horário de funcionamento das linhas de metrô e um mapa da rede).

Cerro San Cristóbal

Cerro San Cristóbal

Porém, caso chegue muito tarde talvez prefira pegar um transfer, que te deixará direto na sua hospedagem. Assim que desembarcar, verá os guichês das empresas de transfer, como a TransVip, a Delfos, a Transfer Santiago e outras, custando uma média de 50 a 60 reais.

Além dessas opções, há táxi e uber.

Vista do Cerro San Cristóbal

Cerro Santa Lucía

Passeios na cidade

Estando em Santiago, muitas pessoas primeiro visitam a parte histórica. Um dos atrativos é o Palácio de la Moneda e seu centro cultural. Você pode fazer uma visita guiada gratuita agendando pelo site (ou pelo e-mail [email protected]). A cada dois dias você pode assistir a cerimônia de troca de guarda às 10h (dias ímpares no inverno e pares no verão). Outro local popular é a Plaza das Armas e sua famosa Catedral Metropolitana de Santiago, bem como o Museu Histórico Nacional, o Museu de Arte Precolombino e o Edifício dos Correios. Veja nos sites dos museus os dias de abertura, pois alguns fecham às segundas ou domingos.

Cerro Santa Lucía

Cerro Santa Lucía

Muitas pessoas aproveitam que estão no centro e já trocam dinheiro nas casas de câmbio que são ditas ter a melhor cotação, na Rua Agustinas.

Outro local comum de visitação é o Mercado Central, embora eu particularmente ache turístico demais.

Informe-se em sua hospedagem, mas há alguns tours guiados gratuitos pelo centro de Santiago, como o Free Tour Santiago e o Spicy Tour.

Cerro Santa Lucía

O meu passeio preferido em Santiago é o Cerro Santa Lucía. Ele é um tipo de parque vertical, parecido com um castelo, onde você vai subindo pelas escadarias e, de lá de cima, há uma linda vista da cidade. Além disso, em dias limpos, avista-se a cordilheira. O Cerro Santa Lucía fica na estação Santa Lucía de metrô. Aliás, a maioria dos pontos turísticos da cidade é acessível pelo metrô (portanto, seria interessante se hospedar perto de alguma estação também).

Cerro Santa Lucía

Outro lugar interessante para se ver a vista de um ponto mais alto é o Cerro San Cristóbal (metrô Baquedano), no Parque Metropolitano de Santiago. No topo há o Santuário Imaculada da Conceição. A subida é feita de trem funicular, o que pode ser divertido. Veja no site do parque os preços e horários do funicular, e também de um teleférico nesse mesmo parque. Se você não quiser gastar com o funicular, é possível subir de graça a pé.

Nessa região do Cerro San Cristóbal está uma das casas-museu do poeta Pablo Neruda, a La Chascona. Aqui estão as informações para visitar. As outras casas são a La Sebastiana, em Valparaíso, e Isla Negra, em El Quisco. Veja preços e horários das 3 casas aqui.

Ainda falando em mirantes, um dos construídos mais recentemente é o Sky Costanera. Ele é o mirante mais alto da América Latina, com 300 metros de altura! Veja no site os valores e horários de visitação.

Cerro Santa Lucía

Além disso tudo, Santiago tem muitos parques, feiras de artesanato e bairros agradáveis para se caminhar, como Lastarria, Providencia e Las Condes, por exemplo. O Parque Bicentenário e o Parque de Las Esculturas são alguns dos locais mais agradáveis para passear. Além disso, há outros museus, como o Museu Nacional de Bellas Artes e o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Quem gosta de compras pode aproveitar e conhecer o shopping Parque Arauco, com ótimas lojas de departamento e com a excelente Doite para equipamentos de trilha e camping.

Para esse roteiro todo até aqui, você precisa de 2 dias, mas se quiser, pode selecionar o que visitará e fazer em 1 dia.

Vista do Cerro Santa Lucía

E as vinícolas?

Outra coisa bem interessante de se fazer para aproveitar Santiago é visitar as vinícolas próximas. Sou suspeita para falar, aaaamo os vinhos chilenos! Além disso, as paisagens de vinícolas sempre são muito bonitas.

A vinícola mais famosa é a Concha y Toro. Para conhecer, você precisa agendar sua visita pelo site (só será cobrado no local). No site também há indicações de como chegar de metrô até a vinícola. Programe-se para chegar a tempo, saia com 1,5 h de antecedência. Separe meio período do dia para essa visita. Apesar de bem turística, gostei muito do tour, com direito a efeitos especiais sobre o Casillero del Diablo.

Vinícola Concha y Toro

Vinícola Concha y Toro

Essa região é conhecida como Vale del Maipo, e você pode visitar também a vinícola Cousiño Macul. Se quiser visitar essas duas vinícolas, separe um dia todo, reservando uma para a parte da manhã e outra para depois do almoço.

Há outras vinícolas nessa região, porém de mais difícil acesso, como a Undurraga, a Santa Carolina, a Santa Rita, a Aquitania, e outras.

Vinícola Concha y Toro

Vinícola Concha y Toro

Outra região de vinícolas é o Vale de Casablanca, a 80 km de Santiago. Há várias outras vinícolas, como a Casas del Bosque, a Emiliana a Matetic e a Viña Indómita. Se estiver de transporte público, é possível pegar um ônibus para Casablanca, e de lá pegar táxi para as vinícolas que escolher.

