O Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena, abriga uma trilha considerada uma das mais lindas do mundo: o circuito O (ou o circuito W, parte do O). É um lugar incrivelmente surreal, perfeito para quem ama trilhas, mas que possibilita aventuras tanto para quem não é de trilha quanto para quem já é experiente. Criado em 1959, o parque tem 227.298 hectares, e foi considerado uma Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978. A Corporação Nacional Florestal (CONAF) administra a área desde 1973.

Vista de El Calafate do avião

Quando ir?

Geralmente, o período de visitação é de 1 de outubro a 30 de abril. Ou seja, é possível visitar o parque o ano todo, porém, não aconselho a ir fora desse intervalo de datas, pois a maioria das trilhas fecha no período do inverno por excesso de neve (e excesso de possibilidade de perrengue!). Eu diria que outubro e abril já são os meses limite de visitação, pois você dependerá um pouco mais da sorte com as condições climáticas para conseguir fazer as atividades. Para você visitar feliz da vida, mas ainda com imprevisibilidade climática, porém maior chance de se dar bem, o ideal seria de novembro a março.

A entrada no parque custa 21.000 pesos chilenos, com pagamento somente em dinheiro. Para mais informações e atualizações, consulte o site do Parque Nacional Torres del Paine.

Vista de El Calafate do avião

Como chegar?

Para chegar, a cidade mais próxima do parque é Puerto Natales, uma cidade com alto nível de fofura! Você precisará pegar um ônibus de Puerto Natales para o parque, e neste link estão os horários e empresas que fazem o trajeto, como por exemplo a Buses Gomez e a Buses Maria José, além da Bus Sur. Para informações sempre atualizadas, consulte o próprio site de cada empresa que faz o trecho. Puerto Natales está a 115 km da portaria Laguna Amarga no parque, o que é feito em 1h de viagem. Eu comprei todas as passagens de ônibus dessa viagem na hora sem problemas e fui no período do carnaval, porém compre assim que chegar na cidade para garantir.

Vista de El Chalten do avião: veja o Fitzroy ao fundo

E Puerto Natales, como chegar? Você pode voar para Punta Arenas e de lá há ônibus regulares (que também comprei na hora, mas assim que cheguei na cidade para garantir), como por exemplo o da Buses Fernandez, Buses Pacheco e Bus Sur. O trajeto de Punta Arenas a Puerto Natales é de cerca de 3 horas pelos 248 km que dividem as cidades. Algumas pessoas, que estão viajando por outros locais da Patagônia, podem estar vindo de El Calafate, por exemplo, e a Bus Sur também faz o trajeto, de 5h de viagem. Muitas pessoas perguntam se é possível fazer apenas um bate-volta de El Calafate, e realmente não aconselho, pelas grandes distâncias.

Vista aérea de El Calafate

Como podem ver, há várias empresas de ônibus que fazem tanto o trajeto de Puerto Natales ao parque quanto de Punta Arenas ou El Calafate a Puerto Natales. As cidades de Punta Arenas e El Calafate recebem voos de empresas como Latam e Sky Airline vindos de outras cidades do Chile, como a capital Santiago.

Puerto Natales

Refúgio Torre Norte, Parque Nacional Torres del Paine

Os passeios

Como disse no início desta postagem, há várias maneiras de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine. Para quem não quer fazer trilhas, ou faria apenas trilhas curtas, ou, ainda, não tem muitos dias disponíveis, existe a possibilidade de conhecer trechos do parque e fazer outras atividades diversificadas. Em Puerto Natales há agências que oferecem passeios “full day”, que duram de 1 a vários dias, e geralmente levam ao Monumento Natural Cueva del Milodón, Lago Nordenskjöld, Salto Grande, Lago Pehoe, rio Paine e lago Grey, por exemplo.

Perto do refúgio Torre Central, Parque Nacional Torres del Paine

Trilha para Las Torres del Paine

Algumas pessoas, em vez de agência, alugam um carro e visitam esses pontos mencionados por conta. Pode-se, por exemplo, ir até a Portaria Sarmiento, caminhar até o Salto Grande e de lá pegar uma trilha de 1 hora de ida até o Mirador dos Cuernos. Há passeios de barco no lago Pehoe também. Pode-se optar, por exemplo, por fazer somente uma navegação pelo lago Grey e caminhar por 2h (ida e volta) até o Glacial Grey, ou então, fazer 1 dia de caminhada (18 km ida e volta) até Las Torres, cartão-postal de Torres del Paine. Só aqui já tem 3 dias de passeio independentes um do outro.

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

O importante é sempre verificar as condições climáticas do parque, pois muitas vezes venta bastante, impossibilitando alguns passeios, ou então as Torres del Paine podem estar encobertas por nuvens, o que não deixaria o passeio tão bonito assim.

Primeiro dia do circuito W: mapa entre refúgio e las Torres

Primeiro dia do circuito W: trecho final da trilha para Las Torres del Paine

A trilha

Só que meu relato é sobre o circuito W, uma trilha de aproximadamente 70 km que seria uma parte do circuito completo, o circuito O, com cerca de 120 km. Para o circuito W, geralmente as pessoas fazem a trilha em 4 ou 5 dias. Eu pessoalmente acho 4 dias meio corrido e fiz em 5, que achei ideal (não sou nem uma atleta, mas não sou sedentária). Já para o circuito O (que ainda não fiz), leio relatos de gente que fez em 7 a 10 dias, mas 8 dias parece ser maioria. O mapa oficial abaixo mostra bem todos os atrativos e as rotas, bem como os tempos de caminhada. É possível ver que a parte inferior da rota marcada em vermelho forma o desenho de uma letra W, e a rota inteira seria um O, por ser circular. As trilhas são autoguiadas, os mapas são bem detalhados e há placas indicativas durante todo o caminho, portanto, se você tem um pouco de experiência com trilhas não é necessário contratar guia.

Clique para abrir maior. Mapa do Parque Nacional Torres del Paine. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/upload/files/Mapa2017-2018.pdf

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Para fazer o O é necessário ser um trilheiro já experiente. Para o W não precisa tanto, mas é preciso um condicionamento médio e experiência em trilhas e também em camping se for acampar. Verifique no mapa que, para fazer o O, é necessário uma direção específica para a caminhada. Já para o W não é preciso, mas a maioria das pessoas inicia por Las Torres. A CONAF reforça as normas de visitação alertando sobre a quantidade permitida de visitantes diários, o motivo de o circuito O (maciço Paine Grande) ser unidirecional e a necessidade de reservar mesmo os acampamentos gratuitos neste link.

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Hospedagens

Antes de ir você precisará fazer as reservas das hospedagens, principalmente se for ficar nos refúgios. No circuito W há 2 campings gratuitos,  Guarderia Torres (perto já das Torres del Paine) e o Acampamento Italiano, e no O, o acampamento Paso também. O link para reserva é este. O site do Parque explica sobre o sistema de reservas de campings e abrigos. Encontrei também um camping particular pela internet que fica no Lago Pehoe, fora do circuito W, que talvez seja útil para quem não estiver fazendo o trekking, mas sim passeios de menos dias.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Alguns locais de hospedagem têm tomadas, mas nunca é garantido funcionarem, ou muitas vezes há excesso de pessoas tentando utilizá-las. Portanto, previna-se com baterias extras para garantir caso não consiga carregar seus equipos. Outra opção de hospedagem é ficar num dos caros hotéis dentro do parque, mostrados em uma pesquisa pelo Booking ou em seus sites oficiais.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Os acampamentos e os refúgios precisam ser reservados com antecedência, pois principalmente os refúgios costuram ter as vagas esgotadas logo. São 2 empresas que tomam conta do sistema de reservas, a Fantástico Sur e a Vértice Patagônia. A Fantástico Sur administra os refúgios Torre Central, Torre Norte, Los Cuernos e El Chileno. Também é responsável pelos campings Serón, Los Cuernos, El Chileno, Central e Francês. Já a Vértice Patagônia é a concessionária dos refúgios Paine Grande, Grey e Dickson, bem como dos campings Paine Grande, Grey, Dickson e Los Perros. Veja abaixo um mapa com algumas das hospedagens que cada empresa administra.

Clique para aumentar. Mapa dos administradores das reservas de algumas hospedagens no parque. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/sistema-de-reserva-de-campamentos-1

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos acampamentos gratuitos a estrutura é bem simples, mas há sanitários e área de cozinha. Já nos campings pagos há chuveiro quente, cozinha e possibilidade de alugar equipamentos, inclusive a barraca. Aliás, se for acampar é importante levar uma barraca que aguente os intensos ventos patagônicos. Se não tiver, o melhor é alugar uma em Puerto Natales, e lá há vários locais que alugam o que você for precisar para sua estada em Torres del Paine bem mais barato que no parque.

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos refúgios o que consta nas camas é lençol e travesseiro. Portanto, é importante levar um saco de dormir para se aquecer. Também nos refúgios você pode, ao reservar pelo site, escolher refeições inclusas. A vantagem de ficar nos refúgios é não precisar carregar peso de barracas e outros equipamentos. Porém, achei a comida no Torres del Paine muito cara, por isso reservei somente minhas hospedagens sem alimentação e levei um fogareiro e comida para todos os dias que permaneci no parque. Se você for cozinhar, isso deve ser feito nas cozinhas dos campings, mesmo que esteja hospedado nos refúgios. Quanto à água, leve sua garrafa e reabasteça-a no caminho, pois toda a água do parque é potável, tanto das torneiras das hospedagens quanto dos rios que cruzar (e não tem água mais gostosa que a de degelo das montanhas!).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Normas de segurança

Antes de iniciar seu tour, é importante estar atento às normas de segurança do parque. A mais importante de todas é não fazer fogueiras, pois tempos atrás houve um terrível incêndio no parque por conta de turistas que fizeram fogo. Também é expressamente proibido acender fogareiros fora das áreas permitidas para isso. Além disso, não pode acampar fora dos campings. Não seguir as regras implica em severas multas. Aqui estão todas as normas do parque. Segue um vídeo do parque explicando o principal.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

O que levar?

É importante que leve roupa de trilha, corta-vento (capa de chuva), roupas para frio (segunda pele, fleece, gorro, luva etc.), tênis de trilha (e um par de chinelos para relaxar à noite), bastões de caminhada (de preferência 2, para te equilibrar nos momentos de vento), material para cozinhar se fizer suas refeições dessa forma, saco de dormir e lanterna, garrafa de água, algo para fotografar, protetor solar e protetor labial, óculos escuros, remédios e curativos. Porém, sempre priorize levar o mínimo de peso possível, que aguente carregar caminhando por todos esses dias.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Uma dica: se você não tiver uma capa de chuva para mochilas pode colocar suas coisas dentro de um saco de lixo grande e aí sim colocar o saco com as coisas dentro da mochila, assim tudo ficará protegido caso pegue chuva.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Agora, finalmente vamos ao meu relato!

Eu fiz essa viagem com uma grande amiga, e fomos só nós duas para o circuito W. Ao chegar em Puerto Natales, fui extremamente bem recebida por um hostel da cidade para pernoitar, pois seguiria para o parque somente no dia seguinte. Eles me indicaram locais para comprar um gás para meu fogareiro (não pode levar o gás no avião, só o fogareiro) e alugar o que precisava. Passei num mercadinho e adquiri o que seriam minhas refeições pelos próximos 5 dias: intercalei um dia de macarrão com molho vermelho com um dia de arroz de saquinho e feijão pronto; coisas para beliscar por 5 dias, como maçã e barra de cereal; um pão e algo para passar nele para o café da manhã, e café solúvel. Os hostels de Puerto Natales geralmente guardam as coisas que você levou e que não vai precisar no trekking, assim você não precisa carregar peso desnecessário.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Primeiro dia

No dia seguinte peguei o ônibus para iniciar o circuito W, descendo na portaria Laguna Amarga. É preciso guardar bem o ingresso do parque, pois é possível que te peçam durante sua caminhada. Quando você comprar o ingresso, receberá também um mapa do parque. Se estiver com seu passaporte, há um belo carimbo de TDP nessa portaria para estampá-lo. Dessa portaria peguei o ônibus (3.000 pesos chilenos) para o refúgio Torre Central, comprado à parte na hora (são 7 km). Minha hospedagem da noite seria o refúgio Torre Norte.

Terceiro dia no Circuito W: Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Chegando lá e após me acomodar e deixar minhas coisas, parti somente com mochila de ataque para a trilha em direção às Torres del Paine. Deu tempo de fazer isso somente porque o por do sol no verão é tardio, pois iniciei a trilha no horário do almoço (após comer bem para aguentar a caminhada rs). A trilha do refúgio Torre Central até as Torres del Paine tem 18 km ida e volta. São 3,5h a 5h de trilha só de ida, mais o tempo que ficar lá. Portanto, eu cheguei de volta em meu refúgio por volta das 21h ou 21h30 (quase o horário limite de usar a cozinha do camping).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

No início a visão das Torres estava encoberta, mas depois o tempo foi abrindo. Tive sorte, pois é possível fazer essa trilha e não ver esse belíssimo lugar por conta das condições climáticas. Ela é bem demarcada e certamente, não só nesse trecho como em outros do Circuito W, haverá outras pessoas fazendo o mesmo percurso que você. Você verá belíssimas paisagens pelo caminho. Do meio para o final da ida boa parte da trilha é subida, é um trekking cansativo, sobretudo no final, com várias pedras, mas com persistência será recompensador! Não desista, pois a visão das 3 torres com seu belo lago esmeralda na frente jamais sairá de sua cabeça!

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Algumas pessoas se hospedam numa parte do caminho dessa “perna” do W, no refúgio/acampamento Chileno ou no camping Torres (este último, principalmente se o plano for ver o por ou o nascer do sol nas Torres). Caso vente ou chova excessivamente, dê um tempo na sua caminhada até as condições climáticas abrandarem.

Terceiro dia no Circuito W: chegando ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: tudo bem sinalizado sempre!

Segundo dia

Em meu segundo dia caminhei já com minha mochila cargueira com todas as coisas, pois iria do refúgio Torre Norte para meu segundo ponto de pernoite, o refúgio Los Cuernos. Esse trecho de 11 km é previsto para ser feito em 4,5 horas, e no caminho você terá a bela vista do lago Nordenskjöld. Como tinha feito as Torres no dia anterior, ainda estava relativamente descansada, e achei esse dia de caminhada mais tranquilo por ser mais curto e com menos subidas. Aliás, essa foi uma vantagem de fazer as Torres no primeiro dia, estar bem descansada. Porém, algumas pessoas, que fazem o W invertido, pensam em deixar as Torres para o último dia para ter uma folga de dias depois: caso não dê para ir nas Torres por conta de condições climáticas no dia que chegarem na região, podem tentar no dia seguinte. Mas daí você já estará cansado do circuito inteiro e isso poderá ser mais exaustivo.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Se você for fazer o W invertido, após seu ônibus passar na portaria Laguna Amarga você deve entrar no ônibus de volta e seguir para a portaria Pudeto e pegar o barco para o refúgio Paine Grande, algo que vou descrever ao contrário no final deste relato.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Chegando no refúgio Los Cuernos, assim como no Torre Norte, o clima foi de descontração, pois os refúgios são quase hostels, com vários trilheiros trocando experiências, a cozinha cheia de gente jogando conversa fora e todos animados apesar do cansaço.

Quarto dia no Circuito W: o Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Terceiro dia

Meu terceiro dia foi o mais puxado de todos. Fiz a parte central da letra W, caminhando do refúgio Los Cuernos, passando pelo acampamento Italiano para fazer essa “perna” central do W subindo até o Mirador Francês e Mirador Britânico, e daí descendo de volta até o acampamento Italiano e caminhando até o refúgio Paine Grande. Somando tudo, foram uns 25 km andando nesse dia. De Los Cuernos até o acampamento Italiano foram 5 km, deste até o Mirador Francês e Mirador Britânico, mais 6 km. Depois, mais 6 km da volta do mirador até o acampamento Italiano, e deste até o refúgio Paine Grande, 7,6 km. Foram cerca de 8h a 10h caminhando, um dia todo!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

O trecho de Los Cuernos até o acampamento Italiano foi relativamente tranquilo. Quando você chega no acampamento Italiano, você pode deixar sua mochila no local para subir até o Mirador Francês e Mirador Britânico sem peso (o que é extremamente reconfortante!). Pode deixar suas coisas, ninguém mexe! A caminhada do acampamento Italiano até o Mirador é toda de subida e cheia de pedras. Porém, do caminho você verá lindas geleiras, avistará os lagos Nordenskjöld e Pehoe, é um trecho imperdível! Força porque, ao chegar no Mirador, a vista para a cadeira de montanhas, os Cuernos, é incrível! Tive a sorte de pegar tempo aberto e essa vista é rodeada das lindas montanhas, é um dos destaques do dia!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

A descida foi mais tranquila, voltei ao acampamento Italiano, recuperei minha mochila e segui para o refúgio Paine Grande. Depois da cansativa subida ao Mirador do Vale do Francês, já estava fatigada, e esse trecho de 7,6 km até o Paine Grande pareceu não acabar nunca! A uns 2 km do refúgio conheci finalmente os fortes ventos patagônicos da região e agradeci por estar com 2 bastões, que me equilibraram com o peso que eu carregava na trilha. Até agora eu não acredito que eram só 2 km que faltavam! Cheguei quase anoitecendo ao refúgio.

Esse é o Calafate!

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quarto dia

No quarto dia acordei descansada e segui para a trilha de 11 km do refúgio Paine Grande até o refúgio Grey, a “perna” final do W. Antes de sair, confirmei meu barco para ir embora para o dia seguinte saindo do Paine Grande, às 11h30. As pessoas que fazem o circuito W em 4 dias geralmente fazem esse trecho de Paine Grande ao Grey ida e volta no mesmo dia, totalizando 22 km. Porém, como fiz em 5 dias e caminho tranquilamente, eu fiz só a ida e dormi no refúgio Grey (sou uma trilheira de nível médio rs).

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

A caminhada não é muito difícil, mas eu estava cansada dos dias anteriores. Segundo o mapa são 3,5 horas, mas eu fiz em umas 5h. Passa-se pela Laguna de Los Patos e no geral, a vista é para o Lago Grey, que é lindíssimo! Em todas as vistas para esse lago avistei alguns icebergs. Depois, finalmente você chegará ao Mirador Grey, onde se vê o glacial Grey, uma visão belíssima! Continuando daí, já via o refúgio, que fica próximo do glacial, e parecia próximo, mas nunca chegava, numa descida extensa.

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Após finalmente chegar, larguei as coisas no refúgio Grey e fui ver o glacial de mesmo nome, que fica bem próximo. No caminho, com um outro viajante, aprendi a identificar os calafates, uma frutinha de planta rasteira e espinhenta que dá nome à cidade de El Calafate. Depois desse lanchinho me esbaldei de tirar fotos de icebergs e gelo! O lago com o glacial é incrível, você chega bem pertinho! Ao lado desse trecho do lado há um pequeno morro onde é possível subir e ter uma visão mais de cima. Estou maravilhada até hoje!

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

O clima no refúgio, como nos outros, era bem alegre, inclusive no bar do refúgio vendiam licor de calafate, a frutinha que comi no dia anterior. Eu até fiquei alegre demais e quase perdi minha bolsinha com todos os documentos e dinheiro, e as passagens de barco e ônibus do dia seguinte! Mas recuperei, ufa!

Quinto dia no Circuito W: barco que leva pelo Lago Pehoe do Paine Grande até a portaria Pudeto

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia

No dia seguinte fizemos o caminho de volta do Grey ao Paine Grande em menos tempo, 3,5 a 4h, caminhei mais depressa porque estava preocupada com o horário do barco. Aproveitando, esses são os horários dos barcos de partida, e geralmente o horário do barco de Paine Grande à portaria Pudeto é casado com o horário do ônibus de Pudeto para Puerto Natales.

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Fui embora cansada do total da caminhada, mas feliz. Despedi-me do parque passeando pelo lindo lago Pehoe, chegando à portaria e pegando o ônibus. O circuito W é inesquecível, e um dia voltarei para fazer o circuito O. Agora tenho a certeza do motivo pelo qual as trilhas do Parque Nacional Torres del Paine estão na lista das trilhas mais lindas do mundo!

A Ilha de Páscoa, ou Rapa Nui, está localizada a 3500 km da costa chilena. Foi descoberta em 1722 e depois anexada ao Chile. Há diversas lendas acerca do local e dos povos que lá viveram. Dizem que civilizações de origem polinésia aportaram por volta do ano 1000, e com elas trouxeram inúmeras crenças, o que gerou lendas e mistérios. Um dos mais intrigantes é a presença dos moais, enormes estátuas construídas a partir de rochas vulcânicas. Há mais de 600 moais espalhados por toda a ilha, e cada um tem de 1 a 10 metros de altura. Infelizmente a cultura desse povo praticamente desapareceu, restando somente lendas e crendices.

A ilha possui 4 vulcões, parte de uma cadeia rochosa com cerca de 3 milhões de anos. As explosões vulcânicas da época geraram a ilha, e é possível visitar alguns dos belíssimos vulcões, como Rano Kau e Rano Raraku.

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Vulcão Rano Kau

A maneira mais fácil de chegar na Ilha de Páscoa é a partir de um voo de Santiago, feito pela Lan, com duração de 5,5 horas. Ao chegar no aeroporto é interessante comprar o ingresso do Parque Nacional Rapa Nui, que fica ANTES da área de desembarque. Ele é vendido em outros pontos da ilha, mas esse é o que vai otimizar mais tempo, já que vai passar pelo aeroporto de qualquer forma e vai precisar do ingresso. Ele dá acesso a todas as regiões da ilha, e custa CLP$ 30.000,00 (pesos chilenos).

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Estrada que circula a ilha

A Ilha de Páscoa tem 22 km de extensão, o que possibilita percorrê-la de diversas maneiras, como carro ou scooter alugado, taxi, excursões, a cavalo, bicicleta ou a pé. Tudo isso a partir de Hanga Roa, o trecho da ilha que oferece casas, hotéis, pousadas, albergues, campings, restaurantes e venda de artesanato. Há também algumas operadoras que oferecem mergulho com cilindro e snorkeling (há alguns moais no fundo do mar colocados especialmente para os mergulhadores. Apesar de serem mais cenográficos acho que é bem bonito). Os veículos alugados não possuem seguro, e não é necessário ter carteira de motorista internacional.

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Uma das encostas da ilha

Para ir ao vulcão Rano Kau é possível ir de carro ou seguir por trilha, opção que eu escolhi. A trilha é bem demarcada e de nível médio de dificuldade por ser uma subida com 1 a 2 horas de duração a partir de Hanga Roa, contando o tempo de fotografar e descansar. Porém, o visual compensa muito com a vista do oceano sem fim e de Hanga Roa. O vulcão tem beleza ímpar. Seguindo acima há as ruínas da civilização Orongo, com centro de visitantes (não se esqueça de levar o ingresso comprado no aeroporto).

Nesse dia, cheguei em um voo na hora do almoço e deu tempo de ir para minhas acomodações, fazer essa caminhada até o vulcão Rano Kau, parando no caminho para ver alguns penhascos e o mar, visitar Orongo e, na volta para Hanga Roa, ver o sol se pondo atrás dos 5 moais já na cidade. Esse por do sol é mágico e inesquecível, e se fizer no primeiro dia, como eu fiz, será seu primeiro contato com os moais.

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Os 15 moais.

Para o segundo dia sugiro dar a volta na ilha parando em cada atrativo, e uma boa opção é alugar um carro, podendo assim parar nos pontos que bem entender por quanto tempo desejar. Também dá para pegar um tour com uma agência (assim é possível saber a história e curiosidades de cada ponto de parada) e tem aqueles que preferem fazer trechos de bike (não se esqueça dos 22 km só de ida caso queira dar a volta nela toda).

A volta com carro alugado é muito fácil, a estrada circular principal é toda pavimentada e estava em excelente estado quando fui. Por toda a ilha há paradas para ver paisagens maravilhosas e moais, o que é bem explicado em mapas distribuídos em Hanga Roa. Pegue seu mapa e vá seguindo todas as indicações de onde estão os moais, parando em cada um. Há um ponto onde estão os 15 moais, local belíssimo em qualquer horário. Algumas pessoas vão lá para ver o nascer do sol atrás dos moais, de acordo com a época do ano. Eu fiz esse dia todo de passeio com carro alugado, e como o aluguel é por 24h, acordei 5h da manhã no dia seguinte e segui para esse local para ver o sol nascer, mas tem excursões para isso também. É a foto que abre este post!

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Vista dos 15 moais a partir da fábrica de moais

Nesse dia de passeio de volta à ilha, outra parada obrigatória é o vulcão Rano Raraku, onde está o vulcão e a famosa fábrica de moais. É lá que a antiga civilização construía os moais, retirando desse vulcão a matéria-prima e, por isso, é uma região de grande concentração deles. Não se esqueça de seu ingresso, e lá segue-se por uma trilha para ver os enormes moais e o vulcão.

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Na fábrica de moais

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Por do sol atrás dos 5 moais.

Nessa volta na ilha, lembre-se de levar roupa de banho. Isso porque apesar de ser rodeada por encostas rochosas não tão boas para banhar-se no mar, a ilha possui 2 belíssimas praias de águas azuis claras: Anakena e Ovahe. A primeira é mais cheia de turistas, e a segunda, mais isolada, uma joia do mar. Nesta observa-se a coloração rosada na areia, produto de rochas vulcânicas.

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Praia Anakena

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Praia Ovahe, minha preferida!

Há diversos outros pontos de ruínas, moais e desenhos que podem ser localizados pelo mapa da ilha. Então lembre-se de que esse é um dia cheio de atividades e é preciso acordar bem cedo para aproveitar tudo!

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Vulcão Rano Raraku.

Outra ideia interessante é contratar um passeio de cavalo para visitar a parte central da ilha, perto do vulcão Terevaka, que seria a mais elevada e com a melhor vista, e também as cavernas. Estas provavelmente são resultado vulcânico também, e após poucos metros, de forma surpreendente e única, elas se abrem na forma de janelões para o Pacífico.

Eu por acaso peguei um táxi para o início da trilha para fazer a pé só o vulcão, sem saber das cavernas, e encontrei uma excursão com cavalos já no alto da montanha. Assim me juntei ao grupo e fiz o passeio, mas o mais garantido seria contratar previamente na cidade. Foi inesquecível a cavalgada, as paisagens vistas desse ponto são belíssimas, e nesse dia mais uma vez vê-se que a Ilha de Páscoa não é feita só de Moais! As cavernas são pequenas, não é preciso andar muito dentro delas para encontrar essas maravilhosas aberturas para o mar. Eu imagino que sem um guia seja difícil encontrá-las.

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Vista da parte central da ilha perto do vulcão Terevaka

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Uma das cavernas que se abre pro mar

À noite pode-se passear por restaurantes e bares, além de ver um show de música e danças típicas, é muito contagiante. Se quiserem ver, aqui tem um vídeo que fiz de uma parte desse show. Há um centro de apoio ao turista que orienta sobre os diversos shows. No correio local dá para carimbar o passaporte e ter mais uma recordação. Outro lugar interessante para visitar é o museu local, que conta melhor sobre os moais e as lendas. Para ter uma ideia e planejar melhor sua viagem antes de ir, sugiro olhar alguns mapas para ver as regiões da ilha, como o mapa após o vídeo.

CLIQUE PARA AUMENTAR. Mapa da Ilha de Páscoa. Fonte: https://www.suasnews.com/2012/12/easter-island-mapped-by-uas/