Quando se pensa no Maranhão, logo vêm à cabeça os Lençóis Maranhenses. Porém, o estado abriga outra joia para quem curte natureza: a Chapada das Mesas. E se você tem vontade de conhecer todas as chapadas do Brasil, terá de incluir esta na sua lista! Paredões rochosos (formando “mesas”, daí o nome dessa chapada), estonteantes cachoeiras com muita água, piscinas naturais cristalinas e belíssimas paisagens compõem o incrível cenário desse destino.

O Parque Nacional da Chapada das Mesas, criado em 2005, tem 160.046 hectares de cerrado, e está na região dos municípios de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz.

Cachoeira da Prata

Cachoeira da Prata

QUANDO? A melhor época para se visitar é de maio a setembro, que é a época seca. De dezembro a março pode ser bastante chuvoso. Como é uma região bastante quente o ano inteiro, eu fui em fevereiro, passei meu carnaval por lá. De fato peguei meia hora de chuva intensa, mas nada que atrapalhou o passeio no geral.

Cachoeira São Romão

Cachoeira São Romão

COMO CHEGAR? (Ai, que pergunta difícil! rs) Sua base para visitar os atrativos da Chapada das Mesas será a pequena cidade de Carolina, no sul do estado do Maranhão. O pensamento natural seria pegar um voo para São Luís. Porém, essa seria uma das soluções mais distantes, viável somente se você fosse combinar o destino com os Lençóis Maranhenses. Isso porque a capital do estado fica a mais de 800 km de Carolina. Quando fui aos Lençóis, de fato vi algumas empresas oferecendo transfer no aeroporto de São Luís, porém não sei se hoje em dia isso está operando.

Atrás da Cachoeira São Romão

Uma das maneiras mais próximas de alcançar esse paraíso é voar para Imperatriz, cidade a pouco mais de 200 km de Carolina. Porém, hoje somente a Latam e a Azul operam esse trecho. Com a retirada do voo da Gol, esse trecho ficou um pouco mais caro no geral. Outra opção seria voar para a cidade de Araguaína, a 150 km de Carolina, que conta com os voos da Gol, Latam e Azul. Mas quando fui o trecho também estava caro. Antes havia a Voe Sete, que voava direto para Carolina, mas ela deixou de operar. Minha solução foi voar para Palmas, a 500 km de Carolina.

Encanto Azul

Encanto Azul

Se você chegar por Imperatriz, o trecho terrestre desta cidade a Carolina é feito pela JR 400. Chegando por Araguaína ou por Imperatriz, há algumas vans e ônibus que fazem o trecho até Carolina, mas pesquise com sua hospedagem ou agência os horários antes de ir. De Palmas também há um ônibus por dia. Algumas pessoas alugam carro numa dessas cidades e dirigem o trecho todo. Outra maneira é pedir para uma agência de tours de Carolina fazer o transfer para você.

Como a capital mais próxima de Carolina é Palmas (a 500 km), muitas pessoas combinam uma viagem ao Jalapão com a Chapada das Mesas, no que costumam chamar de Jalapada (Jalapão com Chapada, dããã rs).

Cachoeira Santa Paula, no complexo Santa Bárbara

Chegando na Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Na Chapada das Mesas os atrativos ficam distantes uns dos outros. Por isso, ou você precisará estar de carro ou, então, contratar uma agência de passeios. Se você estiver com carro comum, é possível fazer alguns dos passeios com ele, mas outros exigem um 4×4. Por isso, de qualquer forma, pelo menos para uma parte dos atrativos, você precisará contratar uma agência. Existem algumas agências em Carolina, como a Eco Trilhas (Facebook e contato da guia), a Cia do Cerrado, a Torre da Lua e o Zecatur (site e Facebook), além das agências em Palmas.

Cachoeira Santa Bárbara, no complexo Santa Bárbara

Aí era onde era pra ser o Poço Azul, no complexo Santa Bárbara, mas com a chuva, olha como ficou!

Eu contratei um tour de 4 dias pela Chapada das Mesas. Com esse período, dá para conhecer os principais atrativos. Porém, se você ficar mais, há ainda outros passeios que ficaram de fora de meu roteiro.

Hospedei-me na Pousada Casarão Carolina, que fica num antigo casarão da cidade e estava com um bom preço. A cidade foi construída na década de 1950, e marcada pela passagem da imperatriz Maria Leopoldina, uma das esposas de Dom Pedro I. A região tem mais de 500 construções em estilo colonial.

Carolina é uma cidade pequenina, mas tem uma agradável praça com várias opções de restaurantes. Há também o Museu Histórico de Carolina, que conta a história da região, mas não consegui visitar porque passei todos os meus dias em passeios de natureza.

Fiz toda a minha viagem com o Zecatur, que me ofereceu o melhor custo-benefício. Estávamos em 6 pessoas, e pedi ao Zeca para nos buscar em Palmas. Ele foi muito disposto, pois são 6 horas de viagem, e ele foi até lá nos buscar e retornou conosco dirigindo a noite toda!

Após esse longo percurso, logo de manhã, atravessamos o Rio Tocantins de balsa, de Filadélfia a Carolina, chegando finalmente à cidade. Depois de deixar as coisas na pousada, seguimos para o primeiro passeio do dia.

Complexo Pedra Caída

Complexo Pedra Caída, subindo ao mirante

Meu primeiro dia já foi num dos lugares mais incríveis da região: as cachoeiras São Romão e Prata, no rio Farinha, dentro do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Eu considero que esse é um dos passeios que precisa de um 4×4 para chegar, pois o percurso é feito entre terra e muitos trechos só de areia. São cerca de 90 km até lá, esse é um passeio de dia inteiro.

A cachoeira da Prata é somente para contemplação. Ela tem 26 metros de altura, mas a força de suas águas impressiona. Paguei R$ 5,00 para entrar. Depois de uma trilha curta, você acessa o lugar, que rende fotos ótimas.

Em seguida, fomos para a cachoeira de São Romão, com 25 metros de altura. São cobrados R$ 10,00 para entrar. Primeiro acessamos um mirante na parte de cima. Depois, seguimos para a parte de baixo. É aí que é feita a mágica, ponto alto do passeio para mim: você pode ir atrás da cachoeira, o que é uma experiência incrível. Porém, recomendo que tome bastante cuidado, pois há muitas pedras escorregadias. Se tiver chovido muito não será possível acessar a parte de trás da cachoeira. Como eu estava com o guia, ele ajudou todo mundo a ir atrás da cachoeira com segurança. Recomendo que leve uma câmera que possa molhar ou capinha à prova d’agua para celular (você vai ficar encharcado!) para registrar esse ângulo. Nessa cachoeira já é possível banhar-se, há uma espécie de prainha. Depois da experiência almoçamos no local, que oferece uma comida simples, mas saborosa. Veja alguns vídeos da cachoeira São Romão:

No segundo dia fomos para outro lugar clássico da Chapada das Mesas. Seguimos para o Complexo Santa Bárbara, a 136 km de Carolina, em Riachão. Você paga R$ 30,00 para entrar nessa região. Antes de entrar no complexo em si, fomos adiante em direção ao Encanto Azul. Devido às chuvas das semanas anteriores, eu achei a estradinha até o Complexo um pouco complicada. Porém, muitas pessoas vão com carro de passeio até esse ponto tranquilamente, e lá contratam um 4×4 somente para o trecho final até o Encanto Azul (6 km), que custa  20,00.

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Vista do mirante do Complexo Pedra Caída

Chegando lá, há uma pequena trilha com uma escadaria, descendo por um cânion. Então você terá uma visão encantadora, uma belíssima piscina natural de um azul profundo! É um local perfeito para nadar e fazer flutuação com snorkel, com trechos mais rasos e outros mais profundos, com até 6 metros. Por ser uma nascente, o poço está sempre azul, mesmo que tenha chovido.

Tirolesa no Complexo Pedra Caída

Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Na volta entramos no Complexo para almoçar. Após o almoço, o guia nos deixou à vontade para fazer as trilhas pelas passarelas dentro do Complexo, que são todas curtas. Infelizmente, todas as águas desse local estavam amarronzadas (coisas de se fazer esse passeio na época de chuvas). Primeiro, passa-se pela cachoeira Santa Paula (também dá para acessar a parte de cima dela, se quiser, para ver a vista). Descendo por ela, primeiro pegamos a passarela para a cachoeira Santa Bárbara. Chegando lá, há uma pequena gruta e uma ponte, de onde se tem uma visão muito bonita da paisagem. A cachoeira Santa Bárbara tem 76 metros de queda e foi a mais alta que visitei na região.

Mirante no Complexo Pedra Caída

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Depois seguimos para o que seria o Poço Azul, mas que infelizmente estava marrom devido às chuvas dos dias anteriores. Pelo site oficial do local você pode ver algumas fotos de como o poço fica se não houvesse chovido. No geral, mesmo tendo chovido, achei que a visita compensou, por causa do Encanto Azul e pela Cachoeira Santa Bárbara.

Dentro da Pirâmide no topo do teleférico no Complexo Pedra Caída

Em meu terceiro dia, fomos a um inusitado lugar que concentra muitas atrações, o Complexo da Pedra Caída. Lá é bem tranquilo para ir com carro de passeio, pois ele fica na rodovia, a 35 km de Carolina. O local é quase um clube e, apesar dos salgados R$ 60,00 de entrada, vale muito a pena visitar. Esse valor de visitação dá direito apenas a entrada e ao uso das piscinas (que são ótimas para relaxar, contando inclusive com um “bar molhado”). Para fazer os passeios lá dentro, você terá que pagar por atrativo, e os valores atualizados constam no site. Por isso, quando eu fui, deixei cerca de R$ 125,00 lá mais o almoço, mas eu ainda digo que vale a pena.

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Passarela subindo ao mirante no Complexo Pedra Caída

Ao entrar no complexo, você recebe uma pulseira que é uma espécie de comanda, na qual marca o que consumir e os passeios em que for. Depois você segue para uma sala de vídeo, onde assistirá um filme explicando como funciona o local e quais as opções de passeios lá dentro. Nessa hora, você já deve marcar quais atividades fará no complexo, pois cada uma tem seus horários pré-determinados.

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira do Capelão, no Complexo Pedra Caída

Além das cachoeiras, há uma enorme tirolesa, subindo por um teleférico ou então por uma passarela. Para subir pela passarela não paga (opção que escolhi). Lá em cima há uma espécie de pirâmide, e a vista é muito bonita. Olha só os vídeos da tirolesa:

Caminho para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Nosso guia nos instruiu sobre quais passeios reservar, que são os melhores. Isso porque não há como conhecer todas as cachoeiras num único dia e ainda fazer a tirolesa. Primeiro seguimos para a bela cachoeira do Capelão num carro do complexo. Depois, caminhamos por uma pequena trilha por dentro d’água, mas com o rio na altura dos tornozelos. A cachoeira tem 22 metros de altura, e seu charme é que suas águas são de um tom incrivelmente azul. É uma cachoeira muito bonita e boa para nadar.

Indo para a Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Cachoeira da Caverna, no Complexo Pedra Caída

Depois rumamos para a cachoeira da Caverna, com 12 metros. A entrada dela é por uma pequena passarela. Achei ela bem diferente e inusitada. Ao entrar pela caverna, depois de andar por dentro de um pequeno trecho dentro da água (na altura dos tornozelos) você logo chega na cachoeira. Ela passa por uma abertura que já deve ter sido um teto que desabou de uma antiga gruta, que hoje fica ao ar livre (por isso não é necessário lanterna).

Habitante do Complexo Pedra Caída

Trilha para o Portal da Chapada

Após visitar essas cachoeiras, voltamos ao complexo para almoçar. Logo após o almoço fomos para a atração principal do local: a cachoeira do Santuário. Você vai caminhar por um trecho de 600 metros por passarelas e rampas para acessá-la. Na hora, eu não sabia muito bem o que esperar dessa cachoeira, pois não havia visto fotos.

Vista do Portal da Chapada

Vista do Portal da Chapada

Depois das passarelas, deixamos as coisas que não podem molhar e os calçados numa área própria para isso. Daí passamos por um lindo cânion, com fios de água escorrendo pelos paredões, e conforme adentrávamos o cânion, caminhando por dentro do rio, ele ia ficando mais profundo. Chegou um trecho onde a água estava na altura da cintura. Eu já estava achando tudo lindo e especial demais, e pensei que era só isso. Porém, eis que surge a incrível surpresa: ao fazer a curva do cânion, adentramos por uma espécie de gruta ainda formada pelos paredões, com uma pequena abertura no topo, de onde despencava a belíssima cachoeira do Santuário, com 46 metros de queda. É um lugar emocionante! E você vai sair todo molhado! Por conta do ambiente não muito claro e da água respingando por todo lado, entendi por que nunca vi fotos que mostram muito bem o local. A cachoeira do Santuário é inesquecível, uma grata surpresa! Veja o que deu pra filmar dessa cachoeira, na medida do possível:

Portal da Chapada: rende muitas fotos

Morro do Chapéu

Saímos felizes do complexo da Pedra Caída! Mas ainda havia mais uma aventura no dia. No caminho de volta para Carolina, paramos num trecho da estrada onde está a trilha para o Portal da Chapada. Esse local fica a 20 km de Carolina, e é o cartão-postal da região. Dá para estacionar o carro bem ao lado da rodovia. Algumas pessoas vão lá para ver o por do sol, outras para ver o nascer, outra parte ao longo do dia. Eu fui logo após visitar o Complexo da Pedra Caída, porém, acho que esse local merecia mais tempo. Talvez o ideal fosse visitar após o passeio do dia seguinte, as cachoeiras gêmeas do Itapecuru.

Vista do Portal da Chapada

Portal da Chapada rendendo muitas fotos!

Pagamos uma pequena taxa para os guias que ficam no local nos acompanharem pelo caminho arenoso, porém curto, até o portal. Cada trecho lá em cima é uma parada para foto, todas as vistas são extremamente lindas! Por isso eu gostaria de ter ido num dia não tão cheio de atividades, para curtir mais esse belo mirante. Acho o Portal da Chapada imperdível, a vista para os paredões é maravilhosa.

Portal da Chapada: tem gente que vem de bike

Este finalmente é o Portal da Chapada

Lá de cima vê-se o morro do Chapéu, uma das chapadas onde é possível fazer uma trilha até o topo de nível médio, que não fiz nessa viagem. O Portal da Chapada seria uma abertura na rocha, perfeita para ver o por do sol. Após a empolgação com tantas fotos de ângulos e vistas diferentes, acabamos descendo já há noite pelo caminho arenoso.

Amando o Portal da Chapada

Posando com a bike dos outros rs

No quarto dia fizemos um passeio mais curto, fomos conhecer as cachoeiras gêmeas do Itapecuru. Esse local também pode ser visitado com carro de passeio, e fica a 30 km de Carolina. Lá era uma antiga hidrelétrica que acabou virando uma espécie de clube. Paga-se R$ 10,00 para entrar. Há restaurante, chuveiros e banheiros, e às vezes há alguém que aluga caiaque. As cachoeiras são conhecidas como gêmeas por ficarem lado a lado, praticamente iguais, com 8 e 10 metros, respectivamente. Achei bonito, mas é mais um local para descansar. Por isso talvez esse fosse o dia ideal para rumar para o Portal da Chapada logo em seguida, tendo, assim, mais tempo para aproveitar esse mirante.

Cachoeiras do Itapecuru

Além da trilha para o Morro do Chapéu, há outra trilha que não fiz, no Refúgio Serra Torre da Lua, que dizem ser muito bonita. Também não visitei as cachoeiras do Dodô, do Garrote, do Brilho, da Pedra Furada, da Lua, Aldeia do Leão, Mansinha, Formosinha e Sumidouro, dentre outras.

No dia seguinte nosso guia dirigiu nos levando de volta para pegar nosso voo saindo de Palmas. Fomos embora extremamente realizados com a visita a esse local tão mágico que certamente vale conhecer!

Com ou sem emoção? Se seu destino for Natal, com certeza será com muita emoção! Natal oferece tantas possibilidades de praias e passeios que você poderia ficar muitos dias e ainda assim não ver tudo o que a região tem a mostrar! É um lugar que com certeza agrada a todos (e olha que eu visitei na volta de Fernando de Noronha, top máster de praias, e mesmo assim amei as belas paisagens de Natal e arredores).

Saindo para o passeio ao Litoral Norte

Litoral Norte: lagoa de Jenipabu

Quando? Esse belo destino do Rio Grande do Norte pode ser visitado o ano todo, mas de setembro a janeiro é a época mais seca do ano, e de abril a julho é quando a possibilidade de chuva é maior.

Litoral Norte: praia de Genipabu

Litoral Norte: praia de Genipabu

Como chegar? Você provavelmente chegará de avião, mas algumas pessoas que já estão pelo Nordeste podem alcançar Natal de ônibus vindo de outros estados e cidades da região ou de carro alugado. Se você chegou pelo aeroporto, como eu, para economizar no táxi, pode pegar um transfer até sua hospedagem. A Van Service oferece esse transporte a R$ 40,00 se estiver sozinho ou R$ 30,00 a partir de 2 pessoas.

Litoral Norte: travessia de balsa pelo rio Ceará Mirim

Litoral Norte: lagoa de Pitangui

E onde ficar? O bairro de Ponta Negra é o local preferido da maioria dos turistas, pois há uma grande oferta de hospedagens, bares e restaurantes, além de muitas feirinhas de artesanato. Também é onde está a melhor praia urbana. Não tem nada mais agradável do que caminhar pelo calçadão da praia de Ponta Negra e escolher pelo bairro onde vai ser o jantar do dia. Eu me hospedei no finado hostel Lua Cheia, um hostel em forma de castelo, que fechou e hoje abriga somente o Taverna Pub, local também muito agradável com temática medieval.

Litoral Norte: esquibunda na Lagoa de Jacumã

Litoral Norte: aerobunda na Lagoa de Jacumã

Eu fiquei 5 dias em Natal. O tempo que você deve dispor dependerá de quais passeios escolher, porém, acho que qualquer quantidade de dias é bem aproveitada.

Litoral Norte: aerobunda na Lagoa de Jacumã

Litoral Norte: esquibunda e aerobunda na Lagoa de Jacumã

Agora vamos ao que interessa!

Em Natal existem algumas praias urbanas que você pode aproveitar. A principal é a de Ponta Negra, cartão-postal da cidade, com muitos quiosques e restaurantes em sua orla, e é lá que fica o famoso Morro do Careca. Outra praia bem conhecida é a do Forte, onde fica o Forte dos Reis Magos e a Ponte Newton Navarro. Se você gosta de roteiros históricos, não deixe de visitar esse forte, fundado em 1599. A entrada custa R$ 3,00. Outra praia bem famosa é a praia dos Artistas, onde está o Centro de Artesanato, e a Praia do Meio, frequentada por moradores da região, além da Praia da Areia Preta e da Praia da Redinha. Aqui tem outros lugares que vendem artesanatos na região. Algumas pessoas tiram um dia para fazer esse roteiro de praias e histórico.

Litoral Norte: trenzinho que sobe a duna da Lagoa do Jacumã

Litoral Norte: Praia de Jacumã

Com exceção do passeio de buggy nas dunas, todos os outros passeios da região podem ser feitos de carro alugado, caso deseje ficar mais à vontade com seus horários. Porém, se não quiser alugar carro, você pode contratar todos os passeios com alguma agência local. Eu fiz meu roteiro com minha finada hospedagem, mas com certeza todos os hotéis, pousadas e hostels oferecem esse serviço. Para ter ideia de preços, encontrei na internet algumas agências, como exemplo a Natal Vans, a Marazul Receptivo e essa associação de bugueiros, mas há várias outras, e você pode fechar seus passeios na hora (eu passei o ano novo na cidade, e mesmo assim havia vaga em todos os passeios).

Litoral Norte: Praia de Jacumã

Litoral norte: de buggy pelas praias

Os dois passeios mais populares são o Litoral Norte e o Litoral Sul. Para cada um deles, você precisará de um dia inteiro. Em minha opinião, sem dúvida, o passeio ao Litoral Norte é o mais legal!

Dunas móveis

Dunas móveis

Juntei-me a outros viajantes do hostel e o buggy veio nos buscar para o passeio ao Litoral Norte, passamos pelo Aquário de Natal e, em seguida, fomos direto para as dunas. Para mim, toda a parte nas dunas fixas e móveis com o buggy era com emoção e muita diversão! Nossa primeira parada foi na lagoa de Jenipabu, que foi mais para fotos. Depois paramos na praia de Genipabu, que achei uma das paisagens mais bonitas. É nesse lugar que tem a possibilidade de andar de dromedário, mas este blog não incentiva esse tipo de turismo com animais. Veja no vídeo abaixo como é passear pelas dunas de buggy:

Nas dunas, a ponte Newton Navarro e a cidade de Natal ao fundo

Dunas de Natal

Natal e a Ponte Newton Navarro vistas das dunas

Em seguida fomos às praias de Santa Rita e Genipabu e, após uma travessia de balsa pelo rio Ceará Mirim, chegamos à Lagoa de Pitangui. Depois de um banho de lagoa e de se aventurar novamente pelas dunas de Jacumã, fizemos o passeio mais divertido do dia na Lagoa de Jacumã: o aerobunda e o esquibunda. Na verdade, o que chamam de aerobunda é uma tirolesa muito divertida que te joga direto na lagoa, mas há um barquinho improvisado te esperando lá embaixo para te resgatar. Depois, quando o barquinho enche, o guia rema até um pequeno trenzinho que sobe a duna da lagoa com os turistas de volta ao ponto de partida.

Veja o vídeo do aerobunda:

Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

Maior cajueiro do mundo

Já o esquibunda na verdade é uma espécie de tobogã feito com uma lona, onde se escorrega até a lagoa. Eu achei tão legal que fui no aerobunda 2 vezes! Tanto o aerobunda quanto o esquibunda custam R$ 13,00 por descida. Depois paramos para almoçar na praia de Jacumã. Passando pela praia de Muriú, retornamos pelas dunas móveis, e nosso guia fez outro tour com emoção por elas, onde fizemos ótimas fotos! Esse passeio de buggy pelo litoral Norte realmente vale a pena!

Maior cajueiro do mundo: vista do mirante

Maior cajueiro do mundo

Um passeio que não fiz foi o do Parque das Dunas, onde há trilhas para fazer a pé. Há 3 trilhas e parece ser interessante.

Maior cajueiro do mundo tem até wi-fi!

Praia de Camurupim, litoral sul

No outro dia segui pela Rota do Sol para o passeio pelo Litoral Sul. A primeira parada foi o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, inaugurado em 1965. Você sabia que há uma base de lançamento de foguetes em Natal? Se quiser ver um histórico clique aqui.

Mirante da praia de Tabatinga

Praia de Pipa

Depois fomos para o lugar mais interessante do dia, o maior cajueiro do mundo! Ele fica na praia de Pirangi. Gente, são 8.500 m2 de cajueiro e cerca de 80 mil cajus por safra! O lugar virou atração turística, com lojinha com produtos de caju, mirante para a parte superior, tem até wi-fi no cajueiro! Depois aproveitamos um pouco a praia de Camurupim. Outras paradas que podem ser feitas são na praia do Cotovelo, no mirante da praia de Tabatinga e na lagoa de Arituba. Esse roteiro pode ser feito tranquilamente de carro alugado se for o caso.

Praia de Pipa

Indo para Galinhos

Há outro passeio no litoral sul que não fiz, que são as lagoas da região já próximas do município de Nísia Floresta, como por exemplo a Lagoa Redonda, Lagoa de Arituba, Lagoa de Alcaçuz, Lagoa de Boágua, Lagoa de Ferreira Grande, Lagoa de Carcará e Lagoa do Urubu. Parece ser bem interessante.

Caminho de barco para Galinhos

Farol em Galinhos

No outro dia fiz um bate-volta até a praia de Pipa, no município de Tibau do Sul, a 85 km de Ponta Negra, também em direção ao sul. Achei a praia bonita, mas não tanto quanto as outras que visitei na região. Pesquisando várias opiniões, descobri que o charme de Pipa é dormir lá, pois dizem que a noite no vilarejo de Pipa é muito boa, não a praia em si. Chegando em Pipa caminhei pela praia próximo às falésias, depois peguei um passeio de barco para a Baía dos Golfinhos, mas confesso que foi bem difícil vê-los e não achei que valeu a pena. Talvez eu deva voltar um dia a Pipa e conhecer também a Praia do Amor, Praia do Madeiro, Cacimbinhas e Barra do Cunhaú, dentre outras que não visitei. Como dizem, o legal de Pipa é o charme de seu vilarejo, com o agito e os restaurantes à noite.

Farol em Galinhos

Farol em Galinhos

Em meu quarto dia fiz um bate-volta para um lugar mais distante, mas que valeu a pena demais! Sobretudo pela beleza do lugar… aliás, que lugar! A encantadora Galinhos fica no litoral norte do estado, a 180 km de Ponta Negra. Acho que se você estiver de carro ou de ônibus (Expresso Cabral) é melhor dormir uma noite por lá, pela distância. Porém, acho que dá para fazer apenas um bate-volta de Natal tranquilamente se for com agência.

Praia de Galinhos

Salinas em Galinhos

Um dos grandes charmes é a simplicidade de Galinhos. Você chegará pelo povoado de Pratagil. De lá precisará pegar um barco (custa R$ 5,00 e funciona a cada 30 minutos entre 5h30 e 18h) e em 10 minutos estará em Galinhos, que fica em uma península. Chegando em Galinhos, o que você vê é um vilarejo de pescadores muito simples, encantador, um lugar para relaxar e admirar. Na ponta da praia há um lindíssimo farol que combina completamente com as areias claras e, dependendo da maré, há ótimas piscinas naturais. Algumas pessoas vão até o farol numa carroça puxada por um jegue, mas eu incentivo a ir caminhando (não é longe).

Salinas em Galinhos

Buggy em Galinhos

Depois de curtir Galinhos você voltará ao barco e visitará as salinas, algo muito curioso, perto das dunas móveis e de um manguezal. Lá há algumas hélices para produção de energia eólica. De lá, ou você pega um buggy pelas dunas até Galos, para almoçar, ou volta ao barco e vai nele até esse almoço. Um dia voltarei a Galinhos para dormir uma noite por esse apaixonante lugar.

Hélices em Galinhos

Hélice em Galinhos

Em meu último dia em Natal aproveitei para fazer um passeio a um dos parrachos, que são as formações de corais nas piscinas naturais. As opções mais famosas são Maracajaú (a 55 km de Natal) e Perobas (a 70 km de Natal). Eu fiquei na dúvida sobre qual escolher, mas meu hostel disse que Perobas era mais bonito e menos cheio de gente, e confiei neles. Fora isso, Perobas é mais rasinho do que Maracajaú. Esses passeios de piscinas naturais sempre são feitos de acordo com a maré: quando ela está baixa é possível ir. Consulte a tábua de marés antes de ir, principalmente se você estiver indo por conta, sem agência.

De buggy em Galinhos

Sobre as dunas em Galinhos

Chegando em Perobas, no município de Touros, achei a praia belíssima! Pegamos o barco até os parrachos (a 5 km da costa) e as piscinas naturais mostraram seu azul profundo! Nesse tipo de passeio eu sempre levo meu próprio snorkel (por questões higiênicas rs).

Sobre as dunas em Galinhos

Praia de Perobas

Se você for por conta, pode reservar antes os passeios de barco em Perobas pelas agências: Perobas Aquática, Pousada do Vozinho e Parrachos de Perobas. Já por Maracajaú, as agências são: Maracajaú Diver, Portal de Maracajaú, Maracajaú Reservas e Ma-Noa Park.

Praia de Perobas

Praia de Perobas

Depois do passeio pelas piscinas naturais eu curti o local pelo rio Punaú, há uma tirolesa e passeios de quadriciclo. Optei por este último, que proporcionou muita emoção guiando pelas areias de Perobas.

Piscinas naturais de Perobas

Piscinas naturais de Perobas

Piscinas naturais de Perobas

Em uma outra visita a Natal preciso conhecer São Miguel do Gostoso, outro lugar que não deu tempo de ir. Algumas pessoas fazem bate-volta a João Pessoa, mas não sei se vale a pena.

Passeio de quadriciclo em Perobas

Passeio de quadriciclo em Perobas

Passeio de quadriciclo em Perobas

Como eu disse no início deste relato, visitar Natal e região proporcionam muitas experiências inesquecíveis e certamente, como eu, você terá vontade de voltar!

Rio Punaú, próximo a Perobas

Rio Punaú, próximo a Perobas

Você já se imaginou caminhando numa pintura? É assim que se sentirá ao visitar os jardins de Monet, local em que o famoso pintor impressionista Claude Monet viveu por 43 anos, desde 1883 até sua morte, em 1926. Durante os anos em que viveu nessa casa ele cultivou os jardins de flores e o jardim aquático, que foram uma grande inspiração para suas pinturas. Ou seja, além de pintar, também era um excelente jardineiro!

Jardins de Monet

Jardins de Monet: vista da janela da casa

Jardins de Monet

Esse incrível e charmoso lugar pode ser visitado a partir de um bate-volta de Paris, ou então, encaixado numa viagem de carro pela região da Normandia, também na França. Aliás, considero esse um dos mais lindos passeios saindo de Paris e voltando no mesmo dia. A cidade de Giverny, onde fica a Casa de Monet, está a cerca de 80 km da capital francesa.

Casa de Monet

Passeando pelos Jardins de Monet

Jardim das Águas

A Fundação Claude Monet hoje cuida do local, aberto a visitação desde 1980. A visitação não funciona no inverno, e seu período varia ano a ano, portanto, consulte o site para verificar a abertura e fechamento anuais para sua visita. Neste ano (2017), o período de visitação é de 24 de março a 1º de novembro, das 09h30 às 17h30. O ingresso custa 9,50 euros e pode ser comprado no site da Fundação, neste link de compra. Esse ingresso pode ser comprado na hora, mas, dependendo da época e horário, você pode perder um tempo nas filas. Portanto, se quiser se adiantar, compre pelo site.

Jardim das Águas

Jardim das Águas

Sapinhos no Jardim das Águas

A época mais apreciada para conhecer os jardins e a casa de Monet é a primavera, período em que está tudo mais florido (ou seja, a mais cheia também, por isso pode ser uma boa comprar ingresso on-line e não perder tempo em filas). Se quiser conhecer um pouco mais de Monet, pode visitar também o Musée de L’Orangerie, em Paris, onde está sua obra Les Nymphéas. Na Fundação Claude Monet, você pode, inclusive, comprar ingressos combinados dos jardins de Monet + Musée de L’Orangerie, ou + Musée Marmottan Monet, também em Paris e com coleções de Monet, ou + Musée des Impressionnismes, em Giverny, com obras de outros impressionistas também. Neste site você pode apreciar muitos dos quadros de Monet.

Sapinho no Jardim das Águas

Jardim das Águas

Ponte no Jardim das Águas

Considero o trem a melhor forma de chegar a Giverny. Os trens saem da estação Gare St.-Lazare, em Paris, mas o destino deve ser a cidade de Vernon. A viagem durará cerca de 45 minutos e o valor é de 14 a 15 euros por trecho. A partir de Vernon há ônibus até Giverny para percorrer os 7 km que dividem as cidades. Os horários dos ônibus são casados com os horários dos trens, e a tarifa custa 4 euros por trecho, pagos direto ao motorista. Verifique os horários desses ônibus neste link e neste link. Para a volta, anote ou fotografe os horários dos ônibus que aparecem no ponto.

Jardim das Águas

Caminhando pelos Jardins de Monet

Jardins de Monet

Quando visitei a região, cheguei bem cedo na estação St.-Lazare e comprei na hora a passagem. Porém, se não quiser perder tempo na estação em Paris e se adiantar, pode comprar pelo site também (de Paris a Vernon), pois pode haver grandes filas. Comprando pelo site, chegue antecipadamente à estação e procure uma máquina para inserir o número do ticket, passar o cartão usado na compra e retirar o ticket comprado. As estações em Paris são grandes, e é importante chegar com antecedência para comprar ou retirar sua passagem e localizar o local de embarque. Os trens que param em Vernon têm o destino final de Rouen, para que se localize mais facilmente nos painéis da estação. Antes de embarcar, valide seu ticket nas máquinas e guarde-o até o final da viagem, pois os fiscais podem pedir para verificar.

Jardins de Monet

Jardins de Monet

Jardins de Monet

Ao chegar em Vernon, algumas pessoas, em vez de pegar o ônibus, alugam uma bicicleta para percorrer os 7 km até Giverny, o que parece ser bem agradável. Porém, se você vai de ônibus, não se esqueça de verificar o horário de retorno deles para não ficar tempo demais esperando. Os ônibus param num estacionamento, a 5 minutos de caminhada da Fundação Claude Monet.

Admirada

Amando as flores!

Muitos artistas vêm para se inspirar!

Chegando na Fundação, compre seu ingresso, se já não comprou pelo site. A visita demora cerca de meio período, incluindo uma volta pela cidade de Giverny, também muito charmosa. Depois, aproveite para almoçar nos agradáveis restaurantes e cafés da cidade. Para ter uma ideia melhor de como é a visita, veja este mapa, que mostra a casa e os jardins de Monet.

Clique para abrir maior. Mapa da Fundação Monet. Fonte: http://fondation-monet.com/wp-content/uploads/2015/02/plan-des-jardins.jpg

A visita é dividida em 3 locais: o Jardim das Águas, o Jardim das Flores (Clos Normand) e a Casa de Monet. Algumas pessoas começam a visita pelo Jardim das Águas, para pegar o local com menos gente. Ele é acessado por uma passagem subterrânea a partir do jardim das flores (Clos Normand) em frente à casa. No Jardim das Águas está a famosa Ponte Japonesa e o Lago das Ninfeias, que você reconhecerá pelos quadros de Monet.

As belas flores…

Jardins de Monet

Apreciando o lugar…

Depois, visite o jardim das flores e, em seguida, a casa de Monet. É incrível pensar que os cenários da pintura foram todos feitos pelo jardineiro Claude Monet! Nos jardins de flores você apreciará uma variedade de belezas, e às vezes forma até um congestionamento de pessoas admirando as belas plantas.

Parece pintura

Os belos jardins da casa de Monet

Giverny

Na casa você verá os ambientes em que Monet vivia, e o destaque é seu ateliê, com reproduções de suas obras (porque as verdadeiras estão nos museus). A casa foi restaurada. Em cada aposento dá para ter uma ideia de como o artista vivia, e ter uma bela vista dos jardins do andar de cima. Na saída, claro, tem uma lojinha. Não é permitido tirar fotos no interior da casa, por isso apresento algumas do site da Fundação.

Fonte: http://fondation-monet.com/giverny/la-maison-de-monet/

Fonte: http://fondation-monet.com/giverny/la-maison-de-monet/

Fonte: http://fondation-monet.com/giverny/la-maison-de-monet/

Fonte: http://fondation-monet.com/giverny/la-maison-de-monet/

Fonte: http://fondation-monet.com/giverny/la-maison-de-monet/

É tudo tão lindo que você descobrirá por que Monet ficou tão inspirado a pintar seus jardins e o lago. O local é um museu vivo! Encerro esse post com dois lindos vídeos do site da Fundação Claude Monet.

O Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena, abriga uma trilha considerada uma das mais lindas do mundo: o circuito O (ou o circuito W, parte do O). É um lugar incrivelmente surreal, perfeito para quem ama trilhas, mas que possibilita aventuras tanto para quem não é de trilha quanto para quem já é experiente. Criado em 1959, o parque tem 227.298 hectares, e foi considerado uma Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978. A Corporação Nacional Florestal (CONAF) administra a área desde 1973.

Vista de El Calafate do avião

Quando ir?

Geralmente, o período de visitação é de 1 de outubro a 30 de abril. Ou seja, é possível visitar o parque o ano todo, porém, não aconselho a ir fora desse intervalo de datas, pois a maioria das trilhas fecha no período do inverno por excesso de neve (e excesso de possibilidade de perrengue!). Eu diria que outubro e abril já são os meses limite de visitação, pois você dependerá um pouco mais da sorte com as condições climáticas para conseguir fazer as atividades. Para você visitar feliz da vida, mas ainda com imprevisibilidade climática, porém maior chance de se dar bem, o ideal seria de novembro a março.

A entrada no parque custa 21.000 pesos chilenos, com pagamento somente em dinheiro. Para mais informações e atualizações, consulte o site do Parque Nacional Torres del Paine.

Vista de El Calafate do avião

Como chegar?

Para chegar, a cidade mais próxima do parque é Puerto Natales, uma cidade com alto nível de fofura! Você precisará pegar um ônibus de Puerto Natales para o parque, e neste link estão os horários e empresas que fazem o trajeto, como por exemplo a Buses Gomez e a Buses Maria José, além da Bus Sur. Para informações sempre atualizadas, consulte o próprio site de cada empresa que faz o trecho. Puerto Natales está a 115 km da portaria Laguna Amarga no parque, o que é feito em 1h de viagem. Eu comprei todas as passagens de ônibus dessa viagem na hora sem problemas e fui no período do carnaval, porém compre assim que chegar na cidade para garantir.

Vista de El Chalten do avião: veja o Fitzroy ao fundo

E Puerto Natales, como chegar? Você pode voar para Punta Arenas e de lá há ônibus regulares (que também comprei na hora, mas assim que cheguei na cidade para garantir), como por exemplo o da Buses Fernandez, Buses Pacheco e Bus Sur. O trajeto de Punta Arenas a Puerto Natales é de cerca de 3 horas pelos 248 km que dividem as cidades. Algumas pessoas, que estão viajando por outros locais da Patagônia, podem estar vindo de El Calafate, por exemplo, e a Bus Sur também faz o trajeto, de 5h de viagem. Muitas pessoas perguntam se é possível fazer apenas um bate-volta de El Calafate, e realmente não aconselho, pelas grandes distâncias.

Vista aérea de El Calafate

Como podem ver, há várias empresas de ônibus que fazem tanto o trajeto de Puerto Natales ao parque quanto de Punta Arenas ou El Calafate a Puerto Natales. As cidades de Punta Arenas e El Calafate recebem voos de empresas como Latam e Sky Airline vindos de outras cidades do Chile, como a capital Santiago.

Puerto Natales

Refúgio Torre Norte, Parque Nacional Torres del Paine

Os passeios

Como disse no início desta postagem, há várias maneiras de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine. Para quem não quer fazer trilhas, ou faria apenas trilhas curtas, ou, ainda, não tem muitos dias disponíveis, existe a possibilidade de conhecer trechos do parque e fazer outras atividades diversificadas. Em Puerto Natales há agências que oferecem passeios “full day”, que duram de 1 a vários dias, e geralmente levam ao Monumento Natural Cueva del Milodón, Lago Nordenskjöld, Salto Grande, Lago Pehoe, rio Paine e lago Grey, por exemplo.

Perto do refúgio Torre Central, Parque Nacional Torres del Paine

Trilha para Las Torres del Paine

Algumas pessoas, em vez de agência, alugam um carro e visitam esses pontos mencionados por conta. Pode-se, por exemplo, ir até a Portaria Sarmiento, caminhar até o Salto Grande e de lá pegar uma trilha de 1 hora de ida até o Mirador dos Cuernos. Há passeios de barco no lago Pehoe também. Pode-se optar, por exemplo, por fazer somente uma navegação pelo lago Grey e caminhar por 2h (ida e volta) até o Glacial Grey, ou então, fazer 1 dia de caminhada (18 km ida e volta) até Las Torres, cartão-postal de Torres del Paine. Só aqui já tem 3 dias de passeio independentes um do outro.

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

Primeiro dia do circuito W: Trilha para Las Torres del Paine

O importante é sempre verificar as condições climáticas do parque, pois muitas vezes venta bastante, impossibilitando alguns passeios, ou então as Torres del Paine podem estar encobertas por nuvens, o que não deixaria o passeio tão bonito assim.

Primeiro dia do circuito W: mapa entre refúgio e las Torres

Primeiro dia do circuito W: trecho final da trilha para Las Torres del Paine

A trilha

Só que meu relato é sobre o circuito W, uma trilha de aproximadamente 70 km que seria uma parte do circuito completo, o circuito O, com cerca de 120 km. Para o circuito W, geralmente as pessoas fazem a trilha em 4 ou 5 dias. Eu pessoalmente acho 4 dias meio corrido e fiz em 5, que achei ideal (não sou nem uma atleta, mas não sou sedentária). Já para o circuito O (que ainda não fiz), leio relatos de gente que fez em 7 a 10 dias, mas 8 dias parece ser maioria. O mapa oficial abaixo mostra bem todos os atrativos e as rotas, bem como os tempos de caminhada. É possível ver que a parte inferior da rota marcada em vermelho forma o desenho de uma letra W, e a rota inteira seria um O, por ser circular. As trilhas são autoguiadas, os mapas são bem detalhados e há placas indicativas durante todo o caminho, portanto, se você tem um pouco de experiência com trilhas não é necessário contratar guia.

Clique para abrir maior. Mapa do Parque Nacional Torres del Paine. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/upload/files/Mapa2017-2018.pdf

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Torres del Paine, trilha do primeiro dia do Circuito W

Para fazer o O é necessário ser um trilheiro já experiente. Para o W não precisa tanto, mas é preciso um condicionamento médio e experiência em trilhas e também em camping se for acampar. Verifique no mapa que, para fazer o O, é necessário uma direção específica para a caminhada. Já para o W não é preciso, mas a maioria das pessoas inicia por Las Torres. A CONAF reforça as normas de visitação alertando sobre a quantidade permitida de visitantes diários, o motivo de o circuito O (maciço Paine Grande) ser unidirecional e a necessidade de reservar mesmo os acampamentos gratuitos neste link.

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Fauna encontrada pelo caminho nas trilhas

Hospedagens

Antes de ir você precisará fazer as reservas das hospedagens, principalmente se for ficar nos refúgios. No circuito W há 2 campings gratuitos,  Guarderia Torres (perto já das Torres del Paine) e o Acampamento Italiano, e no O, o acampamento Paso também. O link para reserva é este. O site do Parque explica sobre o sistema de reservas de campings e abrigos. Encontrei também um camping particular pela internet que fica no Lago Pehoe, fora do circuito W, que talvez seja útil para quem não estiver fazendo o trekking, mas sim passeios de menos dias.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Alguns locais de hospedagem têm tomadas, mas nunca é garantido funcionarem, ou muitas vezes há excesso de pessoas tentando utilizá-las. Portanto, previna-se com baterias extras para garantir caso não consiga carregar seus equipos. Outra opção de hospedagem é ficar num dos caros hotéis dentro do parque, mostrados em uma pesquisa pelo Booking ou em seus sites oficiais.

Segundo dia no Circuito W: de Torre Central a Los Cuernos

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Os acampamentos e os refúgios precisam ser reservados com antecedência, pois principalmente os refúgios costuram ter as vagas esgotadas logo. São 2 empresas que tomam conta do sistema de reservas, a Fantástico Sur e a Vértice Patagônia. A Fantástico Sur administra os refúgios Torre Central, Torre Norte, Los Cuernos e El Chileno. Também é responsável pelos campings Serón, Los Cuernos, El Chileno, Central e Francês. Já a Vértice Patagônia é a concessionária dos refúgios Paine Grande, Grey e Dickson, bem como dos campings Paine Grande, Grey, Dickson e Los Perros. Veja abaixo um mapa com algumas das hospedagens que cada empresa administra.

Clique para aumentar. Mapa dos administradores das reservas de algumas hospedagens no parque. Fonte: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/sistema-de-reserva-de-campamentos-1

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos acampamentos gratuitos a estrutura é bem simples, mas há sanitários e área de cozinha. Já nos campings pagos há chuveiro quente, cozinha e possibilidade de alugar equipamentos, inclusive a barraca. Aliás, se for acampar é importante levar uma barraca que aguente os intensos ventos patagônicos. Se não tiver, o melhor é alugar uma em Puerto Natales, e lá há vários locais que alugam o que você for precisar para sua estada em Torres del Paine bem mais barato que no parque.

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Terceiro dia no Circuito W: de Los Cuernos ao acampamento Italiano

Nos refúgios o que consta nas camas é lençol e travesseiro. Portanto, é importante levar um saco de dormir para se aquecer. Também nos refúgios você pode, ao reservar pelo site, escolher refeições inclusas. A vantagem de ficar nos refúgios é não precisar carregar peso de barracas e outros equipamentos. Porém, achei a comida no Torres del Paine muito cara, por isso reservei somente minhas hospedagens sem alimentação e levei um fogareiro e comida para todos os dias que permaneci no parque. Se você for cozinhar, isso deve ser feito nas cozinhas dos campings, mesmo que esteja hospedado nos refúgios. Quanto à água, leve sua garrafa e reabasteça-a no caminho, pois toda a água do parque é potável, tanto das torneiras das hospedagens quanto dos rios que cruzar (e não tem água mais gostosa que a de degelo das montanhas!).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Normas de segurança

Antes de iniciar seu tour, é importante estar atento às normas de segurança do parque. A mais importante de todas é não fazer fogueiras, pois tempos atrás houve um terrível incêndio no parque por conta de turistas que fizeram fogo. Também é expressamente proibido acender fogareiros fora das áreas permitidas para isso. Além disso, não pode acampar fora dos campings. Não seguir as regras implica em severas multas. Aqui estão todas as normas do parque. Segue um vídeo do parque explicando o principal.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

O que levar?

É importante que leve roupa de trilha, corta-vento (capa de chuva), roupas para frio (segunda pele, fleece, gorro, luva etc.), tênis de trilha (e um par de chinelos para relaxar à noite), bastões de caminhada (de preferência 2, para te equilibrar nos momentos de vento), material para cozinhar se fizer suas refeições dessa forma, saco de dormir e lanterna, garrafa de água, algo para fotografar, protetor solar e protetor labial, óculos escuros, remédios e curativos. Porém, sempre priorize levar o mínimo de peso possível, que aguente carregar caminhando por todos esses dias.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Uma dica: se você não tiver uma capa de chuva para mochilas pode colocar suas coisas dentro de um saco de lixo grande e aí sim colocar o saco com as coisas dentro da mochila, assim tudo ficará protegido caso pegue chuva.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Agora, finalmente vamos ao meu relato!

Eu fiz essa viagem com uma grande amiga, e fomos só nós duas para o circuito W. Ao chegar em Puerto Natales, fui extremamente bem recebida por um hostel da cidade para pernoitar, pois seguiria para o parque somente no dia seguinte. Eles me indicaram locais para comprar um gás para meu fogareiro (não pode levar o gás no avião, só o fogareiro) e alugar o que precisava. Passei num mercadinho e adquiri o que seriam minhas refeições pelos próximos 5 dias: intercalei um dia de macarrão com molho vermelho com um dia de arroz de saquinho e feijão pronto; coisas para beliscar por 5 dias, como maçã e barra de cereal; um pão e algo para passar nele para o café da manhã, e café solúvel. Os hostels de Puerto Natales geralmente guardam as coisas que você levou e que não vai precisar no trekking, assim você não precisa carregar peso desnecessário.

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Primeiro dia

No dia seguinte peguei o ônibus para iniciar o circuito W, descendo na portaria Laguna Amarga. É preciso guardar bem o ingresso do parque, pois é possível que te peçam durante sua caminhada. Quando você comprar o ingresso, receberá também um mapa do parque. Se estiver com seu passaporte, há um belo carimbo de TDP nessa portaria para estampá-lo. Dessa portaria peguei o ônibus (3.000 pesos chilenos) para o refúgio Torre Central, comprado à parte na hora (são 7 km). Minha hospedagem da noite seria o refúgio Torre Norte.

Terceiro dia no Circuito W: Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Chegando lá e após me acomodar e deixar minhas coisas, parti somente com mochila de ataque para a trilha em direção às Torres del Paine. Deu tempo de fazer isso somente porque o por do sol no verão é tardio, pois iniciei a trilha no horário do almoço (após comer bem para aguentar a caminhada rs). A trilha do refúgio Torre Central até as Torres del Paine tem 18 km ida e volta. São 3,5h a 5h de trilha só de ida, mais o tempo que ficar lá. Portanto, eu cheguei de volta em meu refúgio por volta das 21h ou 21h30 (quase o horário limite de usar a cozinha do camping).

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Mirador Vale do Francês

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

No início a visão das Torres estava encoberta, mas depois o tempo foi abrindo. Tive sorte, pois é possível fazer essa trilha e não ver esse belíssimo lugar por conta das condições climáticas. Ela é bem demarcada e certamente, não só nesse trecho como em outros do Circuito W, haverá outras pessoas fazendo o mesmo percurso que você. Você verá belíssimas paisagens pelo caminho. Do meio para o final da ida boa parte da trilha é subida, é um trekking cansativo, sobretudo no final, com várias pedras, mas com persistência será recompensador! Não desista, pois a visão das 3 torres com seu belo lago esmeralda na frente jamais sairá de sua cabeça!

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: do acampamento Italiano ao Refúgio Paine Grande

Algumas pessoas se hospedam numa parte do caminho dessa “perna” do W, no refúgio/acampamento Chileno ou no camping Torres (este último, principalmente se o plano for ver o por ou o nascer do sol nas Torres). Caso vente ou chova excessivamente, dê um tempo na sua caminhada até as condições climáticas abrandarem.

Terceiro dia no Circuito W: chegando ao Refúgio Paine Grande

Terceiro dia no Circuito W: tudo bem sinalizado sempre!

Segundo dia

Em meu segundo dia caminhei já com minha mochila cargueira com todas as coisas, pois iria do refúgio Torre Norte para meu segundo ponto de pernoite, o refúgio Los Cuernos. Esse trecho de 11 km é previsto para ser feito em 4,5 horas, e no caminho você terá a bela vista do lago Nordenskjöld. Como tinha feito as Torres no dia anterior, ainda estava relativamente descansada, e achei esse dia de caminhada mais tranquilo por ser mais curto e com menos subidas. Aliás, essa foi uma vantagem de fazer as Torres no primeiro dia, estar bem descansada. Porém, algumas pessoas, que fazem o W invertido, pensam em deixar as Torres para o último dia para ter uma folga de dias depois: caso não dê para ir nas Torres por conta de condições climáticas no dia que chegarem na região, podem tentar no dia seguinte. Mas daí você já estará cansado do circuito inteiro e isso poderá ser mais exaustivo.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Se você for fazer o W invertido, após seu ônibus passar na portaria Laguna Amarga você deve entrar no ônibus de volta e seguir para a portaria Pudeto e pegar o barco para o refúgio Paine Grande, algo que vou descrever ao contrário no final deste relato.

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: do Refúgio Paine Grande ao Refúgio Grey

Chegando no refúgio Los Cuernos, assim como no Torre Norte, o clima foi de descontração, pois os refúgios são quase hostels, com vários trilheiros trocando experiências, a cozinha cheia de gente jogando conversa fora e todos animados apesar do cansaço.

Quarto dia no Circuito W: o Refúgio Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Terceiro dia

Meu terceiro dia foi o mais puxado de todos. Fiz a parte central da letra W, caminhando do refúgio Los Cuernos, passando pelo acampamento Italiano para fazer essa “perna” central do W subindo até o Mirador Francês e Mirador Britânico, e daí descendo de volta até o acampamento Italiano e caminhando até o refúgio Paine Grande. Somando tudo, foram uns 25 km andando nesse dia. De Los Cuernos até o acampamento Italiano foram 5 km, deste até o Mirador Francês e Mirador Britânico, mais 6 km. Depois, mais 6 km da volta do mirador até o acampamento Italiano, e deste até o refúgio Paine Grande, 7,6 km. Foram cerca de 8h a 10h caminhando, um dia todo!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

O trecho de Los Cuernos até o acampamento Italiano foi relativamente tranquilo. Quando você chega no acampamento Italiano, você pode deixar sua mochila no local para subir até o Mirador Francês e Mirador Britânico sem peso (o que é extremamente reconfortante!). Pode deixar suas coisas, ninguém mexe! A caminhada do acampamento Italiano até o Mirador é toda de subida e cheia de pedras. Porém, do caminho você verá lindas geleiras, avistará os lagos Nordenskjöld e Pehoe, é um trecho imperdível! Força porque, ao chegar no Mirador, a vista para a cadeira de montanhas, os Cuernos, é incrível! Tive a sorte de pegar tempo aberto e essa vista é rodeada das lindas montanhas, é um dos destaques do dia!

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

Quarto dia no Circuito W: Glacial Grey

A descida foi mais tranquila, voltei ao acampamento Italiano, recuperei minha mochila e segui para o refúgio Paine Grande. Depois da cansativa subida ao Mirador do Vale do Francês, já estava fatigada, e esse trecho de 7,6 km até o Paine Grande pareceu não acabar nunca! A uns 2 km do refúgio conheci finalmente os fortes ventos patagônicos da região e agradeci por estar com 2 bastões, que me equilibraram com o peso que eu carregava na trilha. Até agora eu não acredito que eram só 2 km que faltavam! Cheguei quase anoitecendo ao refúgio.

Esse é o Calafate!

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quarto dia

No quarto dia acordei descansada e segui para a trilha de 11 km do refúgio Paine Grande até o refúgio Grey, a “perna” final do W. Antes de sair, confirmei meu barco para ir embora para o dia seguinte saindo do Paine Grande, às 11h30. As pessoas que fazem o circuito W em 4 dias geralmente fazem esse trecho de Paine Grande ao Grey ida e volta no mesmo dia, totalizando 22 km. Porém, como fiz em 5 dias e caminho tranquilamente, eu fiz só a ida e dormi no refúgio Grey (sou uma trilheira de nível médio rs).

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

A caminhada não é muito difícil, mas eu estava cansada dos dias anteriores. Segundo o mapa são 3,5 horas, mas eu fiz em umas 5h. Passa-se pela Laguna de Los Patos e no geral, a vista é para o Lago Grey, que é lindíssimo! Em todas as vistas para esse lago avistei alguns icebergs. Depois, finalmente você chegará ao Mirador Grey, onde se vê o glacial Grey, uma visão belíssima! Continuando daí, já via o refúgio, que fica próximo do glacial, e parecia próximo, mas nunca chegava, numa descida extensa.

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Quinto dia no Circuito W: do Refúgio Grey ao Refúgio Paine Grande

Após finalmente chegar, larguei as coisas no refúgio Grey e fui ver o glacial de mesmo nome, que fica bem próximo. No caminho, com um outro viajante, aprendi a identificar os calafates, uma frutinha de planta rasteira e espinhenta que dá nome à cidade de El Calafate. Depois desse lanchinho me esbaldei de tirar fotos de icebergs e gelo! O lago com o glacial é incrível, você chega bem pertinho! Ao lado desse trecho do lado há um pequeno morro onde é possível subir e ter uma visão mais de cima. Estou maravilhada até hoje!

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

Quinto dia no Circuito W: Lago Pehoe

O clima no refúgio, como nos outros, era bem alegre, inclusive no bar do refúgio vendiam licor de calafate, a frutinha que comi no dia anterior. Eu até fiquei alegre demais e quase perdi minha bolsinha com todos os documentos e dinheiro, e as passagens de barco e ônibus do dia seguinte! Mas recuperei, ufa!

Quinto dia no Circuito W: barco que leva pelo Lago Pehoe do Paine Grande até a portaria Pudeto

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia

No dia seguinte fizemos o caminho de volta do Grey ao Paine Grande em menos tempo, 3,5 a 4h, caminhei mais depressa porque estava preocupada com o horário do barco. Aproveitando, esses são os horários dos barcos de partida, e geralmente o horário do barco de Paine Grande à portaria Pudeto é casado com o horário do ônibus de Pudeto para Puerto Natales.

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Quinto dia no Circuito W: navegando pelo Lago Pehoe para ir embora 🙁

Fui embora cansada do total da caminhada, mas feliz. Despedi-me do parque passeando pelo lindo lago Pehoe, chegando à portaria e pegando o ônibus. O circuito W é inesquecível, e um dia voltarei para fazer o circuito O. Agora tenho a certeza do motivo pelo qual as trilhas do Parque Nacional Torres del Paine estão na lista das trilhas mais lindas do mundo!