Vinícola Concha y Toro

Vinícola Concha y Toro

Vinícola Concha y Toro: hora da degustação!

Se você for hiper fã mesmo de vinhos pode, ainda, conhecer a região do Vale de Colchagua, em Santa Cruz, a 200 km de Santiago. Há várias outras vinícolas lá, como a Casa Silva, a Viu Manent, a Montgras, a Organica François Lurton, e outras.

Para qualquer vinícola que escolha, sempre entre no site para verificar horários, dias de funcionamento e se é necessário agendamento.

Vinícola Concha y Toro: degustando

Vinícola Concha y Toro: o Casillero del Diablo

Vinícola Concha y Toro: mais degustação

As praias

Muitas pessoas que visitam Santiago aproveitam para fazer um bate-volta para Valparaíso e Viña del Mar (divididas por apenas 10 km). Essas cidades ficam a 140 km de Santiago, e há muitas empresas de ônibus que fazem o trecho (como a Turbus, por exemplo), porém, você pode comprar a passagem assim que chegar em Santiago. Algumas pessoas fazem esse passeio com agência, mas eu particularmente acho que por conta é sempre melhor, para ter liberdade de escolher onde ir e quanto tempo ficar. Entre as duas cidades existe o Merval, um metrô de superfície.

Viña del Mar: castelo Wulff

Em Valparaíso você pode visitar a casa de Pablo Neruda La Sebastiana, como mencionei anteriormente. Outro ponto interessante é o Cerro Alegre, que possui casas tombadas pela Unesco, e é possível chegar de funicular. Em Viña del Mar, há o famoso relógio de flores. Você pode caminhar pela orla, o que é bem agradável, e visitar o Cassino, o Castelo Wulff e o museu Fonck. Se você for visitar as duas cidades, pode comprar a passagem de ônibus por uma e a volta pela outra.

Viña del Mar

Viña del Mar

Viña del Mar

Algumas pessoas dormem nessas cidades e aproveitam para conhecer Isla Negra, onde está a terceira casa de Pablo Neruda. Há ônibus tanto de Valparaíso (83 km) quanto de Santiago (110 km).

Viña del Mar

Valparaíso: La Sebastiana

Valparaíso

Mas e a neve?

Se você está em Santiago no inverno certamente quer ver neve! As montanhas nevadas ao redor de Santiago são incríveis! As estações de esqui (Valle Nevado, Farellones, El Colorado e La Parva) ficam a cerca de 90 minutos da cidade. Verifique nos sites os horários, valores e atrações que estão funcionando devido à quantidade de neve do dia. Como eu queria explorar bem esse tipo de passeio deixei 2 dias para isso.

Não recomendo que vá de carro alugado, pois é necessário ter experiência com correntes de gelo nos pneus, e a serra parece ser perigosa. A melhor opção é contratar uma agência para te levar. Uma das melhores é a Ski Total. Além disso, há também a TurisTour, a Snowtours e a Turistik. As agências também costumam incluir o valor de entrada nas estações de esqui. Todas as agências passam em locais que alugam roupa impermeável e quente o suficiente para neve. Se você contratar uma aula de esqui ou snowboard, precisará alugar essas roupas. Caso você vá só fazer tubbing e brincar na neve, é possível se virar com roupas de frio em camadas, gorros, luvas e cachecóis.

No caminho para o Valle Nevado

Valle Nevado: meu primeiro contato com neve

No hotel do Valle Nevado

Eu fiz um dia de passeio pelo Valle Nevado e La Parva (incluindo parada para tubing) e um dia de passeio em Farellones e aula de esqui em El Colorado. Também dá para fazer aula de snowboard. Há muitas atividades nesses centros de esqui, como teleféricos e gôndolas, e várias maneiras de escorregar na neve, é tudo muito divertido! Veja nos sites do Valle Nevado e Farellones quais atividades estarão funcionando e os valores.

Valle Nevado: encantada com neve pela primeira vez!

Valle Nevado

Nas estações de esqui

Algumas pessoas pegam um tour para a estação de esqui Portillo, mas fica a 3h de Santiago.

Esse é divertidíssimo!

Farellones

El Colorado: pista de esqui dos iniciantes

Um bate-volta alternativo

Um bate-volta que tem se tornado bem popular ultimamente é passar um dia na região de Cajón del Maipo, a 1h30 de Santiago. Lá tem muita coisa para se fazer e, para ser sincera, se você só tem 1 dia mesmo vale a pena o bate-volta. Mas depois que conheci, morro de vontade de ir e ficar mais dias. No caminho, a principal cidade é San José del Maipo. Próximo a essa cidade há um outro centro de esqui, o Lagunillas.

El Colorado: na pista de esqui fazendo aulinha

El Colorado: teleférico

El Colorado: pessoal expert esquiando

A maior atração é a represa Embalse el Yeso, responsável por grande parte do abastecimento de água de Santiago (visite mais ou menos de outubro a abril, no inverno as estradas ficam fechadas). Ao se aproximar do local, primeiro você passará pelas Las Cascaras, uma espécie de casa onde os construtores da represa moraram no período da construção, que durou 10 anos.

El Colorado: eles são fera!

El Colorado: UAU!

El Colorado: cada um vai como pode rs

Chegando em Embalse el Yeso, você verá lindas montanhas, geralmente com neve no topo, dependendo da época que for, e uma azulzíssima (e geladíssima) represa. Na verdade, misturam-se tons de azul e de verde. A paisagem muda muito dependendo da época. É possível caminhar em volta da represa, indo até uma espécie de praia. Muitas pessoas que vivem em Santiago frequentam o local para acampar e fazer piqueniques, pescar e admirar a bela paisagem. Lá não tem estrutura nenhuma, então leve água e lanchinho.

Caminho para Embalse el Yeso

Caminho para Embalse el Yeso

No auge do verão poderia até ser possível ir de carro alugado, mas a estrada é um tanto difícil, cheia de pedregulhos, curvas perigosas e sem placas, então não recomendo. Por isso, a maioria das pessoas contrata agência para levar. Eu fui com a Viagem Certa (Facebook e site) e recomendo! Os valores são para dividir pelo grupo, mas a agência pode encaixar quem está sozinho ou em pouca gente com outras pessoas se quiser. Outra agência bem recomendada é a Indo pro Chile.

De lá, é possível visitar as Termas del Plomo, a 40 minutos de distância de Embalse. As águas termais das Termas del Plomo são provenientes do vulcão San José.

Caminho para Embalse el Yeso: Las Cascaras, as casas onde os construtores da represa moraram

Caminho para Embalse el Yeso: Las Cascaras, as casas onde os construtores da represa moraram

Outros locais de águas termais famosos na região são o Baños Morales e o Baños Colinas. Em Baños Morales é possível ir de ônibus. Já o Monumento Natural El Morado é um local ótimo para quem gosta de trilhas. No verão, é possível fazer rafting com agências de San José del Maipo.

Finalmente Embalse el Yeso

Embalse el Yeso: água gelaaaada

Embalse el Yeso: praia ao fundo

Em 1 dia você consegue, saindo bem cedo de Santiago e voltando no início da noite, visitar Embalse el Yeso + algum local de termas.

Então, vendo tudo isso, apesar de eu ter feito um bate-volta só para Embalse el Yeso, quero muito voltar para a região e, talvez, dormir em San José del Maipo, para ir nas termas, fazer trilhas nas montanhas e ver, por que não, Embalse com neve.

Embalse el Yeso: reflexos perfeitos

Embalse el Yeso: praia lá no fundo

Embalse el Yeso: cavalos selvagens

Resumão do básico (a seu gosto)

– 1 dia na cidade de Santiago (se quiser fazer mais coisas, 2 dias)

– ½ ou 1 dia nas vinícolas (se for visitar mais vinícolas ou as que estão mais distantes de Santiago, mais dias)

– 1 dia em Valparaíso e Viña del Mar (se for para Isla Negra, mais 1 dia)

– 1 dia em Cajón del Maipo (se não for inverno) (se quiser explorar mais a região, 2 dias)

– 1 dia para ver neve nas estações de esqui (se for inverno) (ou 2 se você quer visitar mais de uma estação de esqui e brincar mais na neve)

Embalse el Yeso: to admirada com o lugar!

Embalse el Yeso: no inverno as montanhas ficam branquinhas, a paisagem muda totalmente!

Embalse el Yeso: sol a pino

Este é um relato básico do que há mais perto da capital Santiago, e você pode encaixar várias visitas a cidade de passagem para outros destinos no Chile, país tão apaixonante e tão diverso!

O Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena, abriga uma trilha considerada uma das mais lindas do mundo: o circuito O (ou o circuito W, parte do O). É um lugar incrivelmente surreal, perfeito para quem ama trilhas, mas que possibilita aventuras tanto para quem não é de trilha quanto para quem já é experiente. Criado em 1959, o parque tem 227.298 hectares, e foi considerado uma Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978. A Corporação Nacional Florestal (CONAF) administra a área desde 1973.

Vista de El Calafate do avião

Quando ir?

Geralmente, o período de visitação é de 1 de outubro a 30 de abril. Ou seja, é possível visitar o parque o ano todo, porém, não aconselho a ir fora desse intervalo de datas, pois a maioria das trilhas fecha no período do inverno por excesso de neve (e excesso de possibilidade de perrengue!). Eu diria que outubro e abril já são os meses limite de visitação, pois você dependerá um pouco mais da sorte com as condições climáticas para conseguir fazer as atividades. Para você visitar feliz da vida, mas ainda com imprevisibilidade climática, porém maior chance de se dar bem, o ideal seria de novembro a março.

A entrada no parque custa 21.000 pesos chilenos, com pagamento somente em dinheiro. Para mais informações e atualizações, consulte o site do Parque Nacional Torres del Paine.

Vista de El Calafate do avião

Como chegar?

Para chegar, a cidade mais próxima do parque é Puerto Natales, uma cidade com alto nível de fofura! Você precisará pegar um ônibus de Puerto Natales para o parque, e neste link estão os horários e empresas que fazem o trajeto, como por exemplo a Buses Gomez e a Buses Maria José, além da Bus Sur. Para informações sempre atualizadas, consulte o próprio site de cada empresa que faz o trecho. Puerto Natales está a 115 km da portaria Laguna Amarga no parque, o que é feito em 1h de viagem. Eu comprei todas as passagens de ônibus dessa viagem na hora sem problemas e fui no período do carnaval, porém compre assim que chegar na cidade para garantir.

Vista de El Chalten do avião: veja o Fitzroy ao fundo

E Puerto Natales, como chegar? Você pode voar para Punta Arenas e de lá há ônibus regulares (que também comprei na hora, mas assim que cheguei na cidade para garantir), como por exemplo o da Buses Fernandez, Buses Pacheco e Bus Sur. O trajeto de Punta Arenas a Puerto Natales é de cerca de 3 horas pelos 248 km que dividem as cidades. Algumas pessoas, que estão viajando por outros locais da Patagônia, podem estar vindo de El Calafate, por exemplo, e a Bus Sur também faz o trajeto, de 5h de viagem. Muitas pessoas perguntam se é possível fazer apenas um bate-volta de El Calafate, e realmente não aconselho, pelas grandes distâncias.

Vista aérea de El Calafate

Como podem ver, há várias empresas de ônibus que fazem tanto o trajeto de Puerto Natales ao parque quanto de Punta Arenas ou El Calafate a Puerto Natales. As cidades de Punta Arenas e El Calafate recebem voos de empresas como Latam e Sky Airline vindos de outras cidades do Chile, como a capital Santiago.

Puerto Natales

Refúgio Torre Norte, Parque Nacional Torres del Paine

Os passeios

Como disse no início desta postagem, há várias maneiras de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine. Para quem não quer fazer trilhas, ou faria apenas trilhas curtas, ou, ainda, não tem muitos dias disponíveis, existe a possibilidade de conhecer trechos do parque e fazer outras atividades diversificadas. Em Puerto Natales há agências que oferecem passeios “full day”, que duram de 1 a vários dias, e geralmente levam ao Monumento Natural Cueva del Milodón, Lago Nordenskjöld, Salto Grande, Lago Pehoe, rio Paine e lago Grey, por exemplo.

Perto do refúgio Torre Central, Parque Nacional Torres del Paine

Trilha para Las Torres del Paine

Algumas pessoas, em vez de agência, alugam um carro e visitam esses pontos mencionados por conta. Pode-se, por exemplo, ir até a Portaria Sarmiento, caminhar até o Salto Grande e de lá pegar uma trilha de 1 hora de ida até o Mirador dos Cuernos. Há passeios de barco no lago Pehoe também. Pode-se optar, por exemplo, por fazer somente uma navegação pelo lago Grey e caminhar por 2h (ida e volta) até o Glacial Grey, ou então, fazer 1 dia de caminhada (18 km ida e volta) até Las Torres, cartão-postal de Torres del Paine. Só aqui já tem 3 dias de passeio independentes um do outro.

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

O importante é sempre verificar as condições climáticas do parque, pois muitas vezes venta bastante, impossibilitando alguns passeios, ou então as Torres del Paine podem estar encobertas por nuvens, o que não deixaria o passeio tão bonito assim.

Primeiro dia do circuito W: mapa entre refúgio e las Torres

Primeiro dia do circuito W: trecho final da trilha para Las Torres del Paine

A trilha

Só que meu relato é sobre o circuito W, uma trilha de aproximadamente 70 km que seria uma parte do circuito completo, o circuito O, com cerca de 120 km. Para o circuito W, geralmente as pessoas fazem a trilha em 4 ou 5 dias. Eu pessoalmente acho 4 dias meio corrido e fiz em 5, que achei ideal (não sou nem uma atleta, mas não sou sedentária). Já para o circuito O (que ainda não fiz), leio relatos de gente que fez em 7 a 10 dias, mas 8 dias parece ser maioria. O mapa oficial abaixo mostra bem todos os atrativos e as rotas, bem como os tempos de caminhada. É possível ver que a parte inferior da rota marcada em vermelho forma o desenho de uma letra W, e a rota inteira seria um O, por ser circular. As trilhas são autoguiadas, os mapas são bem detalhados e há placas indicativas durante todo o caminho, portanto, se você tem um pouco de experiência com trilhas não é necessário contratar guia.

Clique para abrir maior. Mapa do Parque Nacional Torres del Paine. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/upload/files/Mapa2017-2018.pdf

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Para fazer o O é necessário ser um trilheiro já experiente. Para o W não precisa tanto, mas é preciso um condicionamento médio e experiência em trilhas e também em camping se for acampar. Verifique no mapa que, para fazer o O, é necessário uma direção específica para a caminhada. Já para o W não é preciso, mas a maioria das pessoas inicia por Las Torres. A CONAF reforça as normas de visitação alertando sobre a quantidade permitida de visitantes diários, o motivo de o circuito O (maciço Paine Grande) ser unidirecional e a necessidade de reservar mesmo os acampamentos gratuitos neste link.

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Hospedagens

Antes de ir você precisará fazer as reservas das hospedagens, principalmente se for ficar nos refúgios. No circuito W há 2 campings gratuitos,  Guarderia Torres (perto já das Torres del Paine) e o Acampamento Italiano, e no O, o acampamento Paso também. O link para reserva é este. O site do Parque explica sobre o sistema de reservas de campings e abrigos. Encontrei também um camping particular pela internet que fica no Lago Pehoe, fora do circuito W, que talvez seja útil para quem não estiver fazendo o trekking, mas sim passeios de menos dias.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Alguns locais de hospedagem têm tomadas, mas nunca é garantido funcionarem, ou muitas vezes há excesso de pessoas tentando utilizá-las. Portanto, previna-se com baterias extras para garantir caso não consiga carregar seus equipos. Outra opção de hospedagem é ficar num dos caros hotéis dentro do parque, mostrados em uma pesquisa pelo Booking ou em seus sites oficiais.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Os acampamentos e os refúgios precisam ser reservados com antecedência, pois principalmente os refúgios costuram ter as vagas esgotadas logo. São 2 empresas que tomam conta do sistema de reservas, a Fantástico Sur e a Vértice Patagônia. A Fantástico Sur administra os refúgios Torre Central, Torre Norte, Los Cuernos e El Chileno. Também é responsável pelos campings Serón, Los Cuernos, El Chileno, Central e Francês. Já a Vértice Patagônia é a concessionária dos refúgios Paine Grande, Grey e Dickson, bem como dos campings Paine Grande, Grey, Dickson e Los Perros. Veja abaixo um mapa com algumas das hospedagens que cada empresa administra.

Clique para aumentar. Mapa dos administradores das reservas de algumas hospedagens no parque. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/sistema-de-reserva-de-campamentos-1

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos acampamentos gratuitos a estrutura é bem simples, mas há sanitários e área de cozinha. Já nos campings pagos há chuveiro quente, cozinha e possibilidade de alugar equipamentos, inclusive a barraca. Aliás, se for acampar é importante levar uma barraca que aguente os intensos ventos patagônicos. Se não tiver, o melhor é alugar uma em Puerto Natales, e lá há vários locais que alugam o que você for precisar para sua estada em Torres del Paine bem mais barato que no parque.

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos refúgios o que consta nas camas é lençol e travesseiro. Portanto, é importante levar um saco de dormir para se aquecer. Também nos refúgios você pode, ao reservar pelo site, escolher refeições inclusas. A vantagem de ficar nos refúgios é não precisar carregar peso de barracas e outros equipamentos. Porém, achei a comida no Torres del Paine muito cara, por isso reservei somente minhas hospedagens sem alimentação e levei um fogareiro e comida para todos os dias que permaneci no parque. Se você for cozinhar, isso deve ser feito nas cozinhas dos campings, mesmo que esteja hospedado nos refúgios. Quanto à água, leve sua garrafa e reabasteça-a no caminho, pois toda a água do parque é potável, tanto das torneiras das hospedagens quanto dos rios que cruzar (e não tem água mais gostosa que a de degelo das montanhas!).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Normas de segurança

Antes de iniciar seu tour, é importante estar atento às normas de segurança do parque. A mais importante de todas é não fazer fogueiras, pois tempos atrás houve um terrível incêndio no parque por conta de turistas que fizeram fogo. Também é expressamente proibido acender fogareiros fora das áreas permitidas para isso. Além disso, não pode acampar fora dos campings. Não seguir as regras implica em severas multas. Aqui estão todas as normas do parque. Segue um vídeo do parque explicando o principal.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

O que levar?

É importante que leve roupa de trilha, corta-vento (capa de chuva), roupas para frio (segunda pele, fleece, gorro, luva etc.), tênis de trilha (e um par de chinelos para relaxar à noite), bastões de caminhada (de preferência 2, para te equilibrar nos momentos de vento), material para cozinhar se fizer suas refeições dessa forma, saco de dormir e lanterna, garrafa de água, algo para fotografar, protetor solar e protetor labial, óculos escuros, remédios e curativos. Porém, sempre priorize levar o mínimo de peso possível, que aguente carregar caminhando por todos esses dias.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Uma dica: se você não tiver uma capa de chuva para mochilas pode colocar suas coisas dentro de um saco de lixo grande e aí sim colocar o saco com as coisas dentro da mochila, assim tudo ficará protegido caso pegue chuva.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Agora, finalmente vamos ao meu relato!

Eu fiz essa viagem com uma grande amiga, e fomos só nós duas para o circuito W. Ao chegar em Puerto Natales, fui extremamente bem recebida por um hostel da cidade para pernoitar, pois seguiria para o parque somente no dia seguinte. Eles me indicaram locais para comprar um gás para meu fogareiro (não pode levar o gás no avião, só o fogareiro) e alugar o que precisava. Passei num mercadinho e adquiri o que seriam minhas refeições pelos próximos 5 dias: intercalei um dia de macarrão com molho vermelho com um dia de arroz de saquinho e feijão pronto; coisas para beliscar por 5 dias, como maçã e barra de cereal; um pão e algo para passar nele para o café da manhã, e café solúvel. Os hostels de Puerto Natales geralmente guardam as coisas que você levou e que não vai precisar no trekking, assim você não precisa carregar peso desnecessário.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Primeiro dia

No dia seguinte peguei o ônibus para iniciar o circuito W, descendo na portaria Laguna Amarga. É preciso guardar bem o ingresso do parque, pois é possível que te peçam durante sua caminhada. Quando você comprar o ingresso, receberá também um mapa do parque. Se estiver com seu passaporte, há um belo carimbo de TDP nessa portaria para estampá-lo. Dessa portaria peguei o ônibus (3.000 pesos chilenos) para o refúgio Torre Central, comprado à parte na hora (são 7 km). Minha hospedagem da noite seria o refúgio Torre Norte.

Terceiro dia no Circuito W: Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Chegando lá e após me acomodar e deixar minhas coisas, parti somente com mochila de ataque para a trilha em direção às Torres del Paine. Deu tempo de fazer isso somente porque o por do sol no verão é tardio, pois iniciei a trilha no horário do almoço (após comer bem para aguentar a caminhada rs). A trilha do refúgio Torre Central até as Torres del Paine tem 18 km ida e volta. São 3,5h a 5h de trilha só de ida, mais o tempo que ficar lá. Portanto, eu cheguei de volta em meu refúgio por volta das 21h ou 21h30 (quase o horário limite de usar a cozinha do camping).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

No início a visão das Torres estava encoberta, mas depois o tempo foi abrindo. Tive sorte, pois é possível fazer essa trilha e não ver esse belíssimo lugar por conta das condições climáticas. Ela é bem demarcada e certamente, não só nesse trecho como em outros do Circuito W, haverá outras pessoas fazendo o mesmo percurso que você. Você verá belíssimas paisagens pelo caminho. Do meio para o final da ida boa parte da trilha é subida, é um trekking cansativo, sobretudo no final, com várias pedras, mas com persistência será recompensador! Não desista, pois a visão das 3 torres com seu belo lago esmeralda na frente jamais sairá de sua cabeça!

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Algumas pessoas se hospedam numa parte do caminho dessa “perna” do W, no refúgio/acampamento Chileno ou no camping Torres (este último, principalmente se o plano for ver o por ou o nascer do sol nas Torres). Caso vente ou chova excessivamente, dê um tempo na sua caminhada até as condições climáticas abrandarem.

Terceiro dia no Circuito W: chegando ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: tudo bem sinalizado sempre!

Segundo dia

Em meu segundo dia caminhei já com minha mochila cargueira com todas as coisas, pois iria do refúgio Torre Norte para meu segundo ponto de pernoite, o refúgio Los Cuernos. Esse trecho de 11 km é previsto para ser feito em 4,5 horas, e no caminho você terá a bela vista do lago Nordenskjöld. Como tinha feito as Torres no dia anterior, ainda estava relativamente descansada, e achei esse dia de caminhada mais tranquilo por ser mais curto e com menos subidas. Aliás, essa foi uma vantagem de fazer as Torres no primeiro dia, estar bem descansada. Porém, algumas pessoas, que fazem o W invertido, pensam em deixar as Torres para o último dia para ter uma folga de dias depois: caso não dê para ir nas Torres por conta de condições climáticas no dia que chegarem na região, podem tentar no dia seguinte. Mas daí você já estará cansado do circuito inteiro e isso poderá ser mais exaustivo.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Se você for fazer o W invertido, após seu ônibus passar na portaria Laguna Amarga você deve entrar no ônibus de volta e seguir para a portaria Pudeto e pegar o barco para o refúgio Paine Grande, algo que vou descrever ao contrário no final deste relato.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Chegando no refúgio Los Cuernos, assim como no Torre Norte, o clima foi de descontração, pois os refúgios são quase hostels, com vários trilheiros trocando experiências, a cozinha cheia de gente jogando conversa fora e todos animados apesar do cansaço.

Quarto dia no Circuito W: o Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Terceiro dia

Meu terceiro dia foi o mais puxado de todos. Fiz a parte central da letra W, caminhando do refúgio Los Cuernos, passando pelo acampamento Italiano para fazer essa “perna” central do W subindo até o Mirador Francês e Mirador Britânico, e daí descendo de volta até o acampamento Italiano e caminhando até o refúgio Paine Grande. Somando tudo, foram uns 25 km andando nesse dia. De Los Cuernos até o acampamento Italiano foram 5 km, deste até o Mirador Francês e Mirador Britânico, mais 6 km. Depois, mais 6 km da volta do mirador até o acampamento Italiano, e deste até o refúgio Paine Grande, 7,6 km. Foram cerca de 8h a 10h caminhando, um dia todo!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

O trecho de Los Cuernos até o acampamento Italiano foi relativamente tranquilo. Quando você chega no acampamento Italiano, você pode deixar sua mochila no local para subir até o Mirador Francês e Mirador Britânico sem peso (o que é extremamente reconfortante!). Pode deixar suas coisas, ninguém mexe! A caminhada do acampamento Italiano até o Mirador é toda de subida e cheia de pedras. Porém, do caminho você verá lindas geleiras, avistará os lagos Nordenskjöld e Pehoe, é um trecho imperdível! Força porque, ao chegar no Mirador, a vista para a cadeira de montanhas, os Cuernos, é incrível! Tive a sorte de pegar tempo aberto e essa vista é rodeada das lindas montanhas, é um dos destaques do dia!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

A descida foi mais tranquila, voltei ao acampamento Italiano, recuperei minha mochila e segui para o refúgio Paine Grande. Depois da cansativa subida ao Mirador do Vale do Francês, já estava fatigada, e esse trecho de 7,6 km até o Paine Grande pareceu não acabar nunca! A uns 2 km do refúgio conheci finalmente os fortes ventos patagônicos da região e agradeci por estar com 2 bastões, que me equilibraram com o peso que eu carregava na trilha. Até agora eu não acredito que eram só 2 km que faltavam! Cheguei quase anoitecendo ao refúgio.

Esse é o Calafate!

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quarto dia

No quarto dia acordei descansada e segui para a trilha de 11 km do refúgio Paine Grande até o refúgio Grey, a “perna” final do W. Antes de sair, confirmei meu barco para ir embora para o dia seguinte saindo do Paine Grande, às 11h30. As pessoas que fazem o circuito W em 4 dias geralmente fazem esse trecho de Paine Grande ao Grey ida e volta no mesmo dia, totalizando 22 km. Porém, como fiz em 5 dias e caminho tranquilamente, eu fiz só a ida e dormi no refúgio Grey (sou uma trilheira de nível médio rs).

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

A caminhada não é muito difícil, mas eu estava cansada dos dias anteriores. Segundo o mapa são 3,5 horas, mas eu fiz em umas 5h. Passa-se pela Laguna de Los Patos e no geral, a vista é para o Lago Grey, que é lindíssimo! Em todas as vistas para esse lago avistei alguns icebergs. Depois, finalmente você chegará ao Mirador Grey, onde se vê o glacial Grey, uma visão belíssima! Continuando daí, já via o refúgio, que fica próximo do glacial, e parecia próximo, mas nunca chegava, numa descida extensa.

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Após finalmente chegar, larguei as coisas no refúgio Grey e fui ver o glacial de mesmo nome, que fica bem próximo. No caminho, com um outro viajante, aprendi a identificar os calafates, uma frutinha de planta rasteira e espinhenta que dá nome à cidade de El Calafate. Depois desse lanchinho me esbaldei de tirar fotos de icebergs e gelo! O lago com o glacial é incrível, você chega bem pertinho! Ao lado desse trecho do lado há um pequeno morro onde é possível subir e ter uma visão mais de cima. Estou maravilhada até hoje!

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

O clima no refúgio, como nos outros, era bem alegre, inclusive no bar do refúgio vendiam licor de calafate, a frutinha que comi no dia anterior. Eu até fiquei alegre demais e quase perdi minha bolsinha com todos os documentos e dinheiro, e as passagens de barco e ônibus do dia seguinte! Mas recuperei, ufa!

Quinto dia no Circuito W: barco que leva pelo Lago Pehoe do Paine Grande até a portaria Pudeto

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia

No dia seguinte fizemos o caminho de volta do Grey ao Paine Grande em menos tempo, 3,5 a 4h, caminhei mais depressa porque estava preocupada com o horário do barco. Aproveitando, esses são os horários dos barcos de partida, e geralmente o horário do barco de Paine Grande à portaria Pudeto é casado com o horário do ônibus de Pudeto para Puerto Natales.

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Fui embora cansada do total da caminhada, mas feliz. Despedi-me do parque passeando pelo lindo lago Pehoe, chegando à portaria e pegando o ônibus. O circuito W é inesquecível, e um dia voltarei para fazer o circuito O. Agora tenho a certeza do motivo pelo qual as trilhas do Parque Nacional Torres del Paine estão na lista das trilhas mais lindas do mundo!

A Ilha de Páscoa, ou Rapa Nui, está localizada a 3500 km da costa chilena. Foi descoberta em 1722 e depois anexada ao Chile. Há diversas lendas acerca do local e dos povos que lá viveram. Dizem que civilizações de origem polinésia aportaram por volta do ano 1000, e com elas trouxeram inúmeras crenças, o que gerou lendas e mistérios. Um dos mais intrigantes é a presença dos moais, enormes estátuas construídas a partir de rochas vulcânicas. Há mais de 600 moais espalhados por toda a ilha, e cada um tem de 1 a 10 metros de altura. Infelizmente a cultura desse povo praticamente desapareceu, restando somente lendas e crendices.

A ilha possui 4 vulcões, parte de uma cadeia rochosa com cerca de 3 milhões de anos. As explosões vulcânicas da época geraram a ilha, e é possível visitar alguns dos belíssimos vulcões, como Rano Kau e Rano Raraku.

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Vulcão Rano Kau

A maneira mais fácil de chegar na Ilha de Páscoa é a partir de um voo de Santiago, feito pela Lan, com duração de 5,5 horas. Ao chegar no aeroporto é interessante comprar o ingresso do Parque Nacional Rapa Nui, que fica ANTES da área de desembarque. Ele é vendido em outros pontos da ilha, mas esse é o que vai otimizar mais tempo, já que vai passar pelo aeroporto de qualquer forma e vai precisar do ingresso. Ele dá acesso a todas as regiões da ilha, e custa CLP$ 30.000,00 (pesos chilenos).

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Estrada que circula a ilha

A Ilha de Páscoa tem 22 km de extensão, o que possibilita percorrê-la de diversas maneiras, como carro ou scooter alugado, taxi, excursões, a cavalo, bicicleta ou a pé. Tudo isso a partir de Hanga Roa, o trecho da ilha que oferece casas, hotéis, pousadas, albergues, campings, restaurantes e venda de artesanato. Há também algumas operadoras que oferecem mergulho com cilindro e snorkeling (há alguns moais no fundo do mar colocados especialmente para os mergulhadores. Apesar de serem mais cenográficos acho que é bem bonito). Os veículos alugados não possuem seguro, e não é necessário ter carteira de motorista internacional.

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Uma das encostas da ilha

Para ir ao vulcão Rano Kau é possível ir de carro ou seguir por trilha, opção que eu escolhi. A trilha é bem demarcada e de nível médio de dificuldade por ser uma subida com 1 a 2 horas de duração a partir de Hanga Roa, contando o tempo de fotografar e descansar. Porém, o visual compensa muito com a vista do oceano sem fim e de Hanga Roa. O vulcão tem beleza ímpar. Seguindo acima há as ruínas da civilização Orongo, com centro de visitantes (não se esqueça de levar o ingresso comprado no aeroporto).

Nesse dia, cheguei em um voo na hora do almoço e deu tempo de ir para minhas acomodações, fazer essa caminhada até o vulcão Rano Kau, parando no caminho para ver alguns penhascos e o mar, visitar Orongo e, na volta para Hanga Roa, ver o sol se pondo atrás dos 5 moais já na cidade. Esse por do sol é mágico e inesquecível, e se fizer no primeiro dia, como eu fiz, será seu primeiro contato com os moais.

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Os 15 moais.

Para o segundo dia sugiro dar a volta na ilha parando em cada atrativo, e uma boa opção é alugar um carro, podendo assim parar nos pontos que bem entender por quanto tempo desejar. Também dá para pegar um tour com uma agência (assim é possível saber a história e curiosidades de cada ponto de parada) e tem aqueles que preferem fazer trechos de bike (não se esqueça dos 22 km só de ida caso queira dar a volta nela toda).

A volta com carro alugado é muito fácil, a estrada circular principal é toda pavimentada e estava em excelente estado quando fui. Por toda a ilha há paradas para ver paisagens maravilhosas e moais, o que é bem explicado em mapas distribuídos em Hanga Roa. Pegue seu mapa e vá seguindo todas as indicações de onde estão os moais, parando em cada um. Há um ponto onde estão os 15 moais, local belíssimo em qualquer horário. Algumas pessoas vão lá para ver o nascer do sol atrás dos moais, de acordo com a época do ano. Eu fiz esse dia todo de passeio com carro alugado, e como o aluguel é por 24h, acordei 5h da manhã no dia seguinte e segui para esse local para ver o sol nascer, mas tem excursões para isso também. É a foto que abre este post!

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Vista dos 15 moais a partir da fábrica de moais

Nesse dia de passeio de volta à ilha, outra parada obrigatória é o vulcão Rano Raraku, onde está o vulcão e a famosa fábrica de moais. É lá que a antiga civilização construía os moais, retirando desse vulcão a matéria-prima e, por isso, é uma região de grande concentração deles. Não se esqueça de seu ingresso, e lá segue-se por uma trilha para ver os enormes moais e o vulcão.

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Na fábrica de moais

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Por do sol atrás dos 5 moais.

Nessa volta na ilha, lembre-se de levar roupa de banho. Isso porque apesar de ser rodeada por encostas rochosas não tão boas para banhar-se no mar, a ilha possui 2 belíssimas praias de águas azuis claras: Anakena e Ovahe. A primeira é mais cheia de turistas, e a segunda, mais isolada, uma joia do mar. Nesta observa-se a coloração rosada na areia, produto de rochas vulcânicas.

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Praia Anakena

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Praia Ovahe, minha preferida!

Há diversos outros pontos de ruínas, moais e desenhos que podem ser localizados pelo mapa da ilha. Então lembre-se de que esse é um dia cheio de atividades e é preciso acordar bem cedo para aproveitar tudo!

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Vulcão Rano Raraku.

Outra ideia interessante é contratar um passeio de cavalo para visitar a parte central da ilha, perto do vulcão Terevaka, que seria a mais elevada e com a melhor vista, e também as cavernas. Estas provavelmente são resultado vulcânico também, e após poucos metros, de forma surpreendente e única, elas se abrem na forma de janelões para o Pacífico.

Eu por acaso peguei um táxi para o início da trilha para fazer a pé só o vulcão, sem saber das cavernas, e encontrei uma excursão com cavalos já no alto da montanha. Assim me juntei ao grupo e fiz o passeio, mas o mais garantido seria contratar previamente na cidade. Foi inesquecível a cavalgada, as paisagens vistas desse ponto são belíssimas, e nesse dia mais uma vez vê-se que a Ilha de Páscoa não é feita só de Moais! As cavernas são pequenas, não é preciso andar muito dentro delas para encontrar essas maravilhosas aberturas para o mar. Eu imagino que sem um guia seja difícil encontrá-las.

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Vista da parte central da ilha perto do vulcão Terevaka

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Uma das cavernas que se abre pro mar

À noite pode-se passear por restaurantes e bares, além de ver um show de música e danças típicas, é muito contagiante. Se quiserem ver, aqui tem um vídeo que fiz de uma parte desse show. Há um centro de apoio ao turista que orienta sobre os diversos shows. No correio local dá para carimbar o passaporte e ter mais uma recordação. Outro lugar interessante para visitar é o museu local, que conta melhor sobre os moais e as lendas. Para ter uma ideia e planejar melhor sua viagem antes de ir, sugiro olhar alguns mapas para ver as regiões da ilha, como o mapa após o vídeo.

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa da Ilha de Páscoa. Fonte: https://www.suasnews.com/2012/12/easter-island-mapped-by-uas